Pôster do filme dia d

CRÍTICA: Dia D marca o retorno de Steven Spielberg à ficção científica de grande escala

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Estrelado por Emily Blunt, Josh O’ Connor e Colin Firth, o filme marca o retorno do renomado cineasta ao gênero de ficção científica.

Aliens são figurinhas carimbadas na filmografia de Steven Spielberg. O icônico diretor responsável por E.T. O extraterrestre (1982), Contatos Imediatos do Terceiro Grau (1977), e Guerra dos Mundos (2005) ajudou, através dessas obras, a colocar a conspiração extraterrestre no imaginário popular. Desde então, não há obra da cultura pop sobre o gênero que não seja influenciado por algumas dessas produções.

Portanto, a notícia de que o diretor de Jurassic Park (1993) estaria retornando à premissa dos aliens 20 anos após Guerra dos Mundos foi bastante esperada pelo fãs, e nada mais justo que esse retorno ocorra justamente no período de lançamento dos grandes blockbusters hollywoodianos, lugar este que o cineasta está acostumado a estar. O Showmetech assistiu Dia D, e irá contar a seguir se o retorno de Steven Spielberg à ficção científica não deve em nada a seus outros clássicos.

História e estrutura

Crítica: dia d marca o retorno de steven spielberg à ficção científica de grande escala. Estrelado por emily blunt, josh o' connor e colin firth, o filme marca o retorno do renomado cineasta ao gênero de ficção científica.
(Reprodução: Universal Pictures)

Dia D narra a história do especialista em cibersegurança Daniel Kellner (Josh O’ Connor) e da meteorologista Margaret Fairchild (Emily Blunt), que veem suas vidas entrelaçadas após Daniel roubar dados sigilosos sobre a vida extraterrestre na terra da corporação Wardex.

Com o auxílio de outros desertores da corporação, Daniel e Margaret correm contra o tempo para que os dados sejam expostos à humanidade, ação essa que o personagem de Josh O’ Connor acredita ser um direito da população mundial de saber.

E, assim como todo bom blockbuster spielbergiano que se preze, a narrativa da história é bastante convidativa ao público geral — característica essa popularmente atribuída ao Spielberg. Afinal, o cineasta é conhecido por priorizar muito mais a fantasia que explicações racionais sobre os eventos fictícios presentes em vários de seus clássicos e, em seu novo filme, isso não seria diferente.

Dia D é, para o bem ou para o mal, muito conectado à essas raízes do diretor. O filme é muito mais estruturado como uma produção de perseguição com umas pinceladas de ficção científica em vários desses meios, para então dar entrada a elementos fantásticos e oníricos em sua segunda metade.

O humor e ação se fazem presentes durante quase toda a duração do longa, dando pouco respiro para o espectador e gerando a angústia necessária para que o mesmo entre na expectativa de descobrir os mistérios relacionados aos aliens. Parte dessa sensação se deve, especialmente, ao Spielberg ainda conseguir capturar a essência de um filme de verão dos anos 80 e 90, ao puxar seu público direto para a aventura e o maravilhar com as descobertas presentes na história.

Emily blunt em disclosure day
(Reprodução: Universal Pictures)

Esse puro entretenimento do início ao fim é o que esperamos de uma típica produção spielbergiana, mas que ao mesmo tempo me faz questionar se muito tempo dado a esses elementos não acabam atrapalhando o desenvolvimento do seu próprio texto.

E há um subtexto em Dia D que fica escancarado diversas vezes ao longo do filme. A admiração do cineasta por vida fora da terra vem desde Contatos Imediatos do Terceiro Grau e em um nível quase que religioso. No roteiro assinado por seu colaborador de longa data, David Koepp, a associação entre religião e a vida extraterrestre é motivo de conflito em diversas cenas, com algumas situações funcionando e, em outras, não.

Em uma boa cena entre Daniel Kellner e sua namorada, Jane Blankenship (Eve Hewson), ambos discutem as consequências do que uma eventual revelação dos aliens causaria com a fé das pessoas. Ainda que seja um texto direto e breve, o momento funciona em razão do nosso conhecimento prévio da vida passada da Jane e da sua relação com a fé e como isso impactaria a sua visão de mundo.

Já entre os personagens de Colin Firth e Colman Domingo, o texto e direção não ajudam na execução do embate entre o chefe da Wardex Corporation e seu ex-funcionário. O momento beira ao caricato e não só transforma o personagem de Colman Domingo em uma espécie de messias da causa da revelação da verdade, como repete temas que vinham sido abordados há mais de uma hora e meia de filme.

Fica aparente aqui que, em Dia D, faltou a Steven Spielberg um domínio maior de sua premissa. Tão preocupado em entreter, o texto falha em trabalhar seus temas além da superfície que, de quebra, acaba prejudicando até uma parte do seu elenco, como falarei mais à frente. Se não fosse pelo talento do diretor na condução de outros elementos da história, certamente o longa prejudicaria a magia por trás da descoberta alienígena.

Elenco

Emily blunt em dia d
(Reprodução: Universal Pictures)

Apesar de ser Josh O’ Connor o responsável por abrir o filme, o grande brilho de Dia D fica com a personagem de Emily Blunt. Margaret Fairchild cai de paraquedas em toda a conspiração envolvendo os alienígenas que é de se esperar que a meteorologista fique atordoada com tamanha informação.

Ao contrário do que se imagina, Margaret demonstra um lado eufórico e curioso da personagem que a atriz abraça com maestria. Emily demonstra um leque impressionante de versatilidade em momentos de ação e drama que a história exige — arriscando até mesmo frases em russo, ajudando a transformar a meteorologista na personagem mais interessante até aqui.

Um perfil bem diferente se comparado a Daniel Kellner de Josh O’ Connor, que cumpre seu papel de maneira eficiente, sem grandes surpresas, mas que ganha mais destaque quando está ao lado de suas parceiras de cena, sendo Eve Hewson uma delas, que está ótima como Jane.

Já o vencedor do Oscar, Colin Firth, no papel de Noah Scanlon, o chefe da Wardex Corpotation, o desafio não foi tão simples. O ator até possui domínio em cena, mas seu papel cai no estereótipo do corporativista do mal que age em detrimento dos interesses da empresa e em nada valoriza o talento do ator inglês, que se esforça para ser temido diante de um texto raso sobre seu personagem.

Wyatt Russell, que interpreta Jackson, o parceiro de Margaret, também é outro personagem baseado em estereótipos que falha em ser o suposto alívio cômico do longa. Russell não é um ator ruim, mas é discrepante a diferença entre ele e Emily Blunt quando estão juntos em cena. O filho de Kurt Russell não consegue acompanhar o ritmo da atriz britânica, não conseguindo gerar a química necessária para que ambos se complementem.

Porém, o mais prejudicado foi Colman Domingo, que faz um caricato Hugo Wakefield, um ex-membro da Wardex Corporation que auxilia Daniel e Margaret na missão de expor a verdade sobre os aliens. Hugo age igual a um pastor e às vezes fala de maneira enigmática sem motivo, fazendo com que o personagem fique deslocado do resto do elenco.

Essa escolha de direção deve-se provavelmente a intenção de Spielberg em associar a revelação dos aliens ao divino, como explicado acima. Porém, ao caricaturar parte de seu elenco, fica difícil para o público em conectar-se com a motivação desses personagens ao não deixá-los críveis aos nossos olhos. Por sorte, temos um ótimo duo de protagonistas guiando a produção.

Aspectos Técnicos

Cena do filme dia d
(Reprodução: Universal Pictures)

Acompanhando as tendências hollywoodianas de cortes rápidos e câmeras em constante movimento, a montagem de Sarah Broshar é eficiente em segurar a atenção do espectador durante as duas horas e vinte e cinco minutos de duração da obra. No entanto, acaba transformando a produção em algo protocolar, não muito diferente dos outros blockbusters do cineasta.

A fotografia do ganhador do Oscar, Janusz Kamiński, também é bastante eficiente aqui. As silhuetas de luz, muito presente nas composições de cena em Dia D, segue a temática da divindade presente no longa quando o elenco está de cara com algum ser místico ou extraterrestre. São composições seguras, entretanto, não dando espaço para que a narrativa saia do óbvio e brinque mais com a imagem.

John Williams optou por ficar mais silencioso na composição, mas não por falta de repertório. O lendário compositor preferiu lidar de forma mais intimista com os dilemas de seus protagonistas e deixar que a música flua de forma mais aparente em momentos chave da história. A sequência final, em especial, é um show à parte e une as melhores características da montagem e fotografia do filme que, até então, estavam bastante tímidas no longa na maior parte do tempo.

Conclusão

Cena do filme dia d
(Reprodução: Universal Pictures)

Com Dia D, fica claro que Steven Spielberg ainda tem gás para produzir seu típico blockbuster de férias, mas fica aparente que vários de seus vícios ainda permanecem enraizados em seu subconsciente, impedindo assim que o diretor saia de sua zona de conforto.

Mas, no fim de tudo, ainda é um filme do Spielberg. Fãs do cineasta ainda encontrarão o senso de descoberta e admiração (e medo) ao depararmos com o desconhecido, característica essa que ainda é essencial na criação de um bom e velho blockbuster.

Onde assistir

Pôster do filme dia d
(Reprodução: Universal Pictures)

Dia D estreia em todo território brasileiro no dia 10 de junho. As vendas estão disponíveis pelo site ingresso.com.

Veja também:

Revisado por Tiago Rodrigues em 09/06/2026

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