EA e Take-Two dizem que Trump está prejudicando a indústria americana de games

EA e Take-Two dizem que Trump está prejudicando a indústria americana de games
EA e Take-Two (dona da 2K e Rockstar) fazem críticas à política anti-imigração, educação, internet e impostos do governo de Donald Trump
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Craig Hagen, da EA, e Alan Lewis, da Take-Two, no 2017 Games for Chance Festival

Donald Trump, presidente eleito sem a maioria dos votos no complexo sistema americano de eleição, prometeu uma política “America first”. Seu plano foca no protecionismo americano, mas isso não vem dando bons frutos. Ironicamente, “América primeiro” não está favorecendo empresas americanas de games, como disse a EA e Take-Two (dona da 2K e Rockstar).

No dia primeiro de agosto, representantes da EA e Take-Two foram ao 2017 Games for Change Festival para falar sobre a indústria de games. Não faltou críticas à administração de Trump e como ela está prejudicando a indústria americana de jogos. O foco foi em quatro pontos: imigrantes, educação, internet e impostos.

Imigrantes

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“Nós apoiamos”, diz a placa em um restaurante americano no Dia Sem Imigrantes (16/02), “um dia sem imigrantes é um dia sem liberdade e justiça para todos”. A data foi um ato político, quando houve manifestação nas ruas de Washington, e várias escolas e restaurantes não abriram em apoio à causa.

O foco da campanha eleitoral de Trump foi atacar os imigrantes, criminalizando principalmente os mexicanos e religiosos islâmicos. Foi dito que eles roubam empregos, trazem drogas e fazem terrorismo. Recentemente, o presidente deu um passe avante para realizar uma de suas promessas: os senadores aprovaram o uso de US$ 1,6 bilhão à construção de um muro na fronteira com o México. Em 2016, Trump prometeu forçar o México a pagar o muro, mas não aconteceu, apesar da ameaça de embargos.

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O visto H1-B, para imigrantes com qualificações profissionais trabalharem, está na mira do governo protecionista de Trump

Nesta terça-feira (02), o político anunciou apoio a um projeto de lei de dois senadores que promete cortar as imigrações legais pela metade, focando nos trabalhadores comuns. O visto H1-B, para estrangeiros profissionais especializados, também está para ser revisado “em nome da proteção dos trabalhadores americanos”. Isso prejudica a indústria, principalmente a de tecnologia. Para se ter ideia, a Apple, Google e Microsoft contratam bastante sob o visto H1-B.

Craig Hagen, representante da EA, diz que “há uma constante escassez de mão de obra qualificada, altamente especializada, dentro de nossa indústria”. Ele destaca que a produção está mudando. Hoje já não tem tanta procura em engenheiros de software e game designers, passando a ter mais interesse em profissionais com habilidades avançadas, como inteligência artificial e análise de dados.

Ir aos Estados Unidos é burocrático, e no governo Trump isso tem se tornado pior. Alan Lewis, da Take-Two, diz que “imigração continua sendo um problema significante para empresas como a nossa e à indústria em geral”. Também foi comentado que imigrantes estão menos interessados em trabalhar nos país norte-americano por causa do clima político; outro desafio ainda maior, no momento, é mantê-los no país.

Enquanto a política “America first” de Trump foi reconhecida até pelo Wall Street Jornal como prejudicial aos negócios americanos, o Canadá se aproveita da situação. Cada vez mais trabalhadores estrangeiros (incluindo americanos) estão sendo contratados por empresas canadenses. Conjuntamente, o governo do Canadá revisou suas políticas imigratórias para agilizar a concessão do visto de trabalho aos estrangeiros.

Educação

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Crianças tendo aula de robótica com Lego Mindstorms, em Toronto

Como foi dito, as empresas de games não estão conseguindo achar profissionais americanos qualificados para suas funções. Segundo Hagen, da EA, além da política anti-imigração, Trump também está prejudicando o descobrimento de talentos americanos.

As empresas de jogos, assim como qualquer outra de software, necessita de pessoas que tenham tido um bom ensino de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM, em inglês). Entretanto, o governo Trump deixou a educação por conta dos estados, ou seja, não há garantia do ensino dessas matérias. O Ministério Federal da Educação não quer interferir na autonomia dos estados com algum programa nacional para incentivar a educação STEM.

Apesar disso, Trump anunciou recentemente que está doando o salário do segundo trimestre (US$ 100 mil) para um campus de ensino STEM. Entretanto, não é uma doação para um instituto que irá impulsionar a educação dessas matérias.

Trump “deu com uma mão e tirou com outra”, como é popularmente dito, ao apresentar um corte de US$ 9,2 bilhões (13,5%) nos gastos educacionais para 2018, o que atingirá desde escolas de ensino fundamental até superior. É esperado que o Congresso barre esse orçamento.

Internet

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Gráfico mostra a relação de jogos vendidos em mídia física (azul claro) e digital (azul escuro) por anos, por Statista

Hoje tudo é mais digital. É cômodo e rápido. Nesse pensamento que o comércio da mídia digital se expande cada vez mais, principalmente nos games. No último relatório fiscal, mais da metade das vendas da Take-Two e EA foram digitais.

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Apesar de diversificado, o mercado de internet nos Estados Unidos é considerado “não competitivo”

Entretanto, assim como no Brasil, os Estados Unidos não têm uma larga cobertura de banda larga no país. Para piorar a situação, como foi alegado pelo The Verge, “incrivelmente não tem um mercado competitivo para acesso à internet”. Para entender essa alegação, a Comcast é a provedora de internet mais usada por estados nos país, mas é a empresa mais odiada ao mesmo tempo. Se, em uma pesquisa, 55% dos entrevistados dizem que tiveram algum problema com a Comcast, por que ela continua sendo a mais usada? A falta de competição é uma das justificativas.

Mesmo assim, Ajit Pai, o presidente da Comissão Federal de Comunicações (FCC), conseguiu agravar ainda mais a situação. O FCC eliminou o Title II, que provia neutralidade à internet, com a desculpa de que ele prejudicou os investimentos em banda larga. A reação não foi nada positiva, houve protestos populares e de gigantes da tecnologia. Ajit Pai queria agradar as companhias de internet, mas elas próprias afirmaram que a neutralidade da rede nunca as prejudicou.

Hagen, da EA, diz que é importante ampliar o acesso à internet em áreas carentes, pois assim mais pessoas poderão comprar seus jogos. Infelizmente, o governo de Trump não tem dado nenhum incentivo para que as empresas invistam nesses locais.

Uma pesquisa apontou que 70% dos americanos apoiam que governos locais construam suas próprias redes de banda larga, caso os preços para banda larga sejam altos por falta de competição, o serviço seja ruim ou até não exista cobertura. Porém, pelo menos 20 estados aprovaram leis limitando redes municipais de banda larga, através de lobistas para empresas de comunicações.

No Brasil. a Anatel anunciou, alguns meses atrás, que está trabalhando na expansão de banda larga no Brasil. Até 11 milhões de pessoas podem ser beneficiadas.

Durante o painel do 2017 Games for Change Festival, Craig Hagen se empolgou e decidiu dar uma opinião pessoal, não da EA. Hagen falou que o governo de Trump tem “atitude míope isolacionista”.

Impostos

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“Quanto de impostos que gigantes da tecnologia dos EUA realmente pagam?”, é o tema da pesquisa feita por Statista

Não houve somente críticas ao governo Trump. Uma das propostas de Trump é uma reforma fiscal, e Lewis, da Take-Two, disse desejar ver uma mudança para as empresas americanas. “O custo de fazer negócios aqui nos Estados Unidos tem crescido significativamente”, comentou Lewis. Atualmente a taxa de imposto federal é de 35% no país Muitas empresas têm investido em outros lugarescom taxas menores. Trump quer cortar a arrecadação para 15%. Porém, hoje as gigantes da tecnologia não pagam 35% de impostos. O caso da Amazon pode ser uma exceção pelo fato dela atuar desde à venda de alimentos até na produção de filmes.

Enquanto isso, a popularidade de Trump não aumenta, mesmo dentro do empresariado, setor em que ele cresceu. Donald Trump tem sido um desastre diplomático, com políticas públicas segregacionistas e prejudicando a indústria, o que não exclui a de games, como vimos. Será que até o final do mandato o presidente conseguirá pelo menos agradar a indústria?

Fonte: Polygon
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