40. 000 comprimidos de ecstasy ingeridos por homem vira estudo de caso em universidade

Homem toma 40.000 comprimidos de Ecstasy, veja o que aconteceu

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Superando o recorde de 2000 comprimidos consumidos, conheça o caso do homem que ingeriu 40 mil comprimidos de ecstasy durante nove anos da sua vida

Ecstasy é um comprimido que foi comumente usado nos anos 70 como remédio psicoterápico, até ser considerado uma droga propriamente dita, como conhecemos hoje em dia. De lá pra cá, seu uso, geralmente por adolescentes, tem se tornado comum, principalmente por quem costuma frequentar boates e festas de música eletrônica. Um estudo realizado na St George’s Medical School, faculdade de Londres, avaliou o caso de um homem que consumiu 40.000 comprimidos de ecstasy. Aqui veremos um pouco sobre ele e o caso citado.

O que é ecstasy?

Como dito na introdução, este comprimido era utilizado nos anos 70 em pacientes que passavam por sessões de psicoterapia e nos anos 80 começou então o seu uso como “droga recreativa”. Após sua ingestão por via oral, o usuário começa a sentir um leve estado de euforia, aumento de empatia e sensação de prazer. Estes efeitos começam a ser sentidos cerca de meia hora após a ingestão e costumam durar até cinco horas.

Composto por 3,4-metilenodioximetanfetamina, ou como é comumente conhecida, MDMA, o ecstasy, apesar de ser considerado recreativo e com o menor registro de agressão ao organismo do usuário, assim como qualquer outra substância ilícita, causa dependência. Além disso, também pode causar outros efeitos colaterais como falha na memória, insônia, sudorese (suor em excesso), bruxismo, entre outros.

Comprimidos de ecstasy
Alguns comprimidos. (Imagem: Reprodução)

O MDMA contido nos comprimidos é considerado o “menos perigoso” das drogas, pois, no caso do álcool (que é inclusive lícito, diferente do ecstasy), ele não causa, por exemplo, agressividade ao usuário. Por este motivo, ele é tido como uma “droga recreativa”. Fatos estes que não justificam o consumo destas ou quaisquer outras drogas.

Estudo sobre o homem que tomou 40.000 comprimidos de ecstasy

O maior consumo já registrado até então foi de 2000 comprimidos; agora temos o caso com 38 mil a mais. Este estudo se refere ao Senhor A, 37 anos, que consumiu 40.000 comprimidos de ecstasy entre seus 21 e 30 anos, ou seja, durante nove anos. Nos primeiros dois anos, ele ingeria 5 comprimidos todo fim de semana; essa quantia aumentou para 3,5 comprimidos diários nos anos subsequentes e aumentou novamente para 25 comprimidos diários (mais de um por hora), nos últimos quatro anos. Após alguns cálculos baseados neste consumo, foi estimado o consumo total do homem.

Sem apresentar a mesma frequência, o paciente também chegou a consumir, com os comprimidos de ecstasy, maconha, e possuía o histórico de consumo de LSD, cocaína, heroína, dentre outros. Após sofrer três colapsos enquanto sob efeito da droga em festas, o Senhor A decidiu parar de ingerir os comprimidos (afirmando fazer uso apenas de maconha) e, a partir de então, começou a sentir os efeitos colaterais.

Eventualmente ele desenvolveu severos ataques de pânico, ansiedade recorrente, depressão, rigidez muscular (principalmente na região do pescoço e mandíbula) e cenários de alucinações e paranoia. […] Um breve exame mental revelou desorientação de tempo, pouca concentração e dificuldade em lembrar termos mais curtos.

Registro médico dos responsáveis pelo caso na faculdade St George’s Medical School

Ao reduzir o consumo de maconha, desapareceram suas alucinações e paranoia, enquanto os ataques de pânico foram reduzidos. Entretanto, as outras sequelas permaneceram, incluindo uma “visão de túnel” que ele relata acontecer com certa frequência. Apesar do Senhor A conseguir entender perfeitamente as instruções dadas, ainda assim sua concentração e atenção foram prejudicadas ao ponto dele se tornar incapaz de realizar uma sequência de atividades solicitadas pelo corpo médico.

Efeitos colaterais das drogas
Visão de túnel. (Imagem: Reprodução)

Sobre a má funcionalidade da memória em geral, o paciente foi submetido a uma ressonância magnética, que não apontou nenhum dano ao cérebro, fisicamente falando. Seguindo orientações da equipe médica, o Senhor A começou um tratamento numa clínica especializada em procedimentos cerebrais, o que concedeu-lhe melhorias em suas capacidades de memória. Por conclusão, o relatório médico afirma que não há evidências que os prejuízos causados possam ser revertidos pelo simples fato de encerrar seu consumo, nos casos em que este consumo foi realizado durante um longo período.

O único sintoma, que não possui explicação pela parte da equipe médica da faculdade é o fato dele ter tido as chamadas “visões em forma de túnel” após encerrar o consumo dos comprimidos.

O ecstasy pode matar?

Alguns registros científicos dizem que a overdose, que é a morte por consumir a mesma droga ou várias drogas em níveis extremamente altos, pode acontecer com qualquer droga ingerida. Mesmo não sendo por overdose, o usuário pode acabar falecendo por outras maneiras, como por falta de discernimento ou atenção e acabar sendo vítima de algum acidente. As sequelas, como visto no caso acima, também podem se tornar irreversíveis.

Níveis de danos relacionados às drogas
A parte azul significa os danos ao usuário, e a vermelha, danos a si e às demais pessoas. Reprodução: IFLScience

Um estudo realizado pelo Centro Nacional de Informação Biotecnológica, da Austrália, ranqueou quais são as drogas mais perigosas e prejudiciais, separando as que afetam apenas o usuário e as que, através de seus efeitos, também atingem as pessoas ao redor. Em ordem do que causa mais danos ao que causa menos, temos, para danos ao indivíduo, heroína, álcool e metanfetamina. Elas também aparecem para os “danos coletivos”, com a diferença que o álcool lidera a lista. Em ambas as listas o ecstasy aparece nos últimos lugares.

Veja também:

Ecstasy e outras drogas são abordados em diversos seriados como Breaking Bad‘ e ‘Euphoria. Confira estes e outros seriados!

Fonte: IFLScience [1] e [2], Research Gate e The Guardian.

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