Falta de chips afeta a indústria

Como a falta de chips afeta a indústria, desde o Playstation 5 até carros

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Influenciada pela guerra comercial entre EUA e China e a pandemia de COVID-19, a falta de chips afeta a indústria como um todo e provoca gargalo na produção

A falta de chips afeta a indústria tecnológica e tem preocupado fabricantes do setor de diversos países. A razão para a falta do componente no mercado é complexa e vai muito além da questão do coronavírus.

É fato que a pandemia da COVID-19 afetou a economia global em diversos níveis e cada nicho de mercado sofreu perdas distintas, a depender do tipo de commodities e matéria prima envolvido no processo de produção. No caso específico do mercado de tecnologia, um dos gargalos mais preocupantes diz respeito aos chips eletrônicos, um dos componentes mais importantes de aparelhos que vão desde smartphones até videogames como o PlayStation 5.

A origem da falta de chips no mercado global

A Qualcomm, empresa californiana que fabrica semicondutores, foi uma das primeiras a sinalizar o quanto a falta de chips afeta a indústria, ao ponto de paralisarem fábricas nos EUA e Europa. A origem da falta desta matéria prima envolve um emaranhado de diversos e complexos fatores, que vão de sanções econômicas do governo Trump, o boom de venda de eletrônicos na pandemia chegando ao gargalo da falta de componente.

Principais setores afetados

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Sem chips eletrônicos, montadoras americanas e europeias interromperam totalmente a produção

A falta de chips afeta a indústria e os mais variados setores. Podemos citar, entre os mais afetados, a indústria automotiva que utiliza os semicondutores em, por exemplo, computadores de bordo de diversos modelos de carros. As mais afetadas pela crise da falta de chips são as empresas fabricantes dos mais variados tipos de eletrônicos (videogames, tablets, PCs, smartphones, televisores).

Volkswagen, Fiat, Toyota, Ford, Renault e Chrysler são alguma das montadoras que anunciaram a suspensão temporária na produção de veículos por conta da falta de chips, tanto em plantas na Europa quanto nos EUA. No setor de eletrônicos, AMD, Sony, Apple e Qualcomm citaram que a escassez está afetando a produção de iPhones e do PlayStation 5, além dos novos modelos de CPUs e GPUs da AMD.

Isolamento social e confinamento gera pico de demanda por eletrônicos

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Isolamento social das famílias aumentou o uso de eletrônicos

Ao longo do ano de 2020, mais de 187 países e 200 territórios foram afetados pela epidemia da COVID-19. Isto significa que praticamente todas as nações do globo em algum momento, algumas de maneira mais rigorosas que outras, estiveram com suas populações em regime de confinamento e isolamento social. E com as pessoas trabalhando de casa, com as crianças sem sair para sequer ir para a escola, além da população idosa que precisou se isolar totalmente, a necessidade de aparatos eletrônicos para facilitar o dia a dia dos confinados sofreu um verdadeiro boom. Com o aumento na venda de eletrônicos, somente as vendas globais de chips foram de 8,4% em 2021, em comparação a 5,1% em 2020.

Terceirização na produção de chips

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Empresas americanas de eletrônicos terceirizam a produção de componentes em países asiáticos

Além do aumento na demanda, outro fator para a escassez foi a remodelagem neste tipo de negócio que acabou criando um verdadeiro gargalo em toda indústria. Se tomarmos como exemplo a Intel, marca de semicondutores mais conhecida pelos consumidores. Se antes ela tinha fábricas próprias de todos os seus componentes, o atraso de produtos como o seu processador de 7 nanômetros fez ela terceirizar a produção de seus chips.

Os motivos vão além da agilidade e barateamento e tem muito a ver com as atitudes comerciais com as quais Donald Trump conduziu a economia americana. Se antes a Intel tinha as fábricas nos EUA, estas foram para a China, como toda a indústria de eletrônicos do Vale do Silício, como a IBM, Apple, para citar alguns. Mas as promessas de “America Great Again” (América Ótima de Novo) e a nova guerra fria contra a China desequilibraram completamente.

Trump e a guerra contra a China

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Donald Trump ao lado do presidente chinês Xi Jinping : presidente republicano passou os 4 anos de mandato retaliando economicamente a China

A guerra fria de Donald Trump contra a indústria chinesa foi uma das suas principais promessas de campanha. A acusação de que os empregos de americanos foram embora junto com as fábricas para a China angariou muito dos votos que o elegeram para a Casa Branca. Com isto, sob o governo Trump, uma série de sanções comerciais começaram a ser aplicadas às indústrias chinesas.

Com isso, os EUA acabou colocando o maior fabricante de chips da China, a Semiconductor Manufacturing International Corp., nesta lista de sanções juntamente com outras 60 empresas, a grande maioria ligada ao setor de tecnologia. Com isso, se o gargalo de demanda já estava em níveis de escassez, Trump acabou sabotando sua própria indústria de eletrônicos em uma jogada que pareceu mais populista do que economicamente inteligente.

Governo Biden e a nova proposta comercial

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Biden assina ordem executiva solicitando revisão na cadeia de suprimentos de chips

Com a derrota de Trump nas urnas, o novo presidente dos EUA Joe Biden surge com a desafiante tarefa de corrigir muitos dos erros do desastroso governo do seu antecessor republicano, sendo uma delas a recuperação das relações comerciais com a China.

Quanto a problemática de que a falta de chips afeta a indústria, o presidente Biden assinou uma ordem executiva em que toda a cadeia de suprimentos precisa ser revista, bem como exigindo uma estratégia de longo prazo para a resolução do problema, evitando outra crise de escassez no futuro.

Fontes: The Verge e CNBC.

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