Por que gostamos tanto de astrologia?

explicando a astrologia e mapa astral
Série da Netflix explica a origem do estudo dos astros e explica porque nos atraímos tanto por signos e elementos da astrologia

Qual é seu signo? Muitas pessoas têm essa resposta na ponta da língua. Mas de onde surgiram os estudos e experimentos para criar o que entendemos hoje como Astrologia? E, afinal, astrologia é um tipo de ciência?

A série Explicado, da Netflix, aborda o tema em um de seus mais novos capítulos, contando como surgiu e porque se tornou tão presente a ideia de que a nossa vida pode ser regida pelo alinhamento das estrelas e planetas.

Normalmente, sabemos apenas nosso signo solar – ou só “signo”. Com essa informação, a experiência mais comum com a astrologia acaba sendo checar, diariamente, nosso horoscopo nos jornais.

No entanto, eles não são muito específicos. Afinal, são escritos para todas as pessoas de maneira generalizada e superficial. Na astrologia ocidental, temos um modo para descrever toda nossa personalidade. Para aprofundar o conhecimento no assunto e entender mais sobre nossos signos, é essencial fazer é um mapa astral.

 

O que é um mapa astral?

 De acordo com a astróloga Chani Nicholas, em entrevista para o Explicando, da Netflix, o mapa astral é a representação gráfica do céu no exato momento de seu nascimento. Para montar o mapa, são necessários alguns cálculos que são baseados na data, hora e local que você nasceu. Os dados têm de ser precisos porque alguns minutos podem alterar significativamente a configuração geral do mapa.

signos solares - Por que gostamos tanto de astrologia?

O mapa astral é dividido em 12 casas,  que incluem a posição dos planetas que determia como será cada área da sua vida. Quando for analisar o mapa astral, o signo solar é o mais importante. As Casas Astrológicas são divisões variáveis do mapa que representam nossas áreas de experiência na vida. Tecnicamente, são linhas imaginárias que partem da Terra e cortam o céu em doze faixas e indicam as caracteristicas de cada pessoa.

Mas, antes de analisar o motivo pelo qual gostamos tanto da astrologia hoje, vamos por partes.

Como surgiu a astrologia?

Ao observar o céu, nossos ancestrais ficaram fascinados pelos astros que brilhavam toda noite. Perceberam que os movimentos eram previsíveis e causavam efeitos nas estações, nas marés, nas colheitas. Fazia sentido pensar que esses astros também influenciassem os aspectos das nossas vidas, como nossa personalidade e o modo como agimos em determinadas situações.

A ideia de 12 signos do zodíaco remete há mais de 2000 anos, à antiga Babilônia. Eles notaram que havia cerca de 12 luas novas ao longo de um ano, então dividiram a trajetória do sol em 12, cada parte marcada por uma constelação.

Mapear símbolos nas estrelas, como um touro ou um escorpião, os ajudava a manter o registro ao longo dos anos. Foi assim que criaram o seu signo solar: a constelação em que o Sol estava posicionado no momento em que você nasceu.

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O modelo geocêntrico de Ptolomeu, num mapa do cosmógrafo e cartógrafo português Bartolomeu Velho, de 1568.

Na busca pelo surgimento da astrologia, não podemos deixaCláudio Ptolomeu de lado. No Egito, no século 2, ele escreveu um dos livros mais importantes sobre astronomia.

Ptolomeu foi o primeiro a mapear com precisão a velocidade e rotação dos planetas ao redor da Terra. Com base nisso, foram calculados os calendários de todos que vieram depois dele.

O que foi feito por Ptolomeu foi popularizado pelo ocidente. A ideia só não ficou popular na China, onde eles já tinham seu próprio zodíaco, feito há milhares de anos, baseado no ano de nascimento.

No século 16, a realeza europeia costumava contar com seus próprios astrólogos para informá-los sobre os astros e a posição das estrelas no céu, como é o caso da Rainha Elizabeth I, que tinha seu próprio astrólogo, John Dee.

Nessa época, duas ideias começaram a radicalizar o mundo e o papel da astrologia nele.

Durante toda a história, nós presumimos ser o centro do universo, como Ptolomeu expressou em sua teoria em que a Terra seria o centro do sistema em que vivemos.

Até que cientistas como Galileu Galilei ajudou a estabelecer que nós, na verdade, orbitamos o sol; ele que é o centro do nosso sistema solar.

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Galileu representado em Mentes Brilhantes, série da TV Brasil

No século 17, com descobertas cientificas, como a gravidade e o espectro da luz, e novos telescopios que conseguem alcançar novas luas que nem sabiamos que existiam. Com esse avanço da ciência, foi desenvolvido o conceito de verdade e não verdade; se não fosse possível comprovar pela ciência, não era ciência.

Com isso, astrologia e astronomia foram separadas, mesmo que tivessem sido estudadas juntas por milhares de anos antes do século 17. Ela ficou sem ser mencionada por anos e anos, até o surgimento da coluna de astrologia.

A astrologia como conhecemos hoje

Em 1930, um jornal londrino publicou um texto do astrólogo R. H. Naylor para celebrar o nascimento da princesa Margareth. Com base nos astros, Naylor escreveu que a princesa teria aversão , o que se mostrou verdade, já que seu modo de agir quando mais velha deixou a realeza desgostosa. O astrólogo também “previu” que, quando Margareth fizesse 7 anos, eventos muito importantes aconteceriam à família real.

Pouco antes de Margareth fazer 7 anos, seu tio abdicou do trono para seu pai, fazendo com que sua irmã mais velha, Elizabeth, fosse a próxima na linha de sucessão ao trono.

Esses acertos foram o suficiente para que Naylor ganhasse uma coluna no jornal. Mas ao invés de escrever sobre a realeza, ele passou a escrever horoscopo para todas as pessoas do reino, baseando-se em seus signos solares. A moda pegou e outros jornais passaram a publicar diariamente uma coluna sobre os signos e as previsões para cada um.

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Nesse período, outra nova tendência fez a astrologia se popularizar: a psicanálise. Um dos criadores de alguns conceitos do estudo da psique, Carl Jung, popularizou a ideia de tipos diferentes de personalidades.

Esse conceito inspirou diversos testes de personalidade.

Até que, no fim dos anos 60, entramos numa numa era que popularizou ainda mais a astrologia. Nas músicas, ouvíamos diversas menções a signos.

Mas ninguém conseguiu popularizar a astrologia nessa época do mesmo jeito de Linda Goodman, que publicou seu livro Signos Solares: Como realmente conhecer seu marido, esposa, amante, filho, chefe, empregado ou você mesmo através da astrologia.

O livro de Linda Goodman foi o primeiro sobre astrologia a ficar entre os mais vendidos do New York Times.  No total, o livro dela chegou a vender mais de 30 milhões de cópias e chegou a ser traduzido para 15 línguas diferentes.

Goodman prometia ajudar a reconhecer e a identificar os sonhos, esperanças e verdadeiras personalidades de alguém, baseando-se somente no seu signo solar. Ela dizia que os signos literalmente poderia mudar a vida das pessoas.

A astróloga Chani Nicholas diz que Linda Goodman ajudou a popularizar a ideia dos signos dos zodíaco, ela conseguiu transmitir muitas informações incríveis

Nos Estados Unidos durante os anos 80, existiam até linhas telefônicas diretas para astrólogos que estavam dispostos a dar dicas e conselhos.

Por que gostamos tanto de astrologia?

Durante a maior conferência de astrologia do mundo exposta por Explicando, a astróloga Nadiya Shah disse que talvez a astrologia não se enquadre no conceito moderno de ciência, mas não significa que não possa acrescentar muito à vida das pessoas.

Mas a ciência chegou a comprovar que, pessoas que acreditam em astrologia, conseguem até uma melhorada em sua confiança baseada em seu horoscopo, como foi comprovado com testes de matemática. Dessa maneira, observamos um efeito placebo; ou seja, algo não precisa ser real, desde que seu efeito seja real.

O professor de psicologia Stuart Vyse acredita que o motivo pelo qual as pessoas se identificam tanto com os horóscopos é porque elas realmente querem se identificar. Esse efeito, chamado efeito Barnum, sugere que, basicamente, que todos conseguem se ver em qualquer horóscopo apresentado. As descrições nos horóscopos tendem a ser muito ambíguas e meio que sempre positivas.

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Por causa disso, muitos astrólogos passaram a oferecer horóscopos mais detalhados e maiores do que o parágrafo apresentado nas colunas nos jornais. Com isso, a astrologia se popularizou novamente com a onda dessas publicações na internet.

Entre 2016 e 2017, a procura por vídeos de astrologia aumentou cerca de 62%. No facebook, essa procura aumentou 116% enquanto no Twitter o aumento foi de quase 300%.

Acho que o grande apelo da astrologia, mesmo na era científica e entre pessoas instruídas, vem do fato de que ela oferece algo que não se consegue em outros lugares“, completa Vyse.

Por exemplo, astrologia pode ser uma fonte de espiritualidade para os que não a encontram nas religiões tradicionais.

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É aí que astrologia se encaixa, é pessoal porque você tem o seu mapa e o horóscopo individual. Neste sentido, pode trazer um sentimento diferente do que a religião tradicional traria, em que você é igual a todos.”

O astrólogo Sam Reynolds divaga sobre a o motivo pelo qual nós somos atraídos pela astrologia: “Mas acho que outro aspecto divinatório é que se encaixa na ideia de buscar e tentar compreender o divino. Não importa se você entenda isso como deuses, como Deus, como o grande mistério, qualquer coisa que acreditemos ser maior do que a fragilidade humana.

Interessou? Você pode assistir ao episódio de Explicando, da Netflix, em que esse texto foi baseado, clicando aqui (é necessário assinar o serviço de streaming).

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