Índice
- Família MAI: os primeiros modelos próprios de IA da Microsoft
- Project Solara: uma plataforma para agentes em vários dispositivos
- Microsoft Scout e Autopilots: agentes sempre ativos para o trabalho
- Windows, OpenClaw e contêineres: segurança para agentes de IA
- Surface RTX Spark: computador de IA local com NVIDIA
- Microsoft Discovery e pesquisa científica com IA
- Majorana 2: novo passo rumo ao computador quântico
- O que isso significa para usuários e empresas
A Microsoft Build 2026 colocou agentes de IA no centro da estratégia da Microsoft. Durante a keynote, Satya Nadella apresentou uma nova família de modelos MAI, uma plataforma para agentes em múltiplos dispositivos, o Microsoft Scout para trabalho, novas camadas de segurança no Windows e hardware com NVIDIA RTX Spark para rodar IA localmente.
A seguir, reunimos as principais novidades apresentadas na conferência, com explicação do que muda para usuários, empresas e desenvolvedores. Como parte dos anúncios ainda está em preview, disponibilidade e preço no Brasil não foram confirmados pela Microsoft.
Família MAI: os primeiros modelos próprios de IA da Microsoft
A Microsoft apresentou a nova família MAI, uma linha de modelos de IA criada para reduzir a dependência de soluções externas e oferecer opções próprias dentro do ecossistema Microsoft. O principal anúncio foi o MAI-Thinking-1, descrito pela empresa como seu primeiro modelo de raciocínio, com 35 bilhões de parâmetros ativos e janela de contexto de 128 mil tokens.
Na prática, um modelo de raciocínio é voltado a tarefas que exigem várias etapas, como escrever código, analisar documentos extensos, planejar fluxos de trabalho e resolver problemas complexos. Segundo a cobertura da Mashable, a Microsoft destacou também o custo menor por token em comparação com modelos semelhantes, ponto importante para empresas que querem escalar IA sem explodir o orçamento.
- MAI-Thinking-1: raciocínio, instruções complexas, contexto longo e geração de código;
- MAI-Image-2.5: geração de imagens, com variante Flash;
- MAI-Transcribe-1.5: transcrição em vários idiomas;
- MAI-Voice-2: voz, também com variante Flash;
- MAI-Code-1: modelo focado em programação e disponível em ferramentas como Copilot e VS Code, segundo a Mashable.
Os modelos serão integrados ao Microsoft Foundry e a produtos como PowerPoint, OneDrive e Copilot. Para o usuário final, isso significa que recursos de criação, resumo, voz e programação podem ficar mais rápidos, baratos e integrados aos aplicativos da Microsoft.
Vídeo oficial relacionado: a Microsoft publicou um vídeo dedicado aos novos modelos de IA.
Project Solara: uma plataforma para agentes em vários dispositivos
Outro ponto forte da keynote foi o Project Solara, descrito pela Mashable como uma plataforma baseada em Android para rodar múltiplos agentes de IA em um ambiente seguro. A ideia é ir além do PC tradicional: agentes poderiam acompanhar o usuário em dispositivos diferentes, mantendo contexto e executando tarefas sem depender o tempo todo de uma janela do Windows.
Satya Nadella mostrou conceitos de dispositivos, incluindo um acessório vestível com chip da Qualcomm e um equipamento de mesa para acompanhar fluxos de trabalho. A proposta ainda soa experimental, mas revela a direção da Microsoft: transformar agentes em uma camada contínua de computação, não apenas em chatbots dentro de um aplicativo.
Para empresas, o valor estaria em permitir que agentes ajudem a pensar, planejar e executar tarefas em ambientes controlados. Para consumidores, a promessa é de uma IA mais presente no dia a dia, embora ainda faltem detalhes de disponibilidade, preço e formato final dos produtos.
Vídeo oficial relacionado: a conversa da Microsoft com Cristiano Amon, CEO da Qualcomm, ajuda a contextualizar a parceria por trás dos novos dispositivos.
Microsoft Scout e Autopilots: agentes sempre ativos para o trabalho
A Microsoft também apresentou os Autopilots, uma nova categoria de agentes sempre ativos, com identidade própria e capacidade de agir em nome do usuário dentro das permissões definidas pela organização. O primeiro exemplo é o Microsoft Scout, integrado ao Microsoft 365.
Diferente de um chatbot que espera uma pergunta, o Scout foi pensado para atuar em segundo plano. Ele pode observar informações de Teams, Outlook, OneDrive, SharePoint, calendário, e-mails e contatos para antecipar tarefas: preparar reuniões, sugerir horários entre fusos, identificar entregas pendentes, reservar blocos na agenda e apontar decisões paradas antes que virem gargalos.
A Microsoft afirma que o Scout usa o Work IQ, a camada de inteligência do Microsoft 365 Copilot, e tecnologia aberta do OpenClaw. A disponibilidade começa de forma limitada: o blog oficial informa acesso experimental por meio do programa Frontier, com requisitos como inscrição no Frontier, políticas via Intune, opt-in de atestado e licença do GitHub Copilot para instalação da experiência.
Vídeo oficial relacionado: a Microsoft abordou Autopilots durante a keynote; o vídeo de visão geral dos modelos também aparece conectado a Scout e aos novos agentes.
Windows, OpenClaw e contêineres: segurança para agentes de IA
A Microsoft quer posicionar o Windows como um ambiente “nativo para agentes”. Para isso, apresentou a ideia de Microsoft Execution Containers, em preview, que funcionam como áreas isoladas para agentes executarem código, acessarem arquivos e interagirem com redes com menos risco para o sistema principal.
Essa camada é importante porque agentes autônomos podem executar fluxos de várias etapas e tomar ações em nome do usuário. Se essa execução acontece em sessões sem controle, aumenta o risco de vazamento de dados, acesso indevido ou ações não autorizadas. Com contêineres aplicados pelo sistema operacional, administradores de TI podem definir limites e políticas com mais previsibilidade.
No caso do Scout, a Microsoft também promete identidade governada pelo Entra, credenciais protegidas, permissões específicas, aprovação humana para ações sensíveis e aplicação de políticas do Microsoft Purview, como rótulos de sensibilidade e prevenção contra perda de dados.
Vídeo oficial relacionado: o canal Microsoft Developer publicou um vídeo específico sobre OpenClaw e Windows na Build 2026.
Surface RTX Spark: computador de IA local com NVIDIA
A parceria com a NVIDIA apareceu no anúncio do Surface RTX Spark Dev Box, chamado pela Mashable de Surface Ultra em sua cobertura. O produto foi apresentado como uma máquina para desenvolvedores que precisam rodar cargas de IA localmente, sem depender o tempo todo da nuvem.
Segundo a Mashable, o hardware usa o novo chip NVIDIA RTX Spark, oferece até 1 petaflop de desempenho de IA e pode chegar a 128 GB de memória unificada. A promessa é executar modelos de até 120 bilhões de parâmetros no próprio dispositivo, algo relevante para equipes que trabalham com protótipos, agentes, automação e testes privados.
Para o público brasileiro, o ponto principal é entender o conceito: PCs com IA local deixam parte do processamento dentro da máquina, o que pode reduzir latência, melhorar privacidade e permitir trabalho mesmo quando a conexão com a nuvem é limitada. Ainda não há preço ou previsão de chegada ao Brasil.
Vídeo oficial relacionado: o canal Microsoft Surface publicou a apresentação do Surface RTX Spark Dev Box.
Microsoft Discovery e pesquisa científica com IA
A cobertura complementar da Mashable também cita o Microsoft Discovery, plataforma de pesquisa científica da Microsoft que chegou à disponibilidade geral. A proposta é usar IA para acelerar etapas como formulação de hipóteses, análise de dados, simulações e colaboração entre pesquisadores.
Esse tipo de ferramenta mira laboratórios, universidades e equipes de P&D que trabalham com materiais, medicamentos, energia, química e outras áreas onde a descoberta científica envolve muitos testes. Em vez de substituir cientistas, a IA atua como camada de apoio para priorizar caminhos promissores e reduzir ciclos de tentativa e erro.
Embora o anúncio seja mais técnico, ele ajuda a explicar por que a Microsoft insiste tanto em agentes e infraestrutura: a empresa quer vender IA não apenas como assistente de texto, mas como plataforma para trabalho, código, ciência e automação empresarial.
Vídeo oficial relacionado: não encontramos um vídeo oficial específico da Microsoft para o Microsoft Discovery no recorte da keynote; por isso, mantemos o vídeo geral da keynote como referência.
Majorana 2: novo passo rumo ao computador quântico
Nadella também mencionou o Majorana 2, chip quântico que, segundo a cobertura da Mashable com base na Bloomberg, faz parte da meta da Microsoft de chegar a um computador quântico útil até 2029. Computação quântica usa princípios da física quântica para resolver certos tipos de problema que seriam muito difíceis para computadores convencionais.
Ainda é uma aposta de longo prazo. Diferente dos anúncios de modelos MAI, Scout e Surface RTX Spark, que já têm previews ou produtos em desenvolvimento, a computação quântica segue cercada por incertezas técnicas. Mesmo assim, a menção mostra que a Microsoft quer conectar IA, nuvem, hardware especializado e pesquisa avançada em uma mesma estratégia.
Vídeo oficial relacionado: não encontramos um vídeo oficial específico sobre o Majorana 2 na lista de vídeos da Microsoft Build 2026; o tema aparece como menção dentro da keynote.
O que isso significa para usuários e empresas
A Build 2026 reforça uma virada: a Microsoft quer que IA deixe de ser apenas um recurso dentro do Copilot e vire uma camada operacional de produtos, dispositivos e infraestrutura. Para usuários, isso pode trazer assistentes mais proativos no Microsoft 365. Para empresas, a promessa é automatizar tarefas com mais governança. Para desenvolvedores, o foco está em modelos próprios, Foundry, execução local e ambientes seguros para agentes.
O cuidado é separar promessa de disponibilidade real. Vários anúncios ainda estão em preview, são experimentais ou não têm preço e lançamento global definidos. Mesmo assim, a direção é clara: a Microsoft está preparando Windows, Microsoft 365, Surface, Foundry e parcerias com NVIDIA e Qualcomm para um mundo em que agentes de IA executam tarefas de ponta a ponta.
Veja também:
Fontes: Mashable, Mashable — modelos MAI, Mashable — Microsoft Scout, Mashable — Surface RTX Spark, Microsoft 365 Blog, Microsoft no YouTube, Microsoft Developer no YouTube e Microsoft Surface no YouTube.
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