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Mais do que nunca, Motorola se torna peça fundamental para os planos da Google

Google toma as rédeas da Motorola, adquirida em 2011, e se prepara lançar o primeiro smartphone desta parceria. Será suficiente para rivalizar com a Samsung, atual líder do ecossistema Android?

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A compra da Motorola Mobility pela Google em 2011, vista pelos analistas e pelo mercado como uma forma defesa para o Android e fabricantes parceiros na “guerra de patentes”, parece ganhar em importância. Logo após a aquisição da empresa e suas mais de 17.000 patentes por 12.5 bilhões de dólares, a Google tranquilizou seus parceiros ao afirmar que a empresa continuaria independente e não receberia tratamento especial.

Nos últimos meses, porém, a gigante de buscas parece ter mudado de ideia. Com a ida de executivos para a Motorola e notícias de um breve lançamento do X Phone, o primeiro aparelho da Motorola com desenvolvimento influenciado pela Google, a empresa demonstra tomar as rédeas da fabricante, que há tempos não emplaca um celular de sucesso.

Motorola and Google X-Phone Project

Um primeiro olhar mostra o interesse da Google em seguir um modelo de produção mais parecido com o da Apple, controlando hardware e software para garantir uma melhor integração e experiência ao usuário – algo bem-vindo. Mas uma análise do mercado de smartphones mostra outro aspecto importante deste movimento: diminuir a dependência do ecossistema Android da Samsung.

No último ano, a gigante sul-coreana consolidou sua posição no mercado mundial de smartphones com números impressionantes. Segundo a IDC, a Samsung fechou o último trimestre de 2012 (Q4/2012) com 29% das vendas de smartphones, equivalentes a 63.7 milhões de aparelhos, crescimento de 76% em relação a 2011 e quase 16 milhões à frente da Apple. Se considerarmos o lucro no mercado de aparelhos celulares, há uma clara polarização entre Apple e Samsung, que levaram, respectivamente, aproximadamente 70% e 30% em 20121. Com exceção da HTC, que levou menos de 1% do lucro do mercado, todas os outros fabricantes ficaram com resultados negativos.

Se isolarmos o ecossistema Android, que em Q4/2012 obteve participação mercado de 70%, a Samsung tem domínio de 42% com a família de aparelhos Galaxy, bem à frente dos outros fabricantes, todos com participações de apenas um dígito. Outro estudo, da Localytics, mostra que 8 dos 10 aparelhos celulares mais utilizados em janeiro deste ano pertencem à Samsung, sendo 7 deles Galaxy. Esse domínio do escossistema Android, aliado à polarização dos lucros com a fabricante sul-coreana, coloca a Google em uma posição delicada de dependência.

top-10-android-devices-january-2013

 

Não é de surpreender então que, de acordo com o analista Benedict Evans, a marca Galaxy esteja ultrapassando a marca Android na mente do consumidor. Muitos já chamam celulares com Android de Galaxy. Um dos fatores que levam a isso é o enorme orçamento de marketing da Samsung Electronics de aproximadamente 14 bilhões de dólares2, o equivalente a 13 a 14 vezes o investimento da Apple, por exemplo. Grande fatia desse bolo bilionário é utilizado para a promoção da marca Galaxy, que inclusive teve direito ao minuto mais caro da TV americana em anúncio no Super Bowl, final da liga de futebol americano NFL nos EUA. A gigante sul-coreana, que no início da parceria com a Google utilizou a marca Android para fazer sua fama, cujo logo inclusive estampava os smartphones da empresa, hoje, praticamente não faz menção da marca pertencente à Google ou uso de seu logo com robozinho.

galaxyjapan

Mas o que significa isso para a Google? Ter um parceiro como a Samsung com capacidade para popularizar o sistema operacional Android com tanta eficiência é algo sensacional. Entretanto, a Samsung está claramente dedicada à promoção da marca Galaxy, o que pode deixar o robô um pouco à sua sombra. Ter apenas um fabricante com domínio sobre o ecossistema e depender dele é algo preocupante.

Por este motivo a Motorola se torna algo muito maior do que uma pilha de patentes para a Google. É através dela que a empresa de Mountain View pode ter sua influência direta no mercado de hardware, garantir sua presença definitiva e participação nos lucros. O sucesso do Nexus 4, apesar dos problemas na produção que levaram à escassez do produto no mercado, é indício de uma grande procura por smartphones diretos da Google, com benefício da experiência “pura” e rápidas atualizações. A integração entre hardware e software, uma das grandes vantagens competitivas da Apple, pode ser capaz de trazer uma nova experiência ao usuário de Android. Com isso, quem sabe, a Google consiga ampliar a presença da Motorola no mercado de smartphones e rivalizar com a Samsung no ecossistema Android, aumentando a concorrência e ameaçando a hegemonia da sul-coreana. Talvez o X Phone seja o produto a introduzir essa mudança e dimuinuir a dependência da Samsung, ou talvez, por ser o primeiro fruto da parceria, não consiga esse feito. Mas, certamente, esta parceria interessante trará novos ares ao ecossistema Android. Vale a pena ficar de olho no mercado.

Legenda/Fontes: Apple Insider e Asymco.

Já passou por engenharia aeroespacial, music business, publicidade e propaganda, marketing e hoje trabalha com business intelligence. Louco por tecnologia, comida, música e baladas.

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