A internet não criou o déficit de atenção: culpe os livros!

A internet não criou o déficit de atenção: culpe os livros! 3
Nós sempre fomos viciados em alguma coisa, hoje culpam a internet, um dia também culparam os livros.

Em 2000 tinham cerca de 738 milhões de pessoas na internet. Em 2018 esse número chegou a 4 bilhões. O que o alto uso da internet está fazendo com a sociedade? Se voltarmos um pouquinho na história vamos entender que grande parte dos problemas teoricamente causados pela internet, na verdade, já existem há algum tempo.

Livros

Livros antigos

Nos anos 1700 os livros ficaram acessíveis para pessoas comuns e isso mudou o mundo. Criou-se um problema chamado “mania de leitura” ou reading mania e a preocupação era de que as pessoas não estavam mais falando umas com as outras e nem saindo de casa como antes, porque estavam com a cabeça abaixada, lendo um livro. Parece familiar?

Nos anos 1880, o New York Times escreveu que livros não eram saudáveis, dizendo que a vida era representada de forma exagerada nos romances. Eles diziam que a imaginação seria afetada.

Vício em livros - https://timeline.com/what-technology-are-we-addicted-to-this-time-f0f7860f2fab
“A maldade de ler romances – O mal da leitura voraz de romances é muito mais parecido com o mal de beber álcool do que pode parecer.”

O Journal of Neuroscience fez um estudo por ressonância magnética para entender o que acontece com nossos cérebros quando nós lemos um livro. A hipótese deles era de que quando você lê você associa ações reais da vida na sua mente. Então as palavras que lemos se transformam em ações reais. Se estamos lendo livros sobre bruxos no Reino Unido, por exemplo, você está retratando na sua cabeça todas as ações que eles fazem.

Outro estudo, feito com literaturas específicas do século 18, descobriu que as áreas de funções executivas do cérebro se iluminaram e, claro, também o centro de prazer. Portanto, como as mídias sociais de hoje, ler nos ajuda a dar prêmios em nosso cérebro, ou seja, ativa nosso sistema de recompensa cerebral. Nós gostamos de ler, de interagir com pessoas e de nos distrair, então nós queremos mais disso.

Rádio e telefone

Rádios antigos

Por volta dos anos 30 o rádio chegou na casa das pessoas e logo foi considerado um vício, principalmente para as crianças. Em 1939, um jornal lamentou que as crianças da época haviam abandonado a brincadeira “Polícia e Ladrão” para ficarem em casa ouvindo o rádio.

Nos anos 50 a 80 os telefones eram o perigo. Em 1984 um artigo dizia que a dependência em telefones era uma das doenças de comportamentos antissociais mais graves e não relatadas na América. O New York Times também escreveu seu artigo sobre o problema, nele dizia que os Estados Unidos estavam ficando viciados em conversas por telefone e não tinham mais tempo para cozinhar, limpar, cuidar das crianças ou relaxar.

Vício em telefone - https://news.google.com/newspapers?nid=1955&dat=19580928&id=11dWAAAAIBAJ&sjid=KkMNAAAAIBAJ&pg=5529,5288482&hl=en
“Adolescentes que ficam horas no telefone estão, sobre todas as coisas, defendendo seu ego.”

Televisão

TV antiga

O Journal of Behavior Addiction, em 2013, fez uma revisão literária de todos os estudos sobre vícios em televisão e descobriram que a primeira menção ao problema é de 1954, quando as TVs ainda eram pequenas e as imagens em preto e branco. Eles também mencionam que o vício em televisão não é tão diferente do de jogos de aposta ou de uso de substâncias. E, assim como visto nos estudos da literatura, pessoas que assistiam televisão ativavam o sistema de recompensa cerebral.

É importante notarmos que toda a infraestrutura que nós temos hoje, desde a rápida publicação de livros até os satélites que permitem melhores sinais de televisão, foram criados porque todos pediam por isso, porque todos usavam esses recursos e o queriam cada vez mais e melhor. Os livros nos deram um acesso ao poder nunca antes visto, assim como fizeram os jornais, rádios, telefones, etc. E agora, a internet.

Vício em televisão - https://timeline.com/what-technology-are-we-addicted-to-this-time-f0f7860f2fab
“O povo de Londres descobriu hoje, com receio, que logo podem estar pagando taxas mais caras de ônibus, metrô e trem – parcialmente por causa do vício deles por televisão.”

Internet

A maioria de nós já ouviu falar sobre o vício em internet. Com certeza, muitos de vocês que estão lendo esse texto agora já ouviram as suas mães reclamando que vocês só querem saber de ficar no computador ou no celular, não brincavam na rua como no tempo deles, etc. A preocupação com o vício em internet foi tema de artigos desde o início dos anos 90.

Do desejo pelo uso constante da internet nasceram os smartphones, começando pelo BlackBerry, seguido do iPhone e dos Androids. Esses aparelhos possibilitam que tenhamos nossas redes sociais com a gente o tempo todo e, assim como os livros, os telefones e a televisão, elas ativam nosso sistema de recompensa cerebral. Hoje os smartphone e as redes sociais são considerados grandes inimigos de uma vida social e saudável. A preocupação é tanta que existem até centros de reabilitação para pessoas viciadas em smartphones.

Smartphone addiction

Conclusão

Afinal de contas, a culpa de todos os problemas apontados é da mídia em questão ou do uso que nós fazemos dela? Devemos perder tempo criticando e tratando as mídias sociais como o terror da humanidade ou empenhar esse tempo em descobrir uma forma de usá-las de forma saudável para todos? Por favor, deixe o seu comentário sobre o que você pensa dessas questões!

Clicando aqui, aqui e aqui você pode ler um pouco mais sobre o assunto.

Esse texto foi baseado no vídeo “The Internet Didn’t Create Shorter Attention Spans — Blame Books!” do canal Seeker, e no artigo “What technology are we addicted to this time?”, de Louis Anslow para o site TIMELINE.

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