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Lançado como uma nova aposta da Nintendo para revitalizar uma de suas franquias mais clássicas, Donkey Kong Bananza chega com a promessa de misturar nostalgia e inovação em uma combinação mais gostosa que um bom banana split no Nintendo Switch 2. Nesta análise, vamos explorar como o título resgata o charme dos antigos jogos da série e, ao mesmo tempo, traz novas mecânicas, desafios e visuais repaginados para conquistar tanto os fãs de longa data quanto uma nova geração de jogadores. Será que o jogo faz jus ao legado de Donkey Kong ou se embanana todo na tentativa de modernizar a fórmula? E sim, terão alguns trocadilhos com bananas ao longo do artigo.

História
Donkey Kong nunca foi exatamente uma franquia de videogame com uma história detalhada e profunda em cada título. Basicamente tudo se resumia à DK enfrentando diferentes inimigos que tinham roubado suas preciosas bananas. E aqui em Donkey Kong Bananza não é diferente. O game começa com nosso querido protagonista peludo escavando minérios de banândios (eu continuo sem entender direito se são apenas pedras ou frutas de verdade), e precisa enfrentar a Void Company, uma empresa de mineração gananciosa que roubou e escondeu todos os banândios com planos de destruir os mundos subterrâneos.

A história começa a se diferenciar dos títulos anteriores da série com a introdução da jovem Pauline, uma cantora tímida que deseja voltar à superfície e que fez sua primeira aparição no jogo original de Donkey Kong como a donzela em perigo, lá nos anos 1980. Somente com a ajuda de DK ela pode chegar ao núcleo do planeta e realizar seu maior desejo, enquanto ajuda seu amigo grandalhão com o poder de sua voz a enfrentar vários desafios e coletar todos os banândios espalhados pelas camadas subterrâneas.

As interações entre DK e Pauline estão entre alguns dos melhores momentos do game, com a dublagem da personagem em português tornando todas as situações mais divertidas e carismáticas. Aliás, todo o jogo está localizado em português-brasileiro – algo inédito para os títulos exclusivos da Nintendo – contando com traduções engraçadas e nomes bem bolados para tornar a experiência do jogo muito mais confortável para os jogadores brasileiros.
Além disso, fãs de longa data da série devem ficar atentos às referências aos jogos antigos e velhos amigos de DK como Cranky e Dixie Kong, entre outros. Mesmo sendo um jogo com exploração em 3D, o jogador também pode topar com segmentos em 2D como níveis do clássico Donkey Kong Country na selva ou mesmo cruzando uma mina abandonada em um carrinho descontrolado.

Jogabilidade
Com total liberdade para destruir o cenário à sua volta – graças a nova tecnologia de Voxels implementada pela Nintendo – é difícil focar nos objetivos principais de Donkey Kong Bananza, mesmo nas primeiras horas de gameplay. Afinal de contas, socar é sua principal atividade, uma vez que três dos quatro principais botões do Nintendo Switch 2 são dedicados somente a socar, sendo que a opção de pular é mudada de B para A. E destruir tudo que você encontra pela sua frente é simplesmente satisfatório demais!

Porém, a principal dúvida que muitos jogadores podem ficar é “se quase todo cenário é destrutível, isso não pode prejudicar a movimentação do jogador se ele destruir muitas coisas”? Felizmente, a Nintendo cuidou desse problema ao disponibilizar uma opção de “restaurar o terreno” pela tela do mapa. Além disso, DK pode escalar também quase qualquer superfície, então será muito difícil se encontrar preso em algum lugar. E acreditem, você vai se enfiar em cada buraco do mapa para encontrar as preciosas bananas…
Ao melhor estilo das profundezas de Zelda Tears of the Kingdom, DK e Pauline irão descer por várias camadas do planeta e encontrar diferentes ambientes para recuperar as bananas e derrotar os membros da Void Company e suas criações malignas. Além de dar dicas à DK e incentivá-lo, Pauline pode usar a sua voz para romper lacres e indicar a direção do próximo objetivo. Isso sem falar que as roupas que tanto ela como DK utilizam podem dar diferentes vantagens nas batalhas ou movimentação.

E não pense que você precisa coletar cristais de banândio só pra satisfazer o apetite guloso de DK, pois eles são essenciais para adquirir pontos de habilidade que permitem ao jogador aumentar e desbloquear golpes especiais do macacão. A cada cinco bananas coletadas, um novo ponto é conquistado e você pode montar um conjunto de habilidades personalizado para enfrentar diferentes desafios.

Da mesma forma que em Super Mario Odyssey (que foi desenvolvido pelo mesmo time de Bananza), o jogador pode trocar fósseis coletados pelas camadas por diferentes trajes para “estilizar” as personagens. E além de fósseis, não se esqueça de coletar todas as pepitas de ouro que encontrar pelo caminho, pois elas são essenciais para ativar os poderes Bananza (Kong, Zebra, Avestruz, Elefante e Cobra). Ao utilizar cada uma das transformações, DK ganha um boost de força em seus ataques, além de habilidades especiais como correr mais rápido e voar (sem falar que você ainda é acompanhado por um hit personalizado cantado por Pauline).
Falando em Pauline, ela tem um uso similar ao do boné Cappy de Super Mario Odyssey quando o jogo está em modo multiplayer online ou local: o segundo jogador pode controlar a voz da personagem e lançar poderosas onomatopeias como “YEAH” pelo ar e destruir parte do terreno para ajudar DK. O melhor de tudo é que no modo local até mesmo usuários do Nintendo Switch Original podem jogar com outro jogador, mesmo não tendo uma cópia do jogo em seu console.

Mas não é apenas Pauline que fica por conta da música no game, pois o jogo conta com uma excelente trilha sonora com batidas que remetem às melodias clássicas da série. Não se surpreenda se na subcamada do Resort você decidir tirar uma pausa e pedir uns drinques de banana enquanto relaxa ao calmo som da música do nível subterrâneo. Porém, talvez o som que mais fique na cabeça do jogador após passar horas explorando o mundo subterrâneo será “BANANA”, uma vez que essa palavra será ouvida em alto e bom som a cada banana coletada pela nossa dupla.

Por fim, vale a pena comentar sobre o modo DK Artist, que permite ao jogador se divertir montando esculturas de pedra de seus personagens preferidos utilizando os novos Joy-cons para adicionar detalhes, mudar texturas e criar efeitos personalizados. E se você ainda achar que isso é pouca diversão, o jogo também conta com um Modo Foto para aproveitar as belíssimas paisagens do game e poses diferentes da dupla para capturar a foto perfeita!

Gráficos e bugs
Quando o jogo foi inicialmente anunciado, muitos especialistas em hardware/software questionaram se Donkey Kong Bananza não poderia ter sido lançado para o primeiro Nintendo Switch. Afinal de contas, o time de desenvolvedores responsável pelo título era a mesma equipe por trás de Super Mario Odyssey, de 2017. Para deixar claro que a experiência de gameplay e visual não seria compatível com as capacidades do hardware do Nintendo Switch, no volume 19 do “Ask the developer (Pergunte ao desenvolvedor, em português)” da Nintendo, a equipe de desenvolvedores deixou os detalhes da programação do jogo mais claros.

O produtor Kenta Motokura e o desenvolvedor Wataru Tanaka mostraram uma imagem comparativa do jogo rodando no Nintendo Switch original e no novo Nintendo Switch 2. Para não sacrificar as taxas de quadro por segundo, a equipe não podia inserir muitos objetos quebráveis nos cenários utilizando o hardware do Switch original. Porém, com a potência do Switch 2, os desenvolvedores podiam inserir muito mais elementos que, além de deixarem os cenários mais ricos visualmente, permitiam ao jogador quebrar muito mais objetos ao seu redor.
Saber que essa decisão foi a correta a ser tomada fica evidente desde o primeiro mundo que o jogador visita no game. A taxa de quadros se mantém em estáveis e “macios” 60 FPS, com algumas quedas mínimas ocorrendo só durante algumas batalhas de chefões e as últimas camadas do subterrâneo (ambas áreas que contém muitos elementos para interagir).

De resto, o jogador pode aproveitar ao máximo mundos diferenciados e cheios de detalhes para serem apreciados em 4K no modo docked ou em 1080p no modo portátil, ambos com o uso de HDR habilitados para garantir o melhor uso das cores e brilho. A equipe de direção artística está de parabéns em colocar tanto amor e carinho nos habitantes de cada camada e também nos elementos dos cenários que as compõe. Existem certas ocasiões que você até pode optar por apenas escalar as paredes ao invés de destruir mundos tão belos, então não se sinta confuso se a sensação passar pela sua cabeça.
Preço de disponibilidade
O jogo está disponível de forma digital na Nintendo eShop por R$ 439,00, e em cópia física nas principais lojas de eletrônicos do país a partir desse mesmo valor (quando retornarem os estoques que, no momento da publicação dessa análise, estavam esgotados).

Conclusão
Donkey Kong Bananza consegue entregar uma experiência divertida e equilibrada, que honra a essência da franquia e, ao mesmo tempo, se aventurar com novidades bem-vindas. Seus visuais vibrantes, trilha sonora envolvente e fases criativas garantem boas horas de entretenimento, especialmente para quem aprecia plataformas clássicos com um toque moderno.

Embora possa ter uma ocasional queda de performance em momentos específicos, o jogo se firma como uma adição sólida à biblioteca do macacão mais famoso dos games, um título que mais que justifica a existência do Nintendo Switch 2. Com quase 20 horas para completar a campanha principal (e muitas outras mais se você quiser pegar todos os cristais de banândio e fazer 100%), o jogo é diversão garantida do começo ao fim! Para fãs da série ou curiosos em busca de uma aventura leve e cativante, Bananza vale a pena ser jogado.
Veja mais
Fonte: Nintendo
Donkey Kong Bananza (Nintendo Switch 2)
Donkey Kong Bananza (Nintendo Switch 2)Prós
- Mecânica de quebrar elementos divertida e livre de bugs
- História simples, mas cativante e divertida
- Excelente dublagem e localização brasileira
- Visuais incríveis
Contras
- Pequena queda de performances em momentos específicos com muitos elementos
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