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Eliminar Células-Zumbi pode retardar o envelhecimento, afirma estudo

Ciência e Tecnologia

Eliminar Células-Zumbi pode retardar o envelhecimento, afirma estudo

Pesquisa conclui que é possível, através de testes laboratoriais com ratos, eliminar células velhas e manter a saúde do corpo.

Matar células que não morrem por conta própria se mostrou ser uma ótima estratégia para combater a idade, ao menos em ratos. Agora, esta pode ser útil em humanos também.

Em 2000, Jan van Deursen criou camundongos transgênicos que não tinham a aparência desejada, já que eles pareciam decrépitos. Eles não demonstraram os tumores que eram esperados pelo cientista, mas sim, uma estranha doença. Ao completarem 3 meses de idade, os ratos apresentaram pelagem fina e seus olhos acabaram tendo cataratas. Ele levou um ano para descobrir o porquê: os ratinhos estavam envelhecendo rapidamente. Seus corpos continham células que não se dividiam, mas que também não morriam.

Testes em ratos de laboratório

Isso deu a van Deursen e a seus colegas na Clínica Mayo em Rochester, Minnesota, uma ideia: “matar essas células-zumbi dos ratos faria com que seu processo de envelhecimento precoce fosse adiado?” A resposta foi sim. Em 2011, o time descobriu que eliminando essas células senescentes, desfizeram-se vários problemas da velhice. Essa descoberta levou a outras similares.

Desde então, o time fez dúzias de experimentos que comprovaram que células velhas ficam acumuladas em órgãos. Ao eliminá-las, poderiam prevenir ou curar certas doenças. Em 2017, o estudo comprovou que a limpeza nas células restaurou a “boa-forma” dos camundongos, bem como de seus respectivos rins e pelagem. Além disso, a tática se provou útil contra doenças nos pulmões e até contra cartilagem danificada. Em 2016, os cientistas foram capazes de estender a vida normal de um rato não-transgênico.

Em 2008, três grupos de pesquisa no Instituto Buck de Pesquisa a Idade na Califórnia, com Judith Campisi inclusa, revelaram que células senescentes excretam algumas moléculas – incluindo citocinas, fator de crescimento e proteases – que afetam a função de células próximas e provocam inflamação local. O grupo de Campisi descreveu este tipo de atividade como fenótipo secretor associado a senescência da célula. Num trabalho recente, o time dela identificou centenas de proteínas envolvidas nessa atividade.

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Segundo Manuel Serrano, em células novas e saudáveis, essas secreções são provavelmente parte de um processo restaurativo pelo qual as células danificadas estimulam o reparo de tecidos próximos e emitem um sinal de alerta. Assim, o sistema imunológico os elimina.  A partir de certo ponto, células senescentes começam a se acumular, podendo gerar osteoartrite e aterosclerose. Ninguém tem certeza do porquê isto acontece. Provavelmente é porque o sistema imunológico para de responder a essas células.

Com a ajuda do marcador de senescência molecular de Valery Krizhanovsky no Instituto de Ciência Weizmann em Rehovot, Israel. Foi descoberto que em ratos mais jovens, não havia mais de 1% de células senescentes em qualquer órgão. Em camundongos de 2 anos de idade, entretanto, até 20% das células eram senescentes em alguns órgãos.

Senolíticos assassinos de células

Em 2015, Daohong Zhou e seus colegas na Universidade de Ciências Médicas de Arkansas, em Little Rock, identificaram um composto senolítico conhecido como navitoclax, que inibe duas proteínas da família BCL-2 que geralmente ajudam as células a sobreviverem. Descobertas similares foram feitas logo após nos laboratórios de James Kirkland e Valery Krizhanovsky. Até agora, 14 senolíticos foram descritos na literatura, incluindo pequenas moléculas, anticorpos e, em março deste ano, um peptídio que ativa um “caminho” de morte celular e pode restaurar pelos brilhantes e dar uma forma física melhor aos ratos que estão envelhecendo.

Por enquanto, cada senolítico mata um tipo particular de célula senescente. Logo, atingir as várias doenças causadas pela velhice irá precisar de múltiplos tipos de senolíticos. “É isso que vai tornar tudo tão difícil: cada célula senescente pode ter uma forma diferente de se proteger, então teremos que encontrar combinações de drogas para eliminá-las por completo” diz Laura Niedernhofer. A Unity Biotecnology, empresa co-fundada por van Deursen, possui um atlas gigante documentando cada célula senescente e sua doença relacionada; suas respectivas fraquezas e como explorá-las; e o tipo de química necessária para fazer a droga correta para um tecido em particular.

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Drogas ainda estão em desenvolvimento

Drogas senolíticas

Apesar de todos os desafios, as drogas senolíticas possuem diversas qualidades atrativas. As células senescentes precisarão, provavelmente, serem eliminadas somente uma vez ao ano, para prevenir ou retardar doenças. Então, a droga só ficará presente no corpo um curto período de tempo. Este tipo de tratamento reduziria os efeitos colaterais e, além disso, as pessoas poderiam fazê-lo em períodos específicos de saúde normal. A Unity planeja injetar os compostos diretamente no tecido doente, como nas juntas de um joelho em casos de osteoartrite, ou na parte de trás do olho de alguém com degeneração macular causada por idade avançada.

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Diferentemente do câncer, em que uma única célula restante pode gerar um novo tumor, não há a necessidade de matar todas as células senescentes em um tecido. Estudos feitos em ratos de laboratório indicam que ao se desfazer da maioria destas células, o resultado já é bom o suficiente para fazer a diferença. Por fim, as drogas senolíticas irão somente eliminar as células já existentes, ou seja, não irão prevenir a formação de novas células. Isso que significa que a senescência pode continuar a cumprir seu papel de suprimir tumores em nosso corpo.

Enquanto pesquisadores estão ansiosos para implementar terapias anti-idade, ainda não é indicado o uso dessas drogas.  Muitos testes ainda estão sendo feitos. “É muito perigoso,” diz Kirkland.

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Perde tempo lendo sobre jogos e tecnologia enquanto sofre na vida de acadêmico de Ciência da Computação. Perde mais tempo ainda jogando Dota 2.

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