Índice
Resident Evil Requiem se tornou motivo de grande empolgação graças ao seu anúncio na Summer Game Fest 2025, afinal trouxe de volta os zumbis, uma personagem de jogos antigos e a promessa de revisitar Racoon City. Isso ficou ainda mais forte no final do ano, quando foi revelada a presença de Leon S. Kennedy, um dos protagonistas mais amados da franquia. Mas será que todo esse hype para se justifica na experiência final do game? Eu posso adiantar que sim, mas com algumas ressalvas e você pode conferir tudo em nossa review completa!
História

Resident Evil tem hoje uma das lores mais malucas e complexas dos videogames. Muita coisa já se explicou e muita coisa se mantém aberta e sem explicação. Resident Evil Requiem aposta numa história tanto nostálgica quando nova para a franquia. Começamos acompanhando Grace Ashcroft, a nova protagonista e agente do FBI, recebendo uma nova missão do seu chefe. Ela precisa investigar o Hotel Wrenwood. A questão que pega para Grace é que esse hotel é o mesmo onde sua mãe fora assassinada há 8 anos. Mesmo com medo e relutante, Grace vai até o local para investigá-lo.
A situação atual envolve o desaparecimento de pessoas perto do hotel e um padrão envolvendo apenas sobreviventes do incidente Raccoon City. E aí entramos no Hotel, investigamos algumas coisas, tomamos alguns sustinhos e notamos que Grace tem um stalker atrás dela. O jogo então nos traz um flashback de quando Alyssa Ashcroft, a mãe de Grace foi assassinada e a bagunça começa.

O primeiro zumbi aparece no Hotel, Grace se assusta, é mordida e na hora da fuga, conhecemos Victor Gideon, personagem que vai ser bem importante na trama. Ele pega Grace, a apaga e a sequestra. É nesse momento que o jogo já nos coloca na pele de Leon. Ele também está investigando o caso e descobre que Grace foi até o Hotel. Ele chega ali bem na hora em que Victor está saindo com Grace e o monstrengo cria um caos ao transformar outras pessoas em zumbis para atrasar Leon.
Leon tenta alcançar Victor, mas sem sucesso. Então ele segue uma investigação até chegar no Rhodes Hill, uma grande clínica onde metade do game se passa. Descobrimos que Leon está atrás de Victor porque ele está doente também e a partir disso, Leon e Grace terão de trabalhar juntos para resolver os problemas e enfrentar Victor.

A narrativa do jogo trabalha bem os atos do game, sendo o primeiro 99% com Grace e alguns momentos com Leon e deixando o segundo ato ao contrário, muito mais focado em Leon. Nesse miolo, o game consegue nos apresentar bem quem é Grace, seus dilemas, criar vínculo com ela e alguns personagens novos, além de ser um game de horror e sobrevivência bem casca grossa.
Já com Leon, é onde temos a trama mais clássica da franquia, explorando Raccon City, conspirações de grandes corporações, Umbrella e claro, muita ação. O game consegue equilibrar bem esses dois tons, ainda que sofra um pouco com os exageros da parte de Racoon City com Leon. De qualquer forma, o desfecho é excelente e, para mim, um dos melhores da franquia. Ele nos engana, nos convence e ao mesmo tempo nos faz pensar depois se aquilo é realmente verdade. Talvez seja o meu desfecho favorito da franquia.
Jogabilidade

Como já mencionei antes, Resident Evil Requiem é a união de um game de Survival Horror/Terror e também de ação/aventura. Diferente da bagunça que tivemos em Resident Evil 6, no novo game a Capcom conseguiu dividir bem esses dois temas. Temos uma única campanha que vai alternando entre Grace e Leon e o tempo de jogo dos dois fica bem dividido, sem reclamações aqui.
Com Grace temos um game de terror e sobrevivência, onde a munição é escassa, matar os inimigos é bem mais difícil e estamos presos numa mansão, assim como em Resident Evil, Resident Evil 2 e Resident Evil 7. Posso afirmar que o Rhodes Hill é uma das melhores mansões da franquia, tanto pelo design quanto pelas surpresas que o envolvem.
Grace pode atirar, se agachar e empurrar zumbis atordoados. Uma mecânica nova aqui é que ela consegue coletar sangue infectado dos monstros para o crafting do game. Isso permite que você crie mais balas, fita de tinta para salvar o jogo (na dificuldade normal (clássico)) e também faça muitos outros itens, como por exemplo o Injetor Hemolítico que pode acabar com quase todos os zumbis com um único ataque.
Jogar com Grace é uma experiência bem gostosa, mas também dá gelo na barriga. O game sabe usar os jumpcscares a seu favor, assim como os seus inimigos. Por falar em inimigos, o que mais vamos enfrentar por aqui são zumbis. O diferencial é que o vírus desse game faz com que esses zumbis mantenham memórias de quando eram humanos. Então, por exemplo, a faxineira vai continuar limpando o banheiro, o cozinheiro vai continuar cortando carne e por aí vai. Isso cria uma dinâmica muito interessante e até mais assustadora em diversos momentos ao jogar com Grace, pois nem sempre sabemos qual a memória daquele zumbi.

Além do terror, alguns momentos com essa nova mecânica também geram um certo sentimento de culpa, como quando um deles pede desculpa ao morrer. Ou então nos faz dar risada por ter uma atitude muito aleatória, como falar que alguém foi demitido. Enfim, é uma ideia muito legal e bem vinda.

Já com Leon, é como jogar Resident Evil 4 Remake, mas com algumas adições. O homem é um tanque de guerra, já tem várias armas, um machado inquebrável e não ficamos com medo de ninguém. É tudo mais fácil e super divertido de jogar. Além disso, é com Leon que temos os momentos de maior exploração nível The Last of Us. Uma área bem grande, onde você pode explorar na ordem que quiser. A ideia é boa e bem vinda pra franquia, mas ao mesmo tempo um tanto cansativa nesse jogo.

É com Leon onde teremos os grandes momentos de ação, com grandes setpieces e a tal da mentirada que gostei muito, mas entendo quem achar que é demais. A maior parte da gameplay com Leon vai ser em Racoon City e por mais legal que seja visitar o local, a primeira parte da área sofre com um level design um pouco confuso e uma direção de arte bem cansativa. Acho que não tem pra onde fugir num local que foi bombardeado, mas é sempre tudo destruído com muito escombro, um sol mais ou menos e muito cinza.

O jogo também volta com o sistema de loja na parte do Leon, então podemos aprimorar as armas, o machado e comprar outras armas também. Não temos um mercador por aqui, mas a justificativa para ter a loja é legal e funciona para a proposta.

Jogar com o Leon é muito divertido e bem variado, mas é onde eu mais me cansei. O game se estende demais em alguns momentos com ele e quando tenta explorar as mecânicas novas, como um x1 de serra elétrica, ao invés disso ser um grande momento divertido, pode se tornar um fardo e uma parte meio chata.

O game também se destaca ao trazer a possibilidade de jogar tanto em terceira quanto em primeira pessoa. Essa é uma decisão super acertada, uma vez que Resident Evil 7 veio em primeira pessoa e renovou a franquia, e Resident Evil 2, 3 e 4 vieram em terceira, gerando uma confusão, já que as duas formas são ótimas, mas funcionam melhor em diferentes propostas.
Gostei também que o game traz bastante easter eggs. Em diversos pontos do jogo, mas principalmente em Racoon City, vamos nos deparar com itens e puzzles que servem como grandes referências à franquia, ao universo Capcom e até mesmo alguns quebra-cabeças praticamente impossíveis que fizeram a internet toda se movimentar para tentar resolvê-lo.
A recomendação do jogo é que joguemos com Grace em primeira pessoa para aproveitar melhor o clima de horror e tensão e em terceira pessoa com o Leon para tirar mais proveito dos momentos de ação. Eu joguei dessa forma e confirmo que é uma boa recomendação. Mas vale dizer que jogar em terceira pessoa com Grace também é bem legal, ainda que dê bem menos medo.
Localização e trilha sonora
Vale um pequeno tópico aqui pra dizer que Resident Evil Requiem chega todo em português do Brasil. Felipe Grinnan volta a dor voz para Leon e aqui temos um trabalho primoroso de cada um dos dubladores. Se você gosta de jogar dublado, vai adorar experimentar esse game assim.
Já a trilha sonora, como em todo Resident Evil, é mais um acerto. Aparece menos nas partes com Grace, destacando momentos de tensão e sustos. Com Leon, parece que estamos num jogo do John Wick. A trilha é constante nos combates e combina muito com a situação. E o jogo ainda traz uma música tema para os créditos finais que é de tirar o chapéu.
Gráficos e bugs

Assim como qualquer Resident Evil recente, Requiem usa o motor gráfico RE Engine, inaugurado com o sétimo título da franquia e desde então vem sendo melhorado cada vez mais. A esse ponto, dá pra dizer que é um dos melhores motores gráficos do mercado, pelo menos quando se trata de Resident Evil.
Joguei Resident Evil Requiem no PS5 slim e o resultado é bem impressionante. O game tem uma excelente atenção aos detalhes, principalmente no cabelo dos personagens, assim como na expressão dos mesmos. Diferente de títulos anteriores, esse jogo dá uma exploradinha em campos mais abertos e em nenhum momento senti quedas de quadros, sempre rodando lisinho ali na casa dos 60 e com qualidade gráfica bem competente.
Em nenhum momento notei problemas de serrilhados, texturas sem carregar ou stutterings. Quanto a bugs, me deparei apenas com um, que não atrapalhou a experiência, mas me fez dar risada. Como podem ver na imagem, o game bugou as armas de Leon, as esticando por algum motivo.
Por fim, vale comentar que o jogo não traz a já conhecida opção de Desempenho ou Fidelidade. Ele já vem pré-configurado e ajustado para que eu tenha a melhor experiência possível no jogo. Como ele tem uma qualidade gráfica excelente e roda liso nos seus 60 quadros, sem reclamações quanto a isso. Se você for um dos afortunados usando um PS5 Pro, embora também não conte com opções de configuração gráfica, saiba que o game vai estar com os traçados de raio ativados.
Especificações técnicas

| Componente | Requisitos Mínimos | Requisitos Recomendados |
| Sistema Operacional | Windows 11 (Requer 64 bits) | Windows 11 (Requer 64 bits) |
| Processador | Intel Core i5-8500 AMD Ryzen 5 3500 | Intel Core i7-8700 AMD Ryzen 5 5500 |
| Memória RAM | 16 GB | 16 GB |
| Placa de Vídeo | GeForce GTX 1660 (6GB) Radeon RX 5500 XT (8GB) | GeForce RTX 2060 Super (8GB) Radeon RX 6600 (8GB) |
| DirectX | Versão 12 | Versão 12 |
| Armazenamento | SSD Obrigatório | SSD Obrigatório |
| Desempenho Esperado | 1080p (via upscaling, resolução nativa 640p) / 30 FPS | 1080p (via upscaling, resolução nativa 720p) / 60 FPS |
| Observações Adicionais | A taxa de quadros pode cair em momentos de alta carga de processamento. | A taxa de quadros pode cair em momentos de alta carga de processamento. |
Preço e disponibilidade
Resident Evil Requiem foi lançado em 27 de fevereiro de 2026 para PS5, Xbox Series S|X, PC e Nintendo Switch 2. O valor sugerido nos consoles é de R$339 na versão normal e R$399 na edição Deluxe. No PC, pela Steam ou Epic Games, o valor sugerido é de R$299 na versão normal e R$349 na versão Deluxe. O game também pode ser encontrado na versão física nas principais varejistas.
Conclusão

Resident Evil Requiem é um excelente game da franquia. Ele é ousado, tanto nas mecânicas de gameplay quanto no quesito história e faz essas apostas darem certo. Isso leva o game a cometer alguns erros e exageros, mas que no saldo final são bem pequenos comparados a beleza e a ótima qualidade do restante.
É um jogo que fecha alguns arcos da franquia, responde algumas perguntas, mas em contrapartida também nos traz informações novas e ainda mais dúvidas que não sabemos se serão respondidas com DLCs, spin-offs ou somente no Resident Evil 10 daqui uns 4 anos. Independente de como forem fazer, eu quero estar lá para ver o futuro dessa franquia.
Contudo, vale dizer que terminei o jogo com cerca de 12 horas, um tempo que considero bom, mas que para R$300 pode se traduzir em algo bem caro, dependendo das circunstâncias. O jogo é bom? Sim. Vale a pena? Muito. Mas se você conseguir se esquivar dos spoilers e aguardar alguns meses, vai encontrar o mesmo jogo por um preço bem mais acessível e que talvez valha mais a pena investir.
Mas e você? Já jogou ou pretende jogar? Comenta aqui embaixo e já aproveita pra compartilhar e conferir nossos outros textos também!
Veja também
Revisado por Luís Antônio Costa em 06/03/26
REVIEW: Resident Evil Requiem
REVIEW: Resident Evil Requiem-
História10/10 Excelente
-
Gráficos10/10 Excelente
-
Desempenho10/10 Excelente
-
Trilha sonora10/10 Excelente
-
Jogabilidade9/10 Incrível
Prós
- Grace é uma ótima nova personagem
- Jogo divide bem as partes de terror e ação
- Bons inimigos
- Excelente desempenho
Contras
- Alguns excessos na campanha do Leon
- Vilões principais são esquecíveis
Descubra mais sobre Showmetech
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.


