Marisa maiô é a primeira personagem de ia a ganhar contrato publicitário olx e magalu

Marisa Maiô é a primeira personagem de IA a ganhar contrato publicitário real

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Criada com a Veo3 do Google, personagem virou garota-propaganda de 2 marcas de e-commerce no Brasil, um marco no uso da inteligência artificial

Ela conquistou a internet brasileira com frases debochadas, esquetes absurdas e um visual inconfundível: maiô preto, salto alto e sarcasmo na medida certa. Marisa Maiô não é uma apresentadora qualquer — na verdade, nem é humana. Criada inteiramente com IA, ela é uma influenciadora virtual que satiriza os antigos programas de auditório com roteiros surreais. Além disso, suas participações publicitárias com grandes marcas como Magalu e OLX mostram que, além de fazer rir, ela também aponta para o futuro da criação de conteúdo e da publicidade com IA no Brasil.

Quem é Marisa Maiô?

Marisa maiô é a primeira personagem de ia a ganhar contrato publicitário olx e magalu. Foto: reprodução / internet.
Marisa Maiô é uma apresentadora fictícia e influenciadora digital criada com inteligência artificial, conhecida por satirizar programas de auditório brasileiros. Foto: Reprodução / Raony Phillips.

Marisa Maiô é uma personagem virtual – apresentadora e influenciadora digital – totalmente criada com inteligência artificial. Com aparência de mulher de meia‑idade, vestindo sempre um maiô preto e saltos altos, ela comanda um programa de auditório fictício, repleto de quadros absurdos, remanescente dos formatos televisivos brasileiros tradicionais.

A ideia por trás de Marisa Maiô é do carioca Raony Phillips, um ator, ilustrador, roteirista e criador de conteúdo que já era conhecido por projetos como Girls in the House, série feita com bonecos do The Sims. Raony define roteiros minuciosamente antes de gerar vídeos de até 8 segundos pela IA, depois costurando esses trechos num episódio completo.

O motor por trás da personagem é o modelo de geração de vídeo ultrarrealista do Google, chamado Veo. Os primeiros vídeos foram criados com o Veo 2 e, nos mais recentes, já foi usado o Veo 3, adaptado para síntese de falas, expressões faciais, ambientação e trilha sonora de forma fluida e sincronizada. A tecnologia permite, com simples descrições textuais, produzir cenas com plateia, repórteres de rua, convidados caricatos e edições ágeis.

https://www.youtube.com/watch?v=hh-ccAR9J1s&pp=ygUacHJvZ2FybWEgbWFyaXNhIG1haW8gZSBvbHg%3D

A estreia de Marisa ocorreu em 3 de junho de 2025, com episódios curtos que viralizaram nas redes X (antigo Twitter), Instagram e TikTok, superando a marca de 1,7 milhão de visualizações em poucos dias e alcançando memes, virais e até trending topics. Fatos como uma médica perguntada sobre espinhas (famosa pela frase “É só parar de ter”) e quadros com adoção improvisada tornaram-se emblemáticos da personagem.

Além do entretenimento, o fenômeno Marisa Maiô acende debates sobre autenticidade, ética e o futuro da criação digital. A personagem desafia nossa percepção da realidade, atiça discussões sobre deepfakes, identidade virtual e as novas fronteiras da criatividade, mostrando que, no entrelaçamento entre humanidade e IA, essas figuras híbridas tendem a ganhar cada vez mais espaço.

A criação da personagem com a IA Veo 3 do Google

Marisa maiô é a primeira personagem de ia a ganhar contrato publicitário olx e magalu. Foto: reprodução / internet.
A personagem foi desenvolvida por Raony Phillips utilizando o modelo Veo 3, do Google. Foto: Reprodução / Raony Phillips.

A criação da personagem Marisa Maiô com a IA Veo 3 do Google diferente de vídeos gerados com filtros ou deepfakes, o processo envolve um roteiro completo, comandos descritivos e a montagem de cenas totalmente inéditas. A seguir, mostramos um exemplo de como seria um passo a passo típico para gerar um trecho do programa de Marisa usando o modelo Veo 3.

Passo 1: acesso à plataforma da IA Veo 3

Para começar a criar vídeos com o modelo Veo 3, é necessário assinar um dos planos pagos do Google AI, com valores a partir de R$ 96,99 por mês. Não há versão gratuita para o público geral, mas estudantes podem solicitar uma assinatura gratuita por um ano do plano Google AI Pro, utilizando um e-mail educacional válido. Após a assinatura, você pode escolher entre duas plataformas para usar o Veo 3: o Gemini, ideal para gerar vídeos rápidos com base em prompts de texto, ou o Flow, uma ferramenta mais avançada que permite editar, transformar frames e exportar vídeos em resolução maior (até 1080p).

No Gemini, basta acessar a aba “Vídeo”, digitar um comando de texto e aguardar alguns minutos. No Flow, é possível iniciar um novo projeto e optar entre criar a partir de texto ou transformar imagens em vídeos dinâmicos.

Passo 2: escrita do prompt para o modelo

Antes de qualquer uso da IA, o criador da personagem, Raony Phillips, escreve cuidadosamente todo o roteiro do episódio. Cada fala, expressão facial, corte de câmera e entonação é pensado previamente. Como o Veo gera vídeos curtos (entre 4 e 8 segundos), é necessário dividir o roteiro em trechos bem delimitados, cada um com uma instrução clara. Com o roteiro pronto, cada trecho é transformado em um prompt textual. Por exemplo:

Mulher de meia-idade, cabelo escuro, maiô preto e salto alto, está em um palco iluminado, olhando para a câmera, diz com sarcasmo: ‘A culpa é do filtro solar?’”. 

O modelo interpreta essa descrição e gera um vídeo com base nela, incluindo cenário, voz, entonação e gestos. Nem sempre o vídeo gerado sai perfeito. Por isso, é comum repetir o prompt com pequenas alterações até atingir o tom desejado. O criador pode ajustar detalhes como a emoção facial, ritmo da fala, enquadramento da câmera e estilo visual da cena.

Passo 3: edição e publicação

Após gerar os trechos com o Veo 3, os vídeos são baixados e editados em um software de montagem convencional (como Adobe Premiere ou DaVinci Resolve). Nessa fase, o criador costura as falas, insere vinhetas, efeitos sonoros, cortes e músicas, criando a estrutura de um programa de auditório completo. Com o episódio finalizado, o conteúdo é adaptado para redes sociais como TikTok, Instagram e X, podendo ser adicionadas legendas automáticas, thumbnails e cortes pensados para viralizar.

A participação em campanhas publicitárias

Marisa maiô é a primeira personagem de ia a ganhar contrato publicitário olx e magalu. Foto: reprodução / internet.
Marisa Maiô estreou em campanhas publicitárias de Magalu e OLX. Foto: Reprodução / Raony Phillips.

Marisa Maiô fez sua entrada triunfal no universo comercial ao estrelar a campanha de Dia dos Namorados do Magalu em junho de 2025. No formato de um segmento cômico em seu “programa de auditório”, ela conduziu esquetes irreverentes, como encontros de casais e situações de traição, tudo com seu humor ácido característico. A campanha culminou com a revelação de que seu famoso maiô preto “vem do Magalu”, transformando o visual icônico em objeto de desejo e merchandisado com cupons de desconto para os consumidores.

A Magalu assumiu um posicionamento inteligente ao inserir Marisa Maiô em um momento culturalmente relevante. Segundo Aline Izo, gerente sênior de marketing do Magalu, a ação visava “participar das conversas nas quais a audiência está inserida”, unindo humor e tecnologia. O formato se mostrou eficaz para reforçar a marca como destino de presentes para a data, incluindo perfumes, vinhos, eletrônicos e até o próprio maiô da personagem.

A campanha trouxe espontaneidade: Marisa entrevistou convidados caricatos – como um casal de lésbicas e um marido distraído –, e direcionou o humor para situações cotidianas em que o Magalu oferecia soluções. A conexão foi feita de forma orgânica, com inserções leves do merchandising incorporadas ao humor e narrativa fictícia, mantendo coerência com o estilo de programa que consagrou a personagem nas redes.

Poucos dias depois da campanha com o Magalu, a OLX também aproveitou o sucesso da personagem e lançou um vídeo especial. Nele, Marisa faz uma recomendação direta para quem está procurando um carro: “Vai de OLX!”. A ação de merchandising foi integrada ao conteúdo de forma cômica, com participação da repórter Juliana — outra personagem do programa — o que reforça o formato de “talk show” nonsense e fortalece o universo próprio criado por Raony. Foi uma entrada sutil, mas eficaz, da marca em um espaço onde a audiência já está engajada.

Tanto Magalu quanto OLX acertaram ao explorar a linguagem nativa da personagem, respeitando seu estilo debochado, rápido e atual. Ao invés de transformar Marisa em um simples outdoor ambulante, as marcas se adaptaram ao universo dela. O resultado foram inserções de produto que mais parecem parte da história do que propagandas diretas. Isso ajudou a manter a autenticidade do conteúdo e reforçou o apelo junto ao público jovem, especialmente nas redes como TikTok e Instagram.

Outros exemplos de IAs na publicidade

Marisa maiô é a primeira personagem de ia a ganhar contrato publicitário olx e magalu. Foto: reprodução / internet.
Influenciadores virtuais como Lil Miquela, Shudu e Imma também já protagonizaram campanhas de grandes marcas. Foto: Reprodução / Virtual Humans.

Com o avanço da inteligência artificial, a publicidade tem explorado novas fronteiras criativas por meio de personagens totalmente digitais. Esses influenciadores virtuais — criados com tecnologia que vai desde animação em CGI até IA generativa — estão conquistando espaço em campanhas publicitárias de grandes marcas ao redor do mundo. Marisa Maiô é um exemplo brasileiro recente desse movimento, mas ela não está sozinha. Outras figuras já protagonizaram anúncios, desfiles e até lançamentos de produtos, conectando marcas a públicos jovens de forma inovadora e provocadora.

Entre os nomes mais conhecidos está Lil Miquela, uma influenciadora virtual criada pela startup Brud, nos Estados Unidos, em 2016. Desenvolvida com CGI e posteriormente incorporando elementos de IA para responder a interações, Miquela já estrelou campanhas para marcas de peso como Calvin Klein, Prada, Samsung e Nike. Com visual teen e posicionamento político engajado, ela se consolidou como uma personalidade digital híbrida de música, moda e lifestyle, abrindo caminho para outros avatares no marketing.

Outro exemplo é Shudu, a primeira supermodelo virtual do mundo, criada em 2017 pelo fotógrafo britânico Cameron-James Wilson. Seu visual ultrarrealista — fruto de modelagem em 3D e renderização com IA gráfica — chamou atenção de marcas como Balmain e Fenty Beauty, de Rihanna. Apesar das discussões sobre representatividade que sua criação provocou, Shudu revelou o potencial da IA como ferramenta para repensar o conceito de beleza e a construção de identidade na publicidade.

Na Ásia e Europa, o movimento ganhou ainda mais força com personagens como Imma e Noonoouri. Imma, criada por uma empresa japonesa especializada em CGI, é conhecida por seu cabelo rosa e visual moderno, tendo participado de campanhas da IKEA, Diesel, e até da Porsche. Já Noonoouri, um avatar com traços cartunescos desenvolvido pelo designer alemão Jörg Zuber, estrelou ações de marcas como Dior, Gucci, Burberry e colaborou com o Alibaba no mercado de luxo chinês. Ambas foram desenvolvidas digitalmente e, com o suporte de inteligência artificial, ganharam vida nas redes sociais, interagindo com o público em tempo real.

Na Espanha, a influenciadora virtual Aitana López também tem ganhado destaque. Criada por IA para representar o nicho fitness e fashion, ela já conta com centenas de milhares de seguidores e realizou ações com marcas como Olaplex e Intimissimi. A personagem é gerenciada por uma agência de modelos digitais e alimentada por algoritmos que definem desde sua rotina de postagens até posicionamentos de marca. Na Índia, a personagem Kyra, também criada por IA, firmou parcerias com Amazon Prime Video e John Jacobs, além de aparecer na capa digital de revistas como Travel + Leisure.

Algumas campanhas exploram a IA diretamente como produtora de vídeos publicitários completos, como foi o caso da ferramenta TikTok Symphony, que gera anúncios inteiros com avatares IA interagindo com produtos, e do comercial da plataforma de apostas Kalshi, exibido durante as finais da NBA. O anúncio, gerado com o modelo Google Veo 3, custou apenas US$ 2 mil e foi criado em menos de três dias — uma revolução no modelo de produção audiovisual.

Todos esses casos apontam para uma mudança significativa na publicidade: personagens gerados por IA deixaram de ser experimentos e passaram a ocupar protagonismo em narrativas de marca, conectando alta tecnologia com criatividade e presença digital.

Já conhecia a Marisa Maiô? Conta pra gente abaixo nos comentários!

Veja também:

Fonte: Meio e Mensagem.

Revisão do texto feita por: Daniel Coutinho em 17/06/2025


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