Review: death stranding 2 mostra porque hideo kojima é genial

REVIEW: Death Stranding 2 mostra porque Hideo Kojima é genial

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Kojima aprimora diversos aspectos do primeiro jogo e entrega uma das experiências mais únicas e confusas dos videogames

Desde que se separou da Konami, Hideo Kojima embarcou em uma nova fase como desenvolvedor independente e lançou Death Stranding, uma experiência singular que misturou narrativa cinematográfica com jogabilidade contemplativa. Com astros como Norman Reedus, Mads Mikkelsen e Léa Seydoux, o jogo conquistou uma legião de fãs e críticas divididas. Agora, seis anos depois, Death Stranding 2: On The Beach promete aprofundar essa jornada com ainda mais ambição, mas será que a nova aventura de Sam Bridges consegue superar as expectativas e justificar seu retorno? Confira a seguir na nossa análise de Death Stranding 2.

História

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Estilo cinematográfico de Kojima em destaque. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

Desde os tempos de Metal Gear, Hideo Kojima demonstrou uma forte vocação cinematográfica ao narrar suas histórias, característica que atingiu seu ápice em Death Stranding, contando com astros renomados como Norman Reedus, Léa Seydoux e Mads Mikkelsen. Esse estilo marcante continua em Death Stranding 2: On The Beach, mantendo o elenco estelar e entregando uma continuação direta. A narrativa é fascinante, repleta de momentos impressionantes, mas permanece com aquele mesmo tom intrigante e por vezes confuso, típico das obras de Kojima.

Em relação à história de Death Stranding 2, o jogo reaproveita bastante os elementos já introduzidos no primeiro título. Embora exista uma breve recapitulação disponível para situar novos jogadores, muitos eventos, personagens e contextos específicos terão um impacto mais profundo para quem já está familiarizado com o universo. Isso não inviabiliza a experiência para estreantes, porém, fica claro que a imersão e entendimento são mais enriquecidos para quem acompanhou a jornada original de Sam Bridges.

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Narrativa densa, personagens ainda brilhantes. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

Ainda que Death Stranding 2 apresente uma narrativa mais refinada, algumas peculiaridades frequentes no trabalho de Kojima persistem. O excesso de exposição narrativa é evidente, com personagens repetindo informações importantes constantemente. Além disso, muitos diálogos têm uma sensação estranha devido à passividade de Sam Bridges, frequentemente limitando-se a ouvir enquanto outros personagens detalham eventos cruciais. Outro vício recorrente do diretor é sua literalidade, resultando em nomes de personagens e poderes demasiadamente óbvios.

Por outro lado, quem apreciou a proposta do primeiro Death Stranding certamente encontrará valor no segundo jogo. As temáticas fundamentais foram mantidas, agora ampliadas em uma escala ainda maior e com cenas cinematográficas muito mais elaboradas. Contudo, Kojima não simplificou a narrativa para atingir públicos mais amplos, mantendo sua complexidade característica. Por consequência, os jogadores poderão precisar acessar ocasionalmente a enciclopédia interna do jogo para compreender totalmente determinados elementos da história.

Mesmo com os ocasionais exageros narrativos característicos de Kojima, sua capacidade de construir personagens segue impecável em Death Stranding 2. Os protagonistas que retornam da aventura anterior apresentam camadas mais profundas e desenvolvidas, enquanto os novos rostos introduzidos são igualmente cativantes. São justamente esses personagens que sustentam e enriquecem a narrativa, já que acompanhar suas interações, dilemas e desenvolvimento emocional ao longo da história é o que torna a experiência realmente envolvente.

Dentre as novidades, Neil Vana, personagem que desde os primeiros trailers lembrava bastante o icônico Solid Snake, é um dos grandes destaques. Interpretado por Luca Marinelli, um ator que Kojima já havia declarado anteriormente ser perfeito para o papel do lendário soldado, Vana conquista rapidamente a atenção. Embora seja curioso que, em quase todas as suas aparições, ele precise colocar a faixa na cabeça em uma evidente referência à série Metal Gear, o personagem possui carisma próprio, e suas batalhas certamente figuram entre os momentos mais empolgantes e memoráveis do jogo.

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Vana ecoa Snake com carisma próprio. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

Então, mesmo com seus altos e baixos, a narrativa de Death Stranding 2: On The Beach é suficiente para atrair a atenção dos jogadores por muito tempo, mas mesmo mais ambiciosa, ela não tenta inovar em alguns aspectos, pelo contrário, se mantém com a mesma estrutura do primeiro. Logo, quem já gosta, vai amar essa nova narrativa, entretanto, não vai agradar quem já tem um pé atrás. 

Jogabilidade

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Entregas desafiadoras, recompensas cada vez maiores. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

A jogabilidade de Death Stranding 2: On The Beach mantém o mesmo ciclo básico do primeiro jogo, com Sam Bridges focado principalmente em fazer entregas enquanto enfrenta desafios ao longo do caminho. Esses obstáculos incluem a topologia complexa do cenário, inimigos e condições climáticas adversas. Sendo assim, na maior parte do tempo, os jogadores vão cruzar terrenos difíceis, agora com a missão de conectar inicialmente o México e posteriormente a Austrália, ao invés dos Estados Unidos como no título anterior.

Nas primeiras horas do jogo, as entregas podem parecer exaustivas, já que Sam ainda não tem acesso a muitos recursos que simplificam suas viagens. No entanto, conforme as missões são concluídas, novos equipamentos e veículos são desbloqueados, tornando as entregas significativamente mais leves. Curiosamente, à medida que esses recursos se tornam disponíveis, surge também uma vontade maior de explorar o mundo aberto do jogo, transformando aquilo que antes era um desafio frustrante em uma atividade mais prazerosa e recompensadora.

Enquanto a missão principal oferece um charme único, as missões secundárias são notavelmente mais simples, girando basicamente em torno do mesmo ciclo: encontrar itens espalhados pelo cenário e entregá-los a diversos personagens. O grande atrativo dessas tarefas adicionais acaba sendo conferir quais celebridades ou personalidades Hideo Kojima convenceu a participar do jogo. Algumas dessas participações são bastante surpreendentes, sendo divertidas justamente pelo inesperado fator “celebridade” envolvido.

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Combate criativo porém com certas dificuldades nos elementos de ação. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

A parte da jogabilidade que sofreu as maiores melhorias em Death Stranding 2 foi, sem dúvidas, o combate e os elementos de ação. Lidar com inimigos agora é uma tarefa divertida graças às novas opções adicionadas ao arsenal de Sam. É possível adotar diferentes abordagens durante os conflitos, seja enfrentando diretamente, utilizando técnicas furtivas, ou até mesmo evitando completamente o confronto e lutando apenas quando absolutamente necessário por exigências da história.

Expandindo ainda mais essa questão, o combate contra chefes em Death Stranding 2 é um dos aspectos mais interessantes do jogo. Embora nem todas as batalhas sejam particularmente difíceis, o conceito e a narrativa por trás desses encontros são extremamente bem desenvolvidos. Com isso, algumas lutas não proporcionam prazer simplesmente por causa da dificuldade ou da sensação de desafio superado, mas sim pela forma como elas são construídas e apresentadas, resultando em momentos realmente memoráveis dentro da experiência.

Sobre a dificuldade geral da jogabilidade, não se sente um grande desafio durante a maior parte do tempo. Os momentos mais complicados normalmente surgem quando o veículo fica preso em terrenos complicados ou quando uma rota equivocada é escolhida para fazer uma entrega. Mesmo com as notáveis melhorias no combate, as batalhas continuam sendo acessíveis e não apresentam grandes barreiras, o que pode agradar ou decepcionar dependendo do perfil do jogador.

Por fim, vale destacar que Death Stranding 2 mantém os elementos online já conhecidos do primeiro jogo. Embora essas funcionalidades tornem a experiência mais fácil, já que as construções feitas por outros jogadores ajudam bastante na exploração do mapa, elas também são parte fundamental da proposta original de Kojima. Jogar sem esses recursos tornaria o jogo mais desafiador, porém, ao mesmo tempo, removeria uma camada essencial das temáticas sobre conexão e cooperação idealizadas pelo diretor.

Performance e gráficos

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Direção de arte com texturas refinadas. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

A direção artística de Death Stranding 2: On The Beach permanece excepcional, entregando cenários que impressionam pela beleza e pelo nível de detalhamento. Momentos de pura contemplação, como escalar uma montanha e apreciar o panorama do topo, oferecem uma experiência memorável que poucos jogos proporcionam, similar à sensação única em The Legend of Zelda: Breath of The Wild. Além disso, os elementos surrealistas característicos das obras de Kojima continuam presentes, adicionando uma dimensão intrigante e criativa ao título.

Complementando a excelente direção artística, a qualidade das texturas em Death Stranding 2 impressiona da mesma forma. Apesar dos mapas serem enormes, o jogo mantém uma atenção rigorosa aos detalhes, proporcionando uma experiência visual consistente e rica em profundidade. Cada cenário, desde desertos áridos e florestas exuberantes até regiões costeiras, possui particularidades únicas que enriquecem a experiência de exploração, então, os desenvolvedores deram uma boa atenção a esses detalhes, principalmente considerando que as paisagens da Austrália são bem diferentes das vistas na América do Norte.

Ainda assim, é perceptível que alguns cenários receberam um tratamento mais minucioso do que outros, principalmente durante os combates contra bosses. Um destaque notável é a primeira aparição de Neil Vana, ambientada em um cenário que lembra um parque de diversões consumido pelas chamas, criando uma das cenas mais bonitas de todo o jogo. Embora outros ambientes sejam mais simples em comparação, isso não prejudica a qualidade geral do jogo, mantendo o padrão visual alto e uma coerência artística que permeia toda a experiência.

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Estabilidade impressionante, cutscenes visualmente deslumbrantes. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

O desempenho técnico também merece destaque, especialmente ao considerar o escopo ambicioso do jogo. Jogando em um PlayStation 5 base, a performance se mantém consistentemente alta, mesmo em situações intensas com múltiplos inimigos simultaneamente na tela. A estabilidade do jogo é surpreendente, refletindo uma otimização bem executada e garantindo uma experiência fluida e agradável, sem quedas perceptíveis que possam prejudicar a imersão dos jogadores.

No entanto, ao optar pelo modo que prioriza qualidade visual, é possível notar quedas de performance mais evidentes. Apesar da melhoria gráfica ser visível em alguns elementos de iluminação e texturas, o impacto no desempenho acaba não compensando esses ganhos. A fluidez é comprometida em momentos chave, tornando o modo performance a escolha mais recomendada para quem busca uma experiência mais estável e responsiva.

Embora os gráficos durante o gameplay já sejam impressionantes, as cutscenes revelam a verdadeira excelência visual de Death Stranding 2. Essas sequências são detalhadas, visualmente exuberantes e reforçam ainda mais o estilo cinematográfico apaixonado de Hideo Kojima. Assistir às cutscenes é uma experiência gratificante e imersiva, porém é importante que os jogadores estejam preparados, já que algumas dessas cenas podem ser bastante extensas, exigindo paciência e atenção redobrada.

Além da qualidade técnica impecável, as cutscenes brilham especialmente pela sua narrativa envolvente e variada. Ao longo do jogo, as cenas alternam entre momentos tranquilos e leves, com interações amigáveis entre personagens, até momentos dramáticos e emocionalmente intensos, capazes de tocar profundamente quem está assistindo. Essa diversidade narrativa enriquece a experiência geral, garantindo que cada cutscene contribua significativamente para o envolvimento do jogador com a trama.

Trilha sonora

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Trilha sonora imersiva e precisa assim como no primeiro jogo. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

Um dos aspectos mais atraentes nos jogos de Hideo Kojima sempre foi a maneira cuidadosa como ele seleciona as músicas de suas obras, frequentemente dando espaço para bandas menores ou independentes, algo claramente perceptível no primeiro Death Stranding. Em Death Stranding 2: On The Beach, essa tradição se mantém forte, entregando uma trilha sonora excepcional que se destaca como um dos melhores elementos do jogo, especialmente ao acompanhar o jogador em longas e contemplativas viagens pelo cenário.

A seleção musical de DS2 é excelente, praticamente sem falhas. Desde as músicas com vocais que surgem em momentos chave das jornadas de Sam Bridges, até as faixas instrumentais cuidadosamente utilizadas para estabelecer o tom das cenas mais dramáticas, tudo funciona harmoniosamente. Essa experiência sonora, quando combinada com a direção artística e narrativa, eleva significativamente o impacto e a qualidade geral do jogo.

Uma das melhores mecânicas introduzidas em Death Stranding 2 é a possibilidade de construir playlists personalizadas. Após ajudar um personagem músico no jogo, Sam ganha acesso à ferramenta que permite customizar as músicas durante suas viagens pelo mapa. Embora haja limitações, como não funcionar em áreas ainda não conectadas à rede chiral ou momentos específicos com trilhas sonoras predefinidas, essa função é extremamente bem-vinda e deveria se tornar algo mais frequente em outros jogos do gênero.

Preço e disponibilidade

Death Stranding 2: On The Beach está disponível exclusivamente para PlayStation 5 e pode ser adquirido por R$ 349,99 na PlayStation Store, em sua versão digital. O mesmo valor também é praticado em lojas físicas como a Amazon, onde o jogo está disponível em mídia física. Até o momento, não há versões confirmadas para outras plataformas.

Conclusão

Review: death stranding 2 mostra porque hideo kojima é genial
Visão autoral que desafia convenções AAA. (Imagem: Reprodução/Kojima Productions)

Death Stranding 2: On The Beach demonstra claramente porque Hideo Kojima é considerado uma das mentes mais brilhantes e criativas da indústria dos videogames. Algumas escolhas feitas pelo desenvolvedor parecem estranhas ou até mesmo inusitadas, algo que dificilmente se veria em qualquer outro título AAA, mas Kojima possui a coragem e ousadia de abraçar esses conceitos únicos, tornando-os fundamentais para a experiência do jogador. Mesmo cometendo pequenos deslizes pelo caminho, a genialidade do criador garante que o jogo entregue algo realmente memorável.

Ainda que a narrativa apresente alguns problemas pontuais de ritmo ou excesso de exposição, ela continua sendo empolgante e envolvente, especialmente para aqueles que gostaram da história do primeiro jogo. Já a jogabilidade, graças às melhorias introduzidas, é satisfatória e muito mais refinada, principalmente nas cenas de ação e combate. Em resumo, Kojima prova novamente que sua visão única pode até dividir opiniões, mas certamente continuará conquistando fãs e redefinindo os limites dos videogames.

E você, o que achou do nosso review de Death Stranding 2? Conte para gente nos comentários!

Veja mais:

Texto revisado por Alexandre Marques em 22/06/2025.


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