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A Anthropic, empresa responsável pelo chatbot Claude, deu o primeiro passo para abrir capital nos Estados Unidos: a companhia informou que enviou de forma confidencial à SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA, um rascunho do formulário S-1 para uma possível oferta pública inicial de ações. O movimento coloca uma das startups mais valiosas da inteligência artificial em rota para testar o apetite do mercado público por empresas de IA. Saiba mais:
Pedido apresentado à SEC
Segundo comunicado oficial, a Anthropic, PBC submeteu confidencialmente uma declaração de registro preliminar no Form S-1 à U.S. Securities and Exchange Commission (Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos). Esse documento é usado por empresas que pretendem vender ações ao público pela primeira vez, mas, quando enviado de forma confidencial, os detalhes financeiros e operacionais só costumam aparecer mais adiante no processo.
Na prática, isso significa que a dona do Claude ganhou a opção de seguir com uma abertura de capital depois que a SEC revisar a documentação. A própria Anthropic afirma que o IPO ainda dependerá das condições de mercado e de outros fatores. A empresa também deixou claro que ainda não definiu a quantidade de ações a serem ofertadas nem a faixa de preço — e publicou o aviso sob a Regra 135 do Securities Act (lei de valores mobiliários dos EUA), reforçando que o comunicado não é uma oferta de venda de valores mobiliários.
Essa etapa é importante porque transforma meses de especulação em um processo formal. Ainda assim, ela não deve ser lida como garantia de estreia imediata na bolsa: companhias podem ajustar, adiar ou até desistir de uma oferta conforme o cenário econômico, a reação de investidores e as exigências do regulador.
Por que o possível IPO chama tanta atenção?

O interesse vem do tamanho que a Anthropic alcançou em pouco tempo. Poucos dias antes do envio do S-1, a empresa anunciou uma rodada Series H de US$ 65 bilhões, liderada por investidores como Altimeter Capital, Dragoneer, Greenoaks e Sequoia Capital. Com isso, a startup disse ter chegado a uma avaliação pós-investimento de US$ 965 bilhões.
Segundo análise da Investors.com, esse valuation colocaria a Anthropic acima da avaliação privada mais recente atribuída à OpenAI, estimada em US$ 852 bilhões após compromissos de capital de US$ 122 bilhões. Isso não significa que o IPO será automaticamente o maior da história, já que o recorde depende do volume de ações vendido e do preço final da oferta, mas mostra que a eventual estreia da dona do Claude pode entrar na disputa pelas maiores aberturas de capital já vistas e servir de referência para possíveis IPOs de OpenAI e xAI.
Esse número coloca a empresa em um patamar raro mesmo entre gigantes de tecnologia. A Anthropic disputa diretamente com OpenAI, Google, Meta e xAI em modelos de linguagem, agentes de IA, ferramentas de programação e soluções corporativas. O avanço de agentes de IA em produtos como Gemini mostra como esse mercado deixou de ser apenas uma corrida de chatbots e passou a envolver infraestrutura, produtividade e automação.
No comunicado da rodada, a Anthropic também afirmou que sua receita anualizada ultrapassou US$ 47 bilhões e que o novo capital será usado para ampliar pesquisa em segurança e interpretabilidade, expandir capacidade de computação e escalar produtos e parcerias. A empresa cita acordos com Amazon, Google, Broadcom e SpaceX para ampliar infraestrutura, além de parcerias com Micron, Samsung e SK hynix no fornecimento de tecnologias ligadas a memória, armazenamento e chips.
Próximos passos
Por ser um envio confidencial, as informações mais sensíveis ainda não estão disponíveis ao público. O documento completo deve revelar, quando publicado, dados como riscos de negócio, despesas, receitas detalhadas, dependência de fornecedores de nuvem, remuneração de executivos, estrutura societária e possíveis conflitos estratégicos.
Esses pontos serão decisivos para entender o real valor da companhia. Empresas de IA generativa podem crescer rapidamente, mas também queimam volumes enormes de caixa em treinamento de modelos, inferência, contratação de talentos e contratos de infraestrutura. Para investidores, a pergunta central será se o crescimento do Claude e dos produtos corporativos consegue sustentar a avaliação bilionária sem depender indefinidamente de novas rodadas privadas.
A mesma fonte aponta ainda um detalhe importante para essa comparação: Anthropic e OpenAI reconheceriam receitas de nuvem de formas diferentes. A Anthropic registraria vendas feitas por plataformas parceiras em base bruta, enquanto a OpenAI tenderia a contabilizar apenas a parcela líquida que fica com a empresa. Por isso, quando o S-1 público for divulgado, margens, custos de nuvem e compromissos de infraestrutura serão tão importantes quanto o número bruto de receita.
Outro ponto em aberto é o calendário. A Anthropic não informou quando espera concluir a análise da SEC, quando poderia tornar o S-1 público ou em qual bolsa pretende listar suas ações. Também não há detalhes sobre participação de investidores atuais, eventuais travas de venda e como a estrutura de governança de uma public benefit corporation (Empresa de Benefício Público) será apresentada aos acionistas.
Disputa com OpenAI
A decisão aumenta a pressão competitiva sobre a OpenAI. Segundo o The Verge, havia expectativa sobre qual das duas empresas avançaria primeiro em direção ao mercado público. A Anthropic agora tem um processo formal em andamento, enquanto a rival segue no centro de debates sobre estrutura societária, parcerias e captação de capital.
Para o setor, a abertura de capital de uma empresa desse porte pode funcionar como termômetro. Se investidores aceitarem pagar múltiplos elevados por uma empresa de IA que ainda precisa investir pesadamente em infraestrutura, outras companhias podem tentar seguir o mesmo caminho. Se houver resistência, o mercado privado de IA pode passar por uma reprecificação, leia-se um possível estouro da bolha de IA.
O movimento também mostra como modelos de IA deixaram de ser apenas produtos de software. Para competir, empresas como Anthropic precisam garantir energia, chips, data centers, nuvem, memória, talentos e distribuição empresarial. Mais novidades, em breve.
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Fontes: Anthropic, Anthropic Series H, Ground News e The Verge.
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