Qualcomm parece não levar Mac M1 tão a sério, mas deveria

Montagem com macbooks m1, que a qualcomm deveria levar mais a sério
Executivos da Qualcomm dispensaram uma pergunta sobre performance de MacBooks com processador M1 da Apple, baseado em ARM, durante evento do Snapdragon 888 5G

Durante uma sessão de perguntas e respostas do Snapdragon Tech Summit Digital 2020, em que a Qualcomm apresentou o novo Snapdragon 888 5G para a próxima geração de smartphones premium, os executivos da empresa dispensaram um questionamento sobre a performance dos MacBooks com processador M1 da Apple, baseado na arquitetura ARM, lançados recentemente. 

“Nós investimos no Windows com Snapdragon e estamos numa jornada para construir esse ecossistema junto à Microsoft. O que observamos nos últimos meses foi uma validação de que essa foi a aposta certa.”

Cristiano Amon, presidente da Qualcomm

Ao desconsiderar dar uma resposta mais detalhada (e quem sabe franca) sobre esse questionamento, ficou no ar uma impressão que a empresa não leva muito a sério o que a chegada desses novos laptops da Apple representa para o mercado de notebooks e PCs. Só que a Qualcomm deveria se preocupar com isso. Abaixo eu te explico os porquês.

Qualcomm deveria levar Mac M1 mais a sério

Imagem do microsoft surface pro x, que tem processador da qualcomm
Surface Pro X é equipado com processador da Qualcomm e Windows 10

Para começar, a Qualcomm é até o momento considerada a líder no fornecimento de processadores com tecnologia ARM para dispositivos móveis. E desde 2017 trabalha em parceria com a Microsoft para que as fabricantes desenvolvam notebooks baseados na arquitetura ARM e com Windows 10.

Um lançamento recente que junta esses elementos foi o Microsoft Surface Pro X. Por um lado, os reviews destacaram a durabilidade da bateria do dispositivo como algo muito positivo, mas por outro lamentaram os problemas de compatibilidade de apps de terceiros que tinham sido desenvolvidos para rodarem em processadores da Intel

Usando o crossover, vai ser possível usar aplicativos do windows no mac m1
Apple lançou MacBook Pro, MacBook Air e Mac Mini com processador M1

Aí a Apple lançou MacBooks Air e Pro com processadores M1, desenvolvidos pela big tech com tecnologia ARM que marcaram o começo do fim da era de processadores da Intel nos seus computadores. Na época, a Qualcomm até chegou a apontar que seria desafiador para a Apple fazer com o que os aplicativos e softwares antigos rodassem bem no Apple Silicon, que é a arquitetura do M1.

A carta na manga, digamos, da Apple para lidar com essa questão foi o desenvolvimento da ferramenta Rosetta 2, que “traduz” os aplicativos de 32 ou 64 bits para ARM. E isso parece estar funcionando muito bem, tanto com aplicativos nativos quanto de terceiros que tinham sido criados para processadores Intel. Tudo isso mesmo com Windows instalado nos MacBooks em questão, segundo o site The Verge

Só que os processadores Apple M1 não são perfeitos, claro. O analista Pay Moorhead, por exemplo, identificou alguns problemas de compatibilidade também. Mas no geral as análises dos MacBooks com M1 tem sido melhores do que as dos computadores com processadores da Qualcomm. Considerando que esta é apenas a primeira geração de processadores da Apple para seus Macs e eles já conseguiram atingir esse patamar, se eu fosse uma fabricante de chipsets ARM para notebooks e PCs estaria em choque. Mas sobre esse cenário, o posicionamento da Qualcomm foi:

“É uma validação do que nós temos feito nos últimos anos e [o portfólio de produtos da Qualcomm] está ficando cada vez mais forte conforme nós ampliamos nosso escopo.”

Alex Katouzian, vice-presidente sênior de dispositivos móveis da Qualcomm

Computadores com Snapdragon

Imagem do microsoft surface pro x, que tem processador da qualcomm
Executivo da Qualcomm diz que laptops com Snapdragon são melhores que MacBooks com M1

Para Katouzian, os computadores always connected (que estão sempre conectados, seja usando Wi-Fi ou redes móveis) equipados com tecnologia Qualcomm são superiores aos novos MacBooks com M1 tanto pelo suporte ao 4G e 5G quanto pela qualidade do vídeo das suas câmeras. As câmeras dos MacBooks, no caso, capturam vídeos em até 720p, o que é considerado pouco. 

“Nos laptops com Snapdragon, você pode ter uma experiência de chamada de vídeo que parece presencial. Com conectividade 5G, você pode se manter produtivo e conectado de praticamente qualquer lugar. Sem precisar comprar câmeras, microfones nem modem portátil.”

Alex Katouzian, vice-presidente sênior de dispositivos móveis da Qualcomm

O executivo também apontou que a variedade de modelos dos chipsets Snapdragon (7c, 8c e 8cx) permitem que as fabricantes desenvolvam laptops com capacidade avançada e preços mais acessíveis do que os MacBooks.

Um nó que não depende da Qualcomm

Por dentro de todas as especificações do snapdragon 888 5g
Qualcomm deve lançar processadores para laptops baseados no novo Snapdragon 888 5G

Essa estratégia de investir em computadores always connected e tudo mais é boa, mas esbarra num problema cuja resolução não depende da Qualcomm, o que deixa a empresa de mãos atadas. 

Por mais que em breve a Qualcomm muito provavelmente lance processadores para laptops baseados no novo Snapdragon 888 5G, cuja performance deve ser no mesmo nível do Apple M1, está no colo da Microsoft e das empresas desenvolvedoras dos aplicativos resolverem aqueles problemas de compatibilidade que pesaram tão negativamente nas reviews dos computadores com Snapdragon.

A vantagem da Apple neste contexto, por outro lado, é que a empresa tem total controle sobre os seus processadores, hardware dos laptops e computadores, sistema operacional e aplicações-chave dos seus dispositivos. Ou seja, enquanto a Qualcomm é responsável por uma parte dos computadores, a Apple é responsável por todas as partes que compõem seu ecossistema. E o funcionamento dos Macs com ARM tem sido superior aos de PCs com Snapdragon, mesmo com ambos rodando Windows. Está vendo como a questão é mais séria do que a Qualcomm deu a entender durante o evento?

Fontes: Android Authority, PC Magazine, The Verge e ZDNet


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