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Você sabe quem é Jeremy Bailenson? Então, deveria.

Descubra quem é Jeremy Bailenson, o professor de Stand Stanford que encantou Mark Zuckerberg e iniciou uma onda encabeçada pela Samsung, Google, Sony, HTC e o próprio Facebook.

Virtual Human Interaction Lab

Realidade Virtual: um novo mundo a descobrir tanto para empresa, quanto para consumidores.

Imagine ser vítima de um tornado: perder família, amigos, casa e não saber se conseguirá se manter vivo nos minutos seguintes. Tem experiência melhor para que alguém seja sensibilizado para a importância da discussão sobre as mudanças climáticas? Agora imagine que essa experiência pode ser real, mas sem riscos e de graça.

Essas perguntas intrigantes e a possibilidade de experimentá-las fazem parte do trabalho de Jeremy Bailenson, fundador do Virtual Human Interaction Lab, da Stanford University e pioneiro no campo da virtualidade. E quando dizemos pioneiro, significa que é ele quem fomentou a vontade de empresas como a SamsungOculus, Google, Sony e o Facebook de Mark Zuckerberg a criar tecnologias voltadas para a realidade virtual.

Bailenson tem ajudado empresas e pessoas a navegar pelo furacão da realidade virtual (VR, na sigla em inglês) e falou ao público da HSM EXPO 2016, feira que aconteceu na semana passada em São Paulo, sobre a maior onda de criatividade da história. “A realidade virtual é a essência da criatividade, ela foi projetada para dar asas à sua imaginação”, disse ele que, no entanto, defende que essa tecnologia seja reservada a coisas impossíveis, perigosas, caras e raras.

Jeremy Bailenson: é por causa dele que hoje podemos comprar um óculos de realidade virtual.

Jeremy Bailenson: é por causa dele que hoje ouvimos falar tanto em realidade virtual (VR).

Formado em psicologia, foi no final dos anos 1990 que ele decidiu mudar para o campo da engenharia e dedicar-se ao estudo da realidade virtual, tornando-se um dos mais respeitados especialistas no tema. No laboratório de Bailenson, o principal do mundo no assunto, são conduzidas experiências desse tipo, como a que fez com que um homem branco conseguisse se sentir como uma mulher negra. “Ele não se imaginou, ele de fato se sentiu como se fosse aquela mulher, e isso é extremamente importante para a quebra de preconceitos”, disse.

Na universidade de Stanford, Bailenson ocupa muitas funções. Além de diretor do Virtual Human Interaction Lab, que fundou em 2003, é professor de comunicação, educação e sistemas simbólicos. Hoje suas pesquisas buscam entender como nossos cérebros reagem à realidade virtual – um campo que tem atraído a atenção de todos, do Senado americano ao Departamento de Defesa, e empresas das mais diversas indústrias.

Mas o que é a Realidade Virtual?

Realidade virtual: experiências extraordinárias, sem sair de casa.

Realidade virtual: experiências extraordinárias, sem sair de casa.

Tecnologias de realidade virtual são aquelas que, normalmente com o auxílio de um óculos ou outro dispositivo, recriam ao máximo a sensação de realidade para o usuário. “A realidade virtual é tao real que muda você depois. O cérebro processa essa informação como real, por mais que você saiba, racionalmente, que não é”, explica o pesquisador. No campo da saúde, por exemplo, descobriu-se que vítimas de queimaduras graves que experimentavam a experiência virtual de enxergar-se em montanhas geladas, cobertas de neve, sentiam menos a dor de suas feridas.

A realidade virtual “não é só uma forma de entretenimento, mas pode ser uma excelente forma de negócios”, afirma Bailenson. Por isso, vai mudar radicalmente a forma como os mercados funcionam e também a forma como trabalhamos. Durante a HSM Expo, o pesquisador conversou sobre essas mudanças.

De treinamentos técnicos para profissionais da indústria – manuseio de máquinas, por exemplo – ao treinamento de médicos para situações cirúrgicas os mesmo primeiros socorros para leigos, tudo será (e já vem sendo) facilitado com a possibilidade de imersão oferecida pela realidade virtual. Da mesma forma, cursos universitários e MBAs a distância serão experiências cada vez mais próximas da sala de aula. “Em Stanford, vai chegar o dia em que teremos a sala de aula virtual e totalmente em rede”, ele prevê.

Experimentação e Criatividade

“No mundo da realidade virtual não existem regras”, explica o professor. Dessa forma, é um prato cheio para profissionais criativos darem asas à imaginação. E, na medida em que a tecnologia se torna mais acessível comercialmente, aumentará a demanda do mercado por profissionais altamente criativos capazes de criar conteúdo relevante e envolvente em realidade virtual. Para Bailenson, criar nessa área é mais difícil, pois demanda um conteúdo que engaje o usuário “por todos os lados”.

Serão necessários tanto profissionais técnicos, capaz de criar realidades surpreendentes com o auxílio da computação, como profissionais de marketing e publicidade capazes de criar conceitos dentro da realidade virtual. É todo um novo campo que está surgindo, e ele prevê uma “explosão de criatividade”.

Imagine, por exemplo, que uma empresa de turismo consiga mostrar para os seus clientes a experiência de seus destinos com o auxílio de um óculo de realidade virtual. No vídeo a seguir, basta colocar um óculos de realidade virtual e mover a câmera para os lados, para entender o quão imersiva é a experiência:

Entrando na Dança

No começo de 2014, Mark Zuckerberg comprou por 2 bilhões de dólares a startup Oculus de realidade virtual. O valor exorbitante pago por uma companhia que até então não havia vendido sequer um produto pegou todos de surpresa. A inusitada aposta havia sido mediada e aconselhada por Jeremy Bailenson. O campo de trabalho, que na época soava estranho e pouco palpável, hoje já é uma realidade comercial da qual muitas empresas decidiram fazer parte. Veja abaixo as principais que apostam nesta tecnologia:

Facebook e Oculus

Oculus Rift: o headset já pode ser comprado nos EUA por US$ 599

Oculus Rift: o headset já pode ser comprado nos EUA por US$ 599

A rede social de Mark Zuckerberg já incorporou vídeos em 360 graus nas timelines ao redor do mundo e, em breve, pretende tornar a experiência de se comunicar muito mais participativa. Através da compra da Oculus, empresa fabricante do headset de realidade virtual Oculus Rift (imagem acima) quer se manter na dianteira desta tendência e mostrou como o VR pode ser útil até no trabalho. Veja:

O  Oculus Rift já está à venda nos Estados Unidos por US$ 599,99. Mas o preço diz respeito apenas ao óculos de realidade virtual. Se você não tiver um controle (o mesmo de um videogame, já que ele não possui um modelo próprio) ou um PC, pode optar por comprar um kit completo (headset + joystick + PC) por US$ 1.899,98.

Samsung

Gear VR: é mais barato porque usa a tela do smartphone.

Gear VR: é mais barato porque usa a tela do smartphone e já possui um vasto catálogo de experiências.

A Samsung também fez uma parceria com a Oculus, mas com uma proposta mais abrangente: ao substituir computadores especializados pelo smartphone que o usuário  já possui, a empresa oferece o Gear VR, um óculos de realidade virtual que, no custo total, é muito mais acessível para consumidores. Essa façanha é conquistada pelo fato de que a tela do smartphone e seu poder interno de processamento substituem os componentes que seriam necessários ao óculos.

O modelo já está a venda no Brasil por R$ 676,55, mas também pode ser adquirido de graça na compra de um smartphone Galaxy S7 ou S7 Edge. A empresa, aliás, vende também uma câmera para que você possa gravar suas próprias experiências virtuais, a Gear 360. Ela também já está disponível no Brasil por R$ 1.999,00. É possível ver um pouco da experiência do usuário no vídeo promocional abaixo:

Google

Daydeam View é o headset de realidade virtual do Google

Daydeam View é o headset de realidade virtual do Google, com proposta similar ao Gear VR da Samsung

O Google entrou timidamente na jogada ao apresentar o Google Cardboard, óculos de realidade virtual feito de papelão. Era possível comprá-lo ou produzi-lo você mesmo. Mas, recentemente, a empresa apresentou seu substituto, o Daydream View, headset muito melhor elaborado e até um tanto fashion, feito para unir conforto e um novo recurso: o controle remoto à lá pointer, para que as experiências fiquem ainda mais interativas. O modelo começou a ser vendido neste mês nos Estados Unidos, por US$ 79,00, e já possui um pequeno ecossistema com jogos e vídeos para o deleite do usuário.

HTC

HTC VIVE óculos de realidade virtual

HTC VIVE óculos de realidade virtual

Talvez um dos mais promissores para quem puder pagar por ele, o VIVE é o headset da HTC. Sim, ela é uma empresa mais conhecida por seus smartphones, mas também passou a produzir óculos de realidade virtuais para computadores com o Windows. O HTC VIVE exige PCs potentes e tem custo inicial alto de US$ 799,00 apenas para o kit com o óculos, controles e sensores. Mas ganha nas possibilidades que oferece: por possuir alta qualidade de imagem e sensores que reconhecem exatamente a localização espacial do usuário e sua cabeça, o VIVE é mais imersivo que seus concorrentes.

Sony

PlayStation VR: especificações medianas, mas com um ecossistema poderosíssimo.

PlayStation VR: a Sony conseguiu unir preço competitivo com uma excelente coleção de jogos.

A dona do PlayStation não poderia ficar de fora dessa, não é mesmo? A Sony lançou neste ano o PlayStation VR óculos de realidade virtual com controles que parecem microfones iluminados. Se ele não possui as especificações de hardware monstruosas do HTC VIVE ou do Oculus Rift, ganha pelo fácil acesso ao consumidor (muita gente já está acostumada e tem um PlayStation em casa) e pela qualidade dos jogos já oferecidos. Você não poderá andar pela sala como faria com o VIVE, mas encontrará experiências e jogos pra lá de divertidos, e a Sony lembra que isso é só o começo. O kit com o headset, controles e câmeras (sem o console), chamado de “PlayStation VR Launch Bundle” custa US$ 499,00 nos Estados Unidos.

Enfim, definir qual tecnologia de realidade virtual será a vencedora, ainda é muito cedo para dizer. Nos próximos anos, veremos se as apostas da Samsung, Google e Sony em modelos mais baratos  (mas com menos potência e interatividade) ganharão mais mercado do que as alternativas mais caras e que dependem de um computador, como o Oculus Rift e o HTC Vive.

Mas o fato é que a Realidade Virtual já começou a fazer parte de nossos dias. Para muito além dos exemplos citados, as aplicações são quase infinitas. E isto é um belo convite para você também entrar na dança.

Bruno A. Martinez é advogado, bancário e criador do Showmetech. E sim, todo mundo pergunta por que ele não estudou algum curso relacionado com tecnologia.

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