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O caso Panama Papers e o papel dos hackers na democracia

O caso Panama Papers já é considerado o maior vazamento da história – superando os episódios do Wikileaks (2011) o de Edward Snowden (2013)

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O vazamento de mais de 11 milhões de documentos da firma panamenha Mossack Fonseca continua a agitar o mundo. O episódio, que vem sendo chamado de Panama Papers, revelou  atividades legais de pessoas e empresas, que mantinham patrimônio e transações ocultas em empresas registradas em paraísos fiscais. Os 2,6 TB de dados foram liberados a partir de uma série de reportagens feitas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, da sigla em inglês). A investigação iniciada há um ano envolveu 376 jornalistas em 76 países que analisaram os documentos inicialmente obtidos pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.

As consequências do caso ainda estão sendo contabilizadas. Até o momento nomes de celebridades, jogadores de futebol, empresas globais e 143 políticos (entre eles 12 líderes globais), foram citados nos documentos. O caso mais grave foi o do primeiro-ministro da Islândia, Sigmundur David Gunnlaugsson, que renunciou ao cargo após às revelações. Pelo volume dos documentos e principalmente pelas consequências que podem ter, o Panama Papers já é considerado o maior caso de vazamento da história – superando os episódios da Wikileaks em 2010 e o de Edward Snowden em 2013.

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Na complicada arquitetura financeira que bilionários e grandes empresas usam para fugir dos tributos, as Offshores desempenham um papel fundamental. Apesar de não serem necessariamente ilegais, a estrutura dificulta o rastreamento de capitais feito pelos governos nacionais, já que a atuação de cada país tem limites de soberania. É justamente neste ponto que entra uma questão fundamental no caso Panama Papers: a atuação dos hackerativistas.

A Mossack Fonseca diz ter sido vítima de um ataque hacker em seu servidor de e-mail. O responsável teria obtido acesso aos e-mails dos colaboradores do escritório e copiado os documentos. A empresa afirma que vai processar os responsáveis pelo vazamento, mas a esta altura o estrago já está feito. Ataques de hackers são considerados crimes. Um crime grave, punido com penas de prisão“, afirmou Ramón Fonseca Mora, um dos sócios da firma.

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O Süddeutsche Zeitung afirmou que o material veio de uma fonte anônima que não pediu nenhum tipo de compensação financeira em troca. “Jamais vi a fonte. Temos um chat encriptado pelo qual trocamos informações“, disse o repórter Bastian Obermayer. Ele diz ter perguntado diretamente ao seu informante sobre a razão pela qual ele teria vazado os documentos. A resposta, segundo o jornalista: “Por que ele entende que é necessário parar com o que estão fazendo.”

Essa ideia parece estar em sintonia com o hackerativismo praticado por Snowden e o Wikileaks. Questionado sobre a Panama Papers durante uma coletiva de imprensa, o advogado de Snowden e também da União Americana pelas Liberdades Civis (American Civil Liberties Union), Ben Wizner, usou um famoso aforismo de Aristóteles para comentar o caso.

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Queremos que nossos governos e instituições de elite sejam mais transparentes, ao mesmo tempo em que queremos que o ativismo e as liberdades individuais tenham sua privacidade garantida. Aristóteles escreveu: ‘Quando um o governo sabe tudo sobre os cidadãos e os cidadãos sabem pouco sobre o governo, isso é tirania. Quando os cidadãos sabem tudo sobre o governo, e o governo sabe pouco sobre os cidadãos, isso é democracia’. Vamos precisar de ferramentas poderosas para proteger a privacidade individual, especialmente em regimes repressivos. E vamos precisar da transparência como um alvejante.

Ben Wizner, advogado da ACLU

A Sophos, empresa de segurança responsável pelos dados da Mossak Fonseca afirmou em seu blog que ainda não sabe como os hackers conseguiram acessar os mais de 11 milhões de documentos. “Dada a escala do vazamento, certamente parece que o ataque envolveu mais do que apenas descobrir uma senha ou enganar um usuário para abrir um anexo malicioso”, afirmou a porta-voz da companhia especializada.

Se o vazamento tem origem interna, ou envolveu hackers habilidosos e organizados do lado de fora, o episódio deixa um recado claro. O tempo em que bilionários e poderosos eram capazes de esconder suas relações duvidosas está chegando ao seu fim. Os hackers não contam com uma imagem positiva diante da opinião pública (alguém se lembra de algum filme me que eles eram “mocinhos” e não “bandidos”?). Há quem diga que os ataques não tem responsabilidade pública em relação aos alvos, que muitas vezes são arbitrários.

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Seja como for, não podemos acreditar que a palavra “hacker” (assim como qualquer outra) seja capaz de definir um movimento e todos os seus integrantes. Entretanto, no caso da Panama Papers será muito difícil montar uma narrativa em que este “ataque” não tenha sido de interesse público.

Jornalista, fã de cinema e curioso de todas as coisas. Sempre atento às informações, escreve sobre ciência, comportamento e as novidades do mundo tecnológico.

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