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Especial: a NASA, quem diria, agora depende dos russos

Nesta sexta-feira, o ônibus espacial Atlantis parte para seu último voo, antes de virar (literalmente) peça de museu. A missão vai marcar não somente o fim do projeto americano de naves retornáveis, mas uma reviravolta na corrida espacial inimaginável há algumas décadas…

 
 
Abaixo segue uma matéria muito interessante, publicada no O GLOBO, sobre o último vôo de um ônibus espacial, que se inicia hoje, nos Estados Unidos:
 

Nesta sexta-feira, o ônibus espacial Atlantis parte para seu último voo, antes de virar (literalmente) peça de museu. A missão vai marcar não somente o fim do projeto americano de naves retornáveis, mas uma reviravolta na corrida espacial inimaginável há algumas décadas: até que um novo programa de naves da NASA seja estabelecido, os americanos vão depender dos russos para levar tripulantes e equipamentos à Estação Espacial Internacional, em órbita da Terra. A grande ironia da situação é que a corrida espacial propriamente dita só existe – e só ganhou esse nome – por conta da rivalidade entre americanos e soviéticos ao longo da Guerra Fria.Guerra Fria, para quem é muito novo, é o nome que se dá ao embate ideológico entre os Estados Unidos e a União Soviética entre o fim da Segunda Guerra, em 1945, e o colapso do comunismo na Rússia, no início dos anos 1990. Embora as superpotências nunca tenham entrado em conflito direto, elas se enfrentaram indiretamente em guerras localizadas, golpes de estado e, principalmente, na propaganda. E essa foi a gênese da corrida espacial.

Ao longo da década de 1950, enquanto o Macartismo perseguia os comunistas dentro dos EUA, a propaganda vendia a idéia de que os russos eram atrasados e que todos os seus avanços tecnológicos eram resultado de espionagem – como o caso dos Rosenberg, executados por vender a Stalin os segredos da bomba atômica americana. Por causa disso, pouca gente levou a sério quando, no início de 1957, o líder soviético Nikita Kruchov afirmou que seu país dispunha de mísseis capazes de atingir os EUA. Mas era verdade.

Não que os russos tivessem lançado bombas sobre a América no sentido concreto, mas foi assim que repercutiu o advento do Sputnik. Em 4 de outubro de 1957, um bola metálica de 84kg, equipada com antenas que emitiam um bip irritante, mostrou que os russos tinham, sim, saído na frente na exploração do espaço. Para piorar as coisas, o satélite era oito vezes mais pesado do que o máximo que os cientistas americanos consideravam possível ser levado por um foguete.

Se a situação já era ruim, piorou muito um mês depois, com o lançamento do Sputnik II, levando a bordo a cadela Laika, o primeiro terráqueo a deixar o planeta. O novo satélite pesava inacreditáveis 508kg e exigiu uma reação imediata dos EUA: foi anunciado a toque de caixa o lançamento do primeiro satélite americano, que subiria ao espaço, com toda a pompa e circunstância, no dia 7 dezembro. A alegria durou exatos dois segundos, tempo que foguete Vanguard levou para explodir, ainda na plataforma, diante de centenas de convidados e milhões de telespectadores.

A humilhação da “superpotência do Mundo Livre” chegou ao máximo em 12 de abril de 1961, quando o cosmonauta Yuri Gagarin se tornou o primeiro homem a ir ao espaço. Um mês antes, o presidente John Kennedy havia exortado os americanos a um esforço concentrado para chegar à Lua antes do fim da década. Ele sabia que esse seria o único feito capaz de sobrepujar, em termos de propaganda, os sucessos soviéticos. E estava certo.

Em 20 de julho de 1969, Neil Armstrong deu o “grande salto para a Humanidade” ao pisar na superfície lunar, um feito que os russos jamais conseguiram superar. Dali em diante, a corrida espacial evoluiu com feitos menos espetaculares. A União Soviética investiu em estações espaciais, enquanto os americanos fizeram mais algumas viagens à Lua e partiram para os ônibus espaciais, cujo primeiro lançamento aconteceu em 1981. Ao longo de 30 anos, esse foi o mais longo e bem-sucedido projeto da corrida espacial, a despeito dos desastres com a Challenger, em 1986, e a Columbia, em 2003.

Agora, com a aposentadoria da Atlantis, que vai para um museu, crescem os temores da esvaziamento da NASA, como mostra matéria do “New York Times”. Para continuar no espaço, os EUA dependem da boa vontade de Moscou. Por essa, nem Kruchov esperava.

Veja abaixo o vídeo:

 

 
Fonte: OGLOBO.

Bruno A. Martinez é advogado, bancário e criador do Showmetech. E sim, todo mundo pergunta por que ele não estudou algum curso relacionado com tecnologia.

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