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iPhone, Apple, Android, 10 anos - iPhone 10 years

Apple

#iPhone10: conheça a história revolucionária do primeiro iPhone

Há 10 anos, dezenas estavam em filas para comprar o iPhone 2G; conheça a história do aparelho mais revolucionário dos últimos tempos

Não parece, mas há pouco mais de 10 anos, Steve Jobs estava em São Francisco, na Califórnia, apresentando um iPod, um telefone e um comunicador via internet, este era o iPhone. Muitos já aguardavam um grande anúncio para aquele dia, outros nem imaginavam do que se tratava – observando hoje, o fato de que aquela terça-feira revolucionou o mundo da tecnologia é praticamente indiscutível.

O Showmetech ainda não existia, assim como a maioria dos sites e portais, brasileiros ou internacionais, dedicados à tecnologia, sobretudo a móvel. Steve Jobs ainda era CEO da Apple e já, há 3 anos, lutava contra um câncer no pâncreas, que infelizmente o levou à morte mais tarde, em 2011. Mas não estamos aqui para falar de assuntos tristes como esse.

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Motorola Moto Q, um dos mais desejados smartphones de 2006

Antes do primeiro iPhone, em 2006, os smartphones tinham um conceito e aparência muito distintos daqueles vistos hoje ou após 2007, o ano de surgimento do gadget da Maçã. O exemplo mais sofisticado de celular inteligente estava no Windows Mobile e nos Palms, que inclusive realizaram colaborações até 2009.

Os chamados PocketPCs eram uma reprodução fiel dos computadores tradicionais, ao menos em tese – muitas vezes eles pegavam ícones, sons, animações e até softwares emprestados. Por mais incrível que pareça, a ideia de que seria viável criar planilhas no Excel utilizando uma tela de 2.4″ (320 x 240), como a presente no Motorola Moto Q, era vendida e aceita por boa parte do planeta.

A chegada do iPhone

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A tela touchscreen dominando a parte frontal logo se tornou moda entre os concorrentes

Com tantos PocketPCs no mercado, o público já esperava algo similar vindo da Apple. Os rumores sobre um possível ‘iPhone‘ cresceram escandalosamente em 2006, apesar de ninguém ter previsto os recursos ou o visual que o dispositivo acabou apresentando. As pessoas não esperavam que o iPhone fosse tornar o iPod praticamente inútil, por exemplo, afinal, isso não faria sentido algum.

O aparelho finalmente foi anunciado em 9 de janeiro de 2007. Durante a apresentação, Jobs começou falando da introdução do primeiro painel touchscreen e multitoques em um smartphone, o que tornava o iPhone, segundo ele, o dispositivo mais intuitivo da categoria. A interface simplificada do iOS, que não tinha nem mesmo um nome até então, também foi exibida durante a keynote – o CEO adorava a facilidade com que o sistema permitia o consumo de mídia, como vídeos e músicas.

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O pessoal do iFixit desmontou o iPhone 2G; o reparo não era difícil

O modelo 2G só chegou às lojas seis meses depois, em junho de 2007, mais precisamente no dia 29; uma sexta-feira nublada em São Francisco. As especificações eram incríveis para aquele ano: processador Samsung single-core de 412MHz, 128MB de memória RAM, opções com até 8GB de armazenamento interno, display TFT de 3.5″ (320 x 380), câmera traseira de 2 megapixels, sem a auxiliar frontal, acelerômetro, sensor de proximidade, tela touchscreen capacitiva e multitoque, sistema operacional iPhone OS e preço sugerido de até US$ 599, na versão mais cara de 8GB.

Os números

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Naquela época, não imaginávamos, mas o principal foco do iPhone não era produtividade pura e simplesmente, ele atirava para todos os lados e públicos. Porém, lá no fundo, se tratava de uma ferramenta para consumir mídia e se manter conectado – um iPod, um telefone e um comunicador via internet.

Segundo dados da Recode, nesses últimos dez anos, os smartphones passaram a tomar 30% dos 400 minutos diários que o seres humanos dedicam ao consumo de mídia – méritos que, ao menos inicialmente, são do iPhone. A loja de aplicativos do gadget, a App Store, chegou um ano depois do dispositivo e com certeza nos ajudou a atingir esse número. Hoje, já existem mais de 2.1 milhões de aplicativos para a plataforma.

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Tudo isso também mudou a Apple: até 2006, o iPod era o produto mais rentável da Maçã, contribuindo em até 40% para os US$ 19 bi acumulados pela empresa. 11 anos depois, os mesmos iPods sequer figuram na lista, são listados como ‘Outros‘, bem abaixo dos 11% dos Macs e os 10% dos iPads – os iPhones, no entanto, ajudam com 63% de todo o lucro da Apple, um número que já passa dos US$ 216 bilhões.

Com tanto dinheiro, a Apple se tornou a empresa mais valiosa do mundo. Desbancando concorrentes como a Microsoft e outras empresas de campos muito distintos do seu, entre elas a General Electric e a Exxon Mobil, esta última envolvida com exploração de petróleo.

Concorrentes

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Lembra dele? O Galaxy SII estrelou uma polêmica sobre o design supostamente ‘copiado do iPhone’

Enquanto o iPhone foi uma peça-chave na ruína de companhias como a Nokia e a BlackBerry, o mesmo aparelho tornou o consumo de smartphones mais rentável do que qualquer fabricante imaginaria. Empresas como a Motorola, LG e Sony podem até não figurar entre as mais vendidas no setor, porém, é inegável que não só o preço, mas também o volume das compras de smartphone, cresceram principalmente após o surgimento do iPhone – isso também ajudou essas companhias.

Estima-se que, só em 2016, o total de smartphones vendidos no mundo todo tenha ultrapassado 1,5 bilhão de unidades. Esse número é 24 vezes maior que os estimados 64 milhões de aparelhos vendidos em 2006, levando em conta só aqueles considerados ‘inteligentes’, é claro.

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As mais beneficiadas por esses números? Apple e Samsung, obviamente. Enquanto a Maçã viu suas vendas aumentarem exponencialmente nos últimos dez anos, subindo de 3 para 215 milhões de aparelhos vendidos, a Samsung, ironicamente, também tem pouquíssimos motivos para odiar o iPhone: neste mesmo período, de 2006 a 2016, a coreana saiu de 5,4 para 311 milhões de unidades comercializadas.

Nada disso teria surgido sem a acirrada competição entre os sistemas Android e iOS, este último pertencente à Apple. Atualmente, ambos continuam em pé de guerra, e enquanto o robozinho do Google comemora os seus 2 bilhões de dispositivos ativos, entre smartphones, tablets, wearables e até geladeiras (?), a Apple parece bem contente com os seus 1,2 bilhões de iPhones vendidos até hoje.

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Em 2016, o iPhone atingiu 214 milhões de unidades vendidas, contando todos os modelos disponíveis

O número parece e é bem menor. Mas o que temos de levar em consideração é o fato do iPhone ser um único dispositivo, com preço inacessível para muitos mercados e disponibilidade limitada. Tá tudo bem, nada disso é mérito para a Apple, mas precisamos concordar que, mesmo com tantas limitações, o aparelho a tornou a empresa mais valiosa do mundo, como explicamos acima.

O Android

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Android e iOS têm uma relação bem mais próxima do que aparentam. Apesar do iOS ter ficado pronto primeiro, o Android já era do Google desde 2005, o que significa que o seu criador, Andy Rubin, já o idealizava há algum tempo antes disso. Inicialmente, Rubin pensava em lançar o Android para câmeras digitais inteligentes – a proposta era ter um dispositivo conectado e que pudesse compartilhar instantaneamente as imagens capturadas.

Em 2005, a gigante das buscas viu o sistema como uma potencial extensão dos seus serviços na web. Até então, o Android não seria nada além de um portátil onde você poderia acessar seu Gmail, a busca do Google e os outros poucos serviços que a empresa tinha na época – eles tinham acabado de comprar o YouTube, também.

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Este é o HTC Sooner, o primeiro protótipo com Android e que quase foi lançado. Você compraria?

O que pouca gente sabe é que logo depois do lançamento do iPhone, o time responsável pelo Android notou que estava num caminho completamente errado com o seu smartphone: em 2007, o SO não tinha suporte ao touchscreen, usava teclas físicas e tinha uma interface bastante similar a do Windows Mobile – um pouco mais amigável ao usuário, embora mais limitada também.

As más línguas dizem que Rubin estava em um táxi enquanto assistia ao lançamento do iPhone via internet. Ele ficou tão surpreso com o anúncio do gadget que pensou: ‘nós precisamos começar tudo do zero’. Ao jornal The Atlantic, Chris DeSalvo, um dos responsáveis pelas primeiras builds internas do Android, disse que, como consumidor, ele estava completamente eufórico. ‘Eu queria um, mas era um engenheiro do Google, tinha de pensar no nosso produto’.

“O produto que nós tínhamos parecia tão… anos 90” – Chris DeSalvo, ex-engenheiro do Google, sobre o lançamento do iPhone em 2007.

Foi aí que o lançamento do Android se atrasou mais um pouco. O time da Google, que já tinha reiniciado o projeto em 2005, teria de fazer isso de novo, tudo por causa de Jobs e seu maldito OS X mobile – sim, a intenção era batizar o iOS com esse nome.

É aí que, alguns meses depois, surge (de novo) uma versão renovada do Android – agora com suporte ao touchscreen e preparada para esse tipo de uso. Essa versão é a mais próxima do Android 1.5 Donut, a primeira build a se tornar oficial e comercializável. A versão final do SO, por sua vez, só viu a luz do dia em setembro de 2008, quando foi lançada junto do T-Mobile G1.

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T-Mobile G1 nos EUA, HTC Dream no resto do mundo

Quando o Android finalmente foi revelado, até mesmo seus criadores sabiam que não se tratava de software tão poderoso quando aquele presente no iPhone. Mesmo assim, o anuncio despertou uma fúria nunca vista em Steve Jobs – pouco tempo depois do lançamento, Steve declararia, nas palavras dele, ‘uma guerra termonuclear‘ ao Android.

Até os últimos estágios de produção do sistema, Jobs estava completamente ciente do que seria o Android – o Google dizia que planejava algo completamente diferente do iPhone, mais parecido com os telefones tradicionais.

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Afinal, Rubin é ou não é parecido com Steve Jobs? Será que ele faz isso de propósito?

A coisa ficou mais pessoal quando Jobs, em uma reunião com vários executivos do Google, disse que o Rubin estava sendo arrogante e ‘anti-inovador‘. O CEO disse ainda que Rubin queria ser como ele, que copiou seu sistema, seu corte de cabelo, seu jeito de ser e até as suas roupas. Para Steve, tanto Rubin quanto sua criação eram cópias do seu brilhantismo.

É importante salientar que a Apple pôde ver o Android pouco tempo antes dele ser lançado, quase em sua versão final. O que mais chateou Rubin, em suas palavras, é que a Apple ‘usou essa reunião e sua influência nos chefões da Google para dizer como a empresa deveria retirar recursos do Android, sob a ameaça de sofrer consequências’.

Dez anos

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(Imagem/Reprod: Canoopsy)

Este texto não tem a mínima intenção de falar do iPhone em si. Dizemos isso porque o iPhone é, e com grandes chances de certeza, o aparelho celular mais conhecido do planeta. Ninguém precisa dizer o que é o iPhone ou como ele era há 10 anos  – poucos se esquecerão daquela época, para não exagerar dizendo ‘daquele dia’.

A intenção aqui é mostrar como um único produto, lançado há uma década por um dos homens mais ambiciosos do mundo tecnológico, ajudou a revolucionar a tecnologia, os seus concorrentes, o mercado e até mesmo o comportamento humano. Ninguém precisa ter um iPhone para sofrer as consequências geradas por ele – essa é a tal ‘bolha de distorção da realidade’ criada por Jobs; muitos acreditam que ela está sumindo, mas eu, particularmente, não concordo.

O iPhone que aguardamos para os próximos três meses será o primeiro, dentro de alguns anos, a despertar a curiosidade e anseio de todos, até mesmo daqueles que o odeiam. Só o fato disso estar acontecendo mostra que, para um aparelho que existe há 10 anos, e que não mudou o seu conceito original, o iPhone está mais firme e forte do que nunca. Aguardamos ansiosos.

Fonte(s): Business Insider, Recode, Wikipedia, Forbes, CNN, Gartner e Canalys
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19 anos, brasiliense, acadêmico de Direito e apaixonado por tecnologia, informação e entretenimento.

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