Cannabis pode causar problemas cognitivos, sugere estudo

Maconha pode causar problemas cognitivos permanentes

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Estudo canadense sugere que os efeitos das substâncias presentes na cannabis podem causar problemas cognitivos como dificuldade de aprendizado e falta de atenção

Categorizada como a terceira substância psicoativa mais consumida no mundo — ficando atrás do álcool e da nicotina — a cannabis, ou popularmente conhecida como maconha, pode acabar gerando problemas cognitivos a partir dos efeitos que perduram após seu consumo. A seguir você confere dados colhidos a partir de um estudo realizado pela SSA (Society for the Study of Addiction) sobre os impactos cognitivos no consumo de maconha.

Propósito e recursos

O estudo foi realizado tendo como base adolescentes e adultos que consomem cannabis com certa regularidade. O fato desse consumo crescer, a nível mundial — uma vez que vários países liberaram o consumo recreativo ou terapêutico da maconha –, traz uma preocupação de saúde pública no que tange aos possíveis efeitos que esse psicoativo pode trazer aos usuários.

O consumo de cannabis está bastante relacionado a países que estão legalizando a atividade, o que preocupa especialistas quanto ao consumo exagerado da substância. Reprodução: hightimes
O consumo de maconha está bastante relacionado a países que estão legalizando a atividade, o que preocupa especialistas quanto ao consumo exagerado da substância. Reprodução: hightimes

Os efeitos sobre as funções cognitivas foram os que mais se destacaram, intensificados quando em pessoas mais jovens, pois estes ainda possuem atividades cerebrais em desenvolvimento. A pesquisa realizou uma meta-análise de 10 estudos na área, representando mais de 43.000 participantes, a partir de artigos publicados nas plataformas PubMedPsycINFOWeb of Science e Google Scholar.

O uso de cannabis na juventude pode, consequentemente, levar à redução do nível educacional e, em adultos, ao baixo desempenho no trabalho e direção perigosa. Essas consequências podem ser piores em usuários regulares e pesados

Dr. Alexandre Dumais, professor clínico de Psiquiatria na Université de Montréal sobre o nível de impacto entre alguns usuários específicos

Impactos analisados

Entre as atividades mais afetadas, o estudo procurou analisar as seguintes atividades cognitivas: funções para execução de tarefas ou atividades, aprendizado e memória, atenção, rapidez no processamento de informações, funções motoras e funções linguísticas.

Alguns problemas cognitivos foram apresentados no estudo, como a dificuldade na rapidez de processamento de informações. Reprodução: hampdenhearing
Alguns problemas cognitivos foram apresentados no estudo, como a dificuldade na rapidez de processamento de informações. Reprodução: hampdenhearing

As características que mais se destacaram de forma negativa foram as de aprendizado verbal e memória fotográfica, que se mostraram afetadas durante e após o período de utilização da substância. De pouco a moderado, a execução de tarefas ou atividades foi a mais afetada. Em alguns resultados vimos processos inibitórios e de flexibilidade, e os danos moderados estão relacionados ao trabalho de memória geral e tomada de decisão.

Nosso estudo nos permitiu destacar várias áreas da cognição prejudicadas pelo uso de cannabis, incluindo problemas de concentração e dificuldades de lembrar e aprender, que podem ter impacto considerável na vida cotidiana dos usuários

Dr. Alexandre Dumais, professor clínico de Psiquiatria na Université de Montréal sobre os resultados apresentados no estudo

A velocidade no processamento de informações e a atenção foram identificadas como afetadas de forma leve a moderada; os problemas neuro cognitivos também foram observados em jovens com consumo mais intenso de maconha. Os resultados ainda apresentaram que não há tanta diferença na capacidade de fala e simples tarefas motoras entre usuários e não usuários de cannabis.

O dr. Alexandre dumais fala sobre a possibilidade de eliminar o thc, substancia principal da cannabis, de acordo com o tempo. Reprodução: nbcnewyork
O Dr. Alexandre Dumais fala sobre a possibilidade de eliminar o THC, substancia principal da cannabis, de acordo com o tempo. Reprodução: nbcnewyork

Alguns pesquisadores dizem que os efeitos no consumo de cannabis podem ser aliviados com o tempo, desde que sejam considerados o período de consumo e a quantidade consumida. O Dr. Alexandre Dumais ainda continua sobre este tópico:

A pesquisa revelou que o THC é um composto solúvel em gordura que pode ser armazenado no corpo e, assim, liberado gradualmente na corrente sanguínea por meses. Até agora, as alterações mais consistentes produzidas pelo uso de cannabis, principalmente seu uso crônico, durante a juventude, foram observadas no córtex pré-frontal. Tais alterações podem potencialmente levar a uma interrupção a longo prazo das funções cognitivas e executivas

Dr. Alexandre Dumais, professor clínico de Psiquiatria na Université de Montréal sobre a possível eliminação do THC no corpo, dependendo de alguns fatores

Especialistas discordam

Ainda sobre esse mesmo estudo, a doutora Rebecca Siegel, psiquiatra clínica, afirma que apesar do consumo de maconha ser, de fato, prejudicial, ainda há a utilização medicinal e não há estudos precisos para discernir o nível que pode causar problemas aos usuários.

Sabemos que o uso de cannabis pode afetar o lobo frontal do cérebro que controla o funcionamento executivo – tomada de decisões, resolução de problemas etc. […] Como o THC afeta o hipocampo e o córtex pré-frontal, os usuários de maconha podem ter dificuldade de concentração e memória. Mas sem esses estudos, não podemos saber com certeza e não saberemos até que estudos mais uniformes e controlados sejam feitos

Rebecca Siegel, doutora clínica sobre a dificuldade em discernir, cientificamente, os prejuízos e benefícios no consumo de cannabis
Outros especialistas não concordam completamente com o estudo. Reprodução: thehighthebe
Outros especialistas não concordam completamente com o estudo. Reprodução: thehighthebe

Outros profissionais também se posicionaram nesse sentido: Michele Ross, PhD em neurociência, também evidencia alguns benefícios que a maconha pode trazer aos usuários.

Os estudos provavelmente não analisam a cannabis consumida de outras maneiras, incluindo tinturas de cannabis, comestíveis de cannabis, etc., que não expõem o usuário aos efeitos nocivos da fumaça, que causam problemas de memória.

Michele Ross, Phd em neurociência sobre outras maneiras de consumo

Conclusão

De acordo com todos os dados coletados e analisados, a pesquisa chegou à conclusão de que o consumo de maconha leva a problemas cognitivos leves a moderados em diversas áreas. E isso não se atém ao momento pelo qual a substância está sendo consumida, mas também por algum período após a intoxicação.

Apesar do estudo, há também outros profissionais igualmente capacitados que se posicionam sobre os benefícios no consumo de cannabis. Apesar de a pesquisa não ter sido realizada de forma generalizada, estes especialistas afirmam ser necessária uma análise sob uma ótica mais específica.

Sobre o estudo

Logo da ssa. Reprodução: ssa
Logo da Society for the Study of Addiction. Reprodução: SSA

A revista científica, Society for the Study of Addiction, que divulgou os dados dessa pesquisa, entrevistou mais de 43.000 pessoas para a conclusão do estudo. Este ainda pertence ao Departamento de Psiquiatria e Vícios da faculdade de Medicina da Université de Montreal, em Montreal, Canadá. O responsável pelo estudo foi Jean O’Reilly. Além deste, outros institutos, estudiosos e pesquisadores também estão envolvidos.

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Fonte: Neuroscience News e CNN Health.

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