Futuro do tratamento contra o câncer terá mini robôs na linha de frente

Futuro do tratamento contra o câncer
Mini robôs que levam remédios diretamente ao cérebro podem ressignificar o futuro do tratamento contra o câncer

O futuro do tratamento contra o câncer ganhou novos aliados ao longo dos últimos anos, principalmente com o desenvolvimento da tecnologia e da famosa nanotecnologia. A empreitada da vez é um tipo de mini robô que consegue levar drogas até o cérebro para o combate de tumores instalados na região. Aos leigos, parece algo simples, pouco digno de nota; entretanto, uma análise mais profunda mostra que o cérebro é um dos locais cujo acesso é quase impossível, seja pelo sangue ou mesmo usando outros pequenos robôs medicinais – isso ocorre devido a uma barreira específica do corpo.

Chamada de barreira hematoencefálica, ela é responsável pela proteção do Sistema Nervoso Central (SNC, para os íntimos) contra substâncias tóxicas e invasores em potencial, armazenando, ainda, nutrientes e outros componentes benéficos. O problema é que isso inviabiliza a administração direta de drogas contra, por exemplo, tumores cerebrais, fazendo com que o tratamento dessa forma de câncer seja comprometido.

Outro problema dos tumores no cérebro é o quão invasivas são as cirurgias necessárias para remover o tecido infectado. Além de extremamente perigosas, as operações, por norma, conseguem retirar somente 90% dos tumores presentes na região, justamente pelo fato da doença se espalhar numa área de alto risco. A nanotecnologia, então, é empregada para tentar solucionar esses problemas e garantir eficácia na eliminação dos tumores, como é o caso do novo mini robô que pode ressignificar o futuro do tratamento contra o câncer.

Como assim ressignificar o futuro do tratamento contra o câncer?

Até então, o transporte de substâncias para combater tumores cerebrais era bastante ineficaz. Recentemente, no entanto, um estudo realizado por pesquisadores chineses pode virar o jogo: camuflando um mini robô com uma membrana de Escherichia coli – bactéria comum encontrada no nosso intestino – e transformando-o num cavalo de Troia, os pesquisadores conseguiram inserir o pequeno constructo no cérebro de ratos de laboratório.

Vale ressaltar que a pesquisa ainda está em fases preliminares, o que significa que os testes em humanos ainda vão demorar. Mesmo assim, é interessante ver até onde a tecnologia está chegando, principalmente na área da saúde. Não à toa, tivemos vários robôs apresentados na CES 2021 direcionados para necessidades surgidas na pandemia. De todo modo, caso os estudos sejam concretizados em humanos, teremos uma grande batalha no futuro do tratamento contra o câncer.

Como funciona o mini robô?

Futuro do tratamento contra o câncer repousa no nano gel de um pequeno robô que vai até o cérebro
A baixa qualidade da imagem se dá por conta do microscópio. Na foto, vemos um grupo de neutrobots se movimentando dentro do organismo – o rastro azul representa o percurso dos mini robôs no estudo que pode mudar o futuro do tratamento contra o câncer. (Imagem: Inverse)

O primeiro aspecto a se ter em mente é a mobilidade das pequenas máquinas. Mini robôs não são novidade no meio médico (pelo menos não ultimamente) – alguns já são usados para consertar lesões internas de tamanho reduzido, distribuir remédios mais precisamente em determinada região e tarefas afins. Eles se movem usando magnetismo, energia fotovoltaica e se localizam até por meio de ruídos.

Não é muito diferente com o robô pesquisado pela equipe chinesa; o diferencial está em como ele consegue ultrapassar a barreira hematoencefálica. Chamado de neutrobot, em homenagem à forma como ele se camufla nos neutrófilos, o robô foi preparado em três estágios fundamentais que podem ajudar no futuro do tratamento contra o câncer:

  1. Criação de um nano gel magnético com os remédios a serem administrados pelo mini robô;
  2. Envolver o robô com nano gel numa membrana de E. coli para que o sistema imunológico o reconheça como ameaça;
  3. Expor o pequeno a um neutrófilo – categoria de célula do sistema imune – para que este possa fagocitá-lo e, assim, adentrar ao neutrófilo.

Por isso a alcunha de cavalo de Troia foi usada. De certa maneira, você pode considerar que o mini robô está contrabandeando os remédios para dentro da barreira que protege o Sistema Nervoso Central, dado que ele se disfarça de bactéria para ser fagocitado e, assim, fazer parte do neutrófilo para, só então, ganhar acesso ao “lado de lá” da barreira mencionada. De acordo com o artigo, os mini robôs conseguiram entregar com sucesso os remédios nos tumores dos ratos, o que já configura um grande passo.

Aprofundando mais sobre os meios de navegação dos robôs, vemos que os pesquisadores puderam controlar os movimentos dos mini robôs posicionando o rato numa casinha com um campo magnético móvel. Usando a energia magnética, os mini robôs conseguiram fazer o percurso até a barreira cerebral, agindo de forma praticamente autônoma, apenas com ajustes provenientes do feedback em tempo real.

Um dos principais obstáculos do aperfeiçoamento da tecnologia está no fato de que os robôs podem ser controlados quando em grupo, mas os pesquisadores ainda não conseguiram descobrir uma maneira de controlá-los ou mesmo rastreá-los individualmente. Isso representa um perigo na medida em que um mini robô solto pelo organismo com uma droga destinada a destruir tumores não é exatamente uma coisa boa. De acordo com a pesquisa, um comportamento de enxame (tradução livre de swarm, como o artigo categoriza) por parte dos neutrobots ajuda também na velocidade de locomoção, promovendo ações mais rápidas.

Ainda é cedo para dar como certa a revolução da nanotecnologia, ainda mais no que concerne o futuro do tratamento contra o câncer, mas pesquisas do gênero estão cada vez mais recorrentes no mundo acadêmico, o que significa que, logo menos, fases de teste acontecerão e, por consequência, o desenvolvimento de técnicas para serem aplicadas em humanos também estarão presentes. E, claro, não só para tumores, mas muito provavelmente para outras enfermidades também.

Os pesquisadores envolvidos no estudo são:

  • Hongyue Zhang;
  • Zesheng Li;
  • Changyong Gao;
  • Xinjian Fan;
  • Yuxin Pang;
  • Tianlong Li;
  • Zhiguang Wu†;
  • Hui Xie;
  • Qiang He.

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Fontes: Inverse | Science Robotics

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