Como Tupac e Thanos deram origem ao humano digital Douglas

Como tupac e thanos deram origem ao humano digital douglas. Idealizado para dar um novo rosto à inteligência artificial no campo da comunicação, douglas é o novo humano digital da digital domain
Idealizado para dar um novo rosto à inteligência artificial no campo da comunicação, Douglas é o novo humano digital da Digital Domain

Em breve, a morte não será mais o fim. Todos possuem chances de serem reconstituídos com o tempo graças à evolução da inteligência artificial. Tupac, reconhecido como o melhor rapper de todos os tempos e morto há 24 anos, não escapou. A empresa responsável por trazer o artista à vida revelou estar numa nova empreitada: se estabelecer no mercado com o humano digital conhecido como Douglas. Essa inteligência artificial tem tudo para ser mais humana do que muitos personagens de videogame recentes.

A inteligência artificial Douglas

Criado pela Digital Domain, Douglas possui características físicas que, se vistas cuidadosamente, simulam a expressão humana. A desenvolvedora defende que a IA foi criada para “quebrar barreiras na interação entre homem e máquina” ao propor conversas espontâneas e de fácil engajamento. 

Conforme as companhias decidem investir além das interações embasadas apenas via voz, existirá no futuro uma verdadeira necessidade para humanos foto realísticos se comportarem do jeito que nós esperamos. É aí que Douglas entra no jogo.

Darren Hendler, diretor do Digital Human Group na Digital Domain
Humano digital douglas da digital trends
Douglas em vídeo apresentação da Digital Domain.

Ainda em fase de desenvolvimento, com previsão de lançamento para este ano, a empresa busca investidores para fazer com que o humano digital seja o mais acessível possível. 

Douglas promete ter a mesma taxa de resposta das assistentes virtuais tanto da Apple quanto da Amazon, entrando em competição direta contra as duas empresas. 

Processo de captura e performance

Para tornar a experiência crível para quem o assiste do outro lado da tela, Douglas é defendido pela desenvolvedora como capaz de processar expressões, possuir alta capacidade de memória ao ponto de lembrar das pessoas com quem conversa e, além disso, ter rastreamento de visão. Sem mencionar as feições com tiques sutis que imitam o rosto humano, tudo possibilitado pela capacidade de software que alçou o nome da Digital Domain no cenário de Hollywood e videogame de alto orçamento.

Baseado no rosto e voz de Doug Roble, diretor sênior da própria Digital Domain, foram necessárias incontáveis horas na frente de aparatos de captura facial com o modelo performando diversas caras e bocas de modo a criá-lo. Roble emprestou também seu vocabulário gestual à IA. 

Para simulá-lo por completo, uma ferramenta de renderização foi criada para captar fotos do diretor em diversas condições de iluminação. A partir destes dados, a equipe conseguiu reproduzir qualquer expressão que não seria possível antes com técnicas tradicionais. 

Apesar da aparência do avatar digital, que nos engana em um primeiro momento ao sugerir que estamos realmente vendo um ser humano, plataformas fazem com que a AI se expresse o melhor possível para tornar a experiência ainda mais contundente.

Por baixo do rosto de Douglas, foram empregadas plataformas como o Dialogflow, para fazer com que ele entendesse e captasse a língua usada pelo usuário, um conversor usado para produzir texto de conversação (respostas e reações apropriadas também foram empregados) e um sistema similar aos encontrados na Siri e Alexa.

No entanto, o interesse em desenvolver um humano digital por parte da empresa não é de hoje. 

Tupac e Thanos influenciaram departamento de criação

Segundo Roble, a tecnologia sempre está trabalhando em prol da arte, seja uma forma fluida de simulação ou algo a mais. Prova viva disso são dois personagens recorrentes da cultura como um todo, um do mundo da música e outro da cultura pop. 

A realização de Thanos, em toda sua imponência e fúria em Vingadores: Guerra Infinita, só foi possível em virtude do trabalho realizado pela Digital Domains. Conhecido como Titã Louco, seu semblante foi esculpido digitalmente pela desenvolvedora. 

Para os saudosistas que queriam um gostinho de como seria presenciar um show do Tupac, todo o gingado e estilo do rapper foi recriado numa performance nunca vista antes durante a edição do Coachella em 2012.

A demanda para criação de personagens digitais cresceu tanto que a desenvolvedora criou um departamento específico para o time responsável, com enfoque em alavancar ainda mais os limites dos humanos digitais.

Implicações que o humano digital pode causar futuramente

Pode parecer muito Black Mirror, mas de fato a existência do Douglas parece ter saído diretamente da cabeça do criador da antologia.

Em era de deepfake e do alto desenvolvimento de tecnologias envolvidas na criação de IAs, uma pergunta recorrente é o quanto as criações de humanos digitais são executadas dentro de um conceito ético, uma vez que o banco de dados usado pela equipe implica na replicação da imagem da pessoa capturada para qualquer fim, pro bem ou pro mal: recentemente tivemos uma divertida paródia da mensagem de Natal da Rainha Elizabeth usando a técnica, mas também há a criação de nudes falsos causando problemas para diversas pessoas.

A própria Digital Domains havia revelado que há alguns meses a equipe estava focada numa nova tarefa: testar novos rostos e vozes. Basta esperar para ver quais vão ser os novos resultados no desenvolvimento de Douglas.

O que você acha de criações como a do humano digital autônomo? Deixe suas impressões nos comentários.

Fonte: Post Perspective, Mashable, VFX Science, Digital Trends

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