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Nokia N9 – Review

Sempre que se fala em Nokia, bate uma saudade daquele tempo em que a finlandesa tinha os celulares mais legais, ainda que o melhor de tudo fosse poder jogar Snake. Me vem à cabeça também o tempo em que o N95 era estado-da-arte em termos de smartphone: câmera de 5MP, slider para cima e para baixo – evidenciando o teclado ou os comandos de música, quando não era obrigatório haver touchscreen -, câmera frontal, conectividade 3G, wi-fi, bluetooth… Porém, houve uma grande reviravolta no mercado de smartphones, novos aparelhos e sistemas operacionais surgiram, e a Nokia ficou para trás com o Symbian. Mas, com o excelente N9, acredito que ela mostra que está ressurgindo como peça importante neste mercado…

Sempre que se fala em Nokia, bate uma saudade daquele tempo em que a empresa finlandesa tinha os celulares mais legais, ainda que o melhor de tudo fosse poder jogar Snake. Me vem à cabeça também o tempo em que o N95 era estado-da-arte em termos de smartphone: câmera de 5MP, slider para cima e para baixo – evidenciando o teclado ou os comandos de música, quando não era obrigatório haver touchscreen -, câmera frontal, conectividade 3G, wi-fi, bluetooth…

Porém, houve uma grande reviravolta no mercado de smartphones, novos aparelhos e sistemas operacionais surgiram, e a Nokia ficou para trás com o Symbian. Mas, com o excelente N9, acredito que ela mostra que está ressurgindo como peça importante neste mercado.

Sendo assim, nos próximos parágrafos, vamos falar um pouco sobre o Nokia N9:

O aparelho

O Nokia N9 é um aparelho muito elegante e discreto. O corpo, formado em peça única de policarbonato de acabamento fosco, não possui vincos ou ressaltos. O vidro Gorilla Glass possui curvatura nas suas bordas acompanhando o desenho do corpo, e protege uma tela AMOLED de 3,9 polegadas (resolução de 854 x 480 pixels) com 16,7 milhões de cores, além da câmera frontal, curiosamente posicionada no canto inferior direito do aparelho.

Na lateral direita, há três botões: os controles de volume e o botão de ligar/bloqueio/desbloqueio do aparelho. Mas o aparelho é tão bacana que dispensaria o uso deste botão pro desbloqueio: basta dois leves toques na tela e ela liga, pronta para ser desbloqueada.

Na parte traseira, o aparelho apresenta uma curvatura suave (semelhante àquela encontrada nos iPod Touch de 3ª geração), tendo ao centro uma chapinha cromada contendo a câmera de 8 megapixels com lentes Carl Zeiss – padrão na linha N da Nokia – e ao lado o flash de LED duplo.

Na parte superior, o conector 3,5mm para fones de ouvido e microfone e duas portinhas: uma para o conector microUSB – usado para recarga da bateria, conexão com o PC e leitura de pen-drives – e outra com uma gavetinha para o microSIM. Um detalhe digno de nota: fui até a minha operadora para substituir o SIM por um microSIM, e eles não o substituem; apenas usam uma ferramenta que corta o SIM padrão pro formato microSIM. E não foi só na minha operadora que vi isto acontecer…

Na parte inferior, a saída do alto-falante, que é apenas uma furação em formato oblongo na carcaça do aparelho.

Internamente, o aparelho apresenta um processador single-core Cortex A8 de 1 GHz, e uma GPU PowerVR SGX530. Ambos estão ligados a 1 GB de memória RAM, tornando um aparelho bem robusto em termos de recursos para aplicativos. De fato, como visto durante nossos testes, não houve engasgos ou transições travadas. Em termos de conectividade sem fio, temos 3G UMTS/HSPA pentaband, 2G GSM/EDGE quadband, Wi-Fi a/b/g/n, Bluetooth 2.1, GPS e o recém chegado NFC. Não há, contudo, receptor de FM, comum nos aparelhos Nokia, ou mesmo o transmissor FM, já visto no N97 e N8. A bateria de 1.450mAh mantém o padrão de autonomia dos aparelhos da Nokia, permitindo em casos de pouco uso ficar até 3 dias sem recarga.

O sistema operacional

O Nokia N9 utiliza-se do MeeGo 1.2 Harmattan, a última versão do sistema operacional móvel baseado em Linux, fruto da fusão dos projetos Moblin (Intel) e Maemo (Nokia). Diferentemente do que outros sites falam, não considero o MeeGo um sistema “zumbi” ou”natimorto”. Antes de mais nada, o MeeGo é um sistema operacional móvel, com vistas para aplicação não somente em smartphones, mas também em tablets, netbooks, sistemas de navegação automotiva, smart TVs e outros sistemas embarcados, ou seja, não é exclusivo da Nokia.

O MeeGo é mais prático de usar que o Android e o iOS. Não há múltiplas telas, app drawers, launchers, widgets, planos de fundo, e todos os frufrus que costumam entupir a tela dos aparelhos. Há apenas três telas: Eventos, Aplicativos em execução, e Menu de aplicativos. Tudo num fundo preto, com um design simples e lindo de se ver, com fontes e ícones elegantes. Para mudar de tela, basta arrastar para os lados. Simples, sem botões. Se você abriu um aplicativo e quer fazer outra coisa, só arrastar para o lado até a tela de Menu. Se quer voltar, arraste para o lado até a tela de Aplicativos em execução, e selecione o aplicativo. Quer fechar o aplicativo? Arraste da borda superior para baixo (como se fosse abrir a barra de notificações de Android e iOS) e o aplicativo fecha. Com tudo isso, o MeeGo mostra uma de suas virtudes: não há necessidade de botões de comando. Isto inclui o desbloqueio da tela: dois toques suaves na tela acordam o aparelho para desbloqueio. Fantástico.

 

No Menu de Aplicativos, ícones bonitos e bem organizados, com fundo preto na tela. Recursos conhecidos de outros sistemas: segurando qualquer ícone, a tela entra em modo de edição, e você pode reorganizar os ícones de acordo com seu gosto, e também desinstalar aplicativos (ainda bem, quem usa Symbian sabe o sufoco que é desinstalar qualquer coisa) clicando no “x” que aparece.

 

Arraste a tela pra esquerda e você verá os aplicativos abertos. Não aparecerão ícones dos aplicativos, mas sim miniaturas dos aplicativos em execução. Se você selecionar algum, ele abre; se segurar, habilita a função para fechar os aplicativos individualmente ou todos de uma vez.

 

Arraste mais uma vez a tela, e chegam os Eventos. Aqui o MeeGo mostra o nível de integração das redes sociais no sistema: uma vez que você adicione suas contas do Twitter, Facebook e E-mail, ele mostra as atualizações de todas as redes em tempo real. Se você clicar em alguma, ele abre o aplicativo correspondente.  E claro, ele também mostra informações sobre data, hora e clima.

A ausência de botões de comando (como o Home do iOS, e todos os do Android) é uma quebra de paradigma, e o recurso Swipe os substitui com primazia. Me peguei algumas vezes depois de ter devolvido o aparelho tentando arrastar as telas do meu Android.

Câmera

Apesar do downgrade da câmera em relação ao N8, o conjunto óptico formado pelas lentes Carl Zeiss se sobressai frente à concorrência: fotos nítidas, com pouco ruído ou distorção, mesmo em condições adversas de iluminação. Abaixo vemos alguns exemplos de fotos, tiradas em condições de iluminação não muito favoráveis:


Foto tirada sem flash em ambiente interno com iluminação mediana


Foto tirada em ambiente externo em dia nublado


Foto tirada em modo Macro


Detalhe da imagem acima em resolução máxima

Duas fotos, dois aparelhos, mesmo cenário: a foto ao alto foi tirada com o N9, e a foto abaixo tirada com o N8. Podemos notar que, apesar do flash do N8 ser mais forte e ter gerado mais reflexo, percebe-se na sua foto um nível de detalhe melhor que do N9. Ainda assim, a câmera do N9 não deixa a desejar.

Música

Aquele aplicativo de músicas meio desajeitado do Symbian deu lugar a um aplicativo todo novo, com interface mais simples e elegante, tão funcional quanto o player nativo do iOS. Quando a música não tem a imagem da capa, o aplicativo coloca o nome do álbum num fundo sólido, com cores que variam de acordo com o álbum, em letras caixa alta, repetindo até preencher a imagem. Bem legal!

“Puxa, mas eu tenho todas as minhas músicas e vídeos organizadas no iTunes”. Não tem problema, a Nokia desenvolveu um aplicativo que faz o aparelho se comunicar com a biblioteca do seu iTunes: o Nokia Link. Ele lê a sua biblioteca, identifica os arquivos de mídia e playlists dentro do iTunes e sincroniza com o seu aparelho. Simples assim.

Aplicativos

Bem, se há um ponto fraco no aparelho, podemos dizer que seria a oferta de aplicativos. O básico está lá: os aplicativos integrados ao sistema do Twitter e Facebook, Foursquare, softwares de melhorias na câmera, jogos casuais. Mas não dá pra esperar a mesma oferta de aplicativos que existe no iOS e no Android, seja em quantidade ou qualidade; passeando pela Loja Nokia, dá pra notar que existe muita coisa simples, muitos experimentos e opções informais de grandes aplicativos de outras plataformas. Você não vai postar suas fotos no Instagram (opa, mas se você tiver Android também não pode… ao menos por enquanto), mas há uma opção semelhante, o Molome. Você não tem o Whatsapp, mas… é, você vai ter que usar SMS. Não tem o Evernote, mas tem o EverN9, versão não-oficial.

Mas, existe a melhor opção de navegador GPS que não é pago nem é Beta: o Nokia Drive, que evoluiu a partiu do Nokia Maps. Ele pode tanto carregar os mapas através da sua conexão 3G quanto da memória do aparelho, bastando para isso conectar ao seu computador através do Nokia Suite e escolher os mapas que você quer disponíveis – e ele baixa quantos mapas você quiser, enquanto houver espaço de armazenamento no aparelho.

NFC

O aparelho possui embarcada a tecnologia NFC – Near Field Communication – que é um protocolo de comunicação estabelecido através de contato ou proximidade entre o aparelho e outros dispositivos, que podem ser outros aparelhos, falantes externos (como os Nokia Play 360º) e até dispositivos de tarifação. O NFC, num futuro próximo (será?), permitirá que dispensemos nossos cartões de crédito para efetuar pagamentos em lojas, transporte público e outros locais: basta aproximar o celular do dispositivo de cobrança e efetuar o pagamento. Enquanto a tecnologia não se populariza, a Nokia disponibiliza uma versão de Angry Birds especial para NFC: Angry Birds Free With Magic

Todo mundo conhece Angry Birds, então não preciso falar sobre a dinâmica do jogo. O que muda mesmo é que, em um determinado ponto, só é possível avançar de fase se você estabelecer uma ligação NFC com outro aparelho que tenha o jogo. Ou seja, não dá pra jogar sozinho sem a ajuda de um colega.

Extras

Em relação ao N8, a mudança na apresentação da caixa foi bem drástica: de uma caixa simples visando economia, sustentabilidade e tal, passamos pra uma caixa muito elegante, muito parecida com a do… iPhone. Só que azul. Você abre e está lá o apareho em primeiro plano, bonito, e com os acessórios abaixo. Como acessórios: um carregador de tomada USB – bem pequeno, por sinal -, o cabo padrão micro-USB para ser usado tanto na conexão com o computador quanto para carga de bateria, par de fones de ouvido e uma capinha emborrachada. Sim, a Nokia já fornece com o aparelho uma capinha emborrachada em preto fosco, que quando colocada no aparelho, apresenta-se bem discreta. Se bem que o corpo de policarbonato não quebra quando cai no chão… O que senti falta, em se tratando de um aparelho topo de linha da Nokia, foi o carregador veicular. O N95 tinha, o N97 também. Por que não pro N9? Pô, vai, até o Motorola Defy vem com carregador (por sorte pude usar, já que é o mesmo padrão micro-USB.

Conclusão

Sempre gosto de falar que sou multiplataforma: no meu dia-a-dia, convivo com iOS, Android e Symbian. Há uma grande diferença de facilidade de uso entre eles, de integração com hardware, de aplicativos disponíveis. E o N9 com o MeeGo foi uma bela surpresa: mostrou que a Nokia continua sendo capaz de desenvolver tecnologia boa, tanto em hardware quanto em software. Há uma integração muito boa, tão boa quanto acontece entre iOS e iPhone: o tal do “feitos um para o outro”.

Porém, como já é sabido, o MeeGo é sistema de um aparelho só: apenas o N9 vai vir com ele. E sendo assim, dificilmente surgirão versões para ele de aplicativos conhecidos de outras plataformas; o custo não compensa. Porém, como citei, pra tudo dá-se jeito e existem opções alternativas de aplicativos para as mais diversas necessidades, ficando a cargo do usuário garimpar as melhores opções.

Ao final deste texto, afirmo uma coisa: eu compraria um N9. Por ser belo. Por ser elegante. Por ser diferente. Por não ser mais um formato sabonete no meio da multidão. Por ser parrudo o suficiente para ter um funcionamento suave. Pela grande facilidade que é o Swipe. É o tipo de aparelho que eu recomendo às pessoas que querem provar algo de diferente e não têm apego com aplicativos mainstream. Aqueles que sabem que tem um grande aparelho, mas não precisam ficar alardeando pros outros.

O Showmetech agradece à Nokia por fornecer o aparelho para testes, e aguarda ansiosamente os próximos lançamentos!

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