Huawei entra para lista negra de Trump e companhias cortam relações com a empresa

Huawei passou a integrar a lista negra econômica dos Estados Unidos, medida tomada pela administração Trump

A Huawei integrou à lista negra do governo dos Estados Unidos, impactando diversos cortes de investimentos por parte de empresas, que passaram e encurtar suas relações com a gigante chinesa.

O governo dos Estados Unidos passou a tomar medidas econômicas, classificando diversas empresas como “adversários estrangeiros” ao seu mercado interno. 71 empresas estrangeiras, em sua maioria chinesas, passaram à integrar essa lista, e a preocupação maior desta semana passou a ser a Huawei.

A informação veio do site Bloomberg, que apontou que empresas como Intel, Qualcomm, Xilinx e Broadcom decidiram cortar suas relações e o fornecimento de equipamentos para a Huawei. Além disso, o Google também suspendeu parte do comércio com a empresa, deixando-a com acesso apenas à versão standard de seu sistema operacional Android.

O que isso significa

Google e Huawei
Google também encurtou relações com a gigante chinesa

O mercado consumidor de empresas americanas é um dos maiores alvos da Huawei, mas o impacto dessa lista não está só nos Estados Unidos. As consequências dessa lista poderão também ser sentidas na China. A lista não abarca só empresas em solo americano, mas também empresas provedoras de telecomunicação do mundo.

A China, país sede da Huawei, está se preparando para lançar o 5G em seu território e, três grandes empresas de telecomunicações (China Mobile, China Unicom e China Telecom), estão responsáveis por isso no país. Essas empresas, no entanto, possuem relação direta com a Huawei em solo chinês, e elas podem ser forçadas, por conta da lista negra, a adiarem o lançamento da tecnologia no país.

Na semana passada a Huawei Facts, conta oficial da empresa no Twitter, atentou ao fato de que a medida só traria perdas a todos. Em um pronunciamento mais recente, a empresa também comentou sobre as dificuldades das grandes empresas americanas e chinesas em cortarem relações com o fornecimento da empresa.

“Opa! Os EUA já estão percebendo que a proibição da #Huawei pode não ser tão fácil, com um funcionário do governo admitindo que não pode se distanciar do gigante da tecnologia tão facilmente quanto gostaria. #HuaweiFacts” em resposta a um relatório de que a administração pode conceder à companhia chinesa uma licença temporária para evitar interrupções no serviço”.

Huawei, via Twitter

As coisas começam a se complicar mais ainda, pois o corte de licenças do Android colocam a empresa atrás de grandes empresas do mercado, como a Samsung, que está querendo retomar o mercado que a Huawei conseguiu tirar dela.

Ainda de acordo com a Bloomberg, a Huawei possuía armazenado um estoque de equipamentos equivalente a três meses de vendas. Esse estoque visava os três meses seguintes à lista e não consideravam que a empresa entraria na lista de Trump. Isso impacta negativamente no mercado da empresa, pois acúmulo de estoque faz com que os preços caiam em detrimento de todas as vendas que seriam efetuadas no mercado americano.

Acusados de serem uma possível ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos, a empresa negou veemente essa acusação. Diversas empresas, no entanto, seguiram as recomendações e já cortaram suas relações com a gigante chinesa. Ao site TechCrunch, o porta-voz da Xilinx, empresa consolidada em hardware, falou sobre a ordem do governo:

“Estamos cientes da Ordem de Negação emitida pelo Departamento de Comércio dos EUA em relação à Huawei, e estamos cooperando. Não temos informações adicionais para compartilhar no momento. ”

Porta-voz da Xilinx ao site TechCrunch

O site também entrou em contato com a Broadcom, Qualcomm e Intel para comentarem o assunto. Até o presente momento, nenhum deles lançou uma nota oficial ou responderam sobre as medidas tomadas.

Você conhece a Huawei?

Huawei
A gigante do mercado chinês acumula outras polêmicas

A Huawei chegou, quando quase ninguém esperava, para tomar parte do mercado global e consolidar sua tecnologia de ponta. Apesar de suas altas conquistas, e seu desenvolvimento tecnológico, a empresa sofreu com várias polêmicas ao longo de sua história. Esse novo baque para a empresa vem somar à essa lista e coloca preocupação no futuro dela no mercado mundial.

Em 2003, a companhia chinesa iniciou suas atividades voltadas para o mobile, mas o sucesso dela só veio em 2010, quando a empresa decidiu lançar um smartphone utilizando o sistema Android. Huawei IDEOS S7 foi o primeiro celular da empresa a estourar no mercado, sendo bem aceito por conta da tecnologia Android e responsável por aumentar a receita da empresa.

Depois disso não demorou muito para a empresa começar a se consolidar e estabelecer seu lugar no mercado, firmando-se como uma das maiores fabricantes de smartphones do mundo, competindo diretamente mercado com empresas como Samsung e Apple.

Em relação ao mercado brasileiro, esta seria a segunda passagem da empresa pelo mercado de celulares. A empresa chegou nas terras brasileiras em 2002 e, desde então, manteve presença constante no país atuando no setor de infraestrutura em telecomunicações. Ascend G510 foi o primeiro smartphone Android que a empresa lançou por aqui, e ele foi fabricado no Brasil.

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Huawei P30 Pro possui uma das melhores câmeras da atualidade

Um ano depois do lançamento do Ascend P7, a empresa saiu do país, pois o mercado brasileiro não aceitou bem a marca. No tempo que passou no país, a empresa também foi responsável por trazer o primeiro aparelho da marca Honor ao Brasil. A Honor possui uma linha mais acessível, porém a marca só era comercializada através da internet. Isso talvez não tenha sido um atrativo à época no país.

O mercado nacional recebeu com surpresa a notícia da volta da empresa ao país. E ela voltou para lançar seus mais novos smartphones: o P30 Pro, conhecido como o celular com o melhor conjunto de câmeras da atualidade; e o P30 Lite, que é mais acessível e deve atender o segmento intermediário.

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