Passar tanto tempo no espaço tornou o DNA de astronautas gêmeos diferentes

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Depois de um ano no espaço, Scott Kelly voltou para a Terra, mas seu DNA retornou diferente do do irmão gêmeo, que permaneceu no planeta.

Um estudo recente publicado pela US Space Agency (NASA) descobriu que os genes do astronauta Scott Kelly não são mais idênticos aos do irmão gêmeo Mark, devido à sua permanência na Estação Espacial Internacional (ISS) por um ano (de março de 2015 a março de 2016).

Os efeitos por passar tanto tempo no espaço

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Mark e Scott Kelly

Os resultados do estudo que envolve mais de 200 cientistas em 30 estados dos EUA descobriram que 7% dos genes de Kelly não correspondem mais aos de seu irmão, que, embora ele também seja um astronauta (já aposentado), não gastou tanto tempo na gravidade zero. Alias, ninguém teve tanto contato com gravidade zero como Scott Kelly. Ao todo ele já passou mais de 500 dias no espaço, sendo que 342 dias de forma ininterrupta.

Durante o tempo que permaneceu no espaço a NASA monitorou o metabolismo de Scott Kelly para saber como o espaço afeta seu sistema biológico. Embora as mudanças biológicas que o astronauta experimentou durante sua permanência na ISS retornaram aos seus valores normais quando ele voltou para a Terra, sua composição genética foi modificada permanentemente, portanto, ele não é mais geneticamente idêntico ao seu irmão Mark!

Em comunicado a NASA disse que o “Twin Study” (Estudo dos Gêmeos) foi benéfico ao fornecer a primeira aplicação genômica na avaliação de potenciais riscos para o corpo humano no espaço.

Os telômeros (extremidades dos cromossomos que encurtam com a idade) foram significativamente alongados pela estendida estada de Scott Kelly no espaço. Embora esses resultados tenham sido anunciados em 2017, somente agora foi possível chegar a conclusão com base em múltiplos estudos genéticos.

De acordo com a NASA esses telêmetros foram encurtados dois dias após o retorno de Scott para a Terra.

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Os pesquisadores agora sabem que 93% dos genes de Scott voltaram ao normal depois do pouso. Dez equipes de pesquisa analisaram várias proteínas e a capacidade cognitiva dos gêmeos Kelly.

Alterações permanentes no DNA de Scott (7%) parecem ter ocorrido em genes que controlam funções relacionadas ao seu sistema imunológico, como a formação óssea, o reparo do DNA ou a resposta a um ambiente carregado com oxigênio ou com dióxido de carbono.

Outros efeitos curiosos sobre essa permanência tão longa de Scott na estação espacial também foram reveladas. Por exemplo, que os cinco centímetros que Scott crescia no espaço eram um efeito temporário da microgravidade: a coluna vertebral esticada.

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Sua expressão genética também mudou Os níveis de metilação do DNA de Scott (um processo que liga ou destrói os genes) aumentaram ou diminuíram, dependendo do gene, indicando que nossa genética é sensível às mudanças ambientais. Sua flora intestinal também mudou em relação ao seu irmão, provavelmente devido à mudança de dieta e meio ambiente.

A NASA afirma que o período de seis meses a um ano na missão na Estação Espacial Internacional (ISS) não produziu diminuições significativas no desempenho cognitivo do astronauta durante o vôo e em relação ao irmão gêmeo.

Astronauta crê na viabilidade de colônias em Marte

A NASA tem planos de enviar a sua primeira missão a marte em 2030, e com o estudo dos gêmeos Kelly a agência espacial deu mais um passo a seu objetivo. Os astronautas geralmente gastam seis meses no espaço, mas uma missão para Marte levará três anos, graças a Scott e Mark foi possível começar a entender os efeitos de uma viagem tão longa.

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