Banco Central vai acabar com TED e DOC já em 2020. Entenda

O Banco Central do Brasil anunciou que implementará novo sistema de pagamentos instantâneos que deve ser lançado novembro de 2020

O Banco Central do Brasil anunciou que implementará um novo sistema de pagamentos instantâneos no país. Este novo sistema deve usar blockchain, a tecnologia do Bitcoin, e poderá ser lançado oficialmente em novembro de 2020.

O objetivo da instituição é, aos poucos, substituir o uso de ferramentas como Transferência Eletrônica Disponível (TED) e Documento de Ordem de Crédito (DOC), que são consideradas de lenta compensação, além de altos custos para os usuários.

“O Banco Central vem atuando na liderança desse processo, com o objetivo de criar, de uma perspectiva neutra em relação a modelos de negócio ou participantes de mercado específicos, as condições para o desenvolvimento de um sistema de pagamentos instantâneos eficiente, competitivo, seguro, inclusivo e que acomode todos os casos de usos”

Banco Central, em nota oficial

Das justificativas para a nova mudança, o Banco Central aponta três:

  1. A utilização elevada do dinheiro em espécie para pagamentos de serviços e para transferências de recursos entre pessoas físicas, o que justifica a política do BC de incentivo à eletronização dos instrumentos de pagamento de varejo, tendo em conta que podem gerar redução significativa do gasto com a realização de pagamentos; 
  2. As transferências eletrônicas interbancárias de crédito, como a TED e o DOC, estão longe do seu potencial de utilização, principalmente por causa das tarifas elevadas para essas operações, das dificuldades no endereçamento das transferências e da ausência de confirmação das transações;
  3. Os custos de aceitação de cartões de crédito e de débito são muito elevados e a disponibilização dos recursos para o beneficiário final do pagamento demora muito tempo.

O projeto visa melhorar não só as transações entre pessoas, mas também entre bancos. Confira abaixo como funcionará melhor o sistema, que terá sua implementação até novembro de 2020.

Entenda como funciona o novo sistema do Banco Central

O Banco Central divulgou uma imagem mais detalhada do funcionamento
O Banco Central divulgou uma imagem mais detalhada do funcionamento

Uma das possibilidades apontadas é a de criar um nome de usuário para cada pessoa, podendo ser um login com o próprio CPF, acabando com a exigência de inserir dados como nome completo, banco e agência a cada transação que o usuário for fazer, além de que eles funcionariam 24 horas por dia, 7 dias na semana.

Atualmente, os pagamentos por transferência são feitos por caixas eletrônicos ou bocas de caixa, e os valores enviados chegam ao destinatário apenas se o usuário que enviou a quantia efetuou a transação em dias úteis, nos horários definidos pelos bancos, que vão de 6h30 até às 17h.

A medida pode favorecer a industria de Bitcoin e sistemas de criptomoedas no pais, especialmente no caso de compra e venda, pois permitirá operações como depósito e saque também nos finais de semana e fora do horário comercial, algo que não é permitido atualmente no sistema vigente. Além disso, Startups que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro, chamadas de Fintechs, poderão ser beneficiadas pela decisão.

Outro ponto forte do novo sistema implementado pelo Banco Central, é a substituição de cartões de crédito. As novas compras poderão ser efetuadas por QR Codes, seguindo uma tendência internacional. Após a leitura ser efetuada, o usuário deve aprovar a compra em seu smartphone, através de identificação biométrica, leitura digital, ou por uma selfie, validando que quem está efetuando a compra, é realmente o usuário. Validando a operação, a transação é feita em segundos.

O novo sistema facilitará a transação de criptomoedas
O novo sistema facilitará a transação de criptomoedas

No Brasil, a transição para o modelo já teve início também nas instituições bancárias ditas tradicionais. A Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) lançou em junho deste ano a Rede Blockchain do Sistema Financeiro Nacional, em parceria com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), que conta com a presença de empresas como Bradesco, Banco do Brasil e Sicoob.

De acordo com uma pesquisa divulgada pela PwC em 2018, até 2030 de 10% a 20% dos processos econômicos em todo o mundo serão processados em cadeias de blockchain. Segundo o Banco Central, o desenvolvimento custará em torno de R$ 4,3 milhões, enquanto a manutenção está estimada em R$ 1,2 milhão ao ano. Em abril de 2019, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou que a implantação do novo sistema de pagamentos instantâneos estava próxima de ocorrer, mas agora já é uma realidade.

Outra possibilidade do blockchain é sua utilização para remessas internacionais. Esse tipo de transação financeira pode levar dias ou até semanas para ser concretizada no sistema de compensação que está em vigor atualmente. Nele, o dinheiro é repassado por bancos intermediários até chegar ao banco de destino. O novo sistema pode beneficiar que esse processo não sofra tantos desvios, como acontece atualmente.

A medida do Banco Central visa melhorar a relação financeira entre pessoas e bancos, diminuindo custos e facilitando, assim como Startups já fazem.

O que achou do novo sistema? Deixe nos comentários sua opinião se o novo sistema irá facilitar a vida dos usuários e dos bancos e não deixe de seguir o Showmetech para mais notícias de tecnologia e finanças!

Fonte: Estadão

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