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Depois do fim da Pebble, o que esperar da empresa?

pebbletime 17 0 - Depois do fim da Pebble, o que esperar da empresa?
O Pebble não existe mais, mas o que fez o smartwatch tão especial e único? Melhor ainda, o que fazer se você gosta da marca?

Na semana passada soubemos que a Pebble havia fechado suas portas. Oficialmente vendida para a Fitbit, a marca deixa de existir, cancela a produção e venda de smartwatches e deixa muita gente na mão (assim como eu!). O que esperar da empresa e qual será o grande novo smartwatch que chamará atenção?

A Pebble morreu

O falecimento da Pebble não pegou tanta gente de surpresa, mas sim a forma como isso aconteceu. A empresa já estava com problemas para manter o negócio funcionando e rumores apontavam para seu fim. Aconteceu. Ela foi, em partes, vendida para a Fitbit, que apenas pegou parte dos desenvolvedores e engenheiros, jogando fora todo o hardware e produtos que estão no mercado.

Isso significa que toda a venda e produção de relógios foi interrompida e finalizada. Junto disso, a garantia e suporte também deixam de existir, mas a empresa jura que manterá os serviços que dependem de servidores. Ao menos por enquanto.

O Pebble Time 2 e o Core, que estavam em pré-venda, não serão entregues e um estorno será feito na conta do Kickstarter. Este foi um dia triste para os amantes da empresa, como eu. Sou usuário de Pebble desde o primeiro modelo e fiquei na mão. Na mão com o smartwatch que mais me chamou atenção dentre todos os lançados. E olha que já usei alguns Android Wear, o Apple Watch e também o Tizen, da Samsung. Nenhum destes me chamou tanta atenção, quanto o Pebble.

O que fez o Pebble tão especial?

Três foram os motivos que me fizeram apostar forte na marca: bateria que dura mais de uma semana, junto de compatibilidade sem mimimi com iOS e Android, além de ter a tela ligada o tempo todo. A tela é feita de e-ink, tecnologia extremamente semelhante ao que temos em leitores digitais, como o Kobo, Kindle e Lev. Esta é, de fato, a melhor tela que existe para um relógio inteligente. Ela fica ligada o tempo todo e gasta energia apenas para mudar o mostrador. É assim que um relógio tradicional funciona, com a tela funcionando o tempo todo. Para finalizar o tópico de tela, não há conforto maior do que apenas levantar um pouco o braço e a tela estar lá, ligada. Em todos os outros relógios você precisa realizar um movimento maior para ela ligar, te falando as informações. Imagine você dirigindo, com a mão no volante. Não dá pra ficar balançando o braço o tempo todo.

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Tela ligada o tempo todo, é um dos seus trunfos

Por gastar muito menos energia na tela, a bateria do meu primeiro Pebble durava uns cinco dias. A do segundo e atual, que é o Pebble Time Steel, dura mais de oito dias com facilidade. Eu já viajei com ele e sem levar carregador, voltando para casa com mais da metade da bateria. Nenhum, repito, nenhum smartwatch da atualidade faz isso ou algo perto disso. Nenhum.

O Android Wear funciona muito bem com Android, mas de forma extremamente limitada no iOS. O Apple Watch funciona exclusivamente no iOS. O Pebble pega todo mundo e funciona em todos, com algumas funções extras no Android, por conta do maior acesso do hardware com o software. Este abraço de sistemas operacionais foi a cereja do bolo e me fez escolher o relógio em 2015, como o meu predileto e amado.

Quer mais? O Pebble é o responsável pela criação do mercado de smartwatches, antes mesmo do lançamento do Apple Watch. Kickstarter começou em 2012, pedindo US$ 1 milhão e conseguiram mais de US$ 10 milhões. Foi um sucesso. O que me estranha é: se tanta gente amou o aparelho, ao ponto de suas duas entradas no Kickstarter conseguirem tanto dinheiro extra, o que deu errado?

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Aparentemente algumas coisas: Pebble contratou gente demais (demitiram 25% do quadro de funcionários em março deste ano), gastou mais dinheiro fabricando modelos do que conseguiu vender e, por fim, a concorrência matou a pequenina empresa em um mercado que vem caindo mês após mês. O lastro financeiro de Apple e Samsung da vida, que apostam forte neste segmento, é infinitamente maior do que a grana em caixa do Pebble. Que é uma empresa de Kickstarter que teve uma ideia genial.

Quando nem mesmo Apple e Samsung conseguem segurar o mercado, fica complicado para uma empresa pequena como a Pebble. Vejo que, assim como computadores e tablets, as pessoas não compram smartwatches novos só por ser mais novo. Elas usam relógios por anos e anos, trocando por ter quebrado algo ou por estas obsoleto. Isso depois de anos, não de 12 meses.

Para qual smartwatch olhar?

Bem, as opções são raras neste tipo de produto. A maioria dos smartwaches são quase que idênticos. Pouquíssima diferença entre os Android Wear e o Apple Watch. O que me chamou atenção, não pelo tamanho ou conforto de uso, é o Toq da Qualcomm. Ele trabalha com tela que nunca desliga, chamada Mirasol e vem com uma série de bons recursos. O problema é que a Qualcomm parece não estar interessada no mercado mais. Ao menos não para manter seu próprio produtos.

Há dois modelos que realmente se destacam dentro do mundo dos relógios inteligentes. O primeiro é o Moto 360 Sport, que consegue exibir as informações até debaixo de luz solar intensa. Outro é o Gear S2 e S3, que inventaram uma forma bem curiosa de interagir com o relógio: girando a carcaça. São os dois únicos que apostam para fora do tradicional mercado. Chamam atenção, mas muito menos quando comparo com o Pebble.

Eu, particularmente, vou esperar e ver se a Fitbit lançará algum “Pebble”, já que a marca está focada no desenvolvimento e produção de pulseiras para acompanhar exercícios físicos. Não relógios pura e simplesmente.

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