Crítica: Locke e Key traz horror e fantasia para a Netflix

Locke Key
Chega ao Netflix a adptação da história em quadrinhos Locke e Key

Locke e Key” é a nova série de horror e fantasia da Netflix que está fazendo sucesso. No entanto, antes de falarmos um pouco sobre a série e os bastidores, é importante saber a sinopse dela.

Depois que o pai dos três irmãos Locke é assassinado em circunstâncias questionáveis, eles e a mãe mudam para a misteriosa residência Keyhouse. Uma vez instalados na grande mansão, descobrem chaves mágicas que podem estar ligadas à morte que aconteceu.

A série Locke e Key é baseada em história em quadrinhos de mesmo nome, originalmente lançada nos EUA em 2008. O primeiro volume foi finalmente publicado no Brasil em 2017, sob o nome Locke e Key: Bem-vindo a Lovecraft (editora Geektopia).

A HQ é escrita pelo autor americano Joe Hill e com ilustrações do chileno Gabriel Rodriguez.

Capa do 1º volume da HQ Locke & Key só foi lançado no Brasil em 2017. A imagem mostra uma mansão ao fundo, sob um céu sombrio. Na frente dela tem uma chave com desenho de caveira em uma das pontas.
Capa do 1º volume de “Locke & Key”

Como foi o processo de adaptação de Locke e Key?

Para que a série finalmente chegasse na Netflix foi um longo processo e muitas tentativas por diversas produtoras diferentes.

Quem iniciou o projeto de adaptação foi a própria IDW Publishing, que é a editora que publica os volumes de Locke e Key nos EUA.

A primeira produtora a tentar produzir a série foi a FOX, em 2011, que chegou a filmar um piloto na época com um elenco totalemente diferente. Toda vez que uma produtora quer iniciar qualquer série, ela produz um episódio inicial, chamado de piloto, para tentar chamar a atenção de quem pode fazer a distribuição.

O piloto chegou inclusive a ser exibido na Comic-Con de 2011 em San Diego. Não emplacou, infelizmente.

A segunda tentativa de adaptação da IDW Publishing foi com concorrente da Netflix, chamada Hulu, em 2017. A editora contratou Carlton Cuse, premiado produtor com um Emmy pela série “Lost“. No entanto, mais uma vez o projeto não deu certo.

Carlon Cuse resolveu retrabalhar o projeto e, junto com a IDW Publishing, ofereceu o material para a Netflix, que finalmente colocou o projeto em produção em 2018 e pediu 10 episódios.

Veja abaixo um pequeno vídeo dos bastidores da série (em inglês).

Quais os pontos fortes de Locke e Key?

Locke e Key é, de fato, uma série interessante. A adaptação é inteligente, o roteiro é, em boa parte, coerente, e a produção em geral é muito elaborada.

A trilha sonora é boa para padrão de séries de televisão, composta pelo relativamente novato Torin Borrowdale. Veja abaixo os créditos iniciais da série (que você provavelmente vai pular ao assistir na Netflix).

O design de produção é impecável, um trabalho que realmente adiciona as camadas necessárias para criar tensão. A mansão Keyhouse teve sua construção feita especialmente para a série no Cinespace Film Studios, em Toronto, onde a Netflix mantém um de seus principais centros de produção.

E, por fim, a fotografia e alguns dos efeitos especiais são igualmente impressionantes. Um investimento que, com certeza, é notável.

Kinsey Locke (personagem da atriz Emilia Jones), Tyler Locke (Connor Jessup) e Jackson Robert Scott (Bode Locke) no momento em que encontram uma das chaves.
Os irmãos Locke em mais uma descoberta

Qual o veredito final?

Não posso afirmar que a série Locke e Key é um novo Stranger Things, pois acredito que esta primeira temporada está longe de ser ideal. Se a Netflix optar por renovar a série, espero que alguns elementos sejam melhor explorados.

O primeiro elemento a ser melhorado com certeza é o tom. Do pouco que conheço do HQ, temos uma abordagem muito mais sombria e imaginativa. Entendo que a escolha de suavizar o material na adaptação seja para agradar uma maior audiência, mas isso acaba deixando muitas cenas “bobinhas”.

Reprodução do HQ: momento em que Bode Locke conhece a misteriosa mulher do poço.
O caçula Bode e a “mulher do poço” na HQ

Um outro elemento a ser aprimorado, e este vai ser um desafio se a série for renovada, é o elenco. Compor um elenco infantil ou adolescente é sempre um grande desafio, e aqui fica muito a desejar. Os irmãos Locke não parecem ter um grande leque de emoções e em boa parte dos episódios reagem com as mesmas emoções para situações distintas.

Talvez os atores fiquem mais confortáveis no papel para uma futura temporada, mas esse é um dos elementos que mais me incomodou nesta primeira temporada.

Um ator que você já pode ter visto, se for fã de filmes de horror, é Jackson Robert Smith, a 1ª vítima do palhaço Pennywise no remake de It, de 2017. Em Locke e Key, ele interpreta o caçula Bode.

A chave em formato de cabeça proporciona cenas muito interessantes durante toda a série.
O caçula Bode com uma das misteriosas chaves da mansão Keyhouse.

Locke e Key terá temporadas futuras?

Até o momento dessa publicação não há confirmação para uma segunda temporada.

Eu, no entanto, acredito que a série tem sim potencial para temporadas futuras. Depois de quase 10 anos no chamado “inferno do desenvolvimento“, que é quando uma série parece que nunca vai ver a luz do dia, com certeza a IDW Publishing, Carlton Cuse e Netflix devem estar felizes com o resultado alcançado depois de tantas tentativas.

A série não foi recebida com muito entusiasmo pela crítica especializada (por enquanto está com 67% de aprovação no Rotten Tomatoes), mas quem sabe consiga uma fanbase decente para justificar novas temporadas?

Você já conferiu a série? Caso sim, deixe sua opinião nos comentários! E se tiver maratonado Locke e Key, mas ainda não viu The Witcher, vale dar uma lida sobre essa outra série nesta crítica.

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