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MOBILE

Review: Lumia 620

Confira o que achamos do Nokia Lumia 620, após uma semana de testes no aparelho.

Lumia_620_Hardware

Exibido ao público pela primeira vez em Dezembro do ano passado e alardeado como o Windows Phone mais acessível do mercado – até dias atrás –, o Nokia Lumia 620 chegou ao Brasil com a missão de brigar com smartphones de nível médio equipados com o sistema Android, o mais popular do mercado. Ressaltando como diferenciais o seu design colorido e atraente, a interface única do Windows Phone e a força da marca Nokia em território nacional entre consumidores de renda mais baixa. Após duas semanas utilizando o Lumia 620 branco como meu smartphone, compartilho com vocês os detalhes da minha experiência com o aparelho.

Hardware

Ao segurar pela primeira vez o Lumia 620, as primeiras características que imediatamente se notam são o peso e a espessura: ele é mais pesado e mais grosso que smartphones Android similares, mas não chega a ser um incômodo e até facilita segurar o aparelho. Seu formato com cantos arredondados o diferencia da concorrência mais “quadrada”, assim como a traseira de plástico, que é removível e pode ser substituída por modelos coloridos (rosa, azul, verde, amarelo, laranja, preto e branco) vendidos separadamente.

O 620 parece realmente mais “jovem” e o uso de cores fortes tem sido uma estratégia da Nokia para chamar a atenção em meio a um oceano de smartphones pretos, pratas e brancos. Apesar desse apelo, o design do Lumia 620 não impressiona tanto quanto o dos aparelhos da Nokia feitos em um bloco único de policarbonato como o Lumia 800 e Lumia 920.

Os três botões físicos do aparelho (volume, ligar/desligar e câmera) ficam na mesma lateral e não há nenhum rótulo neles (dica: o de volume fica em cima, ligar/desligar no meio, e o da câmera embaixo). Os botões padrão do Windows (Voltar, Home e Busca) são capacitivos e ficam logo abaixo da tela. Há um grande espaço abaixo destes botões, provavelmente para permitir que o aparelho seja utilizado na horizontal sem correr o risco de apertar os botões acidentalmente. Mesmo assim, acionei o botão de busca, que leva ao Bing, diversas vezes sem querer.

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Uma decisão questionável é a posição do alto-falante, no canto inferior direito da traseira, que acaba tampado várias vezes pelos seus dedos quando você segura o telefone. O alto-falante é potente, mas o som fica um pouco distorcido se o volume estiver próximo do máximo.

O Lumia 620 possui 8GB de armazenamento interno e 2,45 GB são usados pelo sistema – sobrando em torno de 5,5 GB pra você. Se achou pouco, ainda há um slot para cartão Micro-SD, escondido embaixo da bateria (dica: leia o manual antes de inserir o cartão de memória – não é tão fácil quanto parece).

Tela

Sem dúvidas, o componente que mais chama a atenção no hardware do Lumia 620 é sua bela tela de 3,8 polegadas. Embora a resolução de 480×800 pixels seja irrisória comparada às telas Full-HD de aparelhos topo de linha, a quantidade de pixels por polegadas é boa (246 ppi), assim como o contraste e as cores extremamente vivas. O brilho da tela pode ser considerado até exagerado (eu o mantive sempre em nível baixo ou médio para segurar o consumo de bateria). A sensibilidade ao toque é bastante apurada e o tamanho é muito bom pra digitar.

Bateria

A bateria de 1300 mAh do Lumia 620 não faz milagres, mas aguenta um dia inteiro de uso moderado alternando entre Wi-Fi e 3G e com o nível de brilho da tela ajustado para médio. Por uso moderado leia-se: acesso à web, uso esporádico de aplicativos como WhatsApp, Twitter e Facebook e ouvir muita música. Mesmo assim, sempre chegava no fim do dia no vermelho (entre 10% e 20% de carga). O uso do 3G e do GPS durante uma viagem também esvaziou a bateria do aparelho rapidamente.

Câmera

A Nokia fabrica atualmente o smartphone com a melhor câmera do mercado – o caro e desejado Lumia 920. Minha experiência com o 620 porém, foi mista. A câmera abre rapidamente (acionada pelo botão físico na lateral), possui 5 megapixels, flash LED, e vários apps bacanas pra melhorar o resultado. As imagens costumam ser nítidas, mas as variações de luz (especialmente pouca iluminação) não são bem tratadas pelo aparelho e afetam a reprodução das cores. Fotos em lugares fechados tiveram resultados melhores.

A câmera traseira também filma em resolução HD (720p) e os resultados são bons para um aparelho nessa faixa de preço, com cores vibrantes e boa captação do áudio, mas segure firme o smartphone pois não há estabilização de imagem. A exibição de vídeos no Lumia 620 é bastante fluída e sua tela, como já comentei, tem boa visualização.

A câmera frontal serve pra fazer videoconferências, mas se quiser usá-la para tirar fotos de rosto, novamente, procure um local iluminado. Há uma opção bacana que faz o upload das fotos tiradas no aparelho automaticamente para o SkyDrive, mas atenção: por padrão, ela salva as fotos em uma resolução inferior (mais leve). Para ter as fotos salvas no SkyDrive em tamanho original, você vai precisar copiá-las em seu computador (via cabo USB) e fazer o upload.

Windows Phone 8

A combinação de processador de núcleo duplo de 1 GHz e 512 MB de memória RAM dificilmente teria fôlego para garantir uma performance homogênea e fluída em smartphones com o sistema operacional do Google, o Android. É notável portanto, o quão bem o Windows Phone se comporta no hardware mediano do Lumia 620: rápido, responsivo e elegante. Com o Windows Phone 8, os principais requisitos de um sistema operacional móvel moderno foram atendidos. As animações (e são muitas!) iniciam e terminam sem gaguejos, o retorno à tela principal é imediato e o sistema nunca fica parado sem dizer ao usuário o que está acontecendo. Os Live Tiles são outro trunfo do design hipnotizante do Windows Phone, já que mantêm a tela dinâmica ao exibir informações como o tempo, fotos, contatos, compromissos, etc. Customizar a tela inicial, que agora suporta tiles de 3 tamanhos, é um tarefa divertida.

Menos prazeroso é ter que lidar com o infinito menu de configurações do sistema, uma das áreas em que a Microsoft poderia ter investido menos em minimalismo e mais em praticidade. Embora já esteja acostumado a ter que navegar por menus no iOS para desabilitar funções como Wi-Fi e GPS, no WP8 estas opções estão ainda mais dispersas e senti muita falta dos widgets disponíveis no Android, que deixam tudo a apenas um toque de distância. Notificações também podem ser um problema no WP8: o hub “Eu” e o aplicativo padrão de mensagens acabavam servindo como repositório de notificações duplicadas porque eu preferia utilizar os apps “oficiais” de Facebook e Twitter, que apesar de limitados, tinham mais funções disponíveis que o sistema padrão.

O Facebook é realmente um caso à parte: o app oficial é desenvolvido pela Microsoft, não pela empresa de Mark Zuckerberg. O resultado é que as atualizações são lentas e as funções mais recentes não estão disponíveis. Eu estou acostumado a um mundo em que o Facebook é uma droga: há pouco mais de um ano o FB sequer tinha um app oficial para o iPad e há apenas alguns meses os apps para Android e iOS eram nativos. Mesmo assim, a experiência no WP8 consegue ser frustrante.

Ao ligar o aparelho pela primeira vez, fui convidado a inserir minha Conta da Microsoft no Lumia 620 para que ele pudesse importar meus dados para o telefone. E de fato, em poucos instantes meus contatos do Outlook, Twitter e LinkedIn começaram a pipocar nos tiles, assim como e-mails e calendários. Mas logo que comecei a usar o hub Pessoas, notei que minha conta do Facebook, que já estava atrelada à conta da Microsoft, não foi importada. Outro inconveniente foi constatar que os contatos não estavam sendo linkados automaticamente, apesar de eu já ter passado pela ingrata tarefa de organizá-los manualmente no Outlook.com meses atrás. Como já uso o Windows 8 no meu notebook HP, esperava uma integração mais inteligente.

Apps

Se em termos de hardware e software Android, Windows Phone e iOS praticamente se equiparam, quando o assunto é aplicativos disponíveis para cada plataforma, a briga ainda é desigual. Embora tenha ganhado terreno (mais de 100 mil apps podem ser baixados da “Loja”) diversos desenvolvedores importantes ainda dão de ombros para os usuários do sistema da Microsoft. Outra situação comum é encontrar o app desejado, mas ele não conter todas as funções que seus “irmãos” para iPhone e Android possuem.

A Nokia tem ajudado a Microsoft a preencher essa lacuna, seja desenvolvendo aplicativos próprios (ex.: HERE Maps), parcerias (ex.: CNN, ESPN, Rovio) ou apelos públicos (caso da campanha #2InstaWithLove para convencer o Facebook a lançar o Instagram para Windows Phone).

Especificamente para o Lumia 620 foram embutidos no aparelho: World of Red Bull, Buscapé, Angry Birds Roost, HERE Maps, HERE Drive + Beta, HERE City Lens, Nokia Música, Foto Inteligente, Melhores apps e Transferir Meus Dados. Os mais interessantes são os apps da HERE e o Foto Inteligente. Os mapas da Nokia são quase tão bons quanto os do Google na minha cidade (Joinville/SC) e em duas cidades que visitei no período de testes: Pomerode e Balneário Camboriú. As informações sobre tráfego e pontos de interesse é que ainda ficam devendo à plataforma rival. Já o Foto Inteligente, que tira uma série de fotos em sequência pra que depois você possa escolher em quais seu rosto e de seus amigos saiu melhor (misturando fotos diferentes) foi divertido de usar e funcionou bem na maioria das vezes.

Um app da Nokia que não veio pré-instalado, mas vale a pena conferir é o Panorama. Foi de longe o aplicativo mais simples que eu já usei para tirar fotos nesse formato. Uma decepção é o Angry Birds Roost que é uma espécie de app-propaganda, pois não contém os jogos, apenas papeis de parede, vídeos e ringtones relacionados ao game. O app da Redbull segue a mesma linha.

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Como já sou assinante do Rdio, não vi muito apelo no catálogo do Nokia Música, mas acabei utilizando algumas das playlists que ele disponibiliza, inclusive para acesso off-line. O mesmo vale para o Xbox Music – o acervo é semelhante ao do Rdio, mas a falta de suporte à outras plataformas me afastou. O Rdio para Windows Phone é capenga, mas segundo o suporte da empresa, há uma atualização aguardando aprovação da Microsoft para ser liberada na Loja, mas isso não ocorreu durante o tempo que passei com o Lumia 620 e acho que ainda não será dessa vez que o Rdio irá equiparar seu app no WP8 com outros sistemas.

Um aplicativo que faz falta é o Pocket. Via Twitter, os desenvolvedores do app de leitura disseram que “estão estudando a viabilidade da plataforma”. O Dropbox é outro app importante que está de fora e embora o SkyDrive seja uma alternativa, vale lembrar que o Dropbox fez diversas promoções oferecendo quantidades imensas de armazenamento para usuários de Android e eles não vão querer perder estes preciosos gigabytes numa transição para o Windows Phone. Na lista “copo metade vazio” do WP8 ainda estão: Instagram, Flipboard, Wunderlist, Gmail, YouTube, Google Maps (o suporte do Google ao WP8 é improvável, mas não dá pra negar que ele é importante pra milhões de usuários), redes sociais como Path, Pinterest e Tumblr e games como Bad Piggies, Subway Surfers, Tiny Wings e Minecraft.

Olhando para o “copo meio cheio”, o que eu encontrei de melhor na Loja do Windows Phone foram: 4th & Mayor (melhor que o app oficial do Foursquare), LinkedIn, VEVO, Evernote, Day Counter, Netflix, Letras.mus.br, SkyDrive, Skype, Consulta Visa Vale (mostra o saldo num Live Tile),Series Notifier (avisa quando novos episódios de suas séries favoritas serão exibidos), Gravity Guy 2 (lançado em primeira mão para WP8), geoDefense, ilomilo e Wordament. Sem falar que os usuários dessa plataforma usufruem a mais cobiçada suíte de aplicativos (indisponível para iOS e Android): o Office, composto por versões móveis de Word, Excel e PowerPoint.

Conclusão

Você deve gastar por volta de R$ 800 em um Lumia 620? A resposta depende muito da sua experiência anterior com smartphones. Se você é dono de um telefone com Android, mas está frustrado com a experiência devido a lentidões, travamentos, falta de atualizações e outras mazelas que ocorrem no sistema do Google, o 620 pode ser uma companhia mais agradável – e estilosa. Se você nunca teve um smartphone, apenas celulares simples (possivelmente da Nokia), o 620 também pode suprir muito bem suas necessidades e introduzir novos recursos graças à facilidade de usar o sistema.

Porém, se você é um usuário mais avançado, que instala dezenas de apps, games, está sempre conectado via 3G ou Wi-Fi, interage muito em redes sociais, cuidado: embora a experiência de usar o Windows Phone seja interessante e divertida, ela pode decepcionar um aficionado que já está acostumado às facilidades do Android ou iOS, especialmente agora que o 620 terá a concorrência de smartphones competentes na mesma faixa de preço, como o Motorola Razr D3 (que a Barbara avaliou e adorou), o Sony Xperia P, ou LG Optimus L7. Além disso, o 620 foi destronado pela própria Nokia, que irá comercializar o Lumia 520 – seu novo Windows Phone mais barato do mundo – por R$ 599, uma opção atraente e ainda mais acessível.

Já vivia na nuvem antes de ser modinha.

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