Estupro no metaverso

Mulher diz que foi “estuprada” no metaverso. Entenda

Avatar of dácio augusto
Pesquisadora relata ter sido vítima de estupro no metaverso, evidenciando que violência de gênero é um problema que ultrapassa o mundo real

Uma pesquisadora de comportamento humano viu no Horizon World, a plataforma de metaverso da Meta, a controladora do Facebook, uma oportunidade interessante para seus estudos. O que ela não esperava é que, em pouco menos de uma hora após sua primeira entrada no mundo virtual, usuários fossem torná-la uma vítima de estupro virtual.

Como o estupro no metaverso ocorreu

Mulher diz que foi "estuprada" no metaverso. Entenda. Pesquisadora relata ter sido vítima de estupro no metaverso, evidenciando que violência de gênero é um problema que ultrapassa o mundo real
Os agressores ficaram passando uma simulação de garrafa de vodka, quase como se o estupro virtual fosse uma festa. (Imagem: Reprodução/SumofUs)

A informação foi divulgada em maio no relatório Metaverse: another cesspoll of toxic content (Metaverso: outro mar de conteúdo tóxico, em tradução livre), criado e distribuído pelo grupo sem fins lucrativos SumOfUs.

No relatório, é explicado que alguns usuários do metaverso, ao encontrar a pesquisadora, convidaram-na para um espaço privado dentro do Horizon World. Logo depois, pediram para que ela desligasse uma configuração que bloqueava outros avatares virtuais de chegarem a distâncias menores de 1,2 metros dela.

No vídeo divulgado junto do relatório, é possível ver então que no ambiente privado no metaverso, os participantes que convidaram a pesquisadora estavam passando uma simulação de uma garrafa de vodka entre si, enquanto faziam comentários impróprios para a vítima e também forçavam ela a ficar de costa entre eles enquanto simulavam atos sexuais.

“Cerca de 60 segundos após entrar no metaverso, eu fui abordada por um grupo de cerca de quatro avatares masculinos com vozes de homem que essencialmente ficaram estuprando meu avatar e fotografando a situação”

Relato da pesquisadora no documento divulgado pela SumOfUs.

No relatório, a pesquisadora afirma que mesmo tendo ocorrido no mundo virtual, a experiência a deixou incomodada, principalmente por detalhes como o controle de seu avatar vibrar toda vez que um dos agressores a tocava no metaverso, dando um tom físico para o abuso. Ela destaca que mesmo tendo sido uma terrível experiência, o estupro no metaverso pôde ser abordado em seu estudo, evidenciando que é possível ocorrer abuso no metaverso.

O vídeo da violência está disponível online. Lembramos que, por ser tratar de um conteúdo relacionado a violência sexual, mesmo que virtual, são segundos tensos e que podem fazer pessoas não se sentirem bem.

Os problemas de redes sociais e abusos online, além do metaverso

Mulher diz que foi "estuprada" no metaverso. Entenda. Pesquisadora relata ter sido vítima de estupro no metaverso, evidenciando que violência de gênero é um problema que ultrapassa o mundo real
Abusos e toxicidade em redes sociais é algo antigo. (Imagem: Reprodução/SkyNews)

O estupro virtual relatado em maio para o grupo SumOfUs mostra que o metaverso está avançando, mas não está pronto ainda para a maioria dos comportamentos humanos — principalmente pelo fato que esses ambientes virtuais podem, muitas vezes, simular situações que ocorrem na vida real, que permitem violência de gênero, além de exemplos de ofensas homofóbicas, racistas e outros tipos de preconceitos, mesmo que formas diferentes da que se veja em carne e osso.

Ao mesmo tempo em que o ponto do grupo SumOfUs faz sentido, é também necessário ver como a internet em geral se comporta em situações semelhantes, com plataformas como o Twitter e o Facebook — também da Meta — sendo constantemente alvos de críticas por permitirem comportamentos extremamente nocivos e tóxicos.

O mundo das lives também não é diferente, com constantes casos de streamers que representam minorias sofrendo ofensas constantes e ataques de audiências tóxicas só pelo fato de integrarem grupos um tanto quanto marginalizados. As plataformas — como a Twitch — podem até responder banindo contas envolvidas, mas é inegável que o estrago já foi feito. 

Neste cenário, então, acaba sendo notável que violência de gênero, racismo, preconceitos em gerais e comportamentos tóxicos online são um problema da internet — embora no metaverso, alguns fatores possam torná-los ainda mais perigosos.

Gatilhos de trauma estão presentes em estupro virtual

Estupro no metaverso
Gatilhos de traumas podem ser intensificados por abusos no metaverso. (Imagem: M./Unsplash)

A psicologia há muito trabalha a questão de gatilhos de trauma, situações que ocorrem de diversas formas e podem ocasionar lembranças de sobreviventes de abusos e deixá-los desnorteados.

Muitas vezes, em redes sociais, mesmo conteúdos escritos podem desencadear esses tipos de reação, assim como vídeos. No caso do metaverso, porém, a situação ganha mais um agravante: a realidade virtual e impulsos como a vibração do controle descrita pela pesquisadora dão um aspecto mais real do abuso.

Assistir vídeos e ler algo coloca o público em uma situação em que ele é um observador externo das situações, e mesmo assim já pode ocasionar gatilhos. Imagine então uma situação em que a pessoa está tendo seus sentidos aguçados para parecer estar em outro ambiente, como a realidade virtual?

Gatilhos podem ser perigosos e levar pessoas até mesmo ao suicídio. No fim, o feedback de sensações causadas pelo metaverso pode ser muito maior que somente ler ou assistir algo, e então o certo seria que ele fosse ainda mais moderado. A questão é que essa moderação talvez seja algo difícil, tanto mercadologicamente quanto legalmente, já que poderia envolver violações de dados pessoais para um monitoramento mais preciso.

E, legalmente, a questão ainda é muito nova para se entender como a Justiça de diferentes países irá encarar a situação, mas para especialistas de comportamento online em entrevistas sobre o tema para publicações como o The Independent, o problema é sério, e tem que começar a ser debatido — seja através de mudanças na moderação de conteúdo, ou como as empresas responsáveis pelos metaversos devem disponibilizar os dados às autoridades ou mesmo as punições para abusadores.

De qualquer forma, o estupro virtual é uma realidade triste, que também reflete o que muitas pessoas sofrem na vida real — e o que era para ser um lugar de escape, no fim só vira mais um lembrete macabro do mundo atual. 

Veja também

Em uma nota mais positiva quanto a tecnologia, confira novidades do metaverso divulgados na Meta Summit Latam.

Fonte: Business Insider, Refinery29

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1 comentário
  1. Mano, essa molier tinha que ter vergonha de dizer que é pesquisadora.
    Olha bem o video e olha a palhaçada que ela ta falando ali no relato dela, o que ela ta fazendo sim é uma falta de respeito com quem de fato foi estuprada, fazendo essa comparação totalmente descabida entre as duas situações.
    MISERICÓRDIA

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