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Se você ainda duvida, aqui está a prova de que o trabalho pode ser um ambiente machista

Numa confusão de e-mails, um homem assinou sem querer como sua colega de trabalho. E o resultado foi mensagens rudes e desrespeitosas

A partir simples trocas de e-mail, Martin percebeu como sua colega de trabalho era vítima de machismo todos os dias

Nicole Hallberg e Martin R. Schneider são dois blogueiros da Filadélfia. Em 2014, ambos trabalhavam na mesma agência de empregos, conectando empresas que querem contratar a profissionais em busca de novas oportunidades.

Embora fizessem o mesmo trabalho, Nicole geralmente demorava mais tempo que Martin atendendo os clientes. Ele acreditava que era mais rápido porque tinha mais experiência. No entanto, descobriu, por meio de um experimento, que a razão era outra.

Durante duas semanas, ele passou a assinar o nome da colega no final dos e-mails, enquanto ela fazia o exato oposto. O tratamento que recebeu dos clientes mudou completamente. Eles passaram a questionar todas as suas ideias de um modo, inclusive, grosseiro. Não à toa Nicole demorava mais tempo respondendo e-mails.

Martin fez o relato dessa experiência via Twitter. Confira abaixo:

Um experimento despretensioso

“Então aqui está uma pequena história sobre quando Nicole me ensinou como é impossível para profissionais do sexo feminino receberem o respeito que merecem”

“Nicole e eu trabalhávamos numa pequena agência de empregos. E nosso chefe sempre tinha uma reclamação: ela demorava demais para lidar com os clientes”

“(Esse chefe tinha fetiche por eficiência e era um idiota apaixonado por economia, mas isso é outra história)”

“Como supervisor dela, eu considerava esse um incômodo sem importância, na melhor das hipóteses. Acreditava que o motivo porque eu fazia as coisas mais rápido era mais experiência”

“Eu me atinha a monitorar seus tempos e a pressionava em nome do nosso chefe. Nós dois odiávamos isso e ela fazia o possível para acelerar e manter um bom trabalho”

“Então um dia estava trocando e-mails com um cliente sobre o seu currículo e ele estava sendo simplemente IMPOSSÍVEL. Rude, desrespeitoso, ignorando as minhas perguntas”

“Enfim, eu já estava de saco cheio dessa merda quando percebi uma coisa. Como compartilhávamos a mesma caixa de entrada, eu estava assinando todos os e-mails como Nicole”

“Era com a Nicole que ele estava sendo grosseiro, não comigo. Por curiosidade, disse: ‘Oi, aqui é o Martin. Estou assumindo o projeto da Nicole'”

“MELHORA IMEDIATA. Respostas positivas, me agradecendo pelas sugestões, me respondia rapidamente, dizendo ‘boas perguntas’. Tornou-se um cliente modelo”

“Então perguntei a Nicole se isso acontecia sempre. A resposta dela: ‘quer dizer, não TODA hora… mas sim. Muitas vezes'”

“Fizemos um experimento. Durante duas semanas trocamos de nome. Eu assinava todos os e-mails de clientes como Nicole. E ela assinava com o meu nome. Amigos, foi horrível”

“Eu estava no inferno. Tudo o que eu perguntava ou sugeria era questionado. Clientes que eram fáceis de lidar passaram a ser condescendentes. Um me perguntou se era solteira”

“Nicole teve a semana mais produtiva da sua carreira. Percebi que a razão que a levava a demorar mais era porque ela tinha que convencer os clientes a respeitá-la”

“Quando ela conseguia fazer o cliente aceitar que ela sabia o que estava fazendo, eu já estava na metade do processo com outro cliente”

“Eu não era melhor que ela no trabalho. Eu só tinha essa vantagem invisível”

“Eu mostrei para o nosso chefe e ele não acreditou. Eu disse para ele que tudo bem, mas que não a criticaria mais  pela velocidade com que ela lidava com os clientes”

E o pior de tudo é que, para mim, foi algo surpreendente. Ela estava acostumada. Ela simplesmente entendia que era parte do trabalho

A lição

Em entrevista ao El País, Martin disse: “O que aprendi com esse experimento é que há muitos comportamentos sexistas que não são realmente intencionais. Não fazemos certas coisas de forma consciente nem pensando que as opiniões das mulheres valem menos. Mas, muitos homens cometem esses erros assim mesmo”

“Já devíamos nos dar conta (…) Isso começa com a disposição para escutar as experiências pessoais de cada mulher, em vez de pedir justificativas”, completou ele.

Nicole também deu a sua versão da história (você pode lê-la aqui). “Depois de trocar as assinaturas, vivi uma das semanas mais tranquilas da minha carreira profissional”, afirmou ela.

O que você achou dessa história? Já viveu algo parecido no trabalho? Deixe sua opinião e experiência nos comentários!

Jornalista apaixonada por séries e cinema | @maricanhisares

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