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Mão robótica e biohacking

Ciência e Tecnologia

Como o Biohacking está mudando o mundo

O Biohacking já está presente no dia a dia de todos nós. Para o futuro próximo, estará cada vez mais presente. Saiba o motivo!

Biohacking ainda é um conceito que causa estranhamento. Apesar disso, a ideia de colocar as ciências biológicas e a ética hacker num mesmo lugar vem se consolidando com startups, entusiastas do movimento maker e DIY (Do it yourself) e iniciativas independentes.

Basicamente, Biohacking diz respeito à incorporação de tecnologias no organismo a fim de incrementar a sua performance e capacidade. Mas o “hacking” do termo quer dizer também que isso pode ser feito por uma base mais ampla de pessoas, e não apenas profissionais treinados em laboratórios. Algo extremamente em linha com a filosofia DIY.

Uma das iniciativas mais interessantes nesse campo é a Bionyfiken. Organização sem fins lucrativos que busca unir os chamados biohackers, biólogos adeptos do DIY e bodyhackers, com intuito de desenvolver e promover ideias e tecnologias que expandam a capacidade do corpo humano.

Hannes Sjoblad, co-fundador da organização fez uma recente apresentação na Singularity University Global Summit sobre como essas tecnologias já estão presentes em nossas vidas e como vão continuar mudando o mundo. Segundo ele, já vivemos às voltas com vários exemplos de tecnologias aplicadas ao organismo. Equipamentos para melhorar a audição, marcapassos, reguladores de insulina e braços e mãos robóticas já são realidade.

como o biohacking está mudando o mundo

como o biohacking está mudando o mundo

Como o Biohacking pode mudar a forma de viver

Todos esses equipamentos ainda são desenvolvidos em plataformas oficiais, por assim dizer. Ou seja, empresas e laboratórios de pesquisa em universidades renomadas. Talvez o próximo grande passo do Biohacking seja exatamente tornar o desenvolvimento de bioprodutos algo inerente à toda a comunidade Maker e qualquer pessoa que deseje criar seu próprio gadget para bodyhacking.

A área na qual o Biohacking é mais promissora é a da saúde. Além dos exemplos clássicos que já citamos, Sjoblad menciona ainda pílulas equipadas com sensores wireless para monitorar o efeito de diferentes medicamentos no organismo. Cada vez mais as medições poderão ser feitas diretamente de dentro do corpo.

Outra área promissora é a de segurança. Uma iniciativa que já vem sendo discutida há tempos é a fabricação de armas de fogo com identificação por impressão digital, as chamadas smart guns. Assim, uma arma só poderia ser disparada caso a pessoa que a manuseia pertença a uma força policial autorizada e tenha sua digital cadastrada no banco de dados do fabricante.

Alguns estudos tentaram avaliar como melhor implementar essa tecnologia, como reportado nessa matéria do britânico The Guardian. Também já existem empresas que fornecem tecnologias para “smart guns”, como a Smarttech. Apesar de ser uma ótima ideia, as smartguns ainda não deslancharam de verdade.

Impressão 3D debraço robótico

Peças para braço robótico fabricadas em uma impressora 3D

Nem tudo são flores

Apesar das várias ideias inovadoras, o Biohacking também tem os seus contras. Uma das ideias mais famosas  dessa área é o implante de chips no corpo para os mais diversos serviços, desde transações monetárias até transporte público. Mas implantar um pequeno chip no corpo ainda é algo muito invasivo para a maioria das pessoas.

Além disso, já existem softwares mal intencionados também nessa seara. Em entrevista dado ao Showmetech, MafiaBoy, um dos maiores hackers do mundo, alertou para a existência de malwares para equipamentos médicos controlados remotamente:

“…se você olhar para a indústria médica e o que está acontecendo agora, com os equipamentos que estão sendo introduzidos para controlar remotamente a dosagem de medicação de pacientes, esses equipamentos já foram hackeados. Você gostaria de usar um equipamento desse, que pode ser hackeado e remotamente receber uma dosagem fatal? É uma grande causa de preocupação. Cada vez mais tudo está sendo digitalizado e até mesmo marcapassos podem ser acessados remotamente. Não há muitas pessoas pensando nisso mas é a realidade que estamos vivendo. E se um ransomware atacar o seu marcapasso? O que você faria?”

Veja a entrevista completa para conhecer outros alertas.

Apesar da questão de segurança, o Biohacking e as tecnologias aplicadas aos organismos vivos estão evoluindo rapidamente. As potencialidades para melhorar a vida prática são enormes, principalmente na área médica. Com a universalização das tecnologias para organismos vivos, tal como já acontece com o pujante movimento Maker na área de eletrônica, a área de Biohacking talvez ainda vá viver um boom.

Para saber mais, deixamos a apresentação da bióloga Ellen Jorgensen, no TedTalks. O título é bem sugestivo: “Biohacking: You can do it, too“.

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Engenheiro eletro-eletrônico. Apaixonado por eletrônica, programação e ciências em geral. Escritor e redator por paixão à escrita.

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