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Mais informações e características do Triboo, o primeiro tablet Brasileiro

O pessoal do blog EuAndroid, em entrevista com Kiko Coelho, fundador da Triboo Tecnologia, conseguiram informações exclusivas sobre o primeiro tablet brasileiro, o Triboo. Leia abaixo:

O que é exatamente essa tela transflexível e como vislumbraram essa necessidade?

[Kiko Coelho] A tela transflexivel é uma tecnologia incrível! Basicamente o conceito dela é permitir que a luz entre no LCD e um espelho colocado como base para o painel de luz , permite que a luz reflita e naturalmente funcione como uma iluminação artificial ( que na verdade é natural ). Desta forma você pode usar a tela com iluminação comum como os LCD normais e aonde tem incidência de luz externa (solar ou de lâmpadas por exemplo), você pode desligar a iluminação traseira e ler com a luz natural. É algo como a mistura de um e-paper com uma tela LCD comum. Desta forma a tela funciona com o processo natural de leitura em papel (refletindo a luz ambiente) e não agride os olhos quando usado por longo período. A tela somada a um tratamento químico Anti-Reflexão no vidro , permite que você use seu tablet em ambientes externos com muito ou pouco sol em perfeitas condições. Bem diferente do iPad ou outros tablets que o vidro é um verdadeiro espelho.

As desvantagens: Como toda nova tecnologia ainda é produzida em pequenas quantidades, o que a torna extremamente custosa em relação a um LCD comum. Outro problema é que permitir que a luz entre no LCD acaba diminuindo o contraste de cores, uma vez que a luz “lava” um pouco as cores. O composto químico anti-reflexivo no vidro também diminui o contraste da tela. Você ganha de um lado e perde de outro, mas na minha visão é um “trade-off” justo.

Esse processador do tablet é mesmo um Hummingbird da Samsung? Que melhorias vocês fizeram ou pensam em fazer?

 

[Kiko Coelho] O processador que vamos usar na primeira versão é um NVIDIA Tegra 2 com 1 ghz. Ele é um processador Cortex A9 Dual Core e hoje é o que existe de melhor no mercado. Não fizemos nenhuma modificação nele, pois tais modificações não são possíveis em projetos como o da NVIDIA. Para que se possam realizar modificações no projeto é preciso licenciar o projeto da ARM (que é a empresa de propriedade intelectual desta arquitetura), fazer as modificações no projeto que você ache necessário e encontrar uma fábrica que fabrique o seu chip (pode ser a Global Foundries por exemplo). Só que isso só é factivel quando estamos falando em milhões de unidades devido ao custo dos não retornáveis iniciais que tal projeto teria, que teria que ser diluídos na quantidade.
Mas estamos extremamente satisfeitos com o chip da Nvidia Tegra 2 e nem imaginamos aonde ele ainda poderia ser melhorado.

 

Qual do desempenho do processador gráfico? Jogos funcionarão bem nele?

[Kiko Coelho] O NVIDIA Tegra 2 possui uma GPU (Unidade Gráfica de Processamento) GeForce dedicada de baixo consumo de energia (ULP – Ultra Low Power). Assim a performance 3D e a aceleração de hardware do Adobe Flash tem performance impressionante para uma plataforma mobile.
A NVIDIA advém da industria de chipsets de GPU 3D e todo know how adquirido durante anos foi transposto para as novas arquiteturas móveis.
Acredito que vale perder um tempinho para ler o whitepaper da NVIDIA sobre o Tegra 2 e os beneficios da arquitetura Duplo Processada: The Benefits of Multiple CPU Cores in Mobile Devices.

Em linhas gerais, quais foram as maiores dificuldades em fazer esse tablet e como o Open Source do Android ajudou/atrapalhou o projeto?

[Kiko Coelho] As dificuldades são inúmeras. Principalmente no processo de fabricação do hardware no que tange o acesso aos componentes de primeira linha (Gorilla Glass, touchscreen capacitivo de qualidade, processador, memória, bateria, LCD com campo de visão alto ou transflexivo, etc).
Como estamos criando um produto de qualidade em todos os aspectos, nós fomos até o último nível da cadeia de suprimentos (direto nos fabricantes) para ter acesso aos componentes. Não existe nenhuma empresa brasileira que eu conheça que vá a este nível (inclusive várias empresas estrangeiras também), pois se resumem a bater na porta de um ODM asiático, pegar um projeto pronto ou deixar na mão dele fazer seu produto (com os componentes que ele deseja), apenas colocando a sua marca no case do produto.
Isso cria diversos graus de complicação pois nas quantidades que estamos negociando (pequenas para este mercado) o acesso é muito complicado. Mas no final conseguimos comprar todos os componentes de primeira linha necessários para o nosso primeiro produto.

Outra parte complicada é que para se beneficiar do PPB (processo produtivo básico) e ter um produto com custo mais acessível (devido as isenções de impostos), é necessário que se monte a placa integrada aqui no Brasil (100% delas) e se faça a montagem final do produto também aqui. Isso cria diversos problemas logísticos, de fluxo financeiro, etc. Principalmente quando estamos falando de cerca de 800 componentes diferentes. Alguns materiais como o plástico especial que usaremos no case também não existe no Brasil e tem que ser importados.

Em relação a software de terceiros tivemos os mesmos problemas em relação ao volume licenciado. Para podermos usar o teclado Swype e o pacote Dataviz Documents2Go, fomos obrigados a pagar o licenciamento adiantado, coisa que não acontece com as grandes empresas que o pagam por dispositivo embarcado. Isso cria mais problemas de fluxo financeiro para uma start-up.

Já em relação ao Android em si, foi a parte mais fácil. O fato de ser código aberto diminui o custo de licenciamento e nos permite realizar as modificações que achamos necessárias. Em contrapartida algumas modificações (que nos diferenciam do concorrente), devido a licença GNU, devem ser publicadas. Então tem que saber bem aonde pode e onde não pode modificar.

Em relação ao nascimento da empresa (que nasce junto com o produto), você tem todas as dificuldades impostas pela legislação fiscal e tributária brasileira, que é um ambiente extremamente perene para o surgimento de empresas. Além do acesso ao dinheiro de fluxo de caixa que é inexistente para novas empresas ou estupidamente alto para empresas de pequeno porte.

Vocês pretendem liberar o Tablet para que o mesmo possa rodar roms customizadas de Android ou o ideal é que se mantenha na original?

[Kiko Coelho] Acredito que isso cabe a comunidade Android. Não haverá nenhum tipo de restrição por hardware, por exemplo.
A nossa plataforma consiste em hardware , software embarcado e um sistema de distribuição de conteúdo todos integrados e foi pensada e desenvolvida para que entregue uma solução completa ao usuário. Muitos ROMs modificados adicionam funcionalidades em detrimento de outros, como maior consumo de bateria, por exemplo. Isso inclusive a longo prazo pode danificar o hardware.
Nossa política em relação aos Tablets com ROMs modificados será de perda da garantia de fabricação de 1 ano. Sabemos que é impossível impedir as modificações por completo pela comunidade, só não iremos participar e nem incentivar tal modificação. Mas acreditamos que muitos entusiastas vão acabar modificando seus dispositivos e serão bem felizes com eles.

 

Fonte: EuAndroid

Bruno A. Martinez é advogado, bancário e criador do Showmetech. E sim, todo mundo pergunta por que ele não estudou algum curso relacionado com tecnologia.

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