Brasil desenvolve teste de coronavírus que pode ajudar a reabrir a economia do país

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Teste de coronavírus criado pela Mendelic promete aumentar exponencialmente a capacidade diária de diagnósticos no país

Desde o início da pandemia de COVID-19 muito se fala sobre “subnotificação” dos dados brasileiros. Isto acontece porque, atualmente, a nossa capacidade de testar se a população está infectada ou não com o novo coronavírus ainda é muito limitada, o que torna possível que os números de contaminados sejam ainda maiores do que os mostrados nas estatísticas — mas um novo teste de coronavírus pode ajudar a corrigir este problema.

Batizado de #PARECOVID, o teste foi desenvolvido em uma parceria entre a Mendelics (empresa especializada em análise genômica) e o Hospital Sírio-Libanês, e permite identificar se a pessoa está infectada ou não com o novo coronavírus a partir de uma amostra de saliva, com resultados em até uma hora. E tudo isso com uma eficácia de 100%, o que garante que não existirão falsos-positivos, e que não será necessário testar mais de uma vez a mesma pessoa para se garantir que ela está mesmo infectada.

Desenvolvido para ser efetuado em larga escala, este teste de coronavírus tem o custo médio de R$ 95 (cerca de metade do valor cobrado nos outros tipos de teste de COVID-19) e o laboratório tem capacidade de realizar até 110 mil diagnósticos por dia com ele. De acordo com David Schlesinger, CEO e fundador da Mendelics, desde o início da pandemia o Brasil realizou cerca de 900 mil testes de COVID-19 em sua população, e o novo teste desenvolvido pela empresa permitiria ultrapassar em apenas 10 dias esses números.

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Teste da Mendelic utiliza tubos estéreis para coletar a saliva necessária para o diagnóstico (Imagem: NeoFeed)

A comparação fica ainda mais clara quando é feita com os métodos que atualmente são utilizados: enquanto o teste da Mendelics permite que até 110 mil pessoas por dia sejam testadas, o teste criado pelo Hospital Albert Einstein permite a realização de cerca de 3 mil testes diários, enquanto o utilizado pelo laboratório Fleury permite a realização de até 2 mil testes por dia.

Mas, de acordo com o CEO, este novo método não será tratado como uma “mina de ouro” pela empresa, e Schlesinger já avisou que a Mendelics e o Sírio-Libanês não defenderão uma exclusividade da patente, e que compartilharão com qualquer laboratório interessado todos os procedimentos para a adoção do teste. O objetivo é aumentar a capacidade do país, que poderá facilmente chegar a mais de 1 milhão de exames diários de COVID-19 caso outros laboratórios também adotem a técnica.

Teste de coronavírus e reabertura econômica

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Conseguir testas a população de maneira massiva é um caminho necessário para se efetuar uma abertura econômica com segurança (Imagem: KAI PFAFFENBACH / REUTERS)

Os estudos para o desenvolvimento do teste de coronavírus da Mendelics foram realizados nos últimos dois meses, e foi necessária uma enorme estrutura para dar conta de todo o trabalho necessário em tão pouco tempo — o que incluiu uma reforma em um prédio de quatro andares na cidade de São Paulo, onde hoje está instalado a base da produção desses testes.

O enorme investimento se dá devido a necessidade urgente de um aumento da capacidade brasileira de testar a população. Isto porque algo comum em todos os lugares do mundo que conseguiram conter a pandemia (como a Coréia do Sul e a Nova Zelândia) foi uma enorme capacidade de testes, que permitia que diariamente praticamente toda a população das regiões mais afetadas pelo vírus fosse testada. 

Isto permitia com que qualquer pessoa infectada fosse rapidamente diagnosticada e encaminhada para o isolamento independente de apresentar ou não sintomas da doença, diminuindo drasticamente o contágio e, em consequência, o número de novos casos diários — algo necessário para que se organize uma reabertura da economia com segurança.

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O teste massivo de toda a população foi necessário para que a Nova Zelândia conseguisse zerar os casos de COVID-19 no país (Imagem: Reuters)

Por isso, a Mendelics já está sendo procurada por diversas empresas, que têm o interesse de realizar testes em massa nos seus funcionários a fim de conseguir retornar às suas atividades normais com segurança.

O grande “gargalo” da adoção em larga escala deste método é o “tubo estéril” usado para coletar as amostras de saliva dos pacientes. O problema é que a pandemia aumentou demais a procura no mundo todo por insumos médicos, laboratoriais e hospitalares, e praticamente toda a produção mundial deste equipamento está concentrada na China. Assim, há sempre a possibilidade de que qualquer problema no país — como uma segunda onda da pandemia, que obrigaria as fábricas a fecharem novamente — afete diretamente a capacidade de testes que podem ser feitos por aqui.

Fonte: NeoFeed, Mendelics

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