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Aconteceu: a NASA deu o primeiro passo para os humanos voltarem à Lua após 54 anos por meio da missão Artemis II, já que a última visita dos humanos ao satélite natural da Terra foi em 1972. Após fazerem uma viagem em volta da órbita lunar, os astronautas precisarão de mais quatro dias para retornar à Terra. Veja todos os passos e o que vem em seguida:
Veja imagens do lançamento da Artemis II

No dia 01 de abril de 2026, às 19h35, a partir doCentro Espacial Kennedy, em Cabo Canaveral, na Flórida, o foguete que leva a cápsula Orion 2 finalmente levantou voo. A ideia da NASA é fazer um teste de tecnologias para um retorno da humanidade à Lua, com previsão de retornarmos ao satélite natural da Terra em meados de 2030.
O voo quase teve que ser interrompido: pouco antes da decolagem, problemas no sistema de abortagem chegaram a ameaçar o lançamento. Esse mecanismo é essencial para ejetar os astronautas e destruir o foguete em caso de falha crítica. Apesar do imprevisto, a contagem regressiva de 10 minutos foi mantida enquanto os engenheiros da NASA solucionavam a falha rapidamente.

Isso lembra o caso de fevereiro, quando a missão teve de ser adiada para abril, após falhas técnicas no foguete SLS, especificamente um vazamento de hidrogênio, problemas na pressurização com hélio e uma anomalia na bateria do sistema de abortar o voo.
Antes do lançamento, outro problema foi detectado: um alerta no painel da cápsula Orion indicou uma falha no Universal Waste Management System (UWMS), o sistema sanitário responsável pela coleta de resíduos. O incidente chamou a atenção por ser esta a primeira missão lunar da história equipada com um banheiro completo para os astronautas, já que, nas outras missões, um saco de coleta de dejetos era dado aos astronautas, como este abaixo:

Apesar do susto, o problema foi resolvido rapidamente enquanto a nave ainda estava em órbita terrestre. Sob orientação do controle de missão, a astronauta Christina Koch realizou os ajustes necessários para restabelecer o funcionamento do ventilador do sistema, essencial para operar em microgravidade.

A NASA confirmou que a falha não comprometeu a segurança da tripulação e que o cronograma segue mantido. Veja o banheiro montado pela NASA:
Logo depois, os quatro motores RS-25 e os dois propulsores laterais de combustível sólido foram acionados, gerando uma grande coluna de fogo. Veja o resumo postado pela NASA:
Astronautas participantes

Apresentados em 2023, quatro astronautas foram escolhidos para participar da missão Artemis II: Christina Koch (44 anos), Jeremy Hanson (47), Reid Wiseman (47) e Vitor Glover (46). Koch, Wiseman e Glover são estadunidenses e o astronauta Hanson é quem vai representar a Canadian Space Agency (CSA).

Christina Koch é uma engenheira eletricista com um recorde por passar 328 dias no espaço: nenhuma mulher antes dela tinha conseguido passar tanto tempo fora da Terra. Em outubro de 2019, ela participou da primeira missão que contou só com mulheres em atividade extraveicular, que acontece quando os astronautas precisam explorar o exterior do espaço fora de suas naves.

Jeremy Hanson, representando o Canadá, foi aviador na Royal Canadian Air Force (Força Aérea Real Canadense). Hanson irá explorar o espaço pela primeira vez graças à missão Artemis. Junto a Koch, ele vai trabalhar na assistência como especialista em missões na viagem espacial.

Reid Wiseman, por sua vez, trabalhou como chefe na sede dos astronautas da NASA, mas chegou a ser piloto da Marinha dos EUA também. Wiseman chegou a ir ao espaço em 2015, estando na Estação Espacial Internacional e, com essa experiência em liderança, será o comandante nessa nova fase da exploração espacial.

Já Victor Glover é um piloto de teste, também integrante da Marinha dos EUA. Ele começou a atuar na NASA em 2013 e foi ao espaço em 2020 pela primeira vez. Ele foi o primeiro afro-americano a ficar na estação espacial por um tempo considerável de seis meses, e está escalado como piloto na fase 2 da Artemis. Este vídeo mostra o dormitório dos astronautas na nave:
Etapas da missão Artemis II
No primeiro dia, a missão foca em sair da vizinhança da Terra. Após o lançamento, a nave realiza o desacoplamento do estágio ICPS e permanece em uma órbita terrestre alta por cerca de 24 horas. Esse tempo é fundamental para que os astronautas testem todos os sistemas vitais da Orion (incluindo o suporte de vida e o banheiro) antes de se afastarem definitivamente do planeta.
No segundo dia, a cápsula aciona seus motores para a importante manobra de injeção translunar. É o momento em que a Orion sai da órbita terrestre e inicia oficialmente a jornada de ida, que dura cerca de quatro dias. Durante esse trajeto, a tripulação realiza ajustes finos de navegação e se prepara para o encontro com a Lua. A NASA está realizando uma transmissão ao vivo da Cápsula Orion em seu canal no YouTube, assista abaixo:
Por volta do quarto ou quinto dia, ocorre o momento mais emocionante: o sobrevoo lunar. A nave passa a aproximadamente 10.300 km da superfície da Lua, incluindo o lado escuro não visível pela Terra, por conta da rotação da Lua que acompanha a da Terra. Durante este momento, os astronautas ficarão incomunicáveis por cerca de 50 minutos.
Então, é hora de retornar à Terra: utilizando a gravidade para fazer a curva e ser “lançada” de volta para casa. A partir daí, inicia-se a viagem de regresso, que leva mais alguns dias de navegação silenciosa pelo espaço.
Finalmente, entre o nono e o décimo dia de abril, a missão chega ao fim. Pouco antes de tocar o solo, ocorre a separação do módulo de serviço e a cápsula enfrenta a reentrada na atmosfera. Todo o processo termina com o pouso no Oceano Pacífico, encerrando a primeira fase tripulada do programa que pretende levar a humanidade de volta à superfície lunar nos próximos anos. A NASA também está transmitindo a conversa com astronautas com o escritório:
Próximas missões e objetivos

Após a conclusão e análise dos dados da missão iniciada em 1º de abril de 2026, a NASA voltará suas atenções para a Artemis III, com lançamento previsto já para 2027. Segundo a agência, o próximo passo fundamental será validar os procedimentos de encontro e acoplamento em órbita terrestre. Esses testes envolverão a espaçonave Orion e os veículos de pouso lunar desenvolvidos pelas parceiras comerciais SpaceX, de Elon Musk, e Blue Origin, de Jeff Bezos.

De olho no futuro, a NASA utiliza a Lua como um laboratório essencial para que humanos possam, eventualmente, viver em Marte. Em uma base lunar, a agência pretende aperfeiçoar tecnologias para fornecer ar e água, além de descobrir como gerar energia e construir habitats que protejam a tripulação de temperaturas extremas e da radiação espacial. A ideia é usar a Lua para produzir insumos, evitando a necessidade de carregar todo o oxigênio e água da Terra até o planeta vermelho.
Ir para a Lua e permanecer lá por um período prolongado é muito mais seguro, mais barato e mais fácil como teste para aprendermos a viver e trabalhar em outro planeta.
Libby Jackson, chefe de espaço do Museu de Ciências de Londres.
A pressão da China

Quem acompanha a exploração do espaço de perto sabe que as missões Apolo, entre 1960 e 1970, foram impulsionadas por conta de uma corrida espacial entre os EUA e a União Soviética. Cinquenta anos depois, a grande concorrente dos EUA é a China.
Nos últimos anos, a China vem avançando bastante na corrida espacial e já enviou robôs e veículos de exploração para a Lua com sucesso. A ideia é que a China também mande humanos para a Lua em 2030 e, daqui pra frente, Marte deve ser o novo foco do país asiático.
O presidente Donald Trump assinou uma ordem executiva que prevê o retorno dos EUA à Lua até 2028 e o estabelecimento de uma base permanente no local até 2030. E vale ressaltar que esta corrida espacial tem motivação financeira: a Lua tem uma grande concentração de hélio-3, elemento que pode ser potencialmente usado para operar compactos reatores nucleares com uma certa durabilidade.

A Lua abriga recursos estratégicos, como água em estado sólido, que pode ser convertida em combustível para foguetes e metais de terras raras, como lítio e platina, fundamentais para a indústria de tecnologia limpa.
Atualmente, o mercado desses minerais na Terra é dominado pela China, o que representa um ponto de atenção geopolítica para o governo Trump. Embora o valor total das riquezas lunares ainda seja incalculável, o potencial econômico é enorme: o hélio-3, por exemplo, é avaliado em cerca de US$ 20 mil por grama (aproximadamente R$ 103 mil), figurando entre as substâncias mais valiosas do mundo.
Quando você acha que uma colônia de humanos será montada em Marte e quem deve vencer a corrida espacial e montar uma base lunar primeiro? Diga pra gente nos comentários!
Veja também:
Texto revisado por Alexandre Marques em 02/04/2026.
Com algumas informações: NASA.
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