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Paixão à primeira vista
Sempre fui movido pelo desejo de explorar lugares inóspitos, onde poucos humanos já pisaram. Vivendo em meio ao concreto e à correria urbana, a necessidade de me desconectar desse mundo e da poluição se tornou urgente.
Foi lendo uma matéria sobre a Antártica que me apaixonei à primeira vista pelo continente gelado. A travessia do temido Estreito de Drake, as condições extremas, as paisagens surreais e a vida selvagem vibrante despertaram meu espírito aventureiro.
E, diante das mudanças climáticas que ameaçam esse ecossistema único, a vontade de conhecer o 7º continente só aumentou.

Planejando a viagem
Ir para a Antártica, porém, exige planejamento. Foram três anos de pesquisa e preparação.
Descobri que há desde cruzeiros tradicionais, com milhares de passageiros, até expedições menores, com cerca de 200 pessoas — minha escolha. Somente esses navios menores têm permissão para desembarcar e explorar o continente em terra e mar.
Os preços variam muito (de USD 5.000 a USD 18.000 por pessoa), dependendo da época, do navio e do nível de luxo — há embarcações com mordomo, helicóptero e até submarino. Um amigo, por exemplo, conseguiu uma promoção de última hora em um navio mais antigo, pagando USD 4 mil, mas isso foi um achado. Eu optei pela Atlas Ocean Voyages https://atlasoceanvoyages.com, com navios novos e sistema all inclusive (tudo incluído) para refeições, bebidas e atividades.
Foram meses economizando e pagando parcelas até o embarque. Sobre como planejar uma viagem, confira dicas nesta matéria
Desvendando a Antartica
Em fevereiro de 2025, finalmente realizei o sonho. E a Antártica superou qualquer expectativa.
O continente coberto de neve, com seus picos imensos, ilhas e canais intocados, é de tirar o fôlego. Geleiras e icebergs (montanhas de gelo flutuantes) desfilam diante da janela do quarto. A vida selvagem é um espetáculo à parte. Visitamos colônias de pinguins e aprendemos como eles vivem em comunidade e ensinam seus filhotes à caçar e sobreviver ao inverno seguinte.

Tivemos diversos encontros com baleias jubarte, orcas e fin (uma das maiores espécies de baleia), nadando sozinhas ou em grupo, exibindo suas caudas e esguichando jatos d’água. Focas peludas da Antartica (fur seals), focas leopardo, focas elefante, albatrozes e petréis (aves características da região) eram também vistos com bastante frequência nos passeios de zodiac (botes infláveis utilizados para as explorações em mar) ou nas explorações em terra.


Aventuras no gelo
Houveram diversas aventuras e experiências marcantes. A começar pela travessia do Círculo Polar Antartico (linha imaginaria na latitude de 66° sul, a qual poucos aventureiros tiveram a façanha de cruzar), numa cerimônia com direito à champagne e buzinas do navio.

Acampamos dormindo ao ar livre em uma ilha, escalamos montanhas para ver colônias isoladas de pinguins e fizemos passeio de caiaque onde remamos no mar calmo e silencioso entre icebergs e baleias (uma jubarte acompanhou nosso passeio a 5 metros de distância).

Tivemos também uma das experiências mais marcantes e intensas: mergulhar no mar gelado da Antártica (o famoso Polar Plunge, ou Mergulho Polar). Foi uma mistura de dor e explosão de dopamina (substância química relacionada ao prazer), que nos deixou durante horas em estado de euforia.

Durante essa aproximação tão radical com a natureza em sua forma mais selvagem e intocada, pudemos apreciar o silêncio absoluto em dias calmos — e o assustador barulho do mar e do vento nos dias agitados.
A embarcação e os passageiros
O conforto do barco fez toda diferença: tripulação atenciosa, refeições deliciosas, room service (serviço de quarto), bares, aperitivos a qualquer hora, palestras sobre a vida marinha e meio ambiente, sauna, hidromassagem, academia, festas e música. Foram 12 dias intensos, sem um minuto de tédio.
O maior presente, porém, foram as pessoas. Éramos os únicos brasileiros entre a maioria de americanos, grande parte acima dos 40 anos (alguns com mais de 70). Todos unidos pela paixão à aventura e natureza. Entre vinhos, tequila, música e risadas, trocamos histórias, fotos, culturas e criamos laços para a vida toda.

Reconexão
Nesse período de 12 dias, me desconectei do mundo, das redes sociais e das preocupações da vida. Percebi que, em situações adversas, nos conectamos de verdade com outros seres humanos. Barreiras caem e a cooperação prevalece — como as baleias e pinguins, que sobrevivem em comunidades nesse ambiente hostil.

Conhecer a Antártica, sua vida selvagem e sua fragilidade, foi uma lição sobre nosso papel no planeta: somos parte de uma comunidade global, responsável por proteger esse mundo extraordinário. Conhecendo esse mundo tão frágil e ao mesmo tempo tão resiliente, aprendi sobre mim mesmo.

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