Bright: realidade e fantasia se chocam em novo filme da Netflix

Will Smith e Joel Edgerton estrelam trama de ação policial em um mundo cheio de orcs, elfos e fadas.

Orcs, fadas e elfos são criaturas comuns aos filmes e séries de temática mágica e medieval, como em O Senhor dos Anéis. Mas quando estes seres aparecem em um enredo que se passa no século XXI, é de se causar estranhamento, não?

Lançado pela Netflix no dia 22 de dezembro, Bright é estrelado por Will Smith no papel do policial Daryl Ward e por Joel Edgerton na pele de Nick Jakoby, primeiro orc a entrar na academia de polícia de uma fantasiosa Los Angeles.

Até o ex-âncora do Jornal Hoje, Evaristo Costa, entrou no mundo de Bright para apresentar os acontecimentos caóticos que marcam a busca por uma varinha mágica.

Mas aí já é adiantar o enredo demais, vamos por partes para não dar nenhum spoiler antes da hora. E como a noite é escura e cheia de terrores, esse texto estará cheio de spoilers, então leia por sua própria conta e risco.

As Criaturas

Brights e magos

O título do filme se dá ao nome de um poder que pode ser encontrado em qualquer criatura: humano, elfo, orc ou até um centauro, desde que ela consiga tocar em uma varinha mágica sem explodir e sendo capaz de emanar mágica através do artefato.

A elfa bright Tikka.

Um bright pode se tornar um mago poderoso, mas eles não tem se mostrado muito pelo mundo desde que a magia derrotou o Senhor das Trevas 2.000 anos atrás.

Orcs

Na história, o ponto central é a relação entre um orc e um humano. Você não vê orcs em posições de poder ou em empregos mais qualificados, tanto que Jakoby é o primeiro de sua espécie a integrar o time policial da cidade.

Gangues de rua, chofer dos elfos; esses são alguns dos empregos mais comuns para os orcs, que são marginalizados e oprimidos em uma sociedade desigual. O crime se torna a solução mais simples e rápida em um mundo que lhes tira as oportunidades apenas por serem orcs.

Humanos

Esse já conhecemos e aparecem como são: corruptos, rápidos no julgamento, mas ainda assim com capacidade de mudar e aprender com seus erros.

Elfos e Inferni

Elfos são as criaturas mais ricas e privilegiadas de Los Angeles, tendo até uma cidade somente para eles, onde todos andam de carros extremamente caros e transformam os orcs em seus empregados.

A inferni dona da varinha mágica.

Os renegados da raça, os inferni, são elfos que se envolvem com magia porque querem trazer o Senhor das Trevas de volta.

Fadas, Centauros e outros

Eles aparecem pouco, como um centauro trabalhando na entrada do FBI ou um dragão voando ao longe, indicando apenas que existem e estão presentes no mundo mágico de Bright.

A História

Joel Edgerton e Will Smith em Bright.
Os policiais Nick Jakoby e Daryl Ward.

Ward é um policial comum, tirando o fato de que é um humano tendo que lidar com uma fada invadindo seu quintal e outras criaturas místicas vivendo ao seu redor.

Após levar um tiro de um orc, Ward culpa seu parceiro Jakoby por ter sido atingido e o criminoso fugido, pelo simples fato dele ser um orc, o que o teria levado a proteger o atirador. O policial orc não dá mais informações sobre como perdeu o criminoso de vista, o que deixa Ward ainda mais desconfiado.

A relação entre os dois, que já não era das melhores por Ward não aceitar ter um orc como parceiro, fica ainda mais delicada. Mesmo com a filha do policial humano, por exemplo, gostar e ser receptiva ao parceiro do pai.

Jakoby e Ward.

Jakoby tem que lidar não apenas com o clima ruim criado por seu parceiro, mas com os outros policiais que não cansam em cometer bullying contra o orc todos os dias dentro da academia. Ser um orc é difícil, mas as coisas são ainda piores para Nick.

Tudo que Jakoby queria era apenas ser policial. Mesmo tendo raspado suas presas, ele não consegue ser aceito pelos humanos e é renegado por sua própria espécie por “querer ser um humano”.

Todo dia é uma batalha para um orc policial, principalmente quando até seu parceiro não te aceita ou não consegue confiar em você.

Respondendo a um chamado, Jakoby e Ward acabam encontrando a elfa Tikka, que, na verdade, é uma bright em posse de uma varinha mágica de uma inferni, uma elfa renegada que quer trazer de volta o Senhor das Trevas.

Uma varinha mágica é algo extremamente desejado por todos. Gangues de humanos e elfos tentam roubar a arma de Jakoby e Ward, mas um artefato desse poder em mãos erradas pode acabar com o mundo.

Com cenas de ação bem trabalhadas e perseguições em alta velocidade, a dupla de policiais foge da inferni e tenta proteger Tikka a todo custo.

 

O Filme

Dirigido por David Ayer, Bright é o filme mais caro já feito pela Netflix e um dos melhores. Além da maquiagem e dos efeitos especiais realmente fazerem o espectador entrar em um mundo de fantasia, o roteiro consegue fazer uma história que te prende do começo ao fim.

O carisma de Will Smith e o talento de Joel Edgerton levam o filme bem, atingindo os momentos engraçados e segurando firmemente os pontos mais altos de ação.

Mais importante que o enredo bem executado e interessante, Bright choca fantasia com realidade ao conseguir ser um retrato das questões raciais nos Estados Unidos. Uma classe mais rica e outra marginalizada simplesmente por causa do modo que se parecem, violência extrema da polícia somente contra orcs e muitos outros pontos que acabam por oprimir essas criaturas. Tudo isso pelo fato deles serem orcs, por não se parecerem fisicamente a elfos ou humanos.

E alguns elfos se esforçam em continuar diminuindo os orcs, o que pode ser visto nos grafites e pichações exibidos no começo do filme. Clamando ser “de uma raça superior” para justificar o abuso, alguns extremistas elfos se assemelham a grupos de extremistas brancos, os quais tomam cada vez mais espaço no país governado por Donald Trump.

O filme apresenta conflito e a solução dele, fazendo um bom percurso de começo, meio e fim. A ideia que pode parecer maluca no começo, consegue ter uma ótima execução e entregar um resultado bom.

Mas algumas questões ficam em aberto, incluindo a reaparição de Tikka e a descoberta de que Ward é um bright. Isso dá indicação de que o filme vai continuar, o que é verdade, já que a Netflix já está encomendando Bright 2.

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