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Google Devices: um conceito que engana

Na teoria, “Google Devices” são smartphones com o sistema Android, idealizados pelo Google, mas fabricados por outras empresas. Além de carregarem algumas das melhores especificações à época do seu lançamento, são modelos pelos quais outros fabricantes e desenvolvedores devem se inspirar para criar novos aplicativos e smartphones. O conceito é muito bonito. Mas, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam…

 

Na teoria, “Google Experience Devices” (GEDs) são smartphones com o sistema Android, idealizados pelo Google, mas fabricados por outras empresas. Além de carregarem algumas das melhores especificações à época do seu lançamento, são modelos pelos quais outros fabricantes e desenvolvedores devem se inspirar para criar novos aplicativos e smartphones. Eles possuem uma característica em especial: segundo o próprio Google, são os primeiros aparelhos a receberem as futuras atualizações do sistema operacional. E, quem já teve um smartphone Android, sabe que esta última característica é ponto decisivo na escolha do próximo aparelho.

O conceito é muito bonito. Mas, na prática, não é bem assim que as coisas funcionam. O problema está no fato de que o Google deixa diversos pontos em aberto, sem os quais fica difícil entender a vantagem de se comprar um aparelho com sua assinatura. Sendo assim, listo abaixo algumas destas indefinições, para que você saiba realmente o que esperar ao comprar um aparelho com a tal “Google Experience”:

1. Número de atualizações por aparelho: embora o seu Google Device seja sempre o primeiro a receber atualizações, você não tem como saber quando ele deixará de ser suportado pelo Google. Por exemplo, donos do Nexus One, lançado em Janeiro de 2010, não receberão a atualização 4.0 ICS, lançada em Novembro de 2011. Pior, a confirmação deste fato chegou somente após o lançamento da nova versão, visto que não é prática do Google fixar um prazo mínimo para atualizações.

2. Prazo para receber atualizações anunciadas: outro problema com os Google devices é a indefinição do prazo máximo para receber uma atualização anunciada. Entre o anúncio de uma nova versão do sistema e a possibilidade de se atualizar seu aparelho, podem se passar muitos meses. O problema se agrava com a falta da fixação de uma data. Por exemplo, donos do smartphone Nexus S, lançado a menos de um ano atrás, ainda não sabem em qual data seu aparelho será atualizado para a última versão já anunciada. A data provável é o primeiro trimestre de 2012, ou seja, vago e incerto.

3. Um mesmo aparelho pode ser considerado diferente para a atualização: tome cuidado, pois nem todo Google Device é um Google Device. Isso é bem o que os compradores do tablet Motorola XOOM descobriram ao comprar seu aparelho no Brasil. Ainda que sejam o mesmo aparelho, o Google decidiu que apenas a versão americana do tablet, vendida pela Verizon, receberia o seu suporte. A versão Brasileira ficou a ver navios e, até hoje, está desatualizada. Mais um fator que deve ser considerado na hora da compra.

Ou seja, na prática, fica difícil garantir que um Google Experience Device seja mesmo mais vantajoso do que seus concorrentes, ainda que estejamos falando só de aparelhos Android. Se você se arrisca a instalar ROMs customizadas em seu aparelho, essa diferença fica ainda menor, pois a comunidade de desenvolvedores independentes costuma correr a um passo muito mais acelerado do que os responsáveis pelas atualizações oficiais do Android.

Tenho notado que a postura do Google neste ponto é um tanto omissa. Que não me levem a mal, adoro a Google e sou usuário de diversos de seus bons produtos. Mas, não vejo ninguém tentando solucionar esta questão. Pode-se dizer que este parece ser o funcionamento de uma empresa acostumada com “betas eternos”, onde a resposta para um problema costuma ser tão evasiva quando “o produto é beta”, e é recebida como ofensa, como se o consumidor estivesse errado em exigir uma postura mais clara.

Parece até que o Google optou por não atender às expectativas de muitos consumidores. Não que isto seja uma obrigação, mas essa omissão pode fazer com que o sistema Android perca terreno para os concorrentes.

Como falamos anteriormente: Google Devices são modelos pelos quais outros fabricantes e desenvolvedores devem se inspirar para criar novos aplicativos e smartphones. Então, é triste que seja esta a mensagem que o Google passa para os demais fabricantes de smartphones Android.

Fica assim uma sugestão, vinda de quem torce para o sucesso tanto da Google, quanto do sistema Android: que tal serem mais claros e transparentes em suas promessas, hein? Enquanto isso, vou pensar duas vezes antes de sugerir um Nexus.

Bruno A. Martinez é advogado, bancário e criador do Showmetech. E sim, todo mundo pergunta por que ele não estudou algum curso relacionado com tecnologia.

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