Twitter testa recurso que alerta usuário a ler notícia antes de compartilhá-la

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Twitter já está testando a inserção de um aviso sempre que o usuário tentar compartilhar uma notícia sem acessar seu conteúdo antes

Há anos, redes sociais como o Twitter e o Facebook vem sido acusadas de facilitarem campanhas de desinformação e o compartilhamento de teorias da conspiração e notícias falsas, e nesta quarta-feira (10) o Twitter anunciou que está inserindo uma nova ferramenta na plataforma para tentar combater este tipo de compartilhamento.

De acordo com a conta oficial do suporte do Twitter, a plataforma já estaria testando uma nova ferramenta para usuários do app para Android. Quando o usuário retuitar um link pra uma notícia sem ter de fato lido seu conteúdo, o Twitter vai exibir uma mensagem sugerindo que o usuário primeiro leia o conteúdo antes de compartilhar com seus seguidores.

De acordo com Kayvon Beykpour, diretor de produtos do Twitter e co-fundador do Periscope, a ideia de encorajar as pessoas a ler um artigo antes de compartilhá-lo com seus seguidores é uma forma encontrada pela empresa para tentar diminuir o número de notícias falsas que são compartilhadas através da plataforma, já que muitos sites de fake news usam títulos extremamente chamativos mas não se preocupam tanto com o conteúdo do artigo em si, muitas vezes ficando claro que aquilo se trata de uma história inventada.

Por enquanto, a ferramenta foi apenas anunciada mas ainda está em fase de testes para usuários da plataforma na língua inglesa, e não há qualquer previsão de quando ele será lançada para o uso de todos os usuários. Também ainda não há informações sobre testes desta ferramenta para a versão do Twitter para iOS.

Twitter e o combate às fake news

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Nova ferramenta do Twitter é apenas mais uma forma de se tentar diminuir o alcance de notícias falsas na plataforma (Imagem: super.abril.com.br)

Desde que o escândalo da Cambridge Analytica e de uma investigação do FBI ter encontrado provas de que campanhas de desinformação (campanhas de marketing digital desenvolvidas para criar e espalhar notícias falsas), lideradas por agentes russos, foram usadas para tentar manipular os resultados das eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016, os CEOs de todas as grandes redes sociais têm sido pressionados a fazer algo para coibir o uso dessas plataformas para o compartilhamento de fake news.

Apesar da maior parte das críticas serem voltadas para o Facebook, o Twitter não está imune a elas e tem tentado mostrar que se esforça para tentar coibir essa prática, e até então o maior esforço da plataforma era em apagar perfis falsos — também conhecidos como “bots” — que normalmente são usados para se iniciar essas campanhas de desinformação, levantando hashtags que acabam chamando a atenção dos usuários reais, que acabam compartilhando notícias falsas com seus seguidores.

Esta nova ferramenta do Twitter tenciona combater um dos principais motivos de porque essas notícias falsas criadas por bots são compartilhadas por pessoas reais: a falta de uma cultura de leitura online. 

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História do primo do porteiro foi uma fake news divulgada no Twitter pelo uso massivo de bots (Imagem: E-Farsas)

De acordo com um estudo de 2016 feito em uma parceria entre a Universidade de Columbia (EUA) e o Institut de France (França), 59% de todos os links de notícias que foram compartilhados nas redes sociais nunca foram clicados. Isso significa que a cada 10 compartilhamentos de notícias nas redes, 6 pessoas a compartilharam após ler apenas a manchete, sem se preocupar em clicar e ler a notícia em si.

Este tipo de prática facilita muito a disseminação de campanhas de desinformação, já que os responsáveis por elas não precisam nem se preocupar em criar um conteúdo que pareça fidedigno ou que faça sentido, precisando apenas inventar manchetes absurdas (mas que estejam em sintonia com o sentimento dos usuários), que irão compartilhar essas notícias alertando sobre o “absurdo” sem ao menos se dar ao trabalho de entrar no link e garantir que se trata de algo real.

O objetivo do Twitter é que, ao sugerir que a pessoa entre e leia o artigo antes de retuitar, esse tipo de compartilhamento “passional” deverá diminuir, o que por sua vez deverá diminuir a circulação e o alcance de notícias falsas.

Fonte: Perfil do Suporte do Twitter, The Washington Post

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