Crítica | 007 – sem tempo para morrer

CRÍTICA ¦ 007: Sem Tempo para Morrer homenageia e põe ponto final ao antigo Bond

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Arco de Daniel Craig chega ao fim com todos os bons elementos de um filme da saga Bond

A saga de filmes do espião James Bond tem nos trazido um mundo de ação e estilo em diferentes versões desde 1962, com diversos atores interpretando o elegante espião e agente secreto criado por Ian Fleming: Sean Connery, Pierce Brosnan, Roger Moore, para dar alguns exemplos, e desde 2006 a saga daria início a um arco da história protagonizado por Daniel Craig, com 007: Casino Royale (que está entre os 200 melhores filmes de todos os tempos).

Protagonizando um Bond em início de carreira, mais novato e um pouco mais agressivo, Daniel Craig rapidamente se tornou uma das interpretações mais queridas do espião, e o arco de filmes interpretado por Craig fez sucesso o suficiente para se prolongar por mais 3 filmes até chegar ao seu eventual clímax em 2021 com 007: Sem Tempo para Morrer — a aventura final de James Bond e o fim do contrato do ator com a franquia.

Daniel craig como james bond em 007 - sem tempo para morrer
O nome é Bond. James Bond. Imagem: Screenmusings / MGM

Sem tempo para morrer — ou gastar

O novo filme do 007 é uma sequência direta de 007 Contra Spectre, de 2015, onde Bond começa aproveitando sua vida viajando com Madeleine após deixar o MI6. Depois de alguns eventos marcantes incluindo um tiroteio na Itália, as maquinações da organização Spectre mesmo com a prisão de seu líder, Ernst Blofeld, e o envolvimento de Bond com a CIA através de seu amigo Felix Leiter (interpretado por Jeffrey Wright), o espião volta da aposentadoria para impedir um mal que pode ameaçar todo o planeta – com uma dose de vingança pessoal inclusa na receita.

Desde o início, Sem Tempo para Morrer traz cenas de ação intensas e cheias de impacto distribuídas muito bem entre diálogos e investigações que mantém a narrativa envolvente, reforçada com o sonoro trabalho de sonoplastia e a trilha sonora composta por Hans Zimmer, famoso por compor trilhas de amados filmes como Piratas do Caribe, Sherlock Holmes e A Origem — e sua versatilidade conhecida continua a brilhar em 007, trazendo o clássico motivo (parte recorrente de uma música) do tema de James Bond durante os momentos de ação e suspense.

James bond é atacado a bordo de seu clássico carro aston martin
O clássico carro Aston Martin acompanha Bond nos primeiros momentos do filme. Imagem: Screenmusings / MGM

Mesmo sendo conhecido por sua interpretação mais agressiva de Bond, em 007 – Sem Tempo para Morrer Daniel Craig traduz muito bem uma versão mais madura do personagem, mais seguro de si, mais carismático e com uma pitada mais de senso de humor, traduzindo de maneira natural a evolução do agente secreto.

A narrativa do filme é talvez uma das mais emotivas e prolongadas dos filmes da saga, com vários momentos emocionantes e impactantes, e quase 3 horas de duração. O fluxo e ritmo do filme são muito bem feitos a ponto de os espectadores não notarem o tempo passar, com uma distribuição orgânica entre os diferentes momentos – mesmo que ainda haja muita ação, não é como se não tivéssemos paradas para respirar e voltar a entender o que está acontecendo.

Porém, é bem notável que o enredo em si é previsível: Tudo o que acontece é relativamente fácil de se adivinhar e com certeza já foi feito antes, na mesma saga ou fora dela. Isto não é necessariamente ruim, mas espectadores que esperam grandes reviravoltas na trama ou grandes novidades provavelmente serão deixados querendo algo a mais.

“Bond Girls” — Sem tempo para morrer, mas bastante tempo para brilhar

Um dos elementos básicos nos filmes de Bond são as espiãs que acompanham o protagonista, muitas vezes chamadas de “Bond Girls”, e Sem Tempo para Morrer traz aos holofotes não só Paloma (interpretada por Ana de Armas) como uma agente novata auxiliar de Bond, mas também Nomi (interpretada por Lashana Lynch), que é a responsável pelo novo título de 007, já que Bond se aposentou do MI6.

Paloma é mandada para fazer uma das missões do filme junto a Bond, e ela não fica para trás, sendo mais do que competente em suas cenas de ação e em seu carisma como uma agente relativamente novata, o que não impede ela de saber o que está fazendo, mesmo com alguns imprevistos – tudo interpretado de uma maneira bem mais identificável e mais próxima ao espectador do que o espião veterano.

Lashana lynch e ana de armas interpretam as novas "bond girls" de 007 - sem tempo para morrer
Nomi (Lashana Lynch) à esquerda e Paloma (Ana de Armas) à direita. Imagem: Screenmusings / MGM

Nomi, por outro lado, é a sucessora do trabalho de Bond: A nova agente 007, uma prodígio (de acordo com ela mesma) que conseguiu o posto e a licença para matar muito cedo — e durante todas as cenas onde ela brilha ela se mostra uma excelente candidata para o trabalho: O charme, a competência e o humor de uma verdadeira agente 00 — mesmo que ela e o veterano Bond ainda fiquem tirando brincadeiras um com o outro sempre que possível.

Além das Bond girls, Sem Tempo para Morrer traz de volta quase todos os personagens clássicos de Bond, mesmo que em suas novas versões após a saída do agente do MI6: O chefe do serviço secreto, conhecido por “M” — substituindo a personagem interpretada por Judi Dench até Skyfall, agora interpretado por Ralph Fiennes — e o novo engenheiro responsável pelos aparatos tecnológicos dos agentes, “Q”, é interpretado por Ben Whishaw, e estes personagens não perderam o charme mesmo com o passar do tempo ou mudança de atores, algo que com certeza agradará fãs da saga.

“Não, sr. Bond — Eu espero que você morra!”

Em todo clássico filme de James Bond, os vilões são uma das partes mais importantes e icônicas. Sem Tempo para Morrer traz de volta o vilão de Spectre, Ernst Blofeld (interpretado por Christoph Waltz), e apesar de sua presença limitada – já que está na prisão – o chefe responsável pelas ações da Spectre ainda é capaz de apresentar uma ameaça ao mundo com as ações de sua organização — e Christoph Waltz continua interpretando muito bem o tipo de vilão que o espectador “adora odiar”.

Bond interroga ernst blofeld, vilão que retorna de 007 contra spectre
Bond tem uma conversa não-tão-aconchegante com Blofeld. Imagem: Screenmusings / MGM

Sempre com um sorriso no canto do rosto, falando com tom calmo e comedido quando encontra o protagonista, e com aquela expressão de que já venceu a luta faz muito tempo. Mesmo estando preso, Blofeld ainda tem uma vantagem sobre o “mocinho”, e ele sabe muito bem disso.

Porém, a grande novidade de Sem Tempo para Morrer é Stafin, o novo vilão do filme, interpretado por Rami Malek. Stafin é um vilão bem clássico: megalomaníaco, com alguma característica física estranha ou bizarra e dono de uma base secreta em uma ilha distante — o pacote básico completo de vilão de filme Bond.

Rami Malek consegue fazer um trabalho decente em dar vida a um vilão amedrontador do qual você questiona a sanidade, mas em comparativos com outros vilões da saga, Stafin acaba não se destacando muito exatamente por ser o básico de “vilão canastrão” da saga, o que difere completamente da fama de “o adversário mais amedrontador que 007 já enfrentou” que havia sido gerada ao redor do personagem. O problema não está precisamente na atuação, mas sim no conceito geral do personagem levando em consideração outros vilões da saga.

Rami malek interpreta safin, novo vilão de sem tempo para morrer
“O que realmente quis transmitir em Safin foi uma sensação perturbadora”, disse Malek. Imagem: Universal Pictures

Também é válido mencionar que, mesmo com uma ameaça global sendo mencionada e planejada pelo vilão, os motivos aos quais realmente é dada atenção são sobretudo pessoais, com a ameaça global sendo colocada em segundo plano — mesmo com sua aparente urgência, o que também acaba por minar a percepção do escopo do que o vilão almeja.

Conclusão

007 – Sem Tempo para Morrer é um filme que atende todos os clássicos pré-requisitos para um bom filme de James Bond: ação empolgante, uma pequena dose de suspense, apetrechos tecnológicos próprios de um agente secreto, um vilão megalomaníaco, uma pitada de romance e uma dose certa de timing e senso de humor orgânico às situações da narrativa, resultando em uma conclusão perfeitamente sólida ao arco de Daniel Craig no papel do espião – -ainda que seja um tanto previsível.

Fãs da saga em geral e do arco de Daniel Craig como Bond com certeza desfrutarão de muitos momentos divertidos, intensos e emocionantes – mesmo sendo previsível, Sem Tempo para Morrer ainda consegue ser uma das aventuras mais carregada de emoções do espião, e por sua excelente execução com certeza trará lágrimas aos olhos de alguns espectadores. Fica o aviso: é recomendado assistir a pelo menos 007 contra Spectre antes de mergulhar em Sem Tempo Para Morrer, já que o novo filme continua diretamente dos eventos do anterior. E esperamos novidades de para onde a franquia irá: Ao final dos créditos, somos alertados que “James Bond Will Return” (“James Bond voltará”, em tradução livre). Só resta esperar para conferir.

007 – Sem Tempo para Morrer estreia hoje (30) nos cinemas,e já possui classificação 84% positiva no Rotten Tomatoes.

Recriação da famosa cena onde james bond atira na câmera, ícone da saga
Porque afinal, uma referência clássica não faz mal a ninguém. Imagem: Screenmusings / MGM

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Lashana Lynch como a próxima agente 007 é um grande passo para a representatividade

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