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Ecos da polêmica! Escritor italiano diz que redes sociais deram voz à “legião de imbecis”

Crítico do papel das novas tecnologias na disseminação de informação, Umberto Eco afirmou que redes sociais dão à palavra a uma “legião de imbecis”

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Mesmo sendo uma realidade concreta, a presença das redes sociais e a revolução promovida pela internet, especialmente no campo da comunicação, continuam a ser recebidas com ceticismo por teóricos acadêmicos e intelectuais da velha guarda. Desta vez, foi o escritor e filósofo italiano Umberto Eco que ganhou os views do mundo que parece menosprezar.

Crítico do papel das novas tecnologias no processo de disseminação de informação, Eco afirmou que as redes sociais dão o direito à palavra a uma “legião de imbecis“, que antes falavam apenas “em um bar e depois de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade“. A declaração foi dada na semana passada (10), durante o evento em que ele recebeu o título de doutor honoris causa em comunicação e cultura na Universidade de Turim, norte da Itália.

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Segundo o escritor, a TV já havia colocado o “idiota da aldeia” em um patamar no qual ele se sentia superior. “O drama da internet é que ela promoveu o ‘idiota da aldeia’ a portador da verdade“, acrescentou. “Normalmente, eles (os imbecis) eram imediatamente calados, mas agora eles têm o mesmo direito à palavra de um Prêmio Nobel“, completou o intelectual. O escritor ainda aconselhou os jornais a filtrarem com uma “equipe de especialistas” as informações da web porque ninguém é capaz de saber se um site é “confiável ou não“.

Talvez seja preciso compreender a declaração de forma mais contextualizada. A internet criou um paradoxo: ela pode ser um grande espaço de aprendizagem e compartilhamento de conhecimento, mas também criou, ao democratizar a informação e as manifestações, um espaço de manifestação sem critérios de responsabilidade, no qual o anonimato pode servir de instrumento para a disseminação do ódio.

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É fundamental lembrar que Umberto Eco é um intelectual respeitável admirado no mundo todo. Alguns de seus textos, escritos ao longo de mais de 50 anos, são referências obrigatórias no campo da comunicação. Escreveu obras fundamentais sobre retórica, ideologia, literatura, semiótica e publicidade – além de produzir grandes ensaios sobre fenômenos da cultura pop como James Bond e o mito do Super-Homem

Se as redes sociais fossem simplesmente uma reunião de idiotas que querem se sentir importantes ou menos solitários, não teriam mais significado que as dezenas e centenas de clubes de correspondência que sempre existiram, através de revistas populares e outros meios. Além disso, é inegável que houve uma maior diversificação de opiniões e uma maior democracia na informação, retirando o monopólio da informação da imprensa tradicional, sempre vinculada a uma visão conformista dos fatos.

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Dessa forma, não se trata de reconhecer que as redes sociais deram voz a “legião de imbecis“, mas o quanto a assertiva de Umberto Eco pode ser relativizada ou aplicada em outros casos, já que o mesmo foi dito sobre o voto (vejam nossos congressos), o turismo e até mesmo da imprensa (vejam a qualidade da nossa “equipe de especialistas“) quando se democratizaram.

Por se tratar de um novo espaço de discussão, a internet ainda procura se estabelecer como uma extensão (ou não) da esfera pública. Se a falta de mediação produz a multiplicidade ao mesmo tempo que amplifica a idiotia, tanto a idealização de um lado, quanto a rotulação de outro, são contribuições menores neste importante debate.

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Talvez esteja na articulação destes movimentos um campo de ideias muito mais fértil; como construir um espaço plural de ideias onde o respeito e a compreensão sejam mais disseminados do que o lixo. Seria paradoxal que um estudioso da comunicação – enquanto forma das relações humanas – desprezasse algo tão constitutivo de seu objeto de estudo.

E você, o que acha? Todos devem tem voz na internet?

Jornalista, fã de cinema e curioso de todas as coisas. Sempre atento às informações, escreve sobre ciência, comportamento e as novidades do mundo tecnológico.

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