Conecte-se conosco
Bienal do Livro Corey May Assassins Creed

Games

Opinião: Videogames, violência e um crime trágico no Brasil

O cenário é São Paulo. O crime, um mistério digno da série americana C.S.I.. Cinco pessoas são achadas mortas na casa de dois policiais militares. Entre elas, um menino de 13 anos, supostamente motivado pelo game Assassin’s Creed…

Assassins creed videogames violência violence

O cenário é São Paulo. O crime, um mistério digno da série americana C.S.I.. Cinco pessoas são achadas mortas na casa de dois policiais militares. Entre elas, um menino de 13 anos.

A polícia descarta execução ou assalto e logo dá sua versão: O menino de 13 anos matou os pais, a avó e a tia e depois se matou.

A motivação é desconhecida ainda, mas hipóteses diversas começam a surgir. Entre elas a de que o menino teria sido motivado pelo jogo Assassin’s Creed, do qual era fã.

Pronto! Bastou esta alegação, para que a velha discussão “videogames incitam à violência” viesse à tona!

É bem verdade que um jogo como Assassin’s Creed possui uma classificação etária mínima de 16 anos (18 anos para Assassin’s Creed Brotherhood e 16 anos para Assassin’s Creed 3), obviamente superior aos 13 anos do menino em questão. É bem verdade que, de acordo com estudo publicado na revista americana Pediatrics, o uso excessivo de televisão por crianças pequenas pode prejudicá-las e torna-las mais violentas. Mas convenhamos, talvez seja necessário mais tempo e investigação para entender os reais culpados desta tragédia, antes de apontar dedos para o uso do vídeo game e jogos violentos.

Segundo Jean Piaget, psicólogo e filósofo suíço, pioneiro no estudo do desenvolvimento infantil, a capacidade de diferenciar mundo real e mundo virtual ocorre quando a criança passa do período pré–operatório para o período operatório formal, por volta do 7 anos. É a partir dessa idade que as crianças passam a ver o mundo com mais realismo. Seguindo esta linha teórica, presume-se que um menino de 13 anos só confundiria sua vida com um jogo de videogame se possuísse algum tipo de distúrbio neurológico.

Ainda, questionam-se os resultados das investigações que apontam que não existem vestígios de pólvora na mão do adolescente, o que levaria a crer que seus pais, policiais militares, podem ter sido alvo de uma chacina. Este viés da investigação inocentaria o menino e, por consequência, os games por ele jogados.

Considerando a hipótese (sim, ela é ainda uma hipótese não provada) de que o adolescente em questão possuiria propensão à psicopatia, e o jogo foi apenas o catalisador do que já existia em sua mente, seria justo culpar um jogo ou a empresa que o desenvolveu pelo ocorrido? Talvez seja mais sensato analisar a culpa dos pais e responsáveis, que autorizaram que um jovem com estas características a jogar o game.

Bienal do Livro Corey May Assassins Creed

Vale lembrar que a Bienal do Livro aposta este ano em um título oriundo do game da Ubisoft, para atrair o publico jovem através de um gênero literário que levou o mercado nacional a vendas recordes. Escrito pelo americano Corey May, um dos criadores de Assassin’s Creed, o livro vai de encontro ao raciocínio dos mais céticos segundo o qual os games seriam um inimigo mortal dos livros. Depois de arrebatar uma legião de fãs diante das telas, a saga virou uma série de cinco publicações de ação que se tornaram retumbante êxito comercial. Só no Brasil, já foram vendidos 900?000 exemplares. Na esteira do sucesso vieram outras iniciativas semelhantes, a exemplo de Battlefield, World for Warcraft e Starcraft. Os próximos títulos da fila são Mass Effect e Total War, lançamentos do selo Galera, do grupo Record. “A cultura da convergência é muito natural para essa geração”, diz João Alegria, professor do curso de mídias digitais na PUC-Rio. “A leitura não é mais o que era antes, e esses jovens são o retrato disso.”

Essa não foi a primeira e nem será a última vez em que os vídeogames serão taxados como vilões. Há cerca de dois anos, o jogo Call of Duty – Modern warfare 2 foi alvo de criticas pesadas, pois uma de suas fases – intitulada No Russian – consistia em um ataque terrorista a um aeroporto russo, que acabou sendo ligada ao ataque sofrido pelo aeroporto Domodedovo, em Moscou.

Também, quem não se lembra do Massacre de Columbine, que rapidamente foi ligado ao jogo Doom, pelo qual os assassinos eram aficionados.

Todavia, ainda não existem fatos conclusivos sobre o assunto. A verdade é que, até hoje, não foi provado por nenhum estudo uma verdadeira relação entre jogos de videogame e a violência.

A grande questão, então, é: será justo acusar empresas e games por fatos trágicos e brutalidades acometidas por pessoas dotadas de distúrbios psicológicos? Talvez seja mais lógico analisar a qualidade da supervisão de crianças – ou a falta dela – por seus pais e médicos.

Concorda com a gente? Discorda? Deixe seu comentário nos campos abaixo.

Professora, teacher, beatlemaníaca e outras coisas mais...

Comentários

Mais de Games

Dica

Mais Lidas

Reviews

Cultura Geek

Tutoriais

To Top