Opinião: Parar o Uber é parar a inovação no trânsito

Uber
Parar o Uber não torna o serviço dos táxis melhor - e sim piora a nossa capacidade de mudar o trânsito.

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Recentemente o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu o serviço do aplicativo Uber. Se você não ouviu falar do app ainda, não se preocupe, existem razões para isso. A primeira é que o Uber é um serviço novo no Brasil. Ele chegou há um ano, e por enquanto só funciona uma versão executiva, a Uber Black, no Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Brasília. A segunda, e mais importante, é que ele está sendo atacado por um grupo específico, o dos taxistas, que se incomoda com o sucesso do serviço e já fizeram até manifestações contra a sua existência no país.

O Uber funciona assim. Você diz onde está, pede um carro e o motorista decide se vai atender o pedido. O pagamento é feito via cartão de crédito, que você dá na hora de realizar seu cadastro no app. E a seleção de motoristas é feita pela própria empresa, que exige carros novos e atendimento de qualidade para participar do serviço.

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O Uber está disponível para os sistemas Android, iOS e Windows Phone.

Simples, não? Ainda assim, a simples existência do Uber no país está gerando tanta comoção, que foi parar na Justiça. O pedido de suspensão foi requerido pelo Simetaxi – Sindicato dos Motoristas e Trabalhadores as Empresas de Taxi no Estado de São Paulo. Na decisão a favor, o juiz Roberto Corcioli Filho, da 12ª Vara Cível do TJ-SP concorda com o sindicato dos taxistas e diz que o Uber está “prestando um serviço clandestino, ao que parece”.

Não sou advogado para questionar a decisão do juiz com base em leis e outros recursos. Mas, como cidadão brasileiro, posso manifestar minha insatisfação pelo julgado e apoio a atividade do Uber no país.

O principal argumento do sindicato é de que o Uber oferece serviço de táxi sem ter autorização para tal e, por consequência, não segue a regulamentação nem o controle administrativo em relação aos preços praticados. Em outras palavras, os motoristas do Uber não são “qualificados”, cobrando valor abaixo do mercado.

 

Questão de qualidade:

Vamos ao primeiro ponto. Sem a devida autorização e registro para praticar o transporte, os motoristas do Uber não estariam qualificados para o serviço, dizem os taxistas. Não posso falar por Belo Horizonte e Brasília, mas já peguei táxis em São Paulo e no Rio de Janeiro. Existem bons taxistas, é claro, e esses merecem todo o meu elogio. Mas em média, o serviço não é em nada excepcional. Já vivi momentos desagradáveis com taxistas que tentaram “esticar” a rota, esquecer de ligar o taxímetro e até reclamar pela corrida ser curta, longa, ou pela minha escolha de caminho ser “errada”. Que atire a primeira pedra quem nunca se sentiu enganado assim que procurou por táxis ao aterrissar em aeroportos do Rio de Janeiro, por exemplo.

A segurança também não é ponto forte. Respeito às regras de trânsito costuma ser opcional – principalmente os limites de velocidade. E não só isso: mulheres tem reclamando do assédio de taxistas após usarem aplicativos de táxi.

A qualidade dos veículos também é questionável, já que é comum encontrar carros antigos e danificados na frota de qualquer cidade. E, se você estiver em cidades como a capital Salvador, pasme: pagará uma taxa se quiser fugir do calor e pedir ao táxi para ligar o ar condicionado.

Se receber um selo de aprovação, de órgão público ou algum sindicato, fosse o suficiente para dizer se alguém está apto a praticar uma atividade, nunca ocorreriam problemas com taxistas. E sabemos muito bem que não é assim.

O Uber, por sua vez, não faz o treinamento que o sindicato possui. Mas tem um controle de qualidade feito pelos próprios usuários, que avaliam cada viagem de 1 a 5 estrelas. Se um motorista tiver uma média muito baixa, ele pode ser desligado da plataforma. E um taxista? Uma vez que consiga a licença, se ninguém processá-lo, ele poderá continuar a prestar um serviço de baixa qualidade, renovado periodicamente com testes falíveis.

 

Ainda, é mais barato:

A outra reclamação dos taxistas é de os motoristas do Uber eles cobram um valor abaixo do mercado. No Brasil, o Uber está disponível apenas em uma versão executiva, chamada Uber Black, com carros mais confortáveis. O valor mínimo da viagem é de 10 reais, com uma tarifa base de 5 reais e um custo por quilômetro rodado e por minuto, que varia conforme a cidade. Para São Paulo, são R$ 2,42 por quilômetro rodado e R$ 0,40 por minuto. Comparando com o táxi da capital, a bandeirada é de R$ 4,50, com R$ 2,75 o quilômetro, e R$ 33 a hora, o que dá R$ 0,55 o minuto. Só aí já dá para perceber que os valores do Uber são realmente mais atraentes para o público.

Mas ninguém está lá para perder dinheiro. Por que o táxi custa R$ 0,33 a mais por quilômetro então? E isso apenas para o táxi comum, diga-se de passagem. Se formos comparar com táxis de luxo, a diferença salta para R$ 1,73. É claro que táxis precisam pagar taxas que o Uber não cobra. Mas se o modelo de negócios do Uber funciona, então por que temos essas taxas? Os motoristas do app também pagam IPVA, gasolina, seguro obrigatório e outros gastos que veículos geram. Se o que é cobrado dos motoristas do Uber é mais barato, então os taxistas deveriam reclamar para baixar as taxas cobradas sobre o táxi, e não proibir o aplicativo. Não seria essa uma boa oportunidade para discutir o preço abusivo de licenças de tributos?

 

Questão de Mobilidade:

Qualquer um que saia nas ruas de São Paulo a pé, de bicicleta, moto, ônibus, carro, táxi ou qualquer outro meio de transporte vê uma verdade óbvia: o trânsito na cidade precisa mudar. E o Uber e outros aplicativos de compartilhamento de veículos podem muito bem ser parte da resposta. O próprio juiz diz que a sentença não diz respeito ao modelo de negócio do Uber, mas de uma falta de regulamentação, e que independe se o app é “um serviço bastante consentâneo à sociedade atual”. Se é assim, então que não se proíba o aplicativo, mas que se reorganize e modernize nossa legislação para abranger esse aspecto. Ao contrário, foi negado o direito de uma empresa que quer inovar e mudar a regra do jogo a agir no mercado brasileiro. E não é a única ação do poder público contra o Uber. O vereador Adilson Amadeu (PTB) é autor do projeto de lei nº 349/2014, que proíbe uso de carros particulares cadastrados em aplicativos para o transporte remunerado individual de pessoas.

É claro que o Uber tem seus problemas. O vice-presidente da empresa, Emil Michael, é acusado de perseguir uma jornalista que falou mal do app, e chegou a ser proibido na Índia depois que uma jovem foi estuprada por um motorista do serviço. Mas proibir o avanço por que ele “prejudica” uma categoria que precisa mudar, certamente não é a resposta.

Não é só uma questão do emprego dos taxistas – que de fato deve ser protegido pelo poder público. O principal ponto aqui é o da mudança. Proibir o Uber não significa melhorar o serviço de táxis das cidades brasileiras. Pelo contrário, é uma involução e retrocesso ao progresso da mobilidade urbana.

O que acontecerá quando outras novidades chegarem, como empréstimos de carro, ou veículos sem motorista? Iremos ficar para trás novamente, como já acontece com carros elétricos, por exemplo? Está na hora de pensarmos não em proibir, mas em regulamentar corretamente e criar regras que estimulem a inovação e o desenvolvimento da nossa economia. Também precisamos de iniciativas urgentes para destravar o trânsito das cidades brasileiras. Porque, se dependermos apenas das formas tradicionais de locomoção, ficaremos apenas…. parados.

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7 Comentários

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  • A discussão não é sobre inovação, pois nós os taxistas profissionais já utilizamos essa tecnologia, toda vez que vocês entram nesse assunto nunca é para discutir a questão central que é o crime do exercício ilegal da profissão, a pirataria eu fico sempre com a impressão que você como outros são garotos propaganda dos piratas, quando foi com a profissão de jornalista o seu sindicato foi a justiça ou você não se lembra disso, infelismente nós brasileiros estamos muito mal de formadores de opinião.

  • CLARAMENTE PERCEBE-SE QUE A MATÉRIA É TENDENCIOSA, SEM CONTAR OBVIAMENTE COM ERROS DE PORTUGUÊS, SINAL DE QUE O JORNALISTA PRECISA SE RECICLAR, NÃO SÓ NO NOSSO IDIOMA, MAS TAMBÉM NOS CRITÉRIOS USADOS PELAS SUAS AVALIAÇÕES INCOERENTES!!!
    ANTES DE TUDO, DEIXO BEM CLARO QUE SOU LIGADO À ÁREA DE TECNOLOGIA DESDE OS 16 ANOS DE IDADE, QUANDO SEQUER EXISTIA WINDOWS E A MICROSOFT ESTAVA ENGATINHANDO COM SEU BEM-SUCEDIDO MS-DOS, PORTANTO NÃO SOU CONTRA OS AVANÇOS TECNOLÓGICOS, MUITO PELO CONTRÁRIO, SEMPRE OS UTILIZO!!!
    A QUESTÃO AQUI É MAIS PROFUNDA, POIS O TAXISTA LEGALIZADO, PARA SE MANTER NA ATIVA, TEM QUE FAZER 4 VISTORIAS ANUAIS, TODAS PAGAS, DIGA-SE DE PASSAGEM, TEM QUE ESTAR EM DIA COM O CERTIFICADO DE DEDETIZAÇÃO DO VEÍCULO, QUE TAMBÉM NÃO É DE GRAÇA, É OBRIGADO, NO MÍNIMO, A MANTER SEGURO PARA TERCEIROS, PARA O CASO DE ACIDENTE COM VÍTIMAS, SEGURO ESTE QUE É BEM MAIS CARO PARA O TÁXI, POR SER DA CATEGORIA ALUGUEL, COM PLACA VERMELHA, E ESTAR MAIS PROPENSO A ACIDENTES, POR RODAR MAIS, DO QUE PARA OS VEÍCULOS COMUNS, COM PLACAS NA COR CINZA, QUE, DE ACORDO COM O PERFIL, TEM O SEGURO CUSTANDO CERCA DA METADE DO PREÇO QUE OS TÁXIS PAGAM, E TE GARANTO QUE NENHUM VEÍCULO CADASTRADO NO UBER DECLARA QUE SEU VEÍCULO É USADO PARA TRANSPORTE DE PASSAGEIROS!!!
    E NÃO ME VENHA COM ESTE PAPO FURADO DE QUE OS TAXISTAS TEM QUE LUTAR PARA QUE OS VALORES SEJAM REDUZIDOS, POIS É IMPOSSÍVEL, DADA A PRÓPRIA ATIVIDADE!!!
    E O MAIS INCRÍVEL É DIZER QUE O UBER CONTRIBUIRIA PARA UMA MELHORA NO TRÂNSITO, POIS É EXATAMENTE O CONTRÁRIO, MAIS CARROS DE PASSEIO NAS RUAS, MAIS ENGARRAFAMENTOS!!!
    UM ÓTIMO EXEMPLO DISTO SÃO AS VANS. QUANDO INVADIRAM NOSSAS RUAS, HÁ MAIS DE DUAS DÉCADAS, FAZENDO TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE FORMA CLANDESTINA, TODOS ADORARAM, POIS ESTAVAM FAZENDO CONCORRÊNCIA COM OS ÔNIBUS, E ISTO SIGNIFICARIA MAIS OPÇÕES DE LOCOMOÇÃO, COM MAIS OFERTA DE TRANSPORTE!!!
    HOJE, QUANTOS PODEM DIZER QUE NUNCA RECLAMARAM DAS ATITUDES DESTES MOTORISTAS (NÃO TODOS), QUE MESMO OS QUE SÃO LEGALIZADOS PARAM SEUS VEÍCULOS DE QUALQUER JEITO, MUITAS VEZES FORA DO PONTO, OUTRAS TANTAS NO MEIO DA RUA, ATRAPALHANDO MAIS AINDA O JÁ CAÓTICO TRÂNSITO DE NOSSAS CIDADES?!?
    AGORA IMAGINEMOS HOJE NOSSAS RUAS LIVRES DESTAS VANS E COM MAIS TRANPORTES DE MASSA SENDO OFERTADOS?!?
    NÃO DIMINUIRIA SIGNIFICAMENTE OS CONGESTIONAMENTOS?!?
    QUANTO AOS PREÇOS PRATICADOS, OUTRO ENGANO (ESPERO) DA SUA PARTE, POIS OS TÁXIS COBRAM A BANDEIRADA INICIAL E O KM RODADO, MAS NÃO COBRAM ACRÉSCIMO POR MINUTO RODADO, SENDO INCLUSIVE UM GRANDE PREJUÍZO PARA O TAXISTA FICAR NOS ENGARRAFAMENTOS, ENQUANTO O UBER COBRA A BANDEIRADA, O KM RODADO E MAIS O ADICIONAL POR MINUTO, INDEPENDENTE SE PEGAR ENGARRAFAMENTO OU NÃO, OU SEJA, NO FINAL AINDA HÁ O DESEMBOLSO DO TEMPO QUE O PASSAGEIRO FICOU NO VEÍCULO, COISA QUE VOCÊ NUNCA PAGOU EM UM TÁXI, NÃO É MESMO?!?
    NA VERDADE, O UBER COBRA EM MÉDIA 20% A MAIS DO QUE OS TÁXIS!!!
    DE UM FORMA UM TANTO SIMPLÓRIA, DEVO ADMITIR, SERIA O MESMO QUE COMPRAR UM CD PIRATA PAGANDO MAIS CARO QUE O ORIGINAL!!!
    E FALEI “PIRATA”, POIS É O QUE ESTES TRANSPORTES CHAMADOS DE “EXECUTIVOS” SÃO, PIRATAS. O NOME POMPOSO É APENAS PARA DISFARÇAR A NATUREZA CLANDESTINA DESTE SERVIÇO!!!
    E SERÁ QUE SOMOS NÓS OS ERRADOS?!?
    VOCÊ NÃO CITOU QUE NO MESMO DIA A JUSTIÇA PORTUGUESA PROIBIU O UBER TAMBÉM EM SEU PAÍS, ALÉM DE ELE JÁ SER PROBIDO EM PAÍSES COMO FRANÇA, ESPANHA E ALEMANHA, ENTRE OUTROS!!!
    POIS É, ESPERO TER ESCLARECIDO ALGUNS PONTOS NEBULOSOS DESTA POSTAGEM E TER AJUDADO A RECOLOCAR AS COISAS EM SEUS DEVIDOS LUGARES, TUDO EMBASADO E BEM EXPLICADO. MUITO OBRIGADO!!!

    • Monopólio nunca foi bom para ninguém a não ser para aqueles que usufruem os benefícios.
      Uso o serviço da UBER e estou admirado com a educação, asseio e qualidade do atendimento. Não tem nada haver com aquele bando de desocupados que chegam no ponto às 6 h da manhã, ficam jogando palitinho, berrando como se fosse jogo de truco, incomodando quem quer dormir até às 7 ou 8 hs, além de privatizar parte das vagas que temos para estacionar em frente de nossos prédios ou casas.

      • BOM, SE O SENHOR GOSTA DA ILEGALIDADE VÁ EM FRENTE, AFINAL TEM O QUE MERECE!!!
        E QUANTO AOS “DESOCUPADOS” QUE FICAM NA PRACINHA, SÓ SE FOREM OS TAXISTAS APOSENTADOS, POIS OS QUE ESTÃO NA ATIVA NÃO TEM TEMPO PARA JOGAR “PALITINHO”.
        E QUANTO ÀS VAGAS, ELAS NÃO PODEM SER “PRIVATIZADAS” NEM PELOS TÁXIS (E NEM TEM COMO, POIS ELES TRABALHAM TRANSPORTANDO PESSOAS, ENTÃO NÃO TEM COMO FICAR MUITO TEMPO PARADO), E, COMO IA DIZENDO, NEM PELOS MORADORES, POIS A RUA É PÚBLICA!!!

  • O uber só esta interessado em 20% do valor da corrida e não tem nada de mais barato, uma corrida da Gavea ao Jardim Oceanico na Barra custa no taxi R$ 40,00 e no uber pois era reveillon custou ao cliente R$ 380,00. Duvidas procure no reclame aqui. E não pode e pronto e acabou.

  • Infelizmente, apesar dos possíveis benefícios que a utilização do Uber pode trazer, o Uber tem problemas muito mais profundos que os citados no texto. Seu maior problema é que os fundadores tem má índole, e já provaram diversas vezes que a ética não está em suas prioridades (como já foi provado com os casos de quebra de sigilo e principalmente nas campanhas de sabotagem contra os competidores: https://www.theverge.com/2014/8/26/6067663/this-is-ubers-playbook-for-sabotaging-lyft ). Infelizmente não tenho como dar 1 real para uma empresa que paga seus funcionários para sabotar os concorrentes.

  • Ah, essa molecada que se auto-intitula “jornalista”… OPS!! O MEC avisa: para ser jornalista não é mais preciso ter diploma. Isso explica muita coisa…

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