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Pela primeira vez na história moderna, uma geração apresenta desempenho inferior ao de seus pais em testes internacionais padronizados de habilidades cognitivas e acadêmicas. A afirmação, defendida pelo neurocientista e educador Jared Cooney Horvath em depoimento ao Senado dos Estados Unidos, aponta que jovens da Geração Z — nascidos entre 1997 e 2010 — registram quedas em indicadores como leitura, matemática, atenção, memória e raciocínio lógico. O dado rompe uma tendência observada ao longo de mais de um século, em que cada nova geração superava a anterior em desempenho escolar.
Dados que apontam o retrocesso entre gerações

No Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (PISA), que mede o desempenho de jovens de 15 anos em leitura, matemática e ciências em dezenas de países, os dados mais recentes indicam uma estagnação seguida de queda no desempenho médio em várias nações desenvolvidas a partir da metade dos anos 2000. Segundo a análise apresentada por Jared Cooney Horvath ao Senado norte-americano, há uma associação consistente entre maior tempo de exposição a telas no ambiente escolar e resultados mais baixos nas três áreas avaliadas. O padrão descrito é monotônico: quanto maior o uso diário de computadores em sala de aula, menores tendem a ser as pontuações médias.
Outro ponto destacado nas discussões sobre o PISA envolve o chamado “efeito de modo”. Quando a avaliação migrou do formato em papel para o digital, estudantes com menor familiaridade com dispositivos eletrônicos teriam sido penalizados artificialmente, o que pode ter criado a impressão de que usuários moderados de tecnologia apresentavam vantagem. Ao controlar esse fator, os supostos ganhos desaparecem, reforçando a interpretação de que o aumento do uso de telas não se traduz, em larga escala, em melhora consistente de aprendizagem.

No caso do TIMSS (Trends in International Mathematics and Science Study), que avalia estudantes mais jovens em matemática e ciências, o padrão relatado é semelhante. Países com maior frequência de uso de computadores durante as aulas tendem a registrar desempenhos mais baixos nessas disciplinas, tanto em economias de alta renda quanto em países de renda média. A correlação aparece de forma repetida ao longo das edições do estudo, sugerindo que o fenômeno não é pontual nem restrito a um único contexto educacional.
As análises citadas por Horvath indicam que, mesmo quando a tecnologia é incorporada com a intenção de modernizar o ensino, os resultados médios não superam os obtidos por métodos tradicionais consolidados. Em vez de ganhos robustos, observa-se frequentemente uma performance inferior ou equivalente ao ensino convencional. Isso reforça a hipótese de que a simples presença de dispositivos digitais em sala não garante avanço em competências fundamentais, especialmente quando o uso é amplo e pouco direcionado.

Já o PIRLS (Progress in International Reading Literacy Study), que mede a alfabetização e a compreensão leitora de estudantes mais novos, historicamente aponta desempenho mais fraco entre alunos com uso intensivo de computadores em sala de aula. Dados recentes dos Estados Unidos também indicam que mesmo níveis moderados de exposição digital diária estão associados a quedas na compreensão de leitura, especialmente em textos mais longos ou complexos.
De forma geral, a convergência entre PISA, TIMSS e PIRLS — três das principais avaliações educacionais internacionais, que juntas acompanham milhões de estudantes ao longo de décadas — sustenta a preocupação com a trajetória da Geração Z. Embora múltiplos fatores influenciem o desempenho escolar, os relatórios analisados no depoimento ao Senado norte-americano sugerem que a expansão acelerada e pouco regulada da tecnologia educacional coincide com a perda de desempenho em habilidades centrais, rompendo a tendência histórica de progresso intergeracional.
O que é o efeito Flynn

O chamado Efeito Flynn é o nome dado ao fenômeno observado ao longo do século XX em que as pontuações médias de QI aumentavam de forma consistente a cada geração. Identificado pelo pesquisador neozelandês James R. Flynn na década de 1980, o efeito mostrou que, em diversos países, filhos tendiam a obter resultados superiores aos de seus pais em testes padronizados de inteligência. Esse crescimento foi registrado principalmente em habilidades de raciocínio abstrato, resolução de problemas e pensamento lógico, sugerindo mudanças ambientais e educacionais significativas ao longo do tempo.
Entre as explicações mais aceitas para o Efeito Flynn estão a ampliação do acesso à escolarização formal, melhorias na nutrição, avanços na saúde pública, ambientes mais estimulantes cognitivamente e maior exposição a desafios intelectuais no cotidiano. O aumento da complexidade das sociedades industriais e digitais também teria contribuído para o fortalecimento de habilidades analíticas exigidas em testes de QI. Durante décadas, o fenômeno foi interpretado como um indicativo de progresso cognitivo coletivo associado ao desenvolvimento socioeconômico.
Eles são a primeira geração na história moderna a obter notas mais baixas em testes acadêmicos padronizados do que a anterior. E, para piorar a situação, a maioria desses jovens está confiante demais em sua própria inteligência. Quanto mais inteligentes as pessoas pensam que são, menos inteligentes elas realmente são.
Dr. Jared Cooney Horvath, em entrevista ao New York Post.
No entanto, a partir dos anos 2000, diversos países passaram a registrar a estagnação — e em alguns casos a reversão — desse padrão, fenômeno que alguns pesquisadores chamam de “Efeito Flynn reverso”. É nesse contexto que se insere o debate sobre a Geração Z. Com a tendência de queda nas pontuações médias em avaliações cognitivas e acadêmicas, isso representaria uma ruptura histórica: pela primeira vez em mais de um século, uma geração deixaria de superar a anterior em desempenho intelectual médio.
Por que a Geração Z apresenta um QI menor do que os Millennials?

Ainda segundo o estudo realizado pelo Dr. Jared Cooney Horvath, especialistas têm apontado várias possíveis razões para que a Geração Z apresente médias de QI e desempenho cognitivo inferiores às dos Millennials (geração anterior). Um dos principais fatores citados é a exposição massiva e precoce a telas e dispositivos digitais, tanto dentro quanto fora da escola. Horvath destaca que, ao longo dos últimos anos, houve uma transformação estrutural no ambiente educacional: tablets, laptops e softwares passaram a ocupar grande parte do tempo em sala de aula, muitas vezes sem evidências robustas de que isso melhora o aprendizado.
Segundo Horvath, o design das plataformas digitais favorece padrões de atenção fragmentada e multitarefa, o que contrasta com a forma como o cérebro humano aprende de maneira mais profunda. Jogos, redes sociais, vídeos curtos e notificações constantes treinam os estudantes a alternar rapidamente entre tarefas, em vez de sustentar foco prolongado em desafios complexos. Esse padrão de atenção, ainda que útil em contextos digitais, pode dificultar a concentração necessária para resolver problemas, compreender textos longos ou aprofundar conceitos — habilidades exigidas em testes de QI e em avaliações como PISA, TIMSS e PIRLS.
Mais da metade do tempo em que um adolescente está acordado, metade desse tempo é gasto olhando para uma tela. Os seres humanos são biologicamente programados para aprender com outros seres humanos e por meio de estudos aprofundados, não folheando telas em busca de resumos em tópicos.
Dr. Jared Cooney Horvath, em entrevista ao New York Post.
Outro argumento apresentado é que a tecnologia não substitui experiências de aprendizado humano e interações sociais ricas. Horvath aponta que os melhores ambientes de aprendizagem envolvem conversas profundas, ensino orientado por professores e leitura crítica, que estimulam a construção de significado e o pensamento reflexivo. Quando o aprendizado é mediado por telas sem apoio instrucional sólido, argumenta ele, os estudantes podem adquirir informações superficiais sem desenvolver as conexões mentais mais complexas necessárias para resolver problemas novos ou aplicar o conhecimento em contextos diferentes.
Além disso, o pesquisador ressalta que o aumento do uso de tecnologia educacional nem sempre veio acompanhado de pesquisas independentes e rigorosas que comprovem sua eficácia a longo prazo. Muitos programas e dispositivos são adotados nas escolas com base em promessas de inovação ou eficiência, sem que haja validação consistente de que melhorem resultados cognitivos.
O que você acha sobre essa tendência de retrocesso no QI médio das gerações? Conta pra gente nos comentários abaixo!
Veja também:
Fontes: New York Post, The Times of India, Mail Online, Senado EUA, PIRLS, PISA 2022, MarketBrief e Pisa 2015.
Revisado por Luís Antônio Costa em 12/02/2026
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