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Ciência e Tecnologia

“Arraia-robô” criada a partir de células de ratos é novo marco da biotecnologia

Pesquisadores da Harvard University criaram uma espécie de “arraia-robô” usando ouro, silicone e células cardíacas de ratos modificadas geneticamente.

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Definir o que é vida tem sido uma tarefa cada vez mais complexa no ambiente científico. Recentemente, publicamos a história de Hug Herr e sua pesquisa de próteses robóticas que emulam perfeitamente membros humanos. Agora, uma “arraia-robô” (robotic stingray) criada a partir de células de ratos promete levar essa discussão para outro nível.

Arraia-robô

Arraia-robô (robotic stingray)

Um estudo divulgado nessa sexta-feira (8) pelo periódico Science, apresenta um projeto de pesquisadores da Harvard University que criaram uma espécie de “robô biológico” semelhante a uma arraia usando ouro, silicone e células cardíacas de ratos modificadas geneticamente.

A arraia-robô tem pouco mais de 1 centímetro de comprimento, pesa menos de 10 gramas, e pode ser controlado remotamente para se mover por líquidos. Mais de 200 mil células de corações de ratos são responsáveis por permitir o movimento do robô.

As células foram modificadas geneticamente para responder a ondas de luz de determinado comprimento. Quando a luz é usada para iluminar o robô, ele começa a ondular e anda para frente; para fazê-lo virar para um lado, basta iluminar apenas aquele lado.

Por ser composto de células vivas, a arraia-robô consegue se alimentar de nutrientes presentes nos líquidos pelos quais se move. Mesmo após 6 semanas, 80% de suas células continuavam vivas. Apesar disso, os pesquisadores admitem que ele é vulnerável a bactérias ou fungos, pois não possui sistema imunológico, e por isso qualquer infecção pode destruí-lo.

Camadas

Camadas da arraia-robô (robotic stingray)

De acordo com o site Popular Mechanics, a arraia-robô é composta por 4 camadas de materiais, sendo elas:

  • 1ª camada: Corpo flexível feito de silicone que segura todas as camadas juntas.
  • 2ª camada: “Esqueleto” de ouro que faz com que os músculos retornem à sua posição original após as contrações.
  • 3ª camada: Superfície fina de silicone que impede que o ouro tenha contato direto com os músculos. Essa camada também “guia” o crescimento das células musculares abaixo dela, para que elas desenvolvam exatamente a arquitetura muscular que os pesquisadores desejam.
  • 4ª camada: Contém os músculos cardíacos de ratos, que são responsáveis pela movimentação do robô. As células musculares são organizadas de maneira que cada célula, ao se contrair, faz com que a vizinha se contraia também, permitindo que o robô se mova.

Fronteiras da vida

Pesquisador da Harvard University, Kit Parker

Pesquisador da Harvard University, Kit Parker.

O anúncio da arraia-robô deve por mais lenha na fogueira da discussão sobre o que é vida. Para Kit Parker, bioengenheiro que liderou a equipe responsável pelo robô, acredita que a criação é um ser vivo: “Acho que temos uma forma de vida biológica aqui“, diz.

Questionado se o robô poderia ser considerado um organismo vivo, Parker afirma que há outros parâmetros para que isso possa ser considerado. “Eu não o chamaria de organismo, porque ele não pode se reproduzir, mas ele certamente está vivo“, completou.

Jornalista, fã de cinema e curioso de todas as coisas. Sempre atento às informações, escreve sobre ciência, comportamento e as novidades do mundo tecnológico.

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