Índice
- Quais são os prêmios do Festival de Cinema de Cannes?
- O Agente Secreto concorrerá ao Palma de Ouro em 2025
- Filmes brasileiros no Festival de Cannes
- Sertão (1949)
- Caiçara (1951)
- Tico-Tico no Fubá (1952)
- O Cangaceiro (1953)
- O Canto do Mar (1954)
- Feitiço do Amazonas (1954)
- Samba Fantástico (1955)
- Sob o Céu da Bahia (1956)
- Cidade Ameaçada (1960)
- A Primeira Missa (1961)
- O Pagador de Promessas (1962)
- Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
- Vidas Secas (1964)
- Noite Vazia (1965)
- A Hora e Vez de Augusto Matraga (1966)
- Terra em Transe (1967)
- O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969)
- Azyllo Muito Louco (1970)
- O Palácio dos Anjos (1971)
- Pindorama (1971)
- O Amuleto de Ogum (1975)
- Bye Bye Brasil (1979)
- Quilombo (1984)
- Memórias do Cárcere (1984)
- Nunca Fomos Tão Felizes (1984)
- O Beijo da Mulher-Aranha (1985)
- Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)
- Um Trem para as Estrelas (1987)
- Kuarup (1989)
- Coração Iluminado (1998)
- Estorvo (2000)
- Eu, Tu, Eles (2000)
- Carandiru (2003)
- Diários de Motocicleta (2004)
- Cidade Baixa (2005)
- Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
- Ensaio sobre a Cegueira (2008)
- Linha de Passe (2008)
- O Sal da Terra (2014)
- Aquarius (2016)
- A Moça que Dançou com o Diabo (2016)
- Cinema Novo (2016)
- Gabriel e a Montanha (2017)
- Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018)
- Los Silencios (2018)
- O Órfão (2018)
- Bacurau (2019)
- A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (2019)
- Sem Seu Sangue (2019)
- Céu de Agosto (2021)
- Sideral (2021)
- Cantareira (2021)
- A Flor do Buriti (2023)
- Motel Destino (2024)
- Baby (2024)
- Amarela (2024)
- Crônica de um Industrial (seleção cancelada devido à censura)
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A participação em eventos de cinema é sempre um grande palco para levar produções que, às vezes, não têm tanto espaço no cinema comercial. O Brasil no Festival de Cannes tem muitas dessas histórias para contar, com representantes que, ao longo do tempo, se tornaram clássicos cult, tanto no cinema nacional quanto para o próprio evento. Entenda, neste texto, o que é o Festival de Cannes e as participações do Brasil por lá.
Quais são os prêmios do Festival de Cinema de Cannes?

Criado em 1946, o Festival de Cannes é um dos eventos mais tradicionais do cinema mundial. Acontece anualmente na cidade francesa homônima e tem como foco principal o cinema autoral, com a exibição de filmes inéditos que ainda não estrearam em seus países de origem. Ao longo dos anos, o festival se consolidou como um espaço de visibilidade para cineastas de diferentes países, reunindo estreantes e nomes já conhecidos da indústria.
A principal mostra do evento é a Competição Oficial, que seleciona em torno de 20 longas-metragens para disputar a Palma de Ouro, prêmio máximo do festival. O júri dessa categoria é formado por profissionais do cinema — diretores, roteiristas, atores e produtores — convidados pela organização. Além da Palma de Ouro, são concedidos o Grand Prix (segundo prêmio mais importante), o Prêmio do Júri, os prêmios de melhor direção, melhor roteiro, melhor interpretação feminina e melhor interpretação masculina.
Paralelamente à Competição Oficial, há outras seções com objetivos distintos. A Un Certain Regard, por exemplo, reúne filmes com propostas narrativas ou visuais diferentes do padrão da mostra principal. Já a Cinéfondation é voltada a curtas e médias-metragens feitos por estudantes de escolas de cinema, enquanto a Semana da Crítica e a Quinzena dos Cineastas funcionam como mostras independentes dentro da programação, com curadoria própria. Os prêmios nessas seções são definidos por júris separados.
O Agente Secreto concorrerá ao Palma de Ouro em 2025

O Brasil volta à competição principal do Festival de Cannes com O Agente Secreto, novo longa de Kleber Mendonça Filho. O filme foi selecionado para a disputa da Palma de Ouro na 78ª edição do festival, que acontece entre os dias 13 e 24 de maio de 2025. A confirmação foi feita pela própria organização do evento em Paris.
A trama se passa nos anos 1970 e acompanha Marcelo, um professor universitário que foge de São Paulo para Recife após se tornar alvo de perseguição por parte do regime militar. Estrelado por Wagner Moura, o filme mistura elementos de suspense e drama político, com Recife como cenário central. Essa será a terceira vez que um filme dirigido por Kleber Mendonça Filho participa da principal competição de Cannes, após Aquarius (2016) e Bacurau (2019).
Filmes brasileiros no Festival de Cannes
Desde 1949, o Brasil participa com grande frequência do Festival de Cannes, algumas vezes até mesmo levando prêmios para casa. Veja, a seguir, todos os filmes que representaram o Brasil em Cannes.
Sertão (1949)

A estreia do Brasil em Cannes aconteceu com um curta documental que, apesar do título genérico, chegou carregado de significado. Sertão, de João G. Jardim e Oswaldo Sampaio, levou ao festival um Brasil profundo e árido, desconhecido da maioria dos europeus da época. O filme não concorreu a prêmios, mas abriu caminho para o cinema brasileiro ser notado fora do circuito latino-americano.
Caiçara (1951)

Na maré revolta entre desejo e sobrevivência, Caiçara é um daqueles filmes que carregam o peso do silêncio. Dirigido por Adolfo Celi e escrito por Alberto Cavalcanti, o longa mergulha na trajetória de Marina, uma jovem marcada pelo estigma da hanseníase — não por tê-la, mas por ser filha de quem teve.
A personagem aceita se casar com um homem praticamente desconhecido, José Amaro, em uma tentativa desesperada de escapar do preconceito. O destino a leva para Ilha Verde, um cenário isolado e opressor, onde ela passa a viver com um marido ausente e o assédio do sócio dele. A solidão se impõe até que uma nova figura, o marinheiro Alberto, chega à ilha em busca das lendárias pedras sinos — e acaba encontrando Marina.
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Tico-Tico no Fubá (1952)

No ano seguinte, a Vera Cruz voltou à Croisette apostando em um personagem popular: Zequinha de Abreu, compositor da clássica Tico-Tico no Fubá. Dirigido novamente por Adolfo Celi, o filme fugia do drama rural para mergulhar em uma cinebiografia musical com clima mais leve e acessível. Embora não tenha sido premiado, o longa contribuiu para posicionar o Brasil como um país de talentos diversos, também na música e mostrou que nossas histórias podiam dialogar com o gosto do público internacional.
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O Cangaceiro (1953)

Foi com o cangaço que o Brasil finalmente deixou de ser só promessa em Cannes. O Cangaceiro, de Lima Barreto, combinou ação, regionalismo e estética de faroeste em uma fórmula que conquistou o júri e ficou conhecido como um “western à brasileira”. A narrativa tensa mostra o universo do cangaço, centrada no bando de Galdino, um líder temido por onde passa. O roteiro ganha corpo quando Olívia, uma professora de vila, é sequestrada durante um dos ataques do grupo. O filme ganhou o Prêmio de Melhor Filme de Aventura e uma menção honrosa pela trilha sonora, tornando-se o primeiro brasileiro a sair premiado do festival.
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O Canto do Mar (1954)

No embalo do sucesso anterior, O Canto do Mar, de Alberto Cavalcanti, retomou o Nordeste como cenário, mas com uma abordagem mais poética. O filme retrata a relação dos pescadores com o mar como uma metáfora da luta constante pela sobrevivência. Em Cannes, chamou atenção pelo uso lírico da imagem e por sua tentativa de equilibrar realismo e simbologia. Menos celebrado do que O Cangaceiro, o longa, no entanto, representou uma tentativa clara de manter o Brasil como presença constante e respeitável no circuito dos grandes festivais.
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Feitiço do Amazonas (1954)

Ainda em 1954, Feitiço do Amazonas expandiu o imaginário geográfico da produção nacional, levando a floresta tropical para a tela. Dirigido por Zygmunt Sulistrowsky, o filme foca em uma mulher branca que faz parte de uma expedição ao Amazonas. A trama apostava mais em mistério e aventura do que em crítica social.
Samba Fantástico (1955)

Depois do sertão, do mar e da selva, foi a vez do carnaval chegar a Cannes. Samba Fantástico, curta documental de Jean Manzon, o filme acompanha a jornada de um compositor em busca da inspiração ideal para seu novo samba. Com uma narrativa que se constrói inteiramente por imagens e música, o documentário registra o clima da festa sem diálogos ou entrevistas, mostrando desde os bastidores até a avenida.
Sob o Céu da Bahia (1956)

Uma história de amor proibido se desenrola em meio às paisagens da Bahia, quando dois jovens de tribos rivais se apaixonam e desafiam as tradições de seus povos. Dirigido por Ernesto Remani e produzido pela Vera Cruz, o filme mergulha em um enredo de rivalidade, desejo e fuga, enquanto explora as belezas naturais do litoral baiano. O romance, simples na essência, ganha fôlego com a ambientação tropical, que se torna personagem central da trama. Foi a última investida da produtora no festival de Cannes, ainda tentando construir uma imagem de Brasil cinematográfico com apelo internacional.
Cidade Ameaçada (1960)
Inspirado em um caso real que chocou São Paulo, o filme de Roberto Farias acompanha o assalto a um banco que termina em sequestro. Com clima de tensão constante e ritmo acelerado, a trama mergulha em um Brasil urbano e violento, bem longe das paisagens rurais que dominaram o cinema nacional até então. Foi um dos primeiros filmes a tratar o crime como sintoma social, abrindo caminho para novas abordagens dentro do gênero policial.
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A Primeira Missa (1961)

Dirigido por Lima Barreto, o filme é livremente inspirado no conto Nhá Colaquinha Cheia de Graça, de Nair Lacerda. A narrativa parte da representação da primeira missa no Brasil, mas escapa da solenidade histórica para construir um retrato alegórico sobre o choque de culturas. Entre o sagrado e o profano, a fé indígena e a catequese portuguesa, o filme provoca o espectador a pensar sobre a construção da identidade brasileira — já tensa e contraditória desde seus rituais inaugurais.
O Pagador de Promessas (1962)

Com O Pagador de Promessas, Anselmo Duarte quebrou barreiras ao conquistar a Palma de Ouro em Cannes, tornando-se o primeiro filme brasileiro a vencer o prêmio máximo do festival. Adaptado da peça homônima de Dias Gomes, o longa apresenta a história de Zé do Burro, um homem simples do interior da Bahia que, após prometer curar o animal de sua família, se vê confrontado por uma série de obstáculos que revelam as tensões religiosas, políticas e sociais do Brasil rural. A trama gira em torno da fé, do sacrifício e da hipocrisia da sociedade, utilizando o ambiente rural para expor conflitos que transcendem fronteiras geográficas.
O filme tem uma abordagem crítica, não apenas em relação à religiosidade, mas também à maneira como a classe política e as instituições sociais se apropriam da fé popular para sustentar suas próprias agendas.
Onde assistir: Globoplay
Deus e o Diabo na Terra do Sol (1964)
Em Deus e o Diabo na Terra do Sol, Glauber Rocha explora as tensões sociais e políticas do Brasil rural através de uma história que mistura o realismo com o misticismo. Ambientado no sertão nordestino, o filme acompanha Manuel, um homem simples que se vê dividido entre o messianismo de um líder religioso e a revolta de um cangaceiro. Com uma estética inovadora, que se tornou característica do Cinema Novo, a obra se destaca por seu estilo visual impactante e pela reflexão profunda sobre a violência e a opressão.
Onde assistir: Globoplay
Vidas Secas (1964)
Adaptação do romance de Graciliano Ramos, Vidas Secas é uma obra-prima dirigida por Nelson Pereira dos Santos. O filme retrata a vida de uma família no sertão nordestino, marcada pela seca implacável e pela luta pela sobrevivência. Sem recorrer a grandes dramatizações, o longa se concentra nas dificuldades diárias dos personagens, apresentando uma visão crua e realista das condições de vida no interior do Brasil. A obra é um dos maiores exemplos do cinema realista brasileiro e um retrato fiel da miséria e da resistência do povo nordestino.
Onde assitir: Globoplay
Noite Vazia (1965)

Dois homens e duas mulheres vagam pelas madrugadas de um Rio de Janeiro melancólico e artificial. O filme, dirigido por Walter Hugo Khouri, é um retrato existencial da solidão urbana. Sem grandes eventos, só diálogos, silêncios e vazios — um mergulho no tédio e no desencanto da classe média brasileira dos anos 60.
Onde assistir: YouTube
A Hora e Vez de Augusto Matraga (1966)

Inspirado na obra de Guimarães Rosa, A Hora e Vez de Augusto Matraga é um western brasileiro dirigido por Roberto Santos. A história segue Augusto, um homem marcado pelo passado que busca redenção e reconciliação com sua própria história. Ambientado no sertão, o filme mistura elementos da literatura regionalista com uma narrativa de aventura e moralidade, e se destaca pela forma como explora a construção do personagem e os dilemas internos que ele enfrenta.
Terra em Transe (1967)
Considerado um dos maiores filmes de Glauber Rocha, Terra em Transe é uma obra que reflete sobre as contradições políticas e sociais do Brasil. No país fictício de Eldorado, um poeta e jornalista vive o colapso da política nacional, entre golpes, demagogia e utopias fracassadas. Glauber Rocha mistura teatro, metáfora e manifesto para construir um retrato caótico e febril do Brasil.
Onde assistir: Globoplay
O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969)
Antônio das Mortes volta ao sertão, agora como justiceiro contratado para matar um novo cangaceiro. Mas o duelo se transforma em reflexão: quem é o verdadeiro inimigo? Glauber Rocha retoma personagens de Deus e o Diabo em um faroeste tropical cheio de cores, mitos e contradições. Um grito simbólico contra o autoritarismo — com espingardas e poesia.
Onde assistir: Globoplay
Azyllo Muito Louco (1970)
Numa espécie de hospício-metáfora, os personagens vivem entre o delírio e a crítica. Dirigido por Nelson Pereira dos Santos, o filme usa a loucura para falar do Brasil autoritário pós-64. Mistura comédia, improviso e absurdo para refletir a repressão, mas também a resistência criativa de um país em crise.
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O Palácio dos Anjos (1971)

Três mulheres transformam um apartamento em ponto de encontro erótico e político, onde militares, artistas e empresários se cruzam em meio a desejos e delírios. Com roteiro de José Agrippino de Paula e direção de Walter Hugo Khouri, o filme é menos sobre a história e mais sobre sensações, colagens e provocações — quase um happening filmado.
Pindorama (1971)

Paulo César Saraceni propõe uma viagem simbólica ao “Brasil antes do Brasil”. Imagens, rituais e narrativas se entrelaçam para criar uma reflexão poética sobre o passado indígena, a colonização e a busca por uma identidade nacional que resista ao apagamento. É um cinema de evocação, onde o tempo histórico e o mito se confundem.
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O Amuleto de Ogum (1975)

Um menino criado no candomblé cresce entre bandidos e milagres no subúrbio carioca. Combinando realismo e misticismo, Nelson Pereira dos Santos constrói um conto sobre fé, sobrevivência e destino. O sincretismo religioso guia o protagonista em sua jornada por justiça — ou vingança — em uma cidade onde o sagrado e o profano convivem lado a lado.
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Bye Bye Brasil (1979)

Dirigido por Carlos Diegues, Bye Bye Brasil segue um grupo de artistas itinerantes que viajam pelo interior do país em um ônibus, oferecendo entretenimento e observando as mudanças sociais e culturais que estavam acontecendo no Brasil nos anos 70. A trama central foca na personagem Deuzú, uma cantora de rádio, e seu grupo de artistas, que se deparam com o choque entre a modernização que está chegando nas grandes cidades e o isolamento cultural e econômico do interior. Ao longo da viagem, o filme revela a transição do Brasil para uma sociedade mais urbana e globalizada, mas ao mesmo tempo, faz uma crítica à desigualdade entre as regiões do país e a desumanização que a modernidade pode trazer.
Onde assistir: Globoplay
Quilombo (1984)

Em Quilombo, Cacá Diegues retrata a luta dos negros no Brasil colonial, focando no Quilombo dos Palmares e na resistência de Zumbi contra a escravidão. O filme traz à tona a resistência das comunidades negras e o desejo de liberdade, num período em que as lutas pela autonomia eram abafadas pelo sistema colonial. O longa destaca a importância histórica dos quilombos como espaços de resistência e identidade, oferecendo uma visão crítica sobre a escravidão e suas consequências.
Onde assistir: YouTube
Memórias do Cárcere (1984)
Baseado no livro de Graciliano Ramos, Memórias do Cárcere (1984), dirigido por Nelson Pereira dos Santos, adapta as memórias do autor sobre o período em que foi preso durante a ditadura militar brasileira. O filme foca na experiência de um prisioneiro político e a tensão de sua resistência ao regime. A história se desenrola no interior de uma prisão, onde os prisioneiros enfrentam torturas físicas e psicológicas. A obra reflete sobre os danos causados pela repressão, abordando a luta individual contra o sistema e os impactos da ditadura na psique humana. A narrativa mostra como o cárcere não era apenas uma prisão física, mas também uma prisão mental e moral para aqueles que se opunham ao regime.
Onde assistir: Globoplay
Nunca Fomos Tão Felizes (1984)

Em Nunca Fomos Tão Felizes, Murilo Salles conta a história de um pai que reencontra seu filho após anos de separação. À medida que tentam reconstruir a relação, segredos e tensões emergem, revelando as complexidades dos laços familiares. A narrativa intimista explora temas como paternidade, identidade e reconciliação.
Onde assistir: TamanduáTV
O Beijo da Mulher-Aranha (1985)
Dirigido pelo argentino-brasileiro Héctor Babenco, O Beijo da Mulher-Aranha se passa majoritariamente dentro de uma cela de prisão, onde dois homens, um preso político e um homossexual condenado por seduzir menores, compartilham memórias, visões de mundo e histórias de vida. A trama se desenrola por meio do entrelaçamento de realidades distintas: a dura repressão política da ditadura militar e os devaneios escapistas inspirados no cinema clássico.
O filme é construído com forte base teatral e narrativa circular, em que a relação entre os personagens cresce enquanto a tensão política se infiltra. A coprodução entre Brasil e Estados Unidos rendeu ao ator William Hurt o Oscar de Melhor Ator.
Onde assistir: Globoplay
Eu Sei Que Vou Te Amar (1986)
Num cenário íntimo e quase claustrofóbico, o diretor Arnaldo Jabor propõe um encontro entre um homem e uma mulher que já foram casados e decidem se encontrar para uma conversa franca. O filme se desenvolve como um longo diálogo em que o casal revisita sua história, suas frustrações e desejos, transitando entre afeto e mágoa. A obra rendeu a Fernanda Torres o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes.
Onde assistir: YouTube
Um Trem para as Estrelas (1987)
Com direção de Cacá Diegues, o filme segue a jornada de Vinícius, um jovem músico da periferia carioca que foge de casa e parte em busca de sua identidade pela cidade. A trama mistura o realismo urbano com momentos quase oníricos, mostrando um Rio de Janeiro fragmentado entre violência, sonho e desejo de liberdade. Ao longo do percurso, o protagonista encontra personagens que representam diferentes rostos da cidade — da marginalidade à arte de rua.
Onde assistir: YouTube
Kuarup (1989)
Kuarup, de Ruy Guerra, acompanha a trajetória de um padre recém-ordenado que parte em missão para uma região indígena no Xingu. O filme investiga as transformações internas do personagem ao longo de sua convivência com os indígenas, bem como os conflitos que surgem ao tentar conciliar fé, desejo e consciência política. A narrativa cobre um amplo recorte temporal, passando por episódios marcantes da história brasileira, como o golpe de 1964. O longa transita entre o épico e o intimista, e coloca em cena o embate entre culturas e valores em um país em constante reconfiguração.
Onde assistir: YouTube
Coração Iluminado (1998)

Em Coração Iluminado, Hector Babenco volta a explorar a subjetividade masculina por meio da história de Juan, um cineasta argentino radicado no Brasil que retorna ao seu país natal após a morte da mãe. A partir desse retorno, o personagem revisita memórias da juventude, especialmente sua relação com Ana, uma jovem enigmática. O filme se desenvolve com uma estrutura não-linear, alternando entre presente e passado para construir um retrato da identidade afetiva do protagonista.
Onde assistir: Globoplay
Estorvo (2000)
Baseado no romance de Chico Buarque, Estorvo foi dirigido por Ruy Guerra e mergulha na mente de um personagem que vaga por uma cidade em colapso, sem nome ou identidade definidos. O protagonista, vivido por Jandir Ferrari, atravessa espaços urbanos que parecem se fechar ao seu redor, em uma lógica que se aproxima do pesadelo. O filme investe em uma linguagem visual mais experimental, propondo uma leitura simbólica sobre alienação e ruptura social.
Onde assistir: YouTube
Eu, Tu, Eles (2000)
Andrucha Waddington apresenta em Eu, Tu, Eles a história de Darlene, uma mulher sertaneja que convive com três homens em uma pequena comunidade no Nordeste. A trama se desenvolve em torno do cotidiano dessa estrutura familiar não convencional, em que o afeto e a convivência são postos à prova pelas tensões e costumes locais.
Onde assistir: Prime Video
Carandiru (2003)
Carandiru, também de Hector Babenco, adapta o livro do médico Drauzio Varella sobre sua experiência como voluntário no maior presídio da América Latina. O filme se constrói a partir de relatos de diferentes detentos, revelando suas histórias de vida antes e durante a prisão. A narrativa enfatiza a precariedade do sistema prisional e a humanidade dos personagens, indo além do estereótipo do “bandido”. A tensão cresce até culminar no massacre de 1992, apresentado como um ponto de ruptura e crítica explícita à brutalidade estatal. A obra teve grande repercussão e foi exibida fora de competição em Cannes.
Onde assistir: Netflix
Diários de Motocicleta (2004)
Apesar de ser uma produção latino-americana com direção do brasileiro Walter Salles, Diários de Motocicleta tem como figura central Ernesto Guevara, antes de se tornar o “Che”. O filme acompanha sua viagem de moto pela América do Sul ao lado do amigo Alberto Granado. A narrativa apresenta o despertar político de Ernesto a partir dos encontros com povos marginalizados em diferentes países, incluindo o Brasil. Com paisagens grandiosas e foco no amadurecimento do protagonista, o longa se estrutura como uma road movie de formação. Embora não seja exclusivamente brasileiro, sua direção e parte da produção justificaram sua associação com o Brasil no festival.
Onde assistir: YouTube
Cidade Baixa (2005)
Dirigido por Sérgio Machado, Cidade Baixa se passa nos bairros populares de Salvador e gira em torno do trio formado por Deco, Naldinho e Karinna. Amigos de infância e donos de um barco de transporte, os dois homens se veem emocionalmente abalados pela chegada da dançarina Karinna, que embarca com eles em uma travessia pelo interior da Bahia. À medida que os três passam a dividir o mesmo teto, o enredo se organiza em torno das tensões amorosas, sexuais e afetivas que emergem desse convívio. A estética crua, a câmera próxima e as atuações intensas ajudam a construir a atmosfera densa do longa, que passou pela mostra Un Certain Regard em Cannes.
Onde assistir: Globoplay
Cinema, Aspirinas e Urubus (2005)
Em um sertão marcado pela seca e pela precariedade, dois homens cruzam seus caminhos: Johann, um alemão fugido da guerra, e Ranulpho, nordestino sem rumo fixo. A bordo de um caminhão que exibe comerciais de aspirinas, os dois percorrem estradas poeirentas do interior do Brasil nos anos 1940. O filme, dirigido por Marcelo Gomes, opta por uma narrativa contida, centrada nos diálogos e na paisagem como extensão dos personagens. A estreia do longa em Cannes também se deu pela mostra Un Certain Regard.
Onde assistir: Apple TV+, Prime Video
Ensaio sobre a Cegueira (2008)
Baseado na obra de José Saramago, Ensaio sobre a Cegueira foi dirigido por Fernando Meirelles e transformou a alegoria literária em uma experiência audiovisual perturbadora. O filme retrata uma epidemia inexplicável de cegueira branca que se espalha por uma cidade e isola os afetados em um manicômio improvisado. O ambiente se deteriora rapidamente, revelando comportamentos extremos diante do colapso das estruturas sociais. Embora a história não se passe explicitamente no Brasil, o filme é uma coprodução internacional com direção brasileira, o que garantiu sua seleção na competição oficial do festival.
Linha de Passe (2008)
Walter Salles e Daniela Thomas retratam o cotidiano de quatro irmãos que vivem com a mãe em uma periferia de São Paulo. Cada um tenta encontrar seu caminho: seja pelo futebol, pela religião, pelos estudos ou pelas ruas. A ausência de uma figura paterna e as pressões sociais moldam os rumos de cada personagem. O filme tem uma pegada quase documental, acompanhando de perto os personagens e dando espaço para silêncios e observações sutis do cotidiano urbano. A atuação de Sandra Corveloni como a mãe rendeu o prêmio de melhor atriz em Cannes.
Onde assistir: YouTube (aluguel)
O Sal da Terra (2014)
Coassinado por Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, O Sal da Terra é um documentário sobre a vida e a obra do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado. O filme percorre décadas de registros de conflitos, migrações e paisagens, ao mesmo tempo que acompanha a trajetória pessoal de Salgado. A estética do preto e branco domina a tela, enquanto a narração alterna entre os diretores, criando uma ponte entre gerações e olhares. Foi exibido na mostra Un Certain Regard.
Onde assistir: Globoplay, Prime Video
Aquarius (2016)
Com direção de Kleber Mendonça Filho, Aquarius traz a história de Clara, uma jornalista aposentada que se recusa a deixar o apartamento em que vive há décadas, mesmo diante da pressão de uma construtora interessada em demolir o prédio. A narrativa se desenvolve a partir da resistência dessa mulher contra o apagamento da memória — tanto pessoal quanto coletiva — e tensiona questões como especulação imobiliária, envelhecimento e autonomia. Aquarius foi exibido na competição oficial e gerou repercussão não só pelo filme, mas também pela manifestação política do elenco no tapete vermelho.
Onde assistir: Netflix
A Moça que Dançou com o Diabo (2016)
O filme de João Paulo Miranda Maria foi exibido na mostra competitiva de curtas-metragens em Cannes. Com cerca de 15 minutos de duração, a narrativa acompanha uma jovem em uma comunidade interiorana que vive sob uma religiosidade opressiva. Imagens ritualísticas e um uso expressivo da trilha e da iluminação compõem o clima de tensão e ambiguidade que envolve a personagem.
Cinema Novo (2016)
Esse documentário de Eryk Rocha — filho de Glauber Rocha — investiga o movimento cinematográfico que transformou o Brasil a partir da década de 1960. Em vez de adotar uma estrutura expositiva convencional, o filme se constrói a partir de arquivos, trechos de filmes e entrevistas com cineastas como Nelson Pereira dos Santos, Cacá Diegues e Joaquim Pedro de Andrade. A montagem alterna entre imagens de bastidores e trechos emblemáticos que revelam a força estética e política do Cinema Novo. O longa venceu o prêmio L’Oeil d’Or de melhor documentário no festival.
Onde assistir: YouTube
Gabriel e a Montanha (2017)
Baseado na história real do economista brasileiro Gabriel Buchmann, o filme de Fellipe Barbosa reconstrói os últimos dias do jovem durante sua viagem pela África e acompanha sua travessia por diversos países do continente. A montagem combina elementos ficcionais com depoimentos reais de pessoas que o conheceram, formando um híbrido entre drama e documentário. Foi premiada na mostra Un Certain Regard, com destaque de direção.
Onde assistir: Globoplay
Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos (2018)
Assinado por João Salaviza e Renée Nader Messora, o filme foi realizado com e sobre o povo indígena Krahô, no Tocantins. A narrativa gira em torno de Ihjãc, um jovem que se recusa a assumir o papel de xamã após a morte do pai. A partir dessa tensão entre tradição e desejo de autonomia, o filme aborda o luto, os ritos e a resistência indígena em um mundo atravessado por pressões externas. A escolha por uma linguagem contemplativa, com planos longos e não-atores, aproxima o espectador da vivência da aldeia. O filme venceu o Prêmio Especial do Júri na mostra Un Certain Regard.
Onde assistir: YouTube
Los Silencios (2018)
Dirigido por Beatriz Seigner, Los Silencios acompanha uma mãe colombiana e seus dois filhos que chegam à Ilha da Fantasia, na fronteira entre Brasil, Peru e Colômbia, fugindo do conflito armado. A trama se desenvolve nesse espaço marcado pela fluidez das fronteiras e pela presença constante dos mortos, que convivem com os vivos como se nunca tivessem partido. O filme passou pela Quinzena dos Realizadores.
Onde assistir: Mercado Play
O Órfão (2018)
O curta de Carolina Markowicz é baseado na história real de um adolescente rejeitado pela família adotiva após a revelação de sua homossexualidade. Com cerca de 15 minutos, o filme foca na passagem do garoto por um abrigo e no seu desejo de pertencimento. A obra participou da mostra competitiva de curtas de Cannes e levou o Queer Palm de melhor curta LGBTQIA+.
Onde assistir: Mubi
Bacurau (2019)
Em um povoado fictício do sertão nordestino, os moradores enfrentam a ameaça de um grupo de estrangeiros que pretende apagar a vila do mapa. Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, Bacurau mistura elementos do faroeste, da ficção científica e do cinema político para construir uma narrativa sobre resistência, identidade e violência. O filme articula um coletivo como protagonista, invertendo lógicas tradicionais do cinema de gênero. Ganhou o Prêmio do Júri, um dos principais da competição oficial de Cannes.
Onde assistir: Globoplay, Prime Video (com Telecine), Apple TV+, YouTube (aluguel)
A Vida Invisível de Eurídice Gusmão (2019)
Dirigido por Karim Aïnouz, o filme adapta o romance de Martha Batalha e narra a trajetória de duas irmãs separadas à força no Rio de Janeiro da década de 1950. Enquanto uma é enviada para um convento e a outra permanece em casa acreditando que a irmã a abandonou, a narrativa acompanha suas vidas em paralelo, marcadas pela repressão e pelo silêncio. O melodrama se articula com a crítica à sociedade patriarcal e à exclusão das mulheres de seus próprios destinos. Vencedor da mostra Un Certain Regard.
Onde assistir: Globoplay
Sem Seu Sangue (2019)
Alice Furtado dirige esse longa que mistura romance adolescente com traços do fantástico. O filme acompanha a jovem Silvia, que vive um luto intenso após a morte repentina do namorado. À medida que a ausência se torna insuportável, a narrativa flerta com a possibilidade do impossível, usando o luto como ponte para o surreal. O filme foi exibido na Quinzena dos Realizadores.
Céu de Agosto (2021)
O curta de Jasmin Tenucci se passa durante a pandemia e acompanha uma enfermeira em São Paulo que, diante da exaustão e da tensão dos dias, passa a frequentar cultos neopentecostais. A narrativa observa o cotidiano de uma personagem em suspensão emocional, capturando o momento em que ela se aproxima de um novo sistema de crenças. O filme foi selecionado para a competição de curtas e chegou a concorrer à “Palma de Ouro” da categoria.
Sideral (2021)
Dirigido por Carlos Segundo, Sideral se passa em Natal, no Rio Grande do Norte, e acompanha uma família que vive nas proximidades de uma base de lançamentos espaciais. Quando a mulher do casal desaparece de forma misteriosa, o filme apresenta uma reviravolta que mistura ficção científica e crítica social. O curta foi exibido na mostra competitiva de curtas de Cannes e chamou atenção pelo uso do preto e branco.
Onde assistir: Globoplay
Cantareira (2021)
Rodado nas margens da represa de mesmo nome, em São Paulo, Cantareira, de Rodrigo Ribeiro, acompanha um jovem que tenta escapar do caos urbano voltando à comunidade onde cresceu. O curta se move entre memória e deslocamento, mostrando o contraste entre a cidade e a mata, e entre o presente e o passado do personagem. A obra venceu o terceiro lugar da Cinéfondation, mostra voltada a produções universitárias.
A Flor do Buriti (2023)
De João Salaviza e Renée Nader Messora, o longa é uma continuação espiritual de Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos. Dessa vez, a história se volta ao processo histórico de resistência do povo Krahô, trazendo à tona memórias de massacres e expropriações, mas também práticas cotidianas e formas de cuidado. O filme combina encenação com elementos documentais e teve estreia na mostra Un Certain Regard.
Onde assistir: Netflix
Motel Destino (2024)
Com Motel Destino, Karim Aïnouz retorna à competição oficial de Cannes, desta vez levando o espectador a um espaço de desejos, segredos e tensão no interior do Ceará. O filme se passa em um motel à beira da estrada, onde Heraldo (Iago Xavier), recém-saído de um reformatório, cruza caminhos com Dayana (Nataly Rocha) e Elias (Fábio Assunção), o enigmático dono do lugar. A dinâmica entre os três vai se tornando cada vez mais tensa, revelando conflitos de poder e identidade enquanto a trama mergulha em temas como violência, desejo e exclusão. O filme recebeu 12 minutos de aplausos no festival.
Onde assistir: Prime Video (Telecine), Globoplay, Apple TV+
Baby (2024)
Dirigido por Marcelo Caetano, Baby foi selecionado para a mostra paralela da Semana da Crítica. O longa acompanha a vida de um jovem de periferia que, entre encontros sexuais, vivências de rua e conflitos familiares, tenta traçar um caminho próprio. O filme busca representar a juventude queer com autenticidade e sem filtros, partindo de uma estética urbana, sensual e carregada de cor.
Onde assistir: Apple TV+
Amarela (2024)
Curta de André Hayato Saito, Amarela foi escolhido para a competição oficial de curtas em Cannes. A narrativa gira em torno da vivência de um jovem asiático-brasileiro que precisa lidar com o luto e a violência simbólica do racismo. A história é contada de forma sensível e direta, com uma estética que mistura naturalismo e artifício.
Crônica de um Industrial (seleção cancelada devido à censura)

Com forte caráter experimental, o longa de Luiz Rosemberg Filho se debruçava sobre o colapso moral e simbólico de um empresário, funcionando como crítica aberta ao capitalismo e à repressão. Foi convidado para o Festival de Cannes, mas acabou tendo sua participação cancelada pela ditadura militar brasileira. Mesmo assim, vale a menção honrosa nessa lista.
Onde assistir: YouTube
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Texto revisado por Alexandre Marques em 16/04/2025.
Fonte: Festival de Cannes
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