Nintendo Switch chegará “logo” ao Brasil, promete a Nintendo

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Console vem sendo vendido por varejistas locais como bem importado, mas tuíte da fabricante japonesa “oficializa” o Nintendo Switch sem se comprometer com datas
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Nintendo Switch chegará "logo" ao Brasil, promete a Nintendo

A Nintendo of America, braço estadunidense da gigante japonesa Nintendo, confirmou por meio de sua conta oficial no Twitter que o seu console híbrido Nintendo Switch chegará “logo” ao mercado brasileiro. O aparelho já vinha sendo vendido nos principais varejistas do setor desde alguns meses após o seu lançamento, em março de 2017.

O tuíte da Nintendo gerou reações variadas em seus seguidores, desde memes a diversos questionamentos pertinentes, já que a mensagem da empresa não esclarece, por exemplo, se o console contaria com algum tipo de fabricação nacionalizada, como era o caso da concorrente Microsoft e seu Xbox One original até 2017, bem como o PlayStation 4 da Sony, até 2019.

A gigante japonesa também não se comprometeu com datas, limitando-se apenas a pedir que seus seguidores seguissem os perfis oficiais da Nintendo nas redes sociais, linkando o post para a página do Facebook e Instagram, devidamente intituladas “Nintendo Brazil” e repetindo a mesma imagem — novamente sem data ou prazos mais específicos:

O sistema Nintendo Switch está a caminho do Brasil! Fiquem ligados para mais detalhes!

Posted by Nintendo on Wednesday, August 19, 2020

Nintendo Switch: fabricação versus importação

A questão da fabricação nacional traz bastante importância à notícia simplesmente por ser um dos principais fatores que determinam o preço de um aparelho nas lojas.

A base de cálculo de um aparelho do tipo varia conforme os anos (e os governos) passam, mas os fatores que compõem a equação são majoritariamente os mesmos: no caso de bens importados, incidem sobre o custo da loja o imposto de importação, Pis, Cofins e IPI (imposto sobre produtos industrializados) para tributação federal. Soma-se a isso o ICMS, que é uma taxa estadual — por isso que um PlayStation 4 em São Paulo difere um pouco de preço em relação ao mesmo produto, por exemplo, no Mato Grosso. Todos estes são pagos imediatamente pelo lojista, que colocará o aparelho à venda considerando estes custos mais a sua margem de lucro (impossível determinar pois ela muda de acordo com a empresa).

Todo esse caminho serve para afirmar categoricamente uma coisa: preços de consoles e jogos no Brasil tendem a custar, na média, 150% ou mais do valor original em dólar — fora a conversão da moeda, que depende muito da cotação para o período de aquisição de lote por parte do lojista.

O Nintendo Switch nunca contou com fabricação nacional, o que acaba encarecendo seu preço no varejo brasileiro (Imagem: Divulgação/Nintendo)
O Nintendo Switch nunca contou com fabricação nacional, o que acaba encarecendo seu preço no varejo brasileiro (Imagem: Divulgação/Nintendo)

A Microsoft, porém, conseguia, até 2017, subsidiar parte desse valor ao fabricar o Xbox One (modelo original) dentro do território brasileiro (Zona Franca de Manaus). Desta forma, o aparelho consegue cortar custos pertinentes à importação, o que em teoria deve apresentá-lo de forma mais barata ao consumidor. Essa prática, porém, foi abandonada após a chegada do Xbox One S e Xbox One X.

Historicamente, a Nintendo e o mercado brasileiro não têm a mais amistosa das relações: embora a empresa japonesa tenha uma legião bem polpuda de fãs de seus jogos, a fabricante nunca esteve instalada de fato em território nacional (ou seja, nunca houve uma “Nintendo do Brasil”), preferindo agir por meio de distribuidores: durante a década de 1990, esse papel recaía sobre a Gradiente, que engajava em guerra comercial aberta com a TecToy, que desempenhava a mesma função para a SEGA.

Xbox One e PlayStation 4 já foram fabricados aqui, o que reduziu um pouco seu valor nas lojas, mas Microsoft e Sony abandonaram a prática em anos recentes (Imagem: Reprodução/Digital Trends)
Xbox One e PlayStation 4 já foram fabricados aqui, o que reduziu um pouco seu valor nas lojas, mas Microsoft e Sony abandonaram a prática em anos recentes (Imagem: Reprodução/Digital Trends)

Até 2015, a Nintendo era representada no Brasil, América Latina e Caribe pela Gaming do Brasil, uma empresa subsidiária da panamenha Juegos de Video Latinoamérica, GmbH, que também conta com a distribuição de marcas como RoKu e outros produtos não muito conhecidos por aqui. Em janeiro daquele ano, porém, a Nintendo confirmou que não mais usaria desta distribuição para o Brasil, mantendo apenas as operações gerais de América Latina e Caribe. Antes disso, haviam sinais de que alguns aparelhos da Nintendo fossem ao menos montados por aqui, como era o caso do Nintendo 64 e certos modelos do Game Boy. Mas a incidência disso no preço final era, na época, mínima.

Por isso, a nova mensagem da Nintendo pode trazer a percepção de estar “atrasada”, uma vez que o Switch está em nosso mercado há tempos (atualmente, é possível encontrá-lo por custo médio entre R$ 3,2 mil até R$ 4 mil, devido à alta de preços da COVID-19 no país). Entretanto, a “oficialização do que já tínhamos” pode trazer algumas surpresas no futuro.

Tais questionamentos, porém, não foram respondidos pela Nintendo.

Fonte: Nintendo (1) (2) (3)

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