A evolução do Super Mario: 35 anos do encanador mais famoso dos games

A evolução do Super Mario: 35 anos do encanador mais famoso dos games
Conheça toda a história por trás do encanador mais adorado dos mundo e veja como a evolução do Super Mario impulsionou não só a Nintendo mas toda a indústria dos games
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A evolução do Super Mario: 35 anos do encanador mais famoso dos games

Tão importante para a Nintendo e para os jogos quanto Mickey Mouse é para a Disney e para a animação, Mario foi o responsável por ressuscitar a indústria dos games após a crise de 1983, por exportar o nome da Big-N muito além das ilhas do Japão e por algumas das melhores memórias, de infância ou não, de múltiplas gerações. Em 2020, Super Mario Bros., jogo icônico do encanador mais famoso do mundo, completa 35 anos de lançamento. A seguir, conheça a história por trás do clássico e a evolução do Super Mario ao longo dessas três décadas.

O primeiro Super Mario Bros. chegou ao Japão em 13 de setembro de 1985. Embora a sua história se confunda um pouco com a do NES – Nintendo Entertainment System, ou ‘Nintendinho’, como é conhecido no Brasil, o console foi lançado um pouco antes no Japão (1983), sob o nome ‘Famicon’ e um design bem diferente da versão ocidental. O que muitos não sabem, no entanto, é que a primeira aparição do encanador remonta a 1981, no jogo de fliperama Donkey Kong – na época, essas máquinas eram a forma mais acessível e popular de se jogar videogame.

Nascimento do Mario como conhecemos

Jogo Donkey Kong, de 1981
Em Donkey Kong (1981), Jumpman tinha de saltar barris para salvar Pauline, sua namorada, do gorila Donkey Kong (Imagem: Reprod./Nintendo)

No jogo de 1981, Donkey Kong era a estrela – o personagem do gorila raptava uma mulher chamada Pauline e era papel do Jumpman – personagem que só se tornaria o Mario anos depois – resgatá-la. Apesar de já ser o herói deste primeiro game, a atuação de Mario era claramente secundária, tanto que na estreia japonesa o personagem sequer tinha esse nome, ganhando-o só quando o game chegou aos EUA. Até então, ele era descrito apenas como um carpinteiro italiano, visto que o game se passava numa área de construção.

Após o lançamento de Donkey Kong, que tinha cumprido com as metas de estabelecer a Nintendo no mercado de jogos dos EUA, Shigeru Miyamoto desejava criar um hit. Para isso, ele precisaria de um protagonista atlético e carismático – foi só então que Jumpman se tornou Mario, deixando de ser carpinteiro para se tornar encanador. Segundo Miyamoto, a profissão do personagem precisava mudar porque Mario Bros., game que viria a estrear em 1983 tendo Mario como protagonista, se passava em ambientes subterrâneos.

A evolução do Super Mario: 35 anos do encanador mais famoso dos games
Mario Segale (foto) foi inspiração para a Nintendo (Imagem: Reprod./VEJA)

Já o nome “Mario”, acredite ou não, foi inspirado no nome de Mario Segale, dono de um dos armazéns alugados pela Nintendo em Nova Iorque, na época em que a empresa tentava alcançar o mercado estadunidense. Diz a lenda de que, após algumas discussões com Segale acerca de aluguéis atrasados, o então presidente da ‘Nintendo da América’, Minoru Arakawa, teria notado similaridades entre o encanador do futuro jogo e o magnata dono dos imóveis, decidindo então batizá-lo com seu primeiro nome, Mario.

Shigeru Miyamoto, criador do personagem Mario e do game Super Mario Bros.

Após muita discussão acerca do sobrenome de Mario, Shigeru Miyamoto (foto), considerado pai do encanador e de outras estrelas da Nintendo, confirmou que “Mario” também é o nome de família dos personagens, sendo, portanto, Mario Mario e Luigi Mario.

Embora o nome e a história pessoal de Mario só tenham sido criados durante o desenvolvimento de Mario Bros., game que também apresentou Luigi ao público, a aparência do personagem se manteve a mesma do Jumpman visto em Donkey Kong. Convenientemente, o visual também contornava as limitações técnicas da época: o bigode, além de esconder a boca, é característico da origem ítalo-americana de Mario, enquanto o chapéu dispensava a necessidade de detalhar olhos, testa e cabelo. O macacão vermelho e azul, por fim, tinha o contraste necessário para que fosse possível diferenciar o tronco dos membros do personagem.

A aparência de Mario ficou mais consistente com a atual conforme novos jogos foram sendo lançados e era possível representar mais detalhes na tela com menos malabarismos. Em Mario Bros. (1983), as cores predominantes são azul e vermelho, em Super Mario Bros. (1985), o personagem é vermelho e verde, voltando ao azul e vermelho em Super Mario Bros 2 (1988). Foi só em Super Mario World (1990), o favorito deste que vos fala, que Mario ganhou sua aparência definitiva, com luvas brancas, macacão azul, camisa vermelha e o icônico boné com a letra “M”. Desde 1990, o dublador de Mario nos games é o estadunidense Charles Martinet.

Visual do Mario nos jogos ao longo do tempo
A Evolução do Super Mario em imagens, de Mario Bros. (1983) até a atualidade (Super Mario Odyssey)

Também foi ao longo dos jogos que mais detalhes sobre a vida do encanador foram descobertos. Mario, segundo as fontes oficiais, é encanador, tem em torno de 25 anos e vive no reino do cogumelo (Mushroom Kingdom), com seu irmão mais novo e mais alto, Luigi. Embora esse seja o contexto da trama principal dos jogos da franquia, Mario já estrelou games nos quais era médico (Dr. Mario, 1990), arqueólogo (Mario Picross, 1995) e atleta (diversos games esportivos), entre outras profissões. O personagem também já estrelou games em inúmeros locais e épocas, além de já ter sido retratado como bebê (Super Mario World 2, 1995).

Por fim, ainda acerca da biografia de Mario, é importante pontuar seu relacionamento com demais personagens clássicos da franquia: Mario é irmão mais velho de Luigi, amigo da princesa Peach e de Yoshi, e seu maior rival é Bowser. Durante o lançamento de Super Mario Bros., Peach era cotada como sendo namorada de Mario – relacionamento que hoje, ao menos oficialmente, é classificado pela Nintendo como uma amizade. Ao longo dos jogos, mais personagens importantes surgiram na franquia, como o anti-herói Wario e o simpático Toad.

Super Mario Bros.: sucesso inigualável

Super Mario Bros.
Primeira fase de Super Mario Bros. (World 1-1) visa ensinar comandos básicos do game (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Embora a história de Mario não comece em Super Mario Bros. (1985), visto que o primeiro Mario Bros. é de dois anos antes (1983), esse foi o hit que Miyamoto e Takashi Tezuka queriam para a Nintendo na época. Em entrevista ao The Washington Post, Tezuka afirmou que, durante o desenvolvimento do jogo, ele “ia ao escritório basicamente para se divertir, todos os dias” e que “pensar sobre ‘jogar’ era algo tão novo que nem parecia trabalho”. Árduo ou não, o trabalho desses homens em 1985 revelou-se crucial para salvar uma indústria.

Em 1982, a Atari era líder absoluta no mercado de games e, embora seja fácil criticar hoje em dia, é inegável que várias de suas atitudes causaram a famosa “crise dos jogos eletrônicos”, em 1983. Na época, a oferta de games era sufocantemente grande e confundia o consumidor, seja pela grande variedade de consoles ou pela enorme variedade de jogos disponíveis. A maioria deles, pra não dizer todos, não tinha controle de qualidade. Somada a esses fatores, a popularização do computador pessoal também atrapalhava as vendas de consoles domésticos.

Crash dos videogames em 1983
Oferta excessiva de jogos (muitos de baixa qualidade) causaram a ‘crise dos games de 1983’ (imagem: Reprodução/GuiaPlay)

Consequentemente, em 1983, o mercado de games parecia um fogo de palha prestes a se apagar, com exceção dos jogos de fliperama e computador. Foi só em 1985, com a chegada do Nintendo Entertainment System (NES) ou ‘Nintendinho‘, que isso mudou. Na época, o principal diferencial da Nintendo era o rígido controle de qualidade que empresa mantinha sobre os jogos, visto que a Big-N, embora tenha desenvolvido os títulos de maior sucesso da plataforma, também permitia que terceiros fizessem jogos pro NES.

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Caixa do Super Mario Bros. 1985) (Imagem: Reprodução/Nintendo)

E como console nenhum se faz sem um grande jogo de sucesso, Super Mario Bros. era o carro-chefe dos jogos do NES, passando a integrar a caixa do console poucos meses após o lançamento nos EUA. Com mais de 40 milhões de cópias vendidas ao todo, excluindo relançamentos e versões pirateadas, o game é o mais vendido em toda a história do NES e se manteve por mais de 20 anos como o jogo mais vendido de todos os tempos, sendo superado apenas pelas vendas do Nintendo Wii Sports em 2007.

Lançamento do Nintendo Entertainment System NES
Nintendinho ou ‘NES’ com todos os acessórios lançados para o mercado norte-americano (1986) (Imagem: Reprodução/Nintendo)

O desenvolvimento de Super Mario Bros. levou 3 anos e é fruto de tudo que a Nintendo aprendeu com Donkey Kong e Mario Bros.. Na época, a Nintendo só vendia consoles domésticos no Japão (Famicon), sendo que esses dois jogos chegaram aos EUA inicialmente em fliperamas. Nos planos da Nintendo, Super Mario Bros., seria, portanto, o jogo responsável por lançar o NES na América do Norte, sendo o console uma versão redesenhada do Famicon para o ocidente, além de o primeiro console doméstico da Nintendo vendido na região.

Com tudo isso em mente, é fácil imaginar por que Shigeru Miyamoto e Takashi Tezuka precisavam de um hit. Inicialmente, só se sabia que o game seria do tipo plataforma e com rolagem lateral. Mario e Luigi se tornaram os heróis do jogo devido à boa recepção de Mario Bros., enquanto o termo “Super” ficou por conta do Super Cogumelo (Super Mushroom), que permitia aos personagens crescer de tamanho. Assim como a flor que permite Mario atirar bolas de fogo e a estrela de invencibilidade, o Super Cogumelo não existia no primeiro Mario Bros. de 1983.

A evolução do Super Mario: 35 anos do encanador mais famoso dos games
(Imagem: Reprodução/Nintendo)

Conforme a equipe construía o game, Miyamoto também decidiu que o Rei Koopa, posteriormente apelidado de Bowser, seria uma tartaruga (inicialmente seria um boi). Igualmente, foi decidido que o primeiro mundo (World 1-1), serviria para ensinar aos jogadores a dinâmica básica dos movimentos de Mario e suas interações com o ambiente.

Era necessário demonstrar que os Goombas, embora visualmente parecidos com os cogumelos, faziam mal ao personagem, enquanto os cogumelos lhe concediam um power-up.

Uma vez com o jogo pronto, a Nintendo tinha uma mina de ouro em mãos. Super Mario Bros. não só vendeu 40 milhões de cópias como tornou Mario o personagem de videogame mais conhecido do mundo, tornou a Nintendo uma gigante dos games há mais de 30 anos e rendeu uma franquia inteira de sucessos. Até hoje, Mario já apareceu em mais de 200 jogos, incluindo ‘sub-franquias’, como Mario Golf, Mario Kart, Mario Tennis e outros. É a franquia de videogames mais bem sucedida do mundo, tanto em número de vendas quanto em aclamação dos críticos.

Filme Super Mario Bros (1992)
Super Mario Bros. (1993) não foi sucesso de bilheteria nem de crítica, mas tem uma enorme leva de fãs (Imagem: Reprodução/Buena Vista Pictures)

Em 1993, pouco após o enorme sucesso de Super Mario World, no SNES, chegava aos cinemas o filme Super Mario Bros.. Nele, Mario (Bob Hoskins) e Luigi (John Leguizamo) são encanadores do Brooklyn, em Nova Iorque – tal qual era o cenário do game Mario Bros. – e precisam resgatar a princesa Daisy (Samantha Mathis) em um universo paralelo distópico governado pelo ditador Rei Koopa (Dennis Hooper).

O filme não foi um sucesso de bilheteria, mas é ovacionado por fãs da franquia até hoje, ainda que não seja fiel à narrativa dos jogos. No longa, a aparência de alguns personagens e a ambientação foram amplamente alterados em relação ao game. Luigi, por exemplo, sequer é irmão de Mario, tendo sido adotado por esse quando era bebê. Até o lançamento de Pokémon: Detetive Pikachu, em 2019, o filme era o único live-action a estrelar personagens da Nintendo, sendo ambos obras licenciadas – ou seja, sem produção da própria Nintendo, mas de terceiros.

Yoshi, portáteis e era 3D

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Recentemente, a Nintendo confirmou que, ao menos em Super Mario World (1990), Mario realmente bate na cabeça do Yoshi para que ele engula os inimigos (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Depois do estouro que foi Super Mario Bros., Mario se tornou o principal personagem da Nintendo, tendo jogos clássicos em cada um dos consoles da empresa. Super Mario World (1990), por exemplo, é o jogo mais vendido da história do SNES – segundo console de mesa da marca, também lançado em 1990. Foi nesse game, inclusive, que fomos melhor apresentados ao Yoshi, já que, até então, o dinossauro aparecia dentro da trama de Super Mario Bros. 3 (1988), mas não era possível interagir com ele.

Embora tenha sido imaginado desde o desenvolvimento de Super Mario Bros. em 1985, foram os avanços tecnológicos do SNES que tornaram Yoshi um personagem “jogável” em 1990. O personagem é criação de Shigefumi Hino, que apresentou o esboço de Yoshi após membros da Nintendo imaginarem Mario viajando num dinossauro, e seu nome completo, segundo o autor Black Harris, é T. Yoshissauro Munchakoopas. Esse último nome, inclusive, é um trocadilho para “mastigador de koopas”, em inglês.

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Nintendo DS (2004) em folheto promocional de Super Mario 64 DS (2004) (Imagem: Nintendo)

Embora o primeiro Game Boy tenha chegado em 1989 ao Japão, também foi nos anos 90 que o console portátil alcançou sucesso mundial. Como era de se esperar, a Nintendo lançou vários jogos da franquia Mario para a plataforma, sendo Super Mario Land (1989), um dos mais conhecidos. Em 2001, com a chegada do Game Boy Advance, vários games clássicos de Mario, como Super Mario Bros. e Super Mario World, até então restritos aos seus respectivos consoles, também passaram a caber no bolso dos jogadores.

Demonstrando mais uma vez que a Nintendo não brinca em serviço, a linha Game Boy, junto da linha Nintendo DS (Nintendo Dual Screen), contemplam até hoje os consoles portáteis mais bem sucedidos da história. Ao longo de três gerações, os Nintendo DS existiram por 16 anos, de dezembro de 2004 a setembro de 2020, e serviram como um palco paralelo para mais sucessos de Mario, incluindo Super Mario 64 DS (2004), New Super Mario Bros. (2006) e Super Mario 3D Land (2011).

Após enormes sucessos no início da década de 90 com o SNES e o GameBoy, era hora da Nintendo superar mais uma barreira tecnológica, agora com um novo console de mesa. É claro que Mario não poderia ficar de fora história e, portanto, tanto o Nintendo 64 quanto Super Mario 64 foram lançados em junho de 1996 – na maioria dos mercados, inclusive, jogo e console foram lançados no mesmo dia. O “64” nos nomes remete aos 64 bits do console, que lhe permitiam processar gráficos tridimensionais, sendo Super Mario 64 o primeiro jogo 3D da franquia.

Captura de tela em Super Mario 64
Em 3D, Super Mario 64 dava mais liberdade ao jogador para explorar o Reino do Cogumelo, devido à sua jogabilidade não-linear (Imagem: Reprodução/Nintendo)

O game foi um enorme marco para a Nintendo e para os fãs – visto que, pela primeira vez, personagens e o ambiente da franquia podiam ser vistos em diferentes ângulos. Além de definir a estética e os movimentos de Mario em três dimensões, o título se tornou referência para os jogos 3D da época, tal qual foi Super Mario Bros. para os jogos de rolagem lateral. Até hoje, Super Mario 64 costuma ser lembrado por sua ambientação que estimula a exploração, gráficos lúdicos e, obviamente, por ter dado uma nova vida aos elementos da franquia – até então, presos em duas dimensões.

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Os ‘Boos’ costumam aparecer de relance, enquanto você não olha para eles (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Assim como os outros jogos citados, Super Mario 64 foi o game mais vendido do Nintendo 64, tendo sido criado para explorar toda a capacidade técnica do console à época. A ideia de Shigeru Miyamoto era que o jogo tivesse muito mais elementos visuais e puzzles que os anteriores, representando melhor as emoções dos personagens e lembrando um filme de animação 3D. Dizem até que algumas expressões dos personagens se originaram em trejeitos de pessoas reais, como seria o caso dos Boos, supostamente inspirados na esposa de Takashi Tezuka.

Conhecida por ser bem quieta, a esposa de Tezuka teria ficado furiosa com o tempo que o marido gastava no desenvolvimento do jogo. Da mesma forma, os Boos de Super Mario 64 aparentam ser inofensivos enquanto se olha pra eles, mas basta que Mario vire as costas para que eles cresçam. Essa teria sido uma forma de Tezuka brincar com a esposa colocando-a no jogo, além de mostrar que mesmo durante as horas de trabalho, pensava nela.

Ainda sobre Super Mario 64, outro fato interessante é que o game começou a ser pensado por Miyamoto durante o desenvolvimento de Star Fox (1993), pro Super Nintendo. Embora o SNES fosse um console de 16 bits, Star Fox impressionava por simular gráficos 3D usando sombras e outros elementos. Na época, foi necessário adicionar um chip especial (SuperFX) ao cartucho para ajudar o console a processar os gráficos, mas o resultado deixou Miyamoto animado sobre recriar o mundo de Mario em 3D, num futuro console.

Captura de tela de Super Mario Sunshine no Nintendo Switch
Original do GameCube, Super Mario Sunshine (2002) ganhou remasterização para o Nintendo Switch (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Com os dois pés na tridimensionalidade, Mario seguiu estrelando games no GameCube, console lançado em 2001 para competir com PlayStation 2 e o primeiro Xbox. Como o console nunca chegou a ser popular no Brasil, os jogos da franquia nessa era são os mais desconhecidos dos brasileiros, como Super Mario Sunshine (2002). Após anos de hiato por aqui, Mario reapareceu com força no Brasil em 2007, após o saudoso habitante de nossos corações, Nintendo Wii, ter sido lançado em solo tupiniquim (2006).

Também como já era de se esperar, o Wii foi palco de mais um clássico da série: Super Mario Galaxy (2007), como o nome deixa claro, se passa em galáxias repletas de planetas. Além das diferenças estéticas dos astros, a variação de gravidade entre eles altera a dinâmica do jogo, considerado por muitos um dos títulos mais deslumbrantes da franquia até hoje. No enredo, Mario ou Luigi, a depender de quem o jogador escolhe, parte numa aventura para salvar a princesa Peach, bem como todo universo, dos planos malignos de Bowser.

Captura de Tela em Super Mario Galaxy (2007)
Super Mario Galaxy (2007) tem fases em diferentes mundos, com ambientações e mecânicas amplamente variadas entre si (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Apesar de apresentar a mesma trama simples dos primeiros jogos (como costuma acontecer na maior parte dos jogos da franquia, aliás), Super Mario Galaxy encanta o jogador durante o gameplay, misturando a estética lúdica dos jogos da franquia com a temática espacial. Particularmente, creio ser esse o maior motivo de seu sucesso. Finalmente, o título foi sucedido por Super Mario Galaxy 2, lançado para o Wii U em 2010. A partir de então, os lançamentos passaram a conter elementos de jogos anteriores, a exemplo de Super Mario New Bros. U (2012) e Super Mario Maker (2015).

A partir daí, só em 2017 que um capítulo realmente novo foi adicionado à história do encanador, com Super Mario Odyssey. Lançado pouco depois do Nintendo Switch, o título traz muitas inovações, como o fato de Mario transitar por ambientes urbanos e o seu novo chapéu que tem vida própria. Assim como nos títulos anteriores, a dinâmica do game foi construída para explorar a capacidade gráfica, as funcionalidades e o formato do console, que no caso do Switch consiste num tablet com controles destacáveis, os joy-cons.

O futuro da franquia

Mesmo após 35 anos entrando e saindo dos canos, Mario está em ótima forma: só este ano e em comemoração ao aniversário da franquia, a Nintendo anunciou cinco novos títulos estrelando o personagem. Começando por Super Mario 3D All-Stars, o game consiste numa coleção remasterizada dos clássicos Super Mario 64 (1996), Super Mario Sunshine (2002) e Super Mario Galaxy (2007). Por se tratar de uma edição especial, o game só estará disponível (digital e fisicamente) até 31 de março de 2021, tendo sido lançado em 18 de setembro deste ano.

Os demais games lançados pela Nintendo são:

  • Super Mario Bros. 35, um battle royale com até 35 jogadores no mundo de Super Mario Bros., estando disponível a partir de 1º de outubro;
  • Super Mario 3D World Bowser’s Fury, uma versão aprimorada do original Super Mario 3D World, lançado para Wii U, agora com multiplayer local e online, estando disponível a partir de 12 de fevereiro de 2021;
  • Mario Kart Live: Home Circuit, cotado para chegar ao Nintendo Switch em 16 de outubro, game promete a experiência do Mario Kart no mundo real, utilizando tecnologias de realidade aumentada para fazer da casa do jogador a pista dos karts;
  • Super Mario All-Stars, uma coletânea de jogos do encanador lançada em 1993 para o SNES, que incluía versões remasterizadas de Super Mario Bros., Super Mario Bros.: The Lost Levels, Super Mario Bros. 2 e Super Mario Bros. 3, que chegou ao Switch em 3 de setembro;
  • Game & Watch: Super Mario Bros:, a Nintendo lançará mais um de seus clássicos Game & Watch, série de consoles portáteis precursores do Game Boy e vendidos pela empresa nos anos 80. Na época, os Game & Watch contavam com títulos de Donkey Kong e Popeye, enquanto o modelo a ser lançado em 13 de novembro de 2020 contará com Super Mario Bros., Super Mario Bros.: The Lost Levels e Ball, um dos mini-games clássicos dos primeiros Game & Watch.

Além desses, a Nintendo também já confirmou o lançamento de mais jogos e novidades envolvendo Mario até 2021. Para 2022, está prevista ainda a chegada de um filme, estrelado pelo encanador e com Shigeru Miyamoto na produção. Ao que tudo indica, o filme não será um live-action como o longa de 1993, mas sim uma animação. Chris Meledandri, fundador da Illumination Entertainment, é cotado para participar do projeto, sendo o responsável por títulos como O Lorax (2012), Pets (2016), Grinch (2018) e Meu Malvado Favorito (2010).

No último dia 15 de setembro, o Nintendo Switch também chegou oficialmente ao Brasil. Após alguns anos sem representação oficial por aqui, a Nintendo fechou uma parceria com a Ingram Micro, trazendo o console que até então só estava disponível via importação. Além do console, que tem preço sugerido de R$ 2.999 e acompanha Joy-cons de cor cinza ou coloridos (azul neon e vermelho neon), a Big-N também trouxe para o Brasil alguns acessórios do portátil, como o controle Pro e Joy-cons em diferentes cores.

Super Mario World Tela Final
Tela final exibida em Super Mario World (1990) (Imagem: Reprodução/Nintendo)

Com todos esses planos, é fácil notar que o futuro de Mario na Nintendo está garantido. O personagem, além de sempre ter sido um sucesso de vendas, é extremamente versátil, estrelando os mais de 200 títulos em que aparece nos mais variados contextos. Como se já não bastasse, Mario também é um personagem simples, o que permite que as pessoas se identifiquem com ele e com os valores aos quais ele sempre está associado: o espírito de aventura, a lealdade aos amigos e o senso de justiça.

Por tudo isso e um pouco mais, Mario é o embaixador da Nintendo, o que ficou claro quando o personagem apareceu nas Olimpíadas do Rio de Janeiro convidando todos para o evento que aconteceria esse ano, no Japão, junto do próprio primeiro ministro japonês à época, Shinzo Abe. Mais que isso, no entanto, Mario pode ser considerado o embaixador do videogame – aquele personagem que se mantém vivo nos corações de múltiplas gerações de gamers, não só pelo seu legado no passado, mas por ser símbolo, até hoje, de diversão pura.

Parabéns pelos seus 35 anos, Mario Mario e Luigi Mario.

Com informações de: Nintendo (Canal do YouTube), Technologizer, IGN, Nintendo, Eurogamer, Zelda Legends

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