Blockchain – Conheça outros usos para a tecnologia

Blockchain
Conheça usos para o Blockchain, tecnologia usada no Bitcoin em entrevista com Luiz Jeronymo, Lider técnico de blockchain na IBM Brasil.

Blockchain é, sem dúvida, um dos assuntos que o mercado está falando muito atualmente, não somente por conta do Bitcoin, mas pelos diversos possíveis usos da tecnologia. Já leu nossa explicação sobre o assunto?

Esse é um tema que pessoalmente tem me atraído muito pois acredito que existe um enorme mercado corporativo que pode se beneficiar. E quando falamos em corporativo, a IBM já está atuando forte nessa área, e conseguimos uma entrevista com Luiz Jeronymo, Líder técnico de blockchain na IBM Brasil.

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O que é a tecnologia conhecida como Blockchain e por que ela vem atraindo tanta atenção nos mais diversos segmentos?

Blockchain surgiu há 7/8 anos atrás num whitepaper publicado por Satoshi Nakamoto propondo a criação de um sistema financeiro pessoa/pessoa (P2P) pra troca de dinheiro digital. A moeda mais conhecida a usar a tecnologia é o Bitcoin, e hoje existe um mercado muito agitado e consolidado.

Logo após a publicação do paper o mercado começou a analisar a tecnologia que estava sendo utilizada, e então perceberam que o sistema resolvia um problema de troca de ativos sem intermediários (sistemas sem clearing).

Por exemplo, a metodologia utiliza técnicas para garantir que um ativo não sejá gasto duas vezes. No caso de uma nota de dinheiro, você não consegue usar a mesma nota em duas compras diferentes. Com essas garantias, as empresas perceberam que seria possível usar a tecnologia em diversos mercados que ativos (físicos ou não), passam por diferentes pessoas. Veja abaixo outros exemplos de uso.

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Tradefinance

A Tradefinance está usando blockchain nas operações de comercialização de produtos que envolvem carta de crédito como garantia de uma operação comercial. Ou seja, uma carta de crédito é emitida por um banco contra outro banco que irá executá-la contra um beneficiário final.

Muito usado quando um importador precisa garantir o pagamento para o exportador. O modelo antigo tem algumas ineficiências, cláusula comum, carta deve ser liquidada quando o produto chega no porto de destino, liquidação pode demorar dias, no final do processo o exportador pode demorar semanas para receber.

Consórcio de bancos europeus

Sete bancos europeus se uniram e formaram um consórcio para ajudar pequenas e médias empresas que tem dificuldade em conseguir crédito para exportação. O banco UBS, em conjunto com a IBM, desenvolveram uma solução para esses casos que já tem adesão de outros 5 bancos europeus.

Everledger

A startup Everledger, de Londres, desenvolveu um sistema para rastreabilidade e certificação da origem de diamantes. A empresa recebeu em 2015 um aporte do banco Barclays.

Existem diversos problemas e riscos na extração de diamante, como por exemplo, trabalho escravo ou origem de países em guerras. Com a tecnologia da empresa é possível rastrear e garantir toda cadeia, desde a extração, até a venda do produto final, sendo assim, o consumidor consegue saber qual a origem do produto.

Walmart

Walmart passou por alguns problemas de contaminação alimentar de produtos na China. Desenvolveram então uma solução que permite saber todo o histórico de um produto que está na gôndola para ser vendido. Ele recebe um QR code que permite ao cliente consultar toda a informação, desde produção, vacinas, transporte, atestados de higiene, padrões de temperatura no transporte. E, além disso, quando o produto passa no caixa, toda a informação é checada e caso tenha algum problema na cadeia, a venda é barrada.

Há dificuldades para a adesão da tecnologia? Qual setores e serviços podem ser beneficiados?

blockchain

Não existe uma limitação, as soluções podem ser aplicadas para qualquer setor. Mas em geral as soluções são desenvolvidas quando existem parceiros externos, outras empresas envolvidas. Raramente são desenvolvidas soluções para resolver apenas problemas internos das empresas.

Assim como a internet, que não tinha padrão no seu início e os padrões foram sendo criados pela W3C, o Blockchain também sofre com a falta de padronização, pois cada empresa usa a tecnologia base e desenvolve sua própria solução. Essa questão deve ser resolvida no curto prazo pelas empresas.

A IBM acredita que a tecnologia tem que ser open source, por isso estão no consórcio hyper ledger fabric para construção de um código open source para uso como padrão no mercado.

Blockchain é um conjunto de tecnologias, uma solução estrutural que possibilita a criação de modelos de negócios disruptivos e inovadores. Quais irão sobreviver? Só o tempo irá dizer. Ainda é uma solução em amadurecimento, por conta disso a adoção ainda leva em conta a carência de skill, falta conhecimento pra saber como e onde adotar.

Atualmente estamos num momento de muitas ideias, mas muita coisa não irá pra frente pois não existem garantia na adesão nos modelos e ideias. As empresas estão se juntando em consórcios para montar soluções em conjunto.

O sistema é mesmo infalível? Como garantir que uma informação registrada em um bloco não seja adulterada?

O sistema reúne um grupo de transações e monta um bloco. Então, um hash (assinatura) desse bloco é gerada e qualquer alteração da informação anterior invalida o bloco. O hash que é gerado leva em consideração o bloco atual e também o hash do bloco anterior.

Para fraudar, você teria que recriar todos os passos anteriores da cadeia, o que é considerado como inviável.

Há algum tipo de controle? Uma espécie de órgão regulador do Blockchain?

Sobre o blockchain em si, não existe, assim como não existe das criptomoedas, como o Bitcoin. E ela inclusive é código aberto. Mas a tecnologia pode ser usada em projetos que exista um regulador, que em muitos casos é inclusive bem vindo.

Se uma empresa precisa auditar as empresas de um setor, ter o regulador ajuda no processo, pois a vistoria fica muito mais rápida e efetiva. Empresas que atuam em áreas reguladas muitas vezes precisam com frequência responder para o regulador, e a utilização do blockchain facilita o processo de vistoria, deixando o processo mais rápido e efetivo.

Cada “condomínio” tem as suas regras de participação, critério, definição de quem pode participar, entrar e sair. Em comparação à condomínios residenciais, cada morador tem seu próprio apartamento, mas existem as áreas comuns que precisam de zeladoria para operação e alguém para sindicar no todo. Você é dono do seu, mas existe uma parte comum que precisa ser governada entre os participantes.

A IBM já é considerada líder mundial em Blockchain, como vocês enxergam o mercado em nível mundial e Brasil? Tem algum exemplo de uso?

Tanto fora do país quanto aqui é uma das estratégias importantes para a IBM, junto com Congnitigo e Cloud. Já temos mais de 400 projetos no mundo em diferentes industrias.

No Brasil existe o espaço chamado Garagem 1157 com algumas provas de conceito, algumas inclusive já caminhando para produção. O espaço é destinado para utilização de empresas para implementação de novas ideias. Em geral, entre 6 e 8 semanas é o tempo necessário para empresas desenvolverem uma prova de conceito utilizando os métodos ágeis da IBM.

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