Primeiro teste do Hyperloop com passageiros é um sucesso

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Realizado na pista de testes DevLoop no deserto de Las Vegas, teste do Hyperloop com passageiros atinge 160 km/h e é passo importante para certificação da tecnologia

A Virgin Hyperloop, empresa que está trabalhando para introduzir para o público o conceito de transporte por veículos em campos magnéticos, anunciou que realizou seu primeiro teste com passageiros em um de seus protótipos. O teste do Hyperloop foi realizado na tarde de domingo na pista de teste batizada DevLoop, criada e de propriedade da própria companhia, no deserto localizado em Las Vegas. No teste, a cápsula acelerou até 160 km/h pelo trajeto, até começar a diminuir sua velocidade e parar.

Esse teste é um passo importantíssimo para a Virgin Hyperloop, fundada em 2014 com a premissa de tornar a tese de transporte futurístico por meio de cápsulas que flutuam magnéticamente de Elon Musk uma realidade. Em 2013, Musk publicou sua tese, onde teorizava que cápsulas aerodinâmicas de alumínio repleta de passageiros poderiam ser impulsionadas por tubos com vácuo em velocidades de até 1.233 km/h. Musk chamou isso de “uma quinta forma de transporte”, e que poderia mudar a vida das pessoas, com seu principal exemplo sendo uma viagem de Los Angeles para São Francisco em 30 minutos, em vez de suas 9 horas de duração por carro habituais. Fique claro que embora Musk seja o idealizador da tese, ele não tem relação com a Virgin Hyperloop.

O poder do teste

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A pista DevLoop e a cápsula Pegasus.

A DevLoop, pista onde o teste do Hyperloop foi feita, tem 500 metros de comprimento e 3,3 metros de diâmetro. Segundo a companhia, mais de 400 testes já foram realizados nela, só que nenhum deles tinha sido realizado com passageiros até este domingo.

A cápsula Pegasus teve seu projeto feito pelaa empresa de design do famoso arquiteto dinamarquês Bjarke Ingel, e representa uma versão menor do que a Virgin Hyperloop pretende atingir um dia — no caso cápsulas capazes de carregar até 23 passageiros. A Pegasus pesa 2,5 toneladas e mede cerca de 4,6 metros. Dentro dela, seu interior branco tenta passar uma sensação reconfortante para quem não estiver muito confortável com a ideia de estar em uma cápsula em terra firme que pode andar na velocidade de um avião.

Ninguém fez nada parecido com isso até hoje. Isso é um Hyperloop funcional e em escala real que não só está funcionando em um vácuo magnético mas como também vai ter uma pessoa dentro. Ninguém sequer chegou perto de fazer isso.

Jay Walder, CEO da Virgin Hyperloop

Embora as cápsulas ainda não cheguem na velocidade máxima teorizada de 1.233 km/h, a velocidade de 160 km/h atingida pela Pegasus no teste já é importante, já que os dois passageiros não são profissionais de teste e sim o gerente de tecnologia e co-fundador da Virgin Hyperloop, Josh Giegel, e a gerente de experiência de passageiros, Sara Luchian.

Críticas e expectativas

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Josh Giegel e Sara Luchian na cápsula Pegasus

Giegel e a equipe Virgin Hyperloop vêm trabalhando bastante para validar a tecnologia a partir de testes. Na parte de certificações, a companhia recentemente anunciou seu plano para construir um centro de certificações de 500 milhões de doláres para avançar seus trabalhos nessa frente, e o governo federal dos EUA recentemente começou a mostrar pequenos acenos para uma tentativa de regularização do Hyperloop, dando esperanças para implantações de pistas dessa tecnologia por todo o território americano.

Porém, a tecnologia conta com seus detratores. Muitos críticos chamam o Hyperloop de uma visão utópica que financeiramente é impossível de ser atingida e outros falam que enquanto os desenvolvedores da tecnologia falam que “só faltam alguns anos” para ela se tornar disponível, cada vez mais distante ela parece. A própria Virgin Hyperloop falou para o site The Verge em 2018 que esperava ver cápsulas funcionais pelo mundo em 2020, sendo que agora o prazo foi estendido para 2021.

Entre outros problemas apontados, estão a segurança de uma cápsula que ande a 1.233 km/h, a dificuldade de criar o vácuo magnético necessário para as cápsulas funcionarem e a quantidade de paradas em cada trajeto, que poderá ser um grande empecilho para iniciar a locomoção entre cada um.

Fonte: The Verge

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